terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MARINA SILVA E SUA 'REDE: O DISFARCE VERDE DA DIREITA NEOLIBERAL



Tucano disfarçado de verde (e com amarelo para parecer brasileiro)



Como auxiliar de Serra, com a missão de levar a eleição de 2010 para o segundo turno



“No último sábado (16), em Brasília, houve um grande lançamento, com toda a pompa que a mídia brasileira poderia dar; o lançamento do 31° partido político brasileiro: a ”Rede Sustentabilidade” ou simplesmente “Rede”.



Por Pedro Luiz Teixeira de Camargo



Capitaneado pela ex-presidenciável Marina Silva, tal partido teve, nesse ato de fundação, o que eles chamaram de “acabar com a lógica de partidos a serviço de pessoas".



Antes de entrar no campo ideológico dessa nova agremiação, como romper com essa lógica, sendo que esse partido está sendo organizado um ano antes da eleição presidencial e, por coincidência, a presidenta [da “Rede”] Marina Silva teve cerca de 20 milhões de votos nas eleições passadas? Um pouco estranho né... 



Dizer que vai acabar com tal lógica saindo de dois partidos que são muito mais que um “grupelho de pessoas”? O PT, partido que a ex-seringueira militou por 30 anos pode ser acusado de um monte de coisas, mas não que não tenha ideologia, assim como o PV, que foi fundado em meados dos anos 80 pelo ex-guerrilheiro Fernando Gabeira e outros intelectuais (como Gilberto Gil, por exemplo) por influência dos verdes europeus, onde [pelo PV] a ex-senadora se candidatou à presidenta nas últimas eleições. Muito estranha tal afirmação dela, levando em conta essa curta lembrança de sua trajetória... 



Vamos pensar no campo ideológico agora: o tal partido novo não se coloca nem como esquerda e nem como direita. Coloca Marina: "Estamos na época do paradoxo, nem situação, nem oposição à Dilma. Precisamos de oposição. Se Dilma estiver fazendo algo bom, vamos apoiar. Se não, não. Parece ingênuo. mas não tem nada de ingênuo".



Não tem nada de ingênuo? Não tem mesmo. Como um partido pode ser criado sem saber o que ele mesmo defende? É duvidar da inteligência do eleitor! Ou, então, é querer ser mais uma legenda de aluguel, pois se o objetivo é esse, o caminho que está sendo percorrido faz todo sentido. E, pelas próximas afirmações que veremos desta e de outros novos “marineiros”, parece ser essa a lógica. 



Um dos fundadores do partido é o ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas [PSDB-SP], ex-Secretário de Coordenação das Subprefeituras de José Serra [PSDB-SP] e ex-Secretário de Esporte e Lazer do município de São Paulo na gestão Kassab e atual deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP). Muito curioso um quadro com a enorme votação (em 2002, foi o deputado federal mais votado do PSDB na capital e em 2006, foi reeleito deputado federal novamente como o mais votado do partido; e de novo em 2010) e prestígio dentro da principal legenda de direita do país como esse queira aderir ao "Projeto Marina 2014". Por acaso ele se tornou um “ambientalista”? 



Outro fato curioso em relação à “Rede” se dá porque serão proibidas contribuições de empresas de cigarro, armas, agrotóxicas e bebidas alcoólicas. Muito legal, mas quem mais doa dinheiro para campanhas eleitorais em nosso país são bancos e empreiteiras, mas sobre esses não há uma vírgula... 



Continuando nossa relação de coincidências, vemos um tema controverso:a ficha limpa. Observem a parte que coloco abaixo, oriunda do jornal [declaradamente tucano-serrista] “O Estado de S. Paulo” (16 fev): 



"Apesar de exigir "ficha limpa" para seus dirigentes partidários e candidatos, os filiados não precisarão seguir a mesma regra, podendo entrar para o partido mesmo que tenham problemas com a Justiça. Não serão aceitos, no entanto, aqueles que respondem a crimes do colarinho branco, como corrupção. "Para filiar-se não precisa de ficha limpa", afirmou o deputado Walter Feldman (SP), que deixará o PSDB para ingressar no novo partido. Mais tarde, em discurso, João Paulo Capobianco, um dos fundadores, assegurou que a legenda vai "coibir a entrada de ficha suja".



Nem começou e a confusão já está formada! O deputado é contra a ficha limpa, mas outro membro da direção é a favor. Um partido que não tem nem mesmo uma carta programática em seu lançamento tende a ter essas coisas, ou seja: não saber o que defende e nem aonde ir. 



Mais uma curiosidade está no fato de que haverá uma cláusula onde 50% dos filiados poderão ter a opinião que quiserem, sem seguir nenhuma diretriz partidária. Ora bolas, se eu não concordo com a ideologia ou com o que prega meu partido, para que vou ficar lá? 



Outro caso curioso se dá em relação aos mandatos políticos: segundo o que pregam, só poderá haver uma reeleição. Tudo bem se o Feldman não fosse deputado desde 1998, Heloísa Helena não tivesse sido senadora e depois vereadora e a própria Marina Silva, que foi senadora por 16 anos! Esse partido vai mesmo deixar esses caciques não serem candidatos? Sinceramente, não dá para acreditar nisso. Com certeza, esse tópico será mudado antes de ser colocado no papel. Afinal, está sendo fundado um ano antes da eleição e por pré-candidatos! 



Em relação ao que esse novo partido defenderá, Pedro Ivo, um dos coordenadores do movimento, tentou resumir a ideia do grupo. “Estamos construindo uma nova utopia, um novo projeto político e ideológico baseado na sustentabilidade”. 



