sábado, 18 de maio de 2013

DÉFICIT HABITACIONAL CAIU 12% EM 5 ANOS NO PAÍS



Duzentos mil brasileiros conseguiram uma moradia própria em cinco anos. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-IBGE), que apontou que a deficiência de 5,6 milhões de habitações, registrada em 2007, caiu para 5,4 milhões, em 2011.

Esse resultado representa uma queda de 12% em cinco anos no déficit habitacional brasileiro, de acordo com a Nota Técnica Estimativas do Déficit Habitacional Brasileiro por Municípios divulgada por pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A redução do problema foi identificada em quase todas as regiões do país. Apenas na Região Centro-Oeste o déficit habitacional aumentou. A região, assim como a Norte do país, é uma das responsáveis pelo forte crescimento populacional dos últimos dez anos. Na Norte, apesar do índice cair, o número absoluto de domicílios em situação caracterizada de déficit foi quase 600 mil domicílios.

A maior queda do problema foi registrada no Nordeste que, apesar da redução, ainda mantém números expressivos. Quando os pesquisadores avaliaram as situações de casas onde mais de três pessoas dividem o mesmo quarto, municípios do Maranhão apareceram destacados.

O estado concentra mais de 30% dos seus domicílios incluídos no déficit habitacional por esse item. Amazonas e Pará também aparecem com mais de 20% dos domicílios em situação de déficit, considerando o mesmo tipo de análise.

Na lista geral, que considera todos os quesitos responsáveis pela deficiência habitacional do país, apenas as capitais aparecem no topo do ranking dos dez municípios com maiores déficits. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador ocupam as quatro primeiras posições. A escala muda quando a análise é sobre o número de domicílios precários.

Nesse caso, São Paulo se mantém na liderança negativa, mas Manaus aparece como o segundo pior município neste quesito.

O levantamento, que ainda incluiu dados do Censo de 2010, considerou situações de domicílios precários, coabitação — famílias que moram temporariamente na mesma residência —, famílias que comprometem mais de 30% da renda no pagamento de aluguel e, casas onde mais de três pessoas dividem o mesmo quarto.

O ônus excessivo com aluguel foi identificado, principalmente, entre moradores de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e da Bahia, como o principal problema. De acordo com os pesquisadores, o comprometimento de uma parcela maior da renda para o pagamento de aluguel passou a ser a causa mais importante no levantamento sobre a deficiência habitacional do país, atingindo 3,5% dos domicílios pesquisados, ou seja, mais de 2,1 milhões de famílias gastam mais de 30% de sua renda com aluguel.

Nas últimas análises, a coabitação era a componente que mais influenciava o índice. Os pesquisadores destacaram:

— A coabitação – que representava o componente mais relevante em 2007 – foi também a que mais caiu, com redução de cerca de 1 ponto percentual, ou perto de 500 mil domicílios em quatro anos.

Os pesquisadores dizem que essa queda foi “compensada” pelo aumento proporcional dos casos em que as famílias gastam uma porcentagem considerada excessiva com o pagamento de aluguel.

O estudo do Ipea aponta ainda que, apesar da redução geral do déficit registrada em todo o País, a estrutura do déficit nos domicílios com renda domiciliar de até três salários mínimos ficou mantida nos mesmos patamares. Essa parcela da população concentra quase 70% dos domicílios com déficit.

Pelo levantamento, a redução da deficiência habitacional entre 2007 e 2011 foi mais intensa nas áreas rurais, com redução de 125 mil domicílios na taxa negativa. Nas áreas urbanas, a redução do déficit foi de menos 60 mil domicílios. De acordo com os pesquisadores, o maior problema do País está nas áreas urbanas.

— O déficit habitacional brasileiro é majoritariamente urbano (81%). Proporcionalmente, entretanto, o déficit compõe mais de 15% dos domicílios rurais, contra pouco mais de 10% nos domicílios urbanos.

Apesar da situação rural ter melhorado, essas regiões ainda são caracterizadas pela precariedade das residências que impactam 75% do déficit total rural.

Fonte:   Brasil 247

ABISMO QUE SEPARA AÉCIO DA REALIDADE




Ontem, no Globo, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) foi contemplado, como sempre, com uma entrevista com o título sugestivo “O PT se contenta com a administração da pobreza” , indicando bem o DNA tucano contra os pobres.


