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domingo, 4 de março de 2012

ATÉ A CNTE JÁ ADMITE REVER O ÍNDICE DE REAJUSTE DO PISO DOS PROFESSORES



Nesta quinta-feira (01/03), membros da Direção da CNTE tiveram uma audiência com o Presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), para tratar do projeto que altera as regras de reajuste do piso nacional do magistério. No encontro ficou acertada a criação de uma comissão suprapartidária para buscar uma solução para 2013, que não comprometa as conquistas garantidas pela Lei Nacional do Piso do Magistério.
Em fevereiro, governadores e prefeitos foram à Brasília pedir para o presidente da Câmara que colocasse o recurso para votação em regime de urgência. Para a CNTE, a mudança no índice de correção – que passaria a ser atualizado pelo INPC – vai contra as metas de valorização da profissão de educador previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).
O presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, afirmou: "Nós queremos uma negociação que não se paute somente pelo INPC e que apresente efetivamente ganho real. O espírito da Lei do Piso é de valorização dos trabalhadores de Educação. E só o INPC, vamos admitir, não é um índice que valorize".
O presidente da CNTE lembrou da proposta do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Conae, de criar uma mesa de discussão sobre o tema. "Pretendemos encontrar uma saída que nos poupe de todo ano ficarmos nesse desgaste, que é ruim para todos. Professores ficam tensos, governadores e prefeitos também tem seus problemas e isso não é bom para a educação", disse Leão.
Também participou do encontro com Marco Maia a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Piso e presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Ela sugeriu a criação de uma comissão suprapartidária para buscar o consenso entre gestores e educadores. "A Lei 11.738 foi aprovada por unanimidade por esta Casa. Esta lei se constitui num passo muito importante para construirmos uma política pública de valorização do magistério brasileiro. Então esta Casa tem o dever de zelar pela lei, de defender seu cumprimento. A CNTE está tendo uma postura de muita responsabilidade porque ela está aberta ao diálogo", disse.
A direção da CNTE entregou a Marco Maia um ofício em defesa da lei do piso, no qual reitera sua postura de negociação.
Ao final da reunião, o presidente da Câmara confirmou sua intenção de não colocar o projeto em votação até que haja uma negociação sobre a melhor forma de reajuste do piso. "Nós vamos instalar essa comissão e vocês chamam as entidades, os representantes dos governadores, municípios e o Governo Federal. É importante que a negociação avance", afirmou Marco Maia.
Participaram da audiência, além do presidente da CNTE, a Secretária de Assuntos Municipais, Selene Michelin Rodrigues, o Secretário de Finanças, Antonio Lisboa, e a Secretária de Assuntos Jurídicos e Legislativos, Ana Denise Ribas de Oliveira. (CNTE, 01/03/12)

Comentário do Teacher:  A parte destacada do texto sugere que o presidente da CNTE admite que haja uma negociação para se buscar outra forma de reajuste que não seja o INPC, pretendido por aqueles (governadores e prefeitos) que querem desviar a verba do FUNDEB para outros fins,  mas também não seja o modelo atual, que está em uma lei federal. Está errado! A postura da CNTE deve ser pressionar os congressistas para que eles mantenham a lei do jeito que está. Por que os estados e municipios tem um reajuste no valor por aluno de 22,23%  e na hora de repassar o reajuste do piso, que a lei federal diz que tem que seguir este mesmo índice, querem repassar só a inflação ou outro percentual menor do este? 

terça-feira, 5 de julho de 2011

BOM DIA, PROFESSORA, COMO VAI?

terça-feira, 5 de julho de 2011


Reflexões de uma Educadora
Fui alfabetizada numa escola na costa do Rio Cavernoso, divisa de Laranjeiras do Sul com Candói, então distrito do município de Guarapuava e hoje emancipado.
A nossa professora, dona Lorena tinha um quadro de giz e 30 alunos sendo de primeira a quarta serie.
A merendeira era um dia ela e noutro também. Enquanto nós, alunos limpávamos a sala, todo mundo motivado, aprendíamos e ensinávamos, os maiores sempre acabavam nos ajudando em nossas tarefas. Foi aí que comecei a gostar a e pensar em ser professora.
Cresci em tempos difíceis e me formei durante o regime autoritário, sendo que meus pais eram gente simples e viviam ora como arrendatários ora como meeiros de terras.
Nessa época, falar em greves, significava ser contra-ordem e “gentilmente” éramos convidados a passar uns tempos em uma cela e ser rotulado de baderneiros, ainda que fossemos os professores, muitas vezes, dos filhos de nossos algozes.
Era tempo de aflição e nesse tempo, a música era um dos instrumentos, uma das vozes a se levantar contra a arbitrariedade.
Basta ver em Geraldo Vandré, na letra de Aroeira, a similitude:
“Vim de longe, vou mais longe
Quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta
Pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar”
Hoje, a liberdade permite que uma professora, estando no cargo de Secretária de Educação, venha a público e diga que não negocia com grevistas...
Não conhece, por certo, a História escrita com sangue, suor e lágrimas, inclusive, de muitos professores para que houvesse a democracia e por isso, desconsidera o significado social de uma greve.
Deve ser lembrada que toda legislação trabalhista brasileira, considera a greve um direito do trabalhador consignado na Constituição.
O que uma professora ou professor vai ensinar para seus alunos em relação a luta por direitos?
Que exemplo estranho é esse?
Mas, talvez, aprendeu com um certo ex-presidente que pediu para esquecerem o que havia escrito, agora, nossa ilustre Secretária de Educação quer que esqueçamos o tempo em que defendeu bandeiras petistas e hoje, as rasga publicamente.
No som de Geraldo Vandré, todos a cantar:
“Noite e dia vêm de longe
Branco e preto a trabalhar
E o dono senhor de tudo
Sentado, mandando dar.
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar”
Dóceis. Humilhados. Resignados a uma condição inglória, um após outro, professores estão voltando a sala de aula. O que dirão a seus alunos? Que exemplo de coragem e ousadia? O que pensarão seus alunos a respeito de sua submissão?
Nas estrofes de Aroeira, uma esperança:
“Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar.
Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de arueira
No lombo de quem mandou dar”.
Amanhã, junto com a alegria do reencontro dos alunos, haverá no olhar cabisbaixo de cada professor, tristeza e dor. Como diz os versos de Geraldo Vandré, em Mato Grosso, na Educação, “É a volta do cipó de arueira. No lombo de quem mandou dar”. Bravos professores que não se curvaram, pois aquele que acostuma a beijar a mão que lhe açoita, não sabe o significado e tem medo da liberdade.
Hilda Suzana Veiga Settineri


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