Sinceramente, falar apenas "sustentabilidade" é como falar educação, saúde, segurança, ninguém é contra, mas que tipo de sustentabilidade? A quem? A serviço de quem? 



Por último, vejamos os principais nomes que já aderiram ao Projeto pessoal de Marina, além do deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP): Maria Alice Setúbal, herdeira do “Banco Itaú”; Guilherme Peirão Leal, co-presidente do Conselho de Administração e dono de 25% das ações da “Natura”; os deputados federais Alfredo Sirkis (PV-RJ) e Domingos Dutra (PT-MA); o vereador paulistano Ricardo Young (PPS), empresário e ex-presidente do “Instituto Ethos” e a vereadora de Maceió e ex-senadora alagoana Heloísa Helena (PSOL). 



Chama a atenção que nenhuma liderança dos movimentos sociais esteja presente, declarando apoio a essa nova empreitada... 



CONCLUSÕES



Depois de vermos com calma como se deu a aglomeração e organização desse novo partido político, pode-se tirar algumas conclusões: 



1- Não Representa Nada de Novo: partidos políticos surgem todo dia e toda hora, foi assim antes da última eleição com o PEN (Partido Ecológico Nacional), será assim com a direitista ARENA, que está voltando. Sem uma ideologia definida, sem carta programática, essa “Rede” funcionará como mais uma legenda para ser negociada nas eleições brasileiras, com um agravante: como só metade dos filiados deve obedecer à direção do partido, será uma verdadeira confusão, aliança com a direita, com a esquerda, com o centro...



2- Representa um Projeto Pessoal. Sim: Essa conversa mole de Marina Silva que essa agremiação não surge para ser trampolim dela à eleição não cola. Se fosse assim, não teria surgido um ano antes do ano eleitoral.



3- Legenda de Direita: Dizer que o partido não nem situação e nem oposição com essa escalação? Megaempresários e deputados ligados diretamente a empresas. Como podem querer modificar a sociedade? Da maneira que os bancários do “Itaú” são explorados ou dos processos que a “Natura” responde por crimes ambientais? 



4- Favor ao PSDB: Não é segredo para ninguém que Aécio Neves deverá ser o grande quadro que os neoliberais apostam suas fichas para poder voltar ao Palácio do Planalto. Quanto mais candidatos, que possam tirar votos da esquerda, melhor para eles, pois aumenta a chance de levar a disputa para o segundo turno.



5- Sem ideologia: dizer que "sustentabilidade" é ideologia é o mesmo que falar que educação é ideologia; não é. São bandeiras de luta que devem ser debatidas, pois podem perfeitamente representar um avanço ou um retrocesso; é só olhar o que era (para ser) e o que é o PV em nosso país. Na teoria, defendem a natureza, mas na prática se aliam ao PSDB que privatizou [para estrangeiros, a maioria] nossas empresas em diversos locais. Um partido sem carta programática pronta em seu lançamento só pode querer dizer uma coisa: “não sei o que defendo”.



6- Retrocesso: Tanto Marina Silva é uma famosa militante criacionista, faz parte da “Igreja Assembleia de Deus” e é conhecida por sua intolerância a questões científicas já provadas, como a teoria da evolução. Ter uma presidenta de um partido que tem como principal líder espiritual o homofóbico Pastor Silas Malafaia é muito preocupante. 



7- Desfavor para uma Reforma Política Séria: A partir do momento que metade dos filiados não precisa seguir um programa partidário, busca-se o enfraquecimento dos partidos políticos, e tal enfraquecimento é o que mais quer a famosa bancada dos partidos grandes, pois dessa forma, aumentam seus argumentos de que todos os partidos são iguais, ou seja, tanto faze ter 5, 10 ou 31 partidos!



Para terminar, é fundamental mostrar a toda a sociedade a verdadeira faceta de Marina Silva e de sua “Rede”: servir de legenda para deputados insatisfeitos em seus partidos, garantir um partido para a realização pessoal da ex-senadora e, principalmente: servir de sublegenda para a direita neoliberal. Desgastada devido aos bons governos de Lula e Dilma, a direita tradicional precisa se repaginar, e nada melhor que usar uma ex-militante "de esquerda", ainda mais se puderem pintar o tucano de verde, que pode deixar de ser a cor da esperança para passar a ser a cor da preocupação... ".



FONTE: escrito por Pedro Luiz Teixeira de Camargo (conhecido como Peixe). É biólogo e professor, especialista em Gestão Ambiental e Mestrando em Sustentabilidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Artigo publicado no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206125&id_secao=1) [Imagens do google, suas legendas e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A REDE DE MARINA SILVA PARA AMARRAR VOCÊ NA MATRIX DOMINADORA DO ITAÚ E DA GLOBO



Militantes são credenciados no encontro nacional do partido de Marina.
Organização empresarial feita por bilionária do Grupo Itaú.
Negação da luta política lembra a dominação mostrada no filme Matrix.

Nada decepciona mais nesse partido da Marina Silva do que a negação da luta política dos mais fracos e da pregação ao conformismo submisso aos mais fortes.

É a "utopia sonhática" do Itaú, da Globo, do bilionário neoliberal dono da Natura. É a sustentabilidade reacionária e conservadora. Os bilionários mandam, eles são os "sábios" conselheiros, orientadores e ideólogos de um hipotético governo, cuja REDE Marina se encarregaria de manter conectados os brasileiros, obedientes à ordem dominadora moldada por eles. Todos conformados, igual aos dominados no filme Matrix. Semelhante aos primeiros 502 anos da história do Brasil.

Cito o banco Itaú, especificamente, porque uma das principais caciques do partido de Marina é Maria Alice Setúbal, herdeira e acionista do império Itaú. Segundo o "site" na internet, sua função no partido é "mobilização de recursos".