Aécio se “esquece” da criação de 20 milhões e empregos, sem falar no crescimento do empreendedorismo e da microempresa e da formalização do trabalho nos 10 anos de governo petista. E também do crescimento da renda e dos salários, benefícios sociais e aposentadoria acima da inflação na última década. 

Isso é uma heresia par a doutrina elitista tucana. Basta ler o trecho no qual Aécio anuncia o que todos já conhecemos pelos oitos anos do governo FHC: trazer inflação ao centro da meta de 4,5%, não importando as consequências e a realidade, com juros altos, corte nos gastos e superávit pleno mesmo com a economia mundial em recessão, com a guerra cambial e comercial liberada. 

E, diante da política monetária expansionista nos EUA e no Japão, Aécio promete câmbio flutuante. Ou seja, recessão e destruição de nossa indústria já atacada pela concorrência predatória e desleal num mundo onde o protecionismo cresce.  

Na era FHC, o câmbio era fixo, vocês lembram que um dólar valia um real. A dívida pública dobrou com relação ao PIB, a carga fiscal cresceu 7% do PIB, o país quebrou duas vezes e foi de pires na mão ao FMI. 

O Brasil não pagava sua dívida e não fazia superávit. Tudo isso vendendo a preço de banana o patrimônio público naquilo que ficou para a história como a Privataria Tucana. Nos legou um país com baixo crescimento, alta inflação, dívida externa, sem reservas, desemprego alto, autoestima no chão, sem esperanças e futuro. 

Desconhecimento
Hoje, o país tem o mais baixo desemprego de sua história, mas Aécio desqualifica essa conquista de todos, afirmando que os novos postos de trabalho são de 2,5 salários mínimos, desconhecendo o aumento dos salários reais na última década e a queda expressiva da miséria e da pobreza.

Aécio tem a ousadia em falar na educação, uma das grandes conquistas do país nos últimos anos, esquecendo que na era tucana a universidade pública foi sucateada e a privatização avançou. O ensino médio havia sido abandonado e o técnico profissional simplesmente foi esquecido. Ficou como herança a universalização do ensino fundamental.

Com Lula, não apenas a universidade pública foi resgatada, mas também ampliada. O pobre foi à universidade com o ProUni, o novo FIES, o crescimento do emprego e da renda. O ensino técnico é uma realidade e a regulação da universidade privada passou a ser um fato.

Aécio fala de boca cheia de democracia e liberdade de imprensa, mas no seu Estado, Minas Gerais, sufoca a oposição, controla a mídia via publicidade oficial e censura o SindiFisco (Sindicatos dos Auditores Fiscais), que denuncia seu choque de gestão e prova que o Estado vive uma crise fiscal, com alto déficit e endividamento.  

Aécio fala em defesa do Ministério Público, mas no seu Estado capturou há tempos o MP Estadual.  

Unidade?
Nem mesmo a unidade do PSDB a pacificação do diretório paulista, que ele prega na entrevista, são fatos. Na convenção que elegeu a nova direção paulista, o governador Geraldo Alckmin disse para quem quisesse ouvir: há vários candidatos bons no PSDB para presidente. E José Serra não citou uma única vez a candidatura de Aécio.

Como vemos da entrevista e da sua declaração bombástica hoje que o PT transformou o país num cemitério de obras inacabadas, em ruínas, entre o que o senador por Minas prega e a realidade, há um abismo. O mesmo abismo que separa o tucanato do povo brasileiro.
 

A VIDA SECRETA DE 100 GRANDES EMPRESAS NOS PARAÍSOS FISCAIS



As 100 empresas mais importantes do Reino Unido tem mais de 8 mil subsidiárias em paraísos fiscais. Os bancos são os usuários mais prolíficos destes circuitos da evasão fiscal global, mas ao seu lado operam também multinacionais manufatureiras, telefônicas, energéticas, de turismo, supermercados e bebidas. Segundo o informe da ONG ActionAid, essas empresas tem umas 311 subsidiárias no Brasil e uma forte presença em todo o mundo em desenvolvimento. Por Marcelo Justo, de Londres.





