sábado, 24 de setembro de 2011

JOÃO PAULO É MEU CANDIDATO PARA QUALQUER CARGO. MAS PARA O PV, ELE QUE VÁ SOZINHO.

o futuro de João Paulo

Quero começar dizendo que sempre votei em João Paulo nas suas candidatura para deputado estadual e federal embora nunca tenha podido votar nele para prefeito porque meu domicílio eleitoral é outro. Dito isto, passo a explicar o título do "post":  
Todos nós que apoiamos o ex-prefeito e agora deputado federal João Paulo acompanhamos sua luta contra a metade do partido para a indicação do nome de João da Costa para prefeito do Recife. Foi uma luta difícil por estar do outro lado nomes como o de Maurício Rands além do vice Luciano Siqueira, homem de bem, além de muito importante na aliança que dava sustentação ao governo petista. No entanto, João Paulo conseguiu não apenas  emplacar  o nome que queria como conseguiu ganha a eleição ainda no primeiro turno. Não me alongarei aqui contando história que todos conhecem. Sempre disse e repito que ambos deviam explicações ao eleitores, militantes e companheiros políticos que os apoiaram e votaram nessa indicação. Explicações sim: então eu convenço você a votar em uma pessoa dizendo que ela é a mais preparada do mundo, você acredita em mim, vota no meu candidato e um mês depois eu rompo relações e passo a negar tudo que eu havia dito antes? Para onde foram as virtudes nas quais você me fez acreditar? Eram mentiras? Quem mentiu? Por quê?.

Agora, em função das explicações que não foram dadas, o ex-prefeito encontra-se numa posição de isolamento e aqueles que votaram nele e no seu candidato por uma Recife melhor, não sabem o que fazer. Digo que isso acontece por causa da falta de informações ao povo que votou porque, se porventura,  elas tivessem sido dadas ou João Paulo não estaria isolado dentro do PT ou João da Costa não teria apoio de ninguém, uma vez que os eleitores e militantes saberiam quem está errado nesta história. 

Para completar, a imprensa começa a divulgar a notícia de que o Deputado está arrumando as malas para ir para o PV. Para o PV! Deputado João Paulo, os eleitores, como eu,  votamos no senhor não por sermos alienados, nem por sermos massa de manobra. É o contrario, deputado, nós votamos no senhor por que temos consciência política e discernimento para separar o joio do trigo, perdoem-me o lugar comum.

O Partido Verde foi adversário do PT aqui em Pernambuco nas eleições estaduais. Até aí tudo bem. isso faz parte do jogo democrático. Mas não podemos esquecer que em nível nacional o PV serviu de partido de aluguel para Serra perpetrar as maiores baixaria contra Dilma Rousseff. No Rio de Janeiro chegou ao absurdo de o PV fazer propaganda de Marina no horário eleitoral e nos passeios a pé pela cidade Gabeira desfilar com Serra. Marina Silva assistiu de Camarote Dilma ser vítima de uma das campanhas mais sórdida de calúnia, difamação e preconceito de gênero e religioso pela internet. O que ela e partido dela fizeram? Nada. ficaram calados porque lhes era conveniente, embora soubessem que não chegariam ao segundo turno. Mas a intenção nunca foi essa:  a intenção era levar Serra para o segundo turno. O que aconteceu? Marina percebendo o fisiologismo e adesismo do PV, além da maneira centralizadora como o seu presidente conduz o partido em nível nacional, não aguentou e pediu pra sair. 

Por que a indignação? João Paulo,  que sempre defendeu uma linha ideológica completamente diferente daquela defendida pelo PV, partido que  não tem uma agenda trabalhista e ultimamente está abandonando até a agenda ambientalista, vai para este partido  para disputar a prefeitura do Recife? Por favor, deputado! Não estou falando em nome da população do Recife, até porque como já deixei claro neste texto moro em outra cidade. Estou falando como militante do Partido dos Trabalhadores e com a autoridade de quem mesmo sem poder votar passou  um dia inteiro em frente ao Sesi de Casa Amarela fazendo bandeiraço e panfletagem e depois foi  para o Marco Zero comemorar   aquela  vitória histórica para Roberto Magalhães.

Sim, deputado, é por tudo isso que lhe digo:   Na minha opinião o senador do PT por Pernambuco seria o senhor e o senhor será sempre meu candidato ao cargo que se candidatar. Desde que resguarde a coerência e ideologia que nos fizeram acreditar no Senhor. Das duas uma: ou lute para reconquistar o seu lugar dentro do partido que é seu por direito ou vá para um partido que se adeque a sua história de vida e de militante político. Para o PV o senhor que vá sozinho.