Não deixa de ser curioso que os recursos mobilizados são laranja, a cor de fundo usada nas placas e propagandas do Banco Itaú.

Irresistível não comparar com a dominação de Matrix, quando vemos a foto de militantes enfileirados para serem credenciados em guichês com placas laranjas (foto acima), por atendentes uniformizadas de blazer preto com camisa laranja (a cor do Itaú, de novo). Parece que as atendentes estão plugando um a um à dominação da Matrix do Itaú.

Muito além da comparação com o filme, o mais grave é querer esvaziar a luta política como instrumento dos cidadãos conquistarem melhorias de vida.

O discurso de Marina é recheado de frases de efeito sempre puxando para um suposto "novo jeito de fazer política", "acima da esquerda e direita", "não é oposição, nem situação", "resgatar a ética", "não tem movimentos sociais por trás", "não fuma, nem bebe" e blá-blá-blá para ser politicamente correto, agradar a todos e não desagradar ninguém. Luta política que é bom, e que obriga a escolher lado, nada.

É o discurso que a Globo e o Itaú gostam. É discurso da desconstrução e criminalização da luta política que bate de frente com seus interesses.

É o discurso que busca dominar a chamada nova classe média, buscando convencê-la a se desiludir com a luta política que a levou a conquistar o que tem, e votar alienada, igual vota no paredão do BBB, em quem acha mais bonzinho, mais simpático, mais bonitinho. Na luta política, do jeito que está, a Globo sabe que não vence mais, então o negócio é esvaziá-la. E que tristeza ver Marina Silva fazendo esse serviço.

A REDE Matrix da Marina está mandando às favas a luta política do enfrentamento contra a má distribuição de riquezas e injustiça social.

O Banco Itaú fica mais "sustentável" quando a clientela faz tudo pela internet e deixa de ir na agência, deixa de imprimir papel. Mas esse ganho de produtividade, esvaziando as agências, o banco não compartilha com seus trabalhadores, mandando-os para o olho da rua, mesmo com lucros estratosféricos.

A boa luta política é brigar por leis que reduzam a jornada de trabalho em vez de demitir, se a empresa teve ganho de produtividade e tem lucros suficientes para manter a mão de obra. Ou pelo menos, quem pode mais e desemprega só para lucrar mais, tem que pagar mais impostos necessários a gerar novos empregos.

De nada adianta abraçar árvores, financiar ONG's, se a empresa joga pessoas no desemprego só para aumentar mais ainda os lucros de acionistas. Esse egoísmo é uma forma de poluir a qualidade de vida na sociedade, com o empobrecimento de pessoas, a desestruturação de lares, de famílias, que o desemprego provoca, muitas vezes. E para acabar com esse egoísmo é preciso luta política. Os partidos políticos são os instrumentos desta luta para mudar leis.

A grande luta política no Brasil ainda é o combate à desigualdade para elevar brasileiros pobres para um padrão de vida de classe média. E essa REDE Matrix de bilionários em torno da Marina tem uma agenda pragmática oposta, como, por exemplo, lutam para pagar menos impostos, mesmo com lucros exorbitantes; condenam verbas para programas sociais; pregam arrocho de salários e aposentadorias para ter mais lucros se pagarem alíquotas menores para manter a Previdência; pregam cortar direitos trabalhistas para poder demitir mais fácil e mais barato. Pregam a privatização e redução de serviços públicos, essenciais para quem não tem condições de pagar.

É luta contra tubarões, que enfrentamos e que produz baixas do nosso lado. Novidade na política é concluir o ciclo dessa luta e conscientizar aqueles que estão plugados na Matrix de dominação da Globo e do Itaú a se libertarem das amarras.

fonte:   O Terror do Nordeste

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

VEJA, EM LUA DE MEL COM RENAN, DISPARA CONTRA GURGEL



A revista Veja que, apesar das aparências, vinha pegando leve contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), devido à divida de gratidão pela blindagem do bicheiro Cachoeira e do jornalista Policarpo Júnior na CPI, entrou na fase de lua-de-mel, depois que o senador fez juras de amor ao PIG (Partido da Imprensa Golpista).

No quinta-feira (14), O colunista Lauro Jardim até disparou a seguinte nota favorável a Renan e desfavorável a Gurgel:

Os encarregados das relações institucionais entre o Ministério Público e o Congresso Nacional que têm circulado pelo Senado estão voltando para a Procuradoria-Geral da República com a seguinte mensagem: uma instituição não pode pagar pelos erros de um homem.
.
O recado é claro. Renan Calheiros, Fernando Collor e sua turma vão fazer de tudo para acabar com Roberto Gurgel, mas querem manter pontes no alto escalão do MP visando uma convivência mais harmoniosa entre investigadores e investigados para os próximos dias.

Quer entender a lua-de-mel? Bob Fernandes explicou no Jornal da Gazeta:

A HISTÓRIA SECRETA DA RENÚNCIA DO PAPA



Por Eduardo Febbro, na Carta Maior
Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.
Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.
O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.

Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.
Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.
João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.
Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.
Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.
Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.
Tradução: Katarina Peixoto

Fonte:  Escrevinhador

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

COM A AJUDA DE VARGAS, BRESSER DESCONSTRÓI FHC





Em dezembro de 1994, já eleito presidente, FHC alegou restar “um pedaço do nosso passado que ainda atravanca (sic) o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo autárquico e ao seu Estado intervencionista.” (Folha (*), 18/dez/1994)

Em 1999, o ex-presidente avaliou seu primeiro mandato como o início da superação da Era Vargas: “Eu disse … quando fui eleito, que queria botar fim na Era Vargas … Acho que estamos de viver sob o mando do que Getúlio fez.” (in Saretta, F. – “O jornal O Estadão de S. Paulo e Getúlio Vargas” – Encontro Nacional de Economia Política, 9, 2004, Uberlândia, 2004, p.4)

Essas inesquecíveis afirmações – um misto de megalomania, arrogância e tiro no pé – foram extraídas de “A Era Vargas – Desenvolvimentismo, economia e sociedade”, organizado por Pedro Paulo Zahluth Bastos e Pedro Cezar Dutra Fonseca, Editora Unesp, Instituto de Economia da Unicamp, e Centro Internacional Celso Furtado, 2011, São Paulo.