Londres - As 100 empresas mais importantes do Reino Unido, aglutinadas em torno do famoso índice das bolsas de valores FTSE100, tem mais de 8 mil subsidiárias em paraísos fiscais. Os bancos são os usuários mais prolíficos destes circuitos da evasão fiscal global, mas ao seu lado operam também multinacionais manufatureiras, telefônicas, energéticas, de turismo, supermercados e bebidas. Segundo o informe da ONG ActionAid, as FTSE100 tem umas 311 subsidiárias no Brasil e uma forte presença em todo o mundo em desenvolvimento.

O informe da ActionAid questiona a suposta vontade política do governo britânico para combater o uso de paraísos fiscais. Na reunião de ministros de Finanças do G8, no sábado passado, o do Reino Unido, George Osborne, indicou que era “fundamental que as empresas e os indivíduos paguem o que lhes corresponde de impostos”. A realidade é que sob o nariz do ministro, 98 das 100 empresas do FTSE100 tem subsidiárias em paraísos fiscais e dez delas tem sua sede central em um destes locais, um claro sinal de que não mudou muita coisa desde que, em 2009, o G20 anunciou “o fim dos paraísos fiscais”.

Hoje a magnitude da crise é tal que não bastam anúncios barulhentos e promessas grandiloquentes, como as feitas pelo então presidente francês, Nicolas Sarkozy, que se comprometeu a nada mais nada menos do que “refundar o capitalismo”. Na reunião de ministros de finanças da União Europeia (UE) de abril, nove países – Espanha, Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica e Romênia – aderiram a um projeto piloto de intercâmbio automático de informação bancária sobre os dados dos não residentes, algo que permitirá fiscalizar a evasão de impostos de multimilionários. Mas segundo Chris Jordan, um dos responsáveis pelo informe da ActionAid, este instrumento, reclamado durante muito tempo pelas organizações não governamentais, é apenas a ponta do iceberg.

“Este modelo de intercâmbio automático se baseia em um mecanismo adota pelos Estados Unidos e o problema é que ainda não se sabe bem a sua abrangência. A mecânica dos paraísos fiscais é tão complexa que pode haver buracos negros pelos quais escorrem a maioria dos grandes sonegadores, incluindo as multinacionais e os bancos”, disse Jordan à Carta Maior.

As contradições britânicas

Em junho, o Reino Unido presidirá a cúpula do G8 e o primeiro ministro David Cameron indicou que a sonegação fiscal e o segredo das contas “offshore” estarão no centro da agenda. Nicholas Shaxson, autor de “Treasury Islands” (Ilhas do Tesouro), um exaustivo estudo dos paraísos fiscais, acha que as contradições britânicas em torno do tema são claras. “Por um lado, o governo está pressionado pelos seus problemas fiscais e uma economia que acaba de sair de uma dupla recessão, mas não da estagnação. Por outro, é um centro financeiro que se beneficia enormemente da existência dos paraísos fiscais”, disse à Carta Maior.

As 100 empresas do FTSE tem umas 1685 subsidiárias em territórios dependentes da coroa britânica e conhecidos paraísos fiscais como Jersey, Ilhas Virgens britânicas, Ilhas Caiman, Bermuda e Gibraltar. Nas Bahamas, há 115 mil empresas para os 307 mil habitantes das ilhas. Nas Ilhas Jersey, a proporção é igualmente exorbitante: 33 mil empresas para 91 mil habitantes. O próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exemplificou o problema em mais de uma ocasião com a Ugland House, um edifício situado em outra dependência britânica, as Ilhas Caiman, que abriga mais de 18 mil companhias.

A mecânica da evasão e sonegação fiscal varia de acordo com o sujeito – indivíduo, banco, multinacional – mas o objetivo é o mesmo. No caso das corporações, as subsidiárias em paraísos fiscais servem para distorcer a estrutura de preços internos das empresas, um mecanismo de longo alcance já que, segundo a OCDE, 60% do comércio internacional ocorre entre multinacionais. “Suponhamos que uma empresa multinacional opera em um país X com um imposto corporativo de 30%. A empresa pagará menos impostos quanto menos lucros tiver. De maneira que contratará a preços inflacionados serviços legais ou financeiros ou de promoção de suas próprias subsidiárias instaladas em distintos paraísos fiscais onde pagam muito menos impostos”, explicou à Carta Maior John Christensen, diretor de Tax Justice International.