The teacher .

Professor e militante em Camaragibe.



MAIS UMA DA "DECEPÇÃO" OBAMA


No texto abaixo o premiado correspondente do britânico "The Independent" fala a verdade hoje sobre Obama: "Um Presidente sem condições de encarar a realidade do Oriente Médio.",

diz que Obama fala para marcianos e diz que sua performance no discurso da ONU foi patética.

Robert Fisk: A President who is helpless in the face of Middle East reality
Obama's UN speech insists Israelis and Palestinians are equal parties to conflict
Friday, 23 September 2011
Barack Obama made the 'preposterous' suggestion that Palestinians and Israelis were 'equal' parties to the conflict
REUTERS
Barack Obama made the 'preposterous' suggestion that Palestinians and Israelis were 'equal' parties to the conflict
Today should be Mahmoud Abbas's finest hour. Even The New York Times has discovered that "a grey man of grey suits and sensible shoes, may be slowly emerging from his shadow".
But this is nonsense. The colourless leader of the Palestinian Authority, who wrote a 600-page book on his people's conflict with Israel without once mentioning the word "occupation", should have no trouble this evening in besting Barack Hussein Obama's pathetic, humiliating UN speech on Wednesday in which he handed US policy in the Middle East over to Israel's gimmick government.
For the American President who called for an end to the Israeli occupation of Arab lands, an end to the theft of Arab land in the West Bank – Israeli "settlements" is what he used to call it – and a Palestinian state by 2011, Obama's performance was pathetic.
As usual, Hanan Ashrawi, the only eloquent Palestinian voice in New York this week, got it right. "I couldn't believe what I heard," she told Haaretz, that finest of Israeli newspapers. "It sounded as though the Palestinians were the ones occupying Israel. There wasn't one word of empathy for the Palestinians. He spoke only of the Israelis' troubles..." Too true. And as usual, the sanest Israeli journalists, in their outspoken condemnation of Obama, proved that the princes of American journalists were cowards. "The limp, unimaginative speech that US President Barack Obama delivered at the United Nations... reflects how helpless the American President is in the face of Middle East realities," Yael Sternhell wrote.
And as the days go by, and we discover whether the Palestinians respond to Obama's grovelling performance with a third intifada or with a shrug of weary recognition that this is how things always were, the facts will continue to prove that the US administration remains a tool of Israel when it comes to Israel's refusal to give the Palestinians a state.
How come, let's ask, that the US ambassador to Israel, Dan Shapiro, flew from Tel Aviv to New York for the statehood debate on Israeli Prime Minister Netanyahu's own aircraft? How come Netanyahu was too busy chatting to the Colombian President to listen to Obama's speech? He only glanced through the Palestinian bit of the text when he was live-time, face to face with the American President. This wasn't "chutzpah". This was insult, pure and simple.
And Obama deserved it. After praising the Arab Spring/Summer/ Autumn, whatever – yet again running through the individual acts of courage of Arab Tunisians and Egyptians as if he had been behind the Arab Awakening all along, the man dared to give the Palestinians 10 minutes of his time, slapping them in the face for daring to demand statehood from the UN. Obama even – and this was the funniest part of his preposterous address to the UN – suggested that the Palestinians and Israelis were two equal "parties" to the conflict.
A Martian listening to this speech would think, as Ms Ashrawi suggested, that the Palestinians were occupying Israel rather than the other way round. No mention of Israeli occupation, no mention of refugees, or the right of return or of the theft of Arab Palestinian land by the Israeli government against all international law. But plenty of laments for the besieged people of Israel, rockets fired at their houses, suicide bombs – Palestinian sins, of course, but no reference to the carnage of Gaza, the massive death toll of Palestinians – and even the historical persecution of the Jewish people and the Holocaust.
That persecution is a fact of history. So is the evil of the Holocaust. But THE PALESTINIANS DID NOT COMMIT THESE ACTS. It was the Europeans – whose help in denying Palestinian statehood Obama is now seeking – who committed this crime of crimes. So we were then back to the "equal parties", as if the Israeli occupiers and the occupied Palestinians were on a level playing ground.
Madeleine Albright used to adopt this awful lie. "It's up to the parties themselves," she would say, washing her hands, Pilate-like, of the whole business the moment Israel threatened to call out its supporters in America. Heaven knows if Mahmoud Abbas can produce a 1940 speech at the UN today. But at least we all know who the appeaser is.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DISCURSO DA PRESIDENTA DILMA NA ABERTURA DA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU

CHUPA ESSA, PIG!!!





“Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,
Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,
Senhoras e senhores,
Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.
Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.
Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.
Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.
Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e  que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.
Senhor Presidente,
Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.
Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.
Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.
Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.
Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.
Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.
Muito obrigada.”
Fonte:  Vi O Mundo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

PORQUE AINDA APOSTAMOS NO BONUS?



Em meados do mês de julho, a prefeitura de Nova York (EUA) anunciou oficialmente o fim do programa que concedia bônus por desempenho aos professores da rede municipal de ensino, com a justificativa de que a estratégia não havia funcionado. No mesmo mês, entretanto, um estudo apontou avanços significativos no ensino público da Carolina do Norte (também nos EUA), que adota outro modelo de incentivos financeiros a docentes há mais de 10 anos.

Sendo assim, o que faz um programa de bônus dar certo ou errado? Sem sombra de dúvida, é a validação das experiências que serão implementadas a partir da prática de outros países, estados e municípios. De nada adianta reinventar projetos cuja falta de êxito já foi constatada ao longo dos anos.

O modelo novaiorquino de remuneração extra a professores de acordo com desempenho dos mesmos apresentava erros latentes, ainda antes de serem diagnosticados por meio de pesquisas. Um dos principais problemas era o fato de que as metas a serem atingidas eram estabelecidas para toda a escola que, se alcançasse o feito, receberia o bônus para dividir como quisesse. Obviamente, o foco da remuneração era o professor, mas o jornal The New York Times apresentou casos recentes em uma reportagem em que o dinheiro era dividido igualmente entre todos – incluídos aí servidores técnico-administrativos ou professores com menor desempenho.

A "injustiça" do programa novaiorquino não despertava interesse da classe docente por melhorias de desempenho. Outro problema, tão grave quanto, era o fato de os professores não compreenderem como funcionava a distribuição dos bônus para as escolas e, muito menos, quanto receberiam. Além disso, já trabalhavam sob o estresse constante de demissão e fechamento de escolas caso os resultados fossem insatisfatórios – algo que a legislação americana permite – e, portanto, o bônus em si pouco influenciava, ao passo que esses outros fatores acabavam ganhando maior projeção.

Contudo, estatísticas são feitas a partir de uma média. Seja de desempenho, opinião ou satisfação. Em outras palavras, o programa novaiorquino pode não ter tido um êxito generalizado, mas ainda assim apresentou felizes exemplos de escolas que tiveram avanços significativos no aprendizado de seus estudantes após a implementação do sistema de bonificação. Por isso mesmo, o programa nem deve ser realmente extinto; mas sim passar por um processo de readequação.

O Estado americano da Carolina do Norte é um bom exemplo sobre a eficiência do pagamento de bônus. Pesquisa recente, publicada em junho, mostra que o estilo do programa de incentivos de lá tem o potencial para melhorar a aprendizagem do aluno, incentivando os professores a exercer maior esforço no trabalho.

O modelo evita três armadilhas decorrentes da aplicação de planos de bônus: o problema de notas e matérias sem testes padronizados para aferição de desempenho, o problema dos professores lutando pelos melhores alunos, e ruído estatístico nos resultados dos testes.

Assim, na Carolina do Norte, os professores recebem salários suplementares de até 1.500 dólares quando o desempenho do teste padronizado de todos os alunos na sua escola melhora mais que uma quantidade pré-determinada. O programa de bônus levou os professores a exercerem maior esforço no trabalho, o que reduziu sistematicamente o número de ausências de professores por doença. E ficou provado que os incentivos financeiros a professores, quando bem gerenciados, se mostram mais rentáveis quando comparados a outras reformas da educação popular, como turmas reduzidas, uma vez que os alunos apresentaram avanços quatro vezes superiores por cada dólar gasto numa comparação entre as duas modalidades.

Não fossem pelos êxitos, países como Austrália, Estados Unidos, África do Sul, Índia, Quênia, Brasil e tantos outros não estariam apostando nesse modelo para conseguir o tão sonhado salto de qualidade educacional. O primeiro projeto que implementamos - o Programa Reconhecer, de estímulo à regência - foi vastamente debatido e pesquisado pelos técnicos da Secretaria Estadual da Educação e está fundamentado em experiências acertadas de Estados brasileiros como Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo e até de outros países.

Transparente e conciso, o programa de bônus para professores em Goiás é uma das diversas frentes para valorização do docente em sala de aula. Estamos no início, mas temos claro que nosso objetivo é ter bons professores em sala de aula, pois são eles o principal instrumento entre a informação e a aprendizagem de nossas crianças.

Thiago Peixoto é secretário da Educação do Estado de Goiás, economista e deputado federal licenciado


Fonte:  Alternativa
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