Ali está, também, “Getúlio Vargas: o estadista, a nação e  democracia”, ensaio de Luis Carlos Bresser-Pereira, p. 93.

Bresser quer provar que Vargas foi o maior estadista brasileiro do século XX e, na História brasileira, só se compara a José Bonifácio.

Trata-se de um ensaio de “teoria política”, em que “importa saber como a ação política de Vargas se relacionou com a construção da nação e do Estado brasileiro, e, em consequência, com a revolução industrial e nacional, e com a transição de um Estado oligárquico para um democrático.”

“Vargas tem muitos adversários: desde os remanescentes da oligarquia exportadora paulista e dos intelectuais de esquerda da Escola de Sociologia da Universidade de São Paulo até os neoliberais de hoje cuja hegemonia desde 1991 levou o Brasil novamente à condição de quase colônia.”

Fernando Henrique, como se sabe, se enquadra em duas das três categorias de adversários de Vargas: ele foi da Escola de Sociologia da USP e de esquerda, a ponto de usar o método marxista de análise – embora, depois, numa entrevista ao Mino, dizer que tinha retirado a informação na segunda edição de um de seus (ilegíveis) livros.

E, como se sabe, o Farol de Alexandria foi o patrono e teólogo do neolibelismo (**).

E só não devolveu o Brasil à posição de colonia – depois de tirar os sapatos -, porque foi destruído por um terremoto de nome “Lula”.

Nessas duas condições – ex-esquerdista e neolibelista (**) – ele serviu aos interesses da oligarquia exportadora paulista e suas ramificações na Avenida Paulista, onde o casarão do barão do café se converteu em arranha-céu de banqueiro.

Bresser-Pereira rompeu com o PSDB de Fernando Henrique, quando chegou à conclusão de que o PSDB era irremediavelmente entreguista.

(Conta-se que Bresser foi a um cartório para se desligar formalmente, inequivocamente,  do partido entreguista.)

O importante ensaio de Bresser pode ser lido nesse timbre: os teóricos da “dependência associada” fracassaram e Vargas está vivo.

Os que tiraram o sapato se baseavam numa pesquisa de meia sola do próprio Fernando Henrique para provar que o Brasil não tinha burguesia.

(Quando Fernando Henrique foi eleito, este ansioso blogueiro entrevistou Albert Hirschman, na Universidade de Princeton, para um “Globo Repórter” especial sobre o novo presidente. O ansioso blogueiro perguntou a Hirschman, professor e amigo de Fernando Henrique, o que achava da “teoria da dependência”. O professor alemão respondeu: “a própria eleição do autor da teoria é a prova de que ela não funciona”. O ansioso blogueiro teve que trocar alguns impropérios ao telefone para assegurar que a declaração constasse do encomiástico perfil.)

“O nacionalismo é essencialmente a ideologia da formação do Estado-nação; é a ideologia que um povo, sentindo-se capaz de se transformar em uma nação, usa para poder dotar-se de um estado com soberania sobre seu território,” diz Bresser.

“Nos 15 anos de seu primeiro Governo, são criadas a Companhia de Álcalis, e a Companhia Vale do Rio Doce (que o FHC e o Padim Pade Cerra venderam na bacia das almas – PHA); no seu segundo Governo, entre 1951 e 54, a Petrobras (que o Farol de Alexandria e o Cerra quase entregam à Chevron – PHA), a Eletrobrás e o BNDES.”

“Foi a primeira vez na histórica política do Brasil que um grande líder politico foi buscar as bases de sua legitimidade no povo, especificamente nos trabalhadores urbanos que já começavam então a se manifestar por meio de movimento sindicais.”

Vargas fundou o primeiro partido de massas do país, o Partido Trabalhista Brasileiro, que o jenio do Golbery desfigurou, mas que se refez no PT.

Vargas fez a CLT, a lei do salário mínimo.

Ao equipar o Estado, construir uma Nação com a incorporação dos pobres ao processo político, Bresser conclui que Vargas fincou as bases de regime democrático.

Democracia que os aliados do Fernando Henrique dinamitaram com o suicídio de Vargas, a tentativa de impedir a posse de JK – o sucessor de Vargas -, o Golpe contra Jango, Brizola, Lula e Dilma (o último, ainda em curso).

Clique aqui para ler “FHC: de Marx a Gabeira”.


Paulo Henrique Amorim


fonte:   Conversa Afiada

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pastor Silas Malafaia, a Bíblia e o crente [Vale a pena ler]


Carta para Silas Malafaia: Pastor, me ajude! 

[Por Jordan Campos] 

Prezado Silas Malafaia, notei que és um profundo conhecedor da bíblia e aplica as leis encontradas nela de forma justa e ao pé da letra. Não quero queimar no inferno, quero salvar minha alma, você poderia me ajudar então a ser um filho querido de Deus, sem pecados e tirar as minhas dúvidas abaixo?  

O senhor disse, ao defender que os homossexuais queimarão no inferno com base na passagem do antigo testamento a seguir: (Levítico 20:13) “Se um homem usar com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometeram uma torpeza abominável, serão punidos de morte e sua morte recairá sobre eles”. 