Este mecanismo tem um forte impacto nos países em desenvolvimento. As FTSE 100 tem 311 subsidiárias no Brasil que vão do campo da mineração e do petróleo ao de alimentos, artigos para o lar e seguros. “Isso não prova que necessariamente haja evasão fiscal. Mas sim que estas empresas têm uma estrutura internacional tal que podem com toda facilidade mover seus lucros por meio dos paraísos fiscais praticando uma dupla evasão de impostos, tanto no Reino Unido como no Brasil”, explica Jordan.

O realismo mágico dos paraísos

Empresas internacionais de serviços como Google ou Starbucks se viram obrigadas a reconhecer que praticamente não pagavam impostos no Reino unido. O especialista em economia comparada da Universidade de Cambridge, o chileno José Gabriel Palma, explicou à Carta Maior o mecanismo usado.

“Starbucks não paga impostos sobre seus rendimentos porque, segundo dizem, “não tem lucros contábeis”. E não tem porque suas empresas locais, de propriedade e administração de Starbucks, pagam uma empresa de Starbucks fora do país uma quantidade sideral pelo direito de usar o nome Starbucks. Ou seja, Starbucks paga a Starbucks pelo uso do nome Starbucks. E na legislação tributária neoliberal desse país, isso é perfeitamente legal. É realismo mágico contábil. A meu juízo, Gabriel Garcia Márquez deveria ter sido consultor de empresas de contabilidade”, indicou Palma.

No passado, a opacidade financeira era complementar à opacidade midiática: ninguém falava do tema. A crise econômica colocou o foco sobre a estrutura fiscal dos países. Na cúpula de 22 de maio da União Europeia, a evasão de impostos será um dos eixos da agenda. Algo similar ocorrerá com a cúpula do G8 em junho e com a do G20 em setembro.

Assim como a Tax Justice International, a Action Aid assinala que mudar as coisas não é complicado, mas requer vontade política. “Tudo o que se necessita é de transparência. Deve haver um registro público dos paraísos fiscais para saber quem são os donos reais das empresas registradas. As multinacionais também deveriam publicar suas contas em cada lugar onde operam porque isso permitiria detectar facilmente a evasão fiscal”, indicou Jordan à Carta Maior.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
              
Fonte:    

sexta-feira, 17 de maio de 2013

BARBARA GANCIA IRONIZA TEATRO DE BARBOSA





Julgamento do mensalão foi um "teatrinho" criado pelo presidente do STF, diz a colunista da Folha: "Havia ali o papel do bandido, do mocinho, tinha a pecha de 'maior julgamento da história' e havia até a certeza indiscutível de que viríamos um final feliz"

quinta-feira, 16 de maio de 2013

NA ARGENTINA, LULA CHEGA A 40 PRÊMIOS GLOBAIS



Para quem critica ou admira os périplos internacionais do ex-presidente, hoje é véspera de prato cheio; em Buenos Aires, nesta sexta-feira, Lula recebe nada menos que oito títulos de doutor honoris causa de universidades argentinas; na noite desta quinta-feira 16, ele janta com a presidente Cristina Kirchner, a quem manifestou apoio nas desavenças com o jornal Clarín; agora, já passam de 40 os reconhecimentos globais pela atuação dele no governo brasileiro; estofo para o Prêmio Nobel da Paz?

ALTA DO PIB ALEGRA MANTEGA E FRUSTRA DERROTISTAS




Basta uma conta simples: se a elevação de 1,05% do PIB no primeiro trimestre se repetir pelos próximos três trimestres, economia brasileira crescerá acima de 4% este ano; resultado divulgado hoje pelo IBGE mostra que mídia tradicional, que apostou em crescimento baixo e inflação alta, com o tempero azedo do desemprego, intepreta erradamente o cenário econômico; mas não quer nem vai aprender; apesar do derrotismo contratado, ministro Guido Mantega, da Fazenda, se fortalece; País avança apesar da poderosa torcida contra

16 DE MAIO DE 2013 ÀS 13:29

247 – Ao crescer pelos próximos três trimestres como subiu entre janeiro e março, em 1,05%, a economia brasileira avançará mais de 4% até o final do ano. A inflação, seguindo a tendência divulgada na semana passada, de 6,49% nos últimos doze meses, será mantida como agora, rigorosamente dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. O regime de pleno emprego, com a criação de mais de 100 mil novas vagas em março, seguirá, a prevalecer a tendência, em curso. Mas nada disso basta para convencer a esmagadora maioria da mídia tradicional de que, apesar da crise global, a remada contra a maré da política econômica brasileira está dando resultados. A alta do PIB, na verdade, é a derrota do PIG.
O ex-presidente Lula não errou, na semana passada, em Porto Alegre, ao afirmar que, se dependesse do noticiário da mídia tradicional, nenhum empresário se animaria mais em investir no Brasil. Ao contrário, acertou em cheio. Naquele momento, contra todas as previsões dos jornais e tevês, a economia brasileira já havia consumado o crescimento de 1,05% no primeiro trimestre, apenas o número não havia sido divulgado. O que se lia na imprensa tradicional eram notícias apontando para o fracasso do crescimento, explosão da inflação e apelos pelo desaquecimento do mercado de trabalho. Praticamente nenhuma linha sobre o resultado que, concretamente, fora alcançado e seria apontado oficialmente pelo IBGE. Os jornais frisaram os sinais negativos da economia, e apagaram as informações positivas. Os leitores saíram perdendo feio com essa escolha.
Hoje, é o jornalista Jânio de Freitas, solista dissonante da sinfonia de britadeiras que é tocada pela grande maioria dos colunistas de economia da mídia tradicional, que reclama da batelada de más notícias no dia a dia da pauta da imprensa. Apesar de o PIB ter crescido, as expectativas veiculadas eram todas de que ele seria reduzido. A inflação está na meta, mas a aposta é pela ultrapassagem dos índices de preços sobre a marca limite do BC. Neste caso, o chamamento pela inflação contribui decisivamente para a formação de preços mais altos.
Não estão dando certo, por outro lado, os apelos pelo desemprego como forma de derrubar a inflação. Responsáveis pelas contratações, os empresários lidam com fatos concretos, e não com especulações. Por isso, continuam contratando. Mas não sem oposição. Pesquisa divulgada hoje pelo banco Itaú anuncia que a confiança dos empresários na economia diminuiu. O Itaú, no entanto, tem como economista-chefe e sócio o ex-diretor do BC Ilan Goldfjan, o mesmo economista que vem pregando, em artigos no jornal O Estado de S. Paulo, o desemprego como forma de combater a inflação. Dá para confiar numa pesquisa vinda de uma fonte com esse tipo de comprometimento?
MANTEGA FORTALECIDO - "Foi muito bom", saudou, num largo sorriso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar a alta do PIB de 1,05% no primeiro trimestre, divulgada nesta quinta-feira 16 pelo IBGE. Publicamente fortalecido, Mantega também vai ganhando, uma a uma, as batalhas internas aos quais é desafiado. Divergente, o secretário executivo do Ministério da Fazenda entrou em regime de férias hoje. Nelson Barbosa não voltará ao cargo. Na frente política, em razão dos resultados que a ecomomia vai alcançando, Mantega se fortelece dentro do PT. Ele já foi lembrado mais de uma vez pelo ex-presidente Lula como o candidato ideal do partido ao cargo de governador de São Paulo, em 2014. Na mesma medida, mas em direção contrária, a mídia tradicional prega o enfraquecimento de Mantega, mas os fatos insistem em, também nesse ponta, contrariar os desejos de derrota.

domingo, 12 de maio de 2013

VIRA-LATAS DO CONTRA, BRASIL NA OMC E DIPLOMACIA DOS TRABALHISTAS





"A vitória de Azevêdo [na OMC] é muito maior do que consideram os que torcem contra o Brasil, e defendem, de forma subalterna e subserviente, os interesses dos países colonialistas", avalia o jornalista Davis Sena Filho, do blog Palavra Livre; para ele, "a vitória de Roberto Azevêdo é, sobretudo, a vitória da diplomacia brasileira"

sábado, 11 de maio de 2013

ATENÇÃO, ALIADOS DO PMDB: DILMA NÃO É UM PATO MANCO


Na famosa gíria diplomática, pato manco é o presidente em final de mandato, que já cumpriu reeleição e sofre de popularidade declinante; decididamente, não é o caso da presidente Dilma Rousseff; recordista de aprovações nas pesquisas de opinião e disposta a concorrer, com garra, à reeleição em 2014, ela ainda conta com o apoio do igualmente popular Lula e superou seus problemas de relacionamento com o PT; quando os aliados do PMDB do vice-presidente Michel Temer, do presidente da Câmara, Henrique Alves, e do líder Eduardo Cunha vão perceber que erram feio quando jogam pressão clientelista sobre a presidente?; querem que desenhe?