Eu sou heterossexual, e muito bem casado, estou livre desta parte, mas me preocupei com outras e com algumas obrigações contidas no mesmo Levítico e no Livro do Êxodo. Por favor, me ajude a esclarecer, senhor Silas, com sua habilidade e como psicólogo que é:  

  1. Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia como a bíblia recomenda a punição?
  2. Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?
  3. Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso á minha esposa? Eu tenho receio que ela se ofenda comigo.
  4. Levítico 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Posso comprar alguns escravos então da Argentina e não do Chile que não faz fronteira com o Brasil? Me explica isso?
  5. Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo ou contrato alguém para fazer a vontade de Deus?
  6. Levítico 21:18-21 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos às vezes para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?
  7. A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levítico 19:27. Como eles devem morrer? Eu mato também? E o senhor faz a barba ou nasceu peladinho assim, bigode... Conta? me ajude!!  

Espero urgentemente uma resposta Sr. Silas, e obrigado por me lembrar que a “palavra de Deus” é eternamente imutável e que as escrituras devem ser seguidas à risca sempre e a todo tempo.

Publicado no Facebook por Carlos Cassaro

PHA FINALMENTE CONHECE EDUARDO


O jornalista que até dias atrás acreditava piamente e garantia que Eduardo Campos ficaria ao lado de Lula e Dilma até o fim parece que finalmente percebeu a realidade e num "navalha" cheio de decepção aparentemente rompe com o governador de Pernambuco.

Saiu em O Globo:

EDUARDO CAMPOS CRITICA RETALIAÇÃO DE PMDB A GURGEL

Governador diz que PSB vai ficar fora de qualquer tentativa de impeachment de procurador-geral da República



RECIFE — O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, criticou ontem a tentativa de aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que planejam uma retaliação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que enviou denúncia contra o político alagoano ao Supremo Tribunal Federal (STF) poucos dias antes de sua eleição para a presidência do Senado. Campos afirmou que não há motivo que justifique o impeachment do procurador-geral da República como quer a tropa de choque de Renan Calheiros, a maioria peemedebista. O governador de pernambuco disse que o seu partido vai ficar de fora daquela iniciativa.
— Eu não vejo nenhum indício de falha no procurador-geral que justifique o uso dessa medida que existe, que é constitucional, mas que é muito extrema e que só justifica no caso de falha muito grave, de um grande absurdo, de descumprimento da lei. Da mesma forma que um detentor de mandato — prefeito, governador, presidente. O procurador também pode sofrer um processo dessa natureza. Mas só em caso de descumprimento da lei. E não vejo nenhum fato objetivo que o venha incriminar — disse.

Navalha

Como se sabe, o Senado, quer dizer, o PMDB, se prepara para julgar o brindeiro Gurgel -http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/02/09/senado-se-prepara-para-julgar-gurgel/ – por iniciativa do senador Fernando Collor: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/02/06/apple-collor-vai-ao-tcu-x-gurgel/

(Os senadores do PT ainda não se manifestaram sobre a matéria.)

O brindeiro Gurgel, como se sabe, quer botar o Lula na cadeia – de Minas, onde há mais tucano do que pão de queijo –http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/02/07/gurgel-vai-pra-cima-de-lula-agora-em-mg/

É nesse ambiente que se encaixa a declaração de Eduardo Campos.

Ele defende Gurgel, o algoz de Lula e do PT, e espinafra o PMDB, o ponto fraco da aliança PT-PMDB para eleger a Dilma em 2014.

Ou seja, ele bate no PT, com o escudo protetor do PMDB.

Ele bate no PT (e na Dilma e no Lula) com o Gurgel e o PMDB.

É muita esperteza num Carnaval só.

O PMDB é o saco de pancada de socialistas que temem bater no PT.

Logo no PT de Lula e Dilma que fez o que fez por Pernambuco (e pelo Ceará).

Mas, esse foi o caminho que Ciro Gomes também trilhou.

O caminho da “moralidade”.

O PT – bem, deixa o PT de lado, por agora.

Vamos pra cima  dessa aliança com o PMDB, que é maldita, infecta.

(Isso soa como um naipe de violinos aos ouvidos do Ataulfo Merval.)

Como não pode chamar o PT de corrupto, o “socialismo” desqualifica o PMDB, que é o “corrupto” da predileção – por enquanto – do PiG (*).

É uma acusação by proxy – por procuração.

Eduardo Campos, aparentemente, é candidato a Presidente em 2014.

Mas, não em 2013.

Como a eleição é em 2014, trata-se de uma estratégia que começa a despir-se.

Como se a Dilma não percebesse.

Nem o Lula.

Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

BRADLEY MANNING E O WIKILEAKS ABRIRAM UMA JANELA NA ALMA POLÍTICA DOS EUA


Internacional| 29/01/2013 | Copyleft 


O tratamento repressivo aplicado a Bradley Manning (foto), soldado que divulgou documentos secretos do governo dos Estados Unidos e que está preso em condições desumanas, é uma das desgraças do primeiro mandato de Obama e demostra muitas das dinâmicas que estão moldando sua presidência. O artigo é do advogado norte-americano Glenn Greenwald, articulista do jornal britânico The Guardian



Os Estados Unidos não fazem nada para castigar os culpados dos crimes de guerra e fraude do Wall Street, no entanto se dedicam a demonizar quem os denuncia.

Durante o último ano e meio, todo o tempo em que Bradley Manning passou em uma prisão militar, muitas coisas foram ditas sobre ele, mas não o ouvimos dizer nada. Isso mudou apenas no final de dezembro, quando o soldado do exército estadunidense de 23 anos de idade, acusado de vazar documentos secretos ao Wikileaks, testemunhou sobre as condições de sua prisão na corte marcial, que abriu um processo contra ele.

Há algum tempo, podemos saber das medidas opressivas, que beiram à tortura, inclusive o prolongado confinamento na solitária e a nudez forçosa. Uma investigação formal, as Nações Unidas denunciaram essas condições ao considerá-las "cruéis e desumanas". O porta-voz do Departamento de Estado do presidente Obama, o coronel aposentado da força aérea PJ Crowley, admitiu, depois de condenar publicamente o mau-trato usado com Manning. Um psicólogo que trabalha nas prisões testemunhou esta semana que as condições em que mantiveram Manning eram piores do que as de quem se encontrava no corredor da morte ou em Guantánamo.

Ao escutar a descrição de todos esses abusos, através das próprias palavras do acusado de vazar informações, sentíamos também como nos demostrava visceralmente seu horror. Ao informar sobre a investigação, Ed Pilkington, do The Guardian, citava Manning: "Quando necessitava de papel higiênico, tinha que ser duro e gritar: "O preso Manning solicita papel higiênico!". E: "Me autorizavam 20 minutos de sol, acorrentado, a cada 24 horas". No início da sua prisão, recordava Manning: "Me dei totalmente por vencido. Pensei que ia morrer nesta jaula para animais de dois metros e meio por dois metros e meio.

O tratamento repressivo aplicado a Bradley Manning é uma das desgraças do primeiro mandato de Obama e demostra muitas das dinâmicas que estão moldando sua presidência. O presidente não só defendeu o tratamento aplicado a Manning, mas também decretou indevidamente a culpa de Manning, quando em uma entrevista afirmou "que ele havia desrespeitado a lei".

E o que é pior, Manning não é acusado apenas por revelar informação confidencial, mas também por ofensa capital de "ajudar o inimigo", pelo qual poderá ser aplicada a pena de morte (os fiscais militares estão solicitando "apenas" prisão perpétua). A radical teoria do governo é que, mesmo que Manning não tivesse esse propósito, a informação pode ter ajudado a Al Qaeda, uma teoria que rotula basicamente qualquer divulgação de informação confidencial – por um denunciante ou por um jornal – com traição.

Seja o que for que se pense dos supostos atos de Manning, parece ser o clássico denunciante. Podia haver vendido a informação a algum governo estrangeiro ou grupo terrorista. Pelo contrário, arriscou aparentemente sua liberdade para mostrar essa informação ao mundo porque, segundo alegou quando pensava que ninguém o escutava, queria desencadear "discussões, debates e reformas no âmbito mundial".

Comparem este agressivo processo com Manning com os vigorosos esforços da administração de Obama para proteger os crimes de guerra da era Bush e a fraude de Wall Street de qualquer forma de responsabilidade jurídica. Nenhum dos autores desses verdadeiros crimes enfrentou no tribunal alguma ordem de Obama, uma comparação que reflete as prioridades e valores da Justiça nos Estados Unidos.

Depois temos o comportamento dos partidários de Obama. Desde que informei pela primeira vez sobre as condições da prisão de Manning, em dezembro de 2010, muitos deles não só se animaram com o abuso, como também ridicularizaram grotescamente as preocupações com o fato. Joy-Ann Reid, uma antiga assessora de imprensa de Obama e agora colaboradora na rede progressista MSNBC, respondia de forma sádica ao relatório: "Bradley Manning não tem travesseiro?" Dessa forma, reproduzia em uma das páginas de internet mais extremistas da direita, RedState, que da mesma maneira gozava do relatório: "Devolvam o travesseiro e o cobertor a Bradley Manning". 

Como sempre, os jornalistas do establishment “facilitam” para o governo em cada passo desse caminho. Apesar da pretensão de aparecer como vigilantes, nada mais provoca o ânimo de alguém que desafia realmente as ações do governo.

Como exemplo dessa mentalidade, temos uma recente entrevista da CNN com o fundador do Wikileaks, Julian Assange, dirigida por Erin Burnett. Abordaram os documentos recentemente publicados, que revelam os esforços secretos de funcionários estadunidenses, pressionando instituições financeiras para bloquear o financiamento do Wikileaks, uma vez que o grupo publicou os documentos confidenciais, supostamente filtrados por Manning – uma forma de castigo extralegal, que deveria preocupar a todo o mundo, especialmente os jornalistas.

Mas a anfitriã CNN não tinha nenhum interesse nos perigosos atos do seu próprio governo. Ao contrário, tratou rapidamente de mostrar que Assange condenara as políticas de imprensa do Equador, um país pequeno que, diferente dos Estados Unidos, não exerce influência além das suas fronteiras. Para os especialistas da imprensa vigilante estadunidense, Assange e Manning sãos inimigos a ser desprezados, porque fizeram o trabalho que a imprensa corporativa estadunidense se nega a fazer: levar transparência aos atos infames do governo dos Estados Unidos e dos seus aliados por todo o planeta.

Bradley Manning proporcionou ao mundo vários benefícios vitais. Mas enquanto seu conselho de guerra chega finalmente à conclusão, que provavelmente será a imposição de uma longa sentença de prisão, parece que seu maior presente é esta janela aberta na alma política dos Estados Unidos.


*Glenn Greenwald é um ex-advogado constitucionalista estadunidense, colunista, blogueiro e escritor. Trabalhou como advogado especializado em direitos civis e constitucionais antes de se tornar um colaborador do Salon.com, onde se especializou em análise de temas políticos e jurídicos. Colaborou também com outros jornais e revistas de informação política como o The New York Times, Los Angeles Times, The Guardian, The American Conservative, The Nacional Interest e In These Times. Em agosto de 2012, deixou Salon para colaborar com o The Guardian.