 

No TSE, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello reconheceram a licitude dos empréstimos que, após convalidação judicial, ganharam consistência de atos jurídicos perfeito




por Mauricio Dias, em CartaCapital,  enviado por Julio Cesar Macedo Amorim

Não se deu atenção devida à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de aprovar as contas do Diretório Nacional do PT, referentes ao ano de 2003, e de recomendar a aprovação das contas de 2004.

O veredicto convalidou os empréstimos bancários do PT, perto de 58 milhões de reais, que estão no centro turbulento da Ação Penal 470, popularizado com o nome de “mensalão, configurados em crimes diversos no julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Na avaliação dos especialistas, os empréstimos do PT constituem o que se chama de “ato jurídico perfeito”, pois foram tornados válidos judicialmente em Minas Gerais, onde o banco cobrou e a Justiça executou as garantias do contrato de empréstimo.

Após a execução, o PT apresentou proposta de pagamento, aceita pelo credor, validada pela Justiça e homologada em juízo. Posteriormente, os empréstimos foram registrados perante o TSE e agora aprovados ainda que com ressalvas e aplicação de multas.

Na sequência, o Ministério Público nada opôs ao que se refere à cobrança judicial ao PT da dívida bancária contraída. Nem mesmo contestou o pagamento feito, como já se disse, mediante cobrança judicial.

Assim, tecnicamente, a questão está preclusa. Não há mais como discutir algo que transitou em julgado. Tendo se desincumbido da obrigação cobrada pela Justiça e não tendo sofrido nenhuma oposição do Ministério Público, sem a apresentação de qualquer contestação, a ação judicial de cobrança exauriu-se com o pagamento.

É o que estabelece a lei e, certamente, foi essa uma das bases da decisão de aprovação das contas do PT dado pela ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE.

Outros dois ministros do STF que compõem o TSE, Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli, também reconheceram a licitude dos empréstimos que, após convalidação judicial, ganharam consistência de atos jurídicos perfeitos.

Transitados em julgado, não podem ser contestados. O TSE reconheceu esse princípio do mundo jurídico. Como o STF não é instância revisora do Tribunal Eleitoral, exceto em questões constitucionais, não é competente para discutir a decisão tomada.

Essa decisão tem contornos não só importantes, mas também curiosos. Do TSE, além dos três ministros já citados, participam dois outros nomes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Pode-se deduzir daí que os dois mais altos tribunais do País entendem como juridicamente inquestionável o ato de homologação da Justiça de Minas Gerais que revalidou os empréstimos bancários do PT, ponto central de inúmeros atos tipificados como criminosos no julgamento do chamado “mensalão”.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

IBGE: INFLAÇÃO NA META, NORMALIDADE NA ECONOMIA




Índice de preços acumulado em doze meses desce a 6,49%, dentro da meta do Banco Central de 6,50%; maiores quedas setoriais foram entre alimentos; remédios pressionaram para cima; produção de veículos recorde mostra atividade econômica aquecida; juros futuros caem na BM&F; no exterior, BC australiano baixa taxas para enfrentar crise; na Europa, países questionam ortodoxia da Alemanha de Ângela Merkel, num debate antecipado pela presidente Dilma Rousseff; em São Paulo, professor de Harvard Dani Rodrik resume o que alguns não enxergam: "Este é um país normal, e num momento de crise internacional como este a melhor coisa que qualquer país tem a almejar é ser normal"
8 DE MAIO DE 2013 ÀS 14:00