Tradução para o português: Telesur

Fonte:  Carta Maior

domingo, 3 de fevereiro de 2013

SURGE EM HAVANA UM LULA MENOS CORDATO



Paulo Nogueira 

Como Dilma alguns dias atrás, Lula parece ter, enfim, perdido a paciência.
Lula mais ênfático
Lula mais ênfático
Lula governou apanhando calado das viúvas do Antigo Regime, representadas pelas grandes corporações de mídia.
Ele fez uma opção, desde o início, pela conciliação. Na Carta aos Brasileiros, garantiu ao 1% que nada de substancial mudaria.
Fez questão de comparecer ao enterro de dois barões da imprensa de grande destaque no Antigo Regime, Octavio Frias e Roberto Marinho.
Chegou ao ponto – lastimável – de decretar três dias de luto em memória de Roberto Marinho, a quem numa nota pública fez um panegírico sem apoio nenhum na realidade dos fatos.
Não fez nada em relação aos limites da mídia. A velha Inglaterra se movimentou primeiro, e sob um governo conservador com fortes vínculos com Rupert Murdoch.
O relatório Leveson, o conjunto das propostas de mudança na regulação da mídia britânica, foi o reconhecimento do governo de David Cameron de que a sociedade está acima dos jornais – propriedade de empresários como Murdoch para os quais o interesse pessoal vem na frente do interesse público.
Ponto.
Lula sequer discutiu a abjeta, repulsiva reserva de mercado para as empresas de jornalismo. Tão ávidas em falar de competição, elas se agarram a uma legislação esclerosada que impede o estabelecimento no Brasil de empresas estrangeiras.
Perde o país, porque o jornalismo brasileiro melhoraria sob a concorrência. E perde a decência, pela perenidade de um privilégio sem sentido.
Em sua política de boa vizinhança, Lula sequer chegou a mexer no destino da multimilionária conta publicitária do governo e das estatais. Isso foi dar numa bizarrice: a Globo mesmo com a pior audiência de sua história em 2012 continuou a faturar em cima do governo como se dominasse, como na era pré-internet, o mercado brasileiro de forma avassaladora.
Nada disso impediu que  Lula fosse atacado de forma cada vez mais feroz por aqueles diante de quem contemporizava e, em certas ocasiões, até recuava.
A mídia brasileira se transformou, nos últimos dez anos, numa fábrica uniformizada de colunistas dedicados a caçar Lula. Bater em Lula deu emprego e espaço a nulidades como Villa, Azevedo e Mainardi. Todos eles inexpressivos em seus campos de atuação antes de Lula, ganharam depois os holofotes interesseiros apenas por atirar em quem o Antigo Regime queria ver sangrando.
Lula jamais reagiu, e isso talvez tenha lhe dado a aura de perseguido e ajudado a construir a formidável popularidade que ele tem diante do povo brasileiro.
Mas ao mesmo tempo a contemporização o tolheu: quando Lula disse, repetidas vezes, que os grandes empresários jamais tinham ganhado tanto dinheiro como sob ele, estava tristemente certo.
Como a riqueza nacional é um bolo só, se um grupo está ganhando muito dinheiro – a família Marinho retornou agora à lista dos bilionários da Forbes — os demais terão que se contentar com o que sobrar. Não é um dado auspicioso para um país com tamanha desigualdade.
O silêncio de Lula diante das pancadas ininterruptas não o ajudou sequer depois do Planalto. Como já foi notado, Lula se transformou no primeiro ex-presidente cuja derrubada é tramada, sonhada e tentada.
Tudo isso posto, é interessante notar as palavras de Lula em Havana, onde ele esteve nestes dias para a celebração do herói cubano José Marti e também para visitas a Fidel e ao adoentado Chávez.
Lula falou mais alto do que de costume, como Dilma alguns dias antes dele num pronunciamento transmitido pela televisão brasileira.
Disse o óbvio, mas este óbvio não tinha sido jamais expresso publicamente antes com tamanha clareza. O Antigo Regime, notou ele, o persegue não pelos erros – que não são poucos, de resto, como o Diário tem constantemente lembrado, a começar pelo fracasso no choque ético prometido na política e a continuar pela baixa velocidade na escandinavização do Brasil – mas pelos acertos.
O cordato Lula mudou?
Veremos. Mesmo a paciência de alguém forjado nas disputas sindicais, em que você xinga e é xingado a cada assembleia, tem limites.
Mas não é este o ponto.
Lula parece ter entendido, fora do poder, que para que a sociedade brasileira seja menos absurdamente injusta você não pode permitir que uma pequena casta mimada ganhe mais dinheiro que nunca.
Caso isso aconteça, estarão sendo indiretamente lesados milhões de brasileiros que foram simplesmente abandonados no Antigo Regime, iniciado no golpe militar de 1964.
Lula parece ter carregado a ilusão de que poderia fazer a reforma social que o Brasil demanda com urgência recebendo tapinhas nas costas dos defensores e beneficiários da velha ordem.
Não é bem assim.
Se é para Lula ser agredido incondicionalmente como é, que pelo menos ele aja sem ansiar por afagos que jamais virão.
Os brasileiros ganharão.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O "MENTIRÃO" DO STF


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


Este Supremo do mensalão (o do PT) anistiou os assassinos de Bruno e Zuzu


O TRIBUNAL DO REGIME MILITAR FOI MAIS JUSTO E ABSOLVEU MEU IRMÃO, MORTO !

Saiu no blog da Hildegard Angel: 

MINHA FALA NO ATO NA ABI PELA ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DO MENSALÃO

“Venho, como cidadã, como jornalista, que há mais de 40 anos milita na imprensa de meu país, e como vítima direta do Estado Brasileiro em seu último período de exceção, quando me roubou três familiares, manifestar publicamente minha indignação e, sobretudo, minha decepção, meu constrangimento, meu desconforto, minha tristeza, perante o lamentável espetáculo que nosso Supremo Tribunal Federal ofereceu ao país e ao mundo, durante o julgamento da Ação Penal 470, apelidada de “Mensalão”, que eu pessoalmente chamo de “Mentirão”.

Mentirão” porque é mentirosa desde sua origem, já que ficou provada ser fantasiosa a acusação do delator Roberto Jefferson de que havia um pagamento mensal de 30 dinheiros, isto é, 30 mil reais, aos parlamentares, para votarem os projetos do governo.

Mentira confirmada por cálculos matemáticos, que demonstraram não haver correlação de datas entre os saques do dinheiro no caixa do Banco Rural com as votações em plenário das reformas da Previdência e Tributária, que aliás tiveram votação maciça dos partidos da oposição. “Mentirão”, sim!

Isso me envergonhou, me entristeceu profundamente, fazendo-me baixar o olhar a cada vez que via, no monitor de minha TV, aquele espetáculo de capas parecendo medievais que se moviam, não com a pretendida altivez, mas gerando, em mim, em vez de segurança, temor, consternação, inspirando poder sem limite e até certa arrogância de alguns.

Eu, que já presenciara em tribunais de exceção, meu irmão, mesmo morto, ser julgado como se vivo estivesse, fiquei apavorada e decepcionada com meu país. Com este momento, que sei democrático, mas que esperava fosse mais.

Esperava que nossa corte mais alta, composta por esses doutos homens e mulheres de capa, detentores do Supremo poder de julgar, fosse imune à sedução e aos fascínios que a fama midiática inspira.

Que ela fosse à prova de holofotes, aplausos, projeção, mimos e bajulações da superexposição no noticiário e das capas de revistas de circulação nacional. E que fosse impermeável às pressões externas.

Daí que, interpretação minha, vimos aquele show de deduções, de indícios, de ausências de provas, de contorcionismos jurídicos, jurisprudências pós-modernas, criatividades inéditas nunca dantes aplicadas serem retiradas de sob as capas e utilizadas para as condenações.

Para isso, bastando mudar a preposição. Se ato DE ofício virasse ato DO ofício é porque havia culpa. E o ônus da prova passou a caber a quem era acusado e não a quem acusava. A ponto de juristas e jornalistas de importância inquestionável classificarem o julgamento como de “exceção”.

Não digo eu, porque sou completamente desimportante, sou apenas uma brasileira cheia de cicatrizes não curadas e permanentemente expostas.

Uma brasileira assustada, acuada, mas disposta a vir aqui, não por mim, mas por todos os meus compatriotas, e abrir meu coração.

A grande maioria dos que conheço não pensa como eu. Os que leem minhas colunas sociais não pensam como eu. Os que eu frequento as festas também não pensam, assim como os que frequentam as minhas festas. Mas esses estão bem protegidos.

Importa-me os que não conheço e não me conhecem, o grande Brasil, o que está completamente fragilizado e exposto à manipulação de uma mídia voraz, impiedosa e que só vê seus próprios interesses. Grandes e poderosos. E que, para isso, não mede limites.

Essa mídia que manipula, oprime, seduz, conduz, coopta, essa não me encanta. E é ela que manda.

Quando assisti ao julgamento da Ação Penal 470, eu, com meu passado de atriz profissional, voltei à dramaturgia e me lembrei de obras-primas, como a peça “As feiticeiras de Salém”, escrita por Arthur Miller. É uma alegoria ao Macartismo da caça às bruxas, encetada pela direita norte-americana contra o pensamento de esquerda.

A peça se passa no século 17, em Massachusets, e o ponto crucial é a cena do julgamento de uma suposta feiticeira, Tituba, vivida em montagem brasileira, no palco do Teatro Copacabana, magistralmente, por Cléa Simões. Da cena, participavam Eva Wilma, Rodolpho Mayer, Oswaldo Loureiro, Milton Gonçalves. Era uma grande pantomima, um julgamento fictício, em que tudo que Tituba dizia era interpretado ao contrário, para condená-la, mesmo sem provas.

Como me lembro da peça Joana D’Arc, de Paul Claudel, no julgamento farsesco da santa católica, que foi para a fogueira em 1431, sem provas e apesar de todo o tempo negar, no processo conduzido pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, que saiu do anonimato para o anonimato retornar, deixando na História as digitais do protótipo do homem indigno. E a História costuma se repetir.

No julgamento de meu irmão, Stuart Angel Jones, à revelia, já morto, no Tribunal Militar, houve um momento em que ele foi descrito como de cor parda e medindo um metro e sessenta e poucos. Minha mãe, Zuzu Angel, vestida de luto, com um anjo pendurado no pescoço, aflita, passou um torpedo para o então jovem advogado de defesa, Nilo Batista, assistente do professor Heleno Fragoso, que ali ele representava. O bilhete dizia: “Meu filho era louro, olhos verdes, e tinha mais de um metro e 80 de altura”. Nilo o leu em voz alta, dizendo antes disso: “Vejam, senhores juízes, esta mãe aflita quebra a incomunicabilidade deste júri e me envia estas palavras”.

Eu era muito jovem e mais crédula e romântica do que ainda sou, mas juro que acredito ter visto o juiz militar da Marinha se comover. Não havia provas. Meu irmão foi absolvido. Era uma ditadura sanguinária. Surpreende que, hoje, conquistada a tão ansiada democracia, haja condenações por indícios dos indícios dos indícios ou coisa parecida…

Muito obrigada.”

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