247 _ Durante muito tempo, ao longo da ditadura militar (1964-1985), o Brasil teve suas melhores interpretações traçadas pelos chamados "brazilianistas". Eram professores americanos que, no ambiente democrático dos EUA, publicavam estudos, ensaios e livros sobre o que acontecia no Brasil da exceção.
Na terça-feira 7, durante seminário em São Paulo, mais uma vez um intelectual americano, agora na plena democracia, encarregou-se de contribuir para a melhor compreensão dos fatos, desta feita econômicos, que ocorrem no País.
- O Brasil é um país normal. E num momento como este (de crise econômica mundial), a melhor coisa que qualquer país tem a almejar é ser normal, disse o economista Dani Rodrik, titular da Universidade de Harvard, seguramente a mais prestigiada do mundo.
Nesta quarta-feira 8, o IBGE divulgou o dado oficial da inflação do mês de abril – e confirmou, com o número, a normalidade acentuada pelo professor americano. Com o 0,55% na elevação média dos preços da economia no mês passado, a inflação acumulada nos últimos doze meses voltou a ficar dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, chegando a 6,49%, abaixo, portanto, do teto estipulado em 6,50%. O dado oficial confirmou as previsões apuradas entre analistas de 15 diferentes instituições financeiras, que haviam, na véspera, antecipado uma inflação dentro da meta. Como resultado desses números, as taxas de juros negociadas na Bolsa Mercantil & Futuros (BM&F) recuaram. Tudo dentro da normalidade.
Continua não sendo preciso, como gostariam os economistas brasileiros Ilan Goldfjan e Alexandre Schwartzman, promover desemprego em massa para controlar a subida dos preços por meio do desaquecimento da economia. O que houve, na volta da taxa para dentro da meta, foram recuos nos preços dos alimentos – aquele colar de tomates de Ana Maria Braga, de R$ 10 o quilo, voltou a ser comprado por R$ 2,50. Em detalhes, o IBGE mediu que vários produtos deste grupo ficaram mais baratos de março para abril, com destaque para o preço do açúcar refinado (-4,50%), do açúcar cristal (-3,41%), do óleo de soja (-2,87%) e do frango inteiro (-1,92%). O setor de vestuário também registrou redução nos preços, enquanto maior pressão surgiu no de remédios, com alta de 2,99% em abril sobre março.
Repita-se: tudo dentro da normalidade. Como indicador de que a economia brasileira continua pujante, o setor de veículos bateu recorde de produção no mês de março, contribuindo para um crescimento de PIB, até o final do ano, previsto para ser de 3% pelo FMI, contra 1% realizado no ano passado.
- A taxa de crescimento econômico do Brasil apresentou progressos significativos nos últimos dez anos, especialmente em termos relativos, se comparada à perfomance de países industrializados, lembrou, em sua palestra, o professor Rodrik.
Para ele, mesmo num mundo em crise econômica, o Brasil e a América Latina se manterão como uma região economicamente "relativamente segura". Ele destacou que o ambiente democrático brasileiro e os avanços fiscais promovidos pelo governo "são extremamente importantes para a resiliência do país ao cenário externo". 

No contexto mundial de enfrentamento da crise econômica, ontem foi a vez do banco central da Austrália fazer o que o BC brasileiro tem procurado fazer, consistentemente, nos últimos anos: baixar juros. Lá, as taxas caíram para 2,75% ao ano, com indicativo de que poderão descer. Aqui, na última reunião do Copom, cercados por expectativas e apostas na alta dos juros, os diretores do BC quebraram uma longa série de baixas para elevar os juros em 0,25%, mas o mercado não vê intenção da autoridade econômica em prosseguir, na próximas reuniões, com mais aumentos.
No mundo e em particular na zona do euro, o debate instalado agora é o de como superar a estagnação econômica provocada pelos regimes de extrema austeridade que foram implantados, com desemprego em alta em diferentes países. Ao visitar a região central do continente, no ano passado, a presidente Dilma Rousseff deu sua receita, a mesma que aplica no Brasil: motivação para o crescimento como melhor forma de evitar o pior cenário. Ela foi contestada pela primeira-ministra da Alemanha, Ângela Merkel, defensora da cartilha ortodoxa para enfrentar a crise. Neste momento, Merkel é a dirigente europeia mais questionada por seus colegas de moeda e mercado comuns, que vão formando um consenso de que para sair da crise é preciso adotar medidas econômicas estimulantes, e não depressoras.
Por mais que se queira ver diferente, até aqui os fatos vão mostrando que a política econômica brasileira não apenas segue pela direção correta, como se adiantou ao que, só agora, os países centrais começam a procurar fazer. Acertar também deve ser visto como um feito normal dentro de um país normal.


Fonte:  Brasil 247


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