Mostrando postagens com marcador Pig (Partido da Imprensa Golpista) Padim Pade cerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pig (Partido da Imprensa Golpista) Padim Pade cerra. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de dezembro de 2012

MAIS UM TEXTO SOBRE A COVARDIA DO PT: A POLÍTICA É COMO O BOXE: QUEM NÃO BATE, APANHA

Davis Sena Filho      DAVIS SENA FILHO


Um dia escrevi que se o golpe vier, Lula tem de ir às ruas. É o título do artigo. Muitos leitores concordaram comigo. Entretanto, outros me contestaram, e alguns resolveram optar pelas ofensas pessoais. Até entendo, porque faz parte do processo quando você escreve para o público e em sites ou portais que milhares de pessoas acessam-nos diariamente e emitem suas opiniões e defendem seus princípios políticos, de classe social, suas ideologias e até mesmo seus preconceitos, alguns com conotações raciais ou estéticas. Enfim, compreendo... a selvageria é inerente àqueles que querem um país para poucos.
Contudo, o que eu não compreendo é a falta de reação do Governo trabalhista e do PT, no sentido de serem mais assertivos no que se trata sobre o embate político e à rápida resposta aos ataques de um sistema midiático de direita, que se associou a homens e mulheres membros do Poder Judiciário, que resolveram fazer política, inclusive a partidária, pois se aliaram, e às claras, com o trinômio PSDB, DEM e PPS, partidos de essência conservadora, derrotados nas últimas três eleições para presidente da República e que recentemente perderam a prefeitura de São Paulo para o PT de Lula e Fernando Haddad, que vai assumir em 2013 a cadeira de prefeito.
A política é como o boxe: quem não bate, apanha. O PT, partido forjado nas fábricas do ABCD e também na USP para o desgosto dos quatrocentões patrimonialistas, sempre foi uma agremiação política aguerrida e disposta a enfrentar qualquer tipo de embate e de luta política. Hoje um amigo meu e ex-colega de trabalho e que vota em candidatos e partidos conservadores me enviou a seguinte mensagem: "Se prepara mano velho que agora é só pedrada". Ele tem razão quando o PT e o Governo recuam e aceitam que a eles sejam imputadas inverdades, leviandades cometidas por gente que se veste de Batman e que se estivesse em um balé quereria tomar o lugar do bailarino protagonista. Gente que acusa integrantes do PT até de crimes que nunca cometeram.
A desfaçatez é tão surreal que quando a Polícia Federal investiga e prende servidores públicos e políticos da base do Governo trabalhista ou do PT, suas ações são consideradas republicanas. Todavia, quando a PF efetiva ações em que estão envolvidos empresários, políticos da oposição, membros da PGR e do STF e jornalistas militantes da imprensa conservadora de negócios privados, o Governo e o PT são acusados de "aparelhar o estado", evidência que tem forte conotação política, porque a verdade é que a direita está a afirmar que o Partido dos Trabalhadores atua de forma stalinista, quando a realidade é que o PT no poder é profundamente democrático e tão republicano que hoje tem de enfrentar juízes e promotores nomeados por ele, que lhe fazem uma oposição desleal e que tem por finalidade desgastar e desconstruir suas representatividades proeminentes, com o intuito de ajudar o PSDB a vencer as eleições presidenciais de 2014.
Esse é o modus operandi  de um Judiciário e de uma imprensa que lutam desesperadamente para manter intactos o status quo dos inquilinos da Casa Grande. O STF judicializou a política. A PGR a criminalizou. E os barões donos da mídia monopolizada tratam de divulgar os supostos escândalos, de forma sistemática e que denotam todo o ódio e o desprezo que a classe rica e muita rica tem pelo Brasil, pelo seu povo e principalmente pelos políticos trabalhistas que conquistaram o poder por intermédio do voto e que hoje sofrem com um processo draconiano de propósito golpista, que dia a dia, mês a mês e ano a ano tenta desconstruir a imagem de um político respeitado e considerado pelo povo brasileiro, bem como admirado profundamente no exterior, pois tratado como mito político e humano decorrente de sua espetacular biografia.
A nossa "elite" controladora dos meios de produção é ridícula, provinciana e intelectualmente limitada e desonesta. Temos uma imprensa que caça o Lula e por isso o ex-mandatário se tornou um alvo de enorme repercussão. É a única imprensa que faz oposição a um ex-presidente, político que saiu do poder e por isso não tem mandato. E sabem por quê? Porque quando ela lembra de Getúlio Vargas sente calafrios. Enquanto em outros países a oposição combate quem está no poder, no Brasil acontece o contrário, porque nós temos a pior classe rica do planeta, herdeira de uma escravidão que teve a duração de 350 anos e que explorou de forma infame cerca de quatro milhões de africanos, em um tempo remoto, praticamente sem tecnologias. Os proprietários da Casa Grande jamais vão perdoar a Senzala, que ousou entrar nos Palácios do Planalto e da Alvorada, pisar em seus luxuosos tapetes e sentar na cadeira presidencial, por intermédio de Lula.
Tal acontecimento foi de mais para essa gente branca, de olhos azuis, ternos alinhados e perfumes caros, que se comporta como se fosse "superior", porque que vive de forma abastada e farta por causa da dedicação, da determinação e do talento do seu empregado, o trabalhador brasileiro, a quem ela pouco emprega, porque, proporcionalmente, quem contrata no Brasil são os micro e médios empresários, que nos governos trabalhistas de Lula e de Dilma foram considerados e respeitados e por isso receberam crédito por meio dos bancos de fomento, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e até mesmo o BNDES, que, para quem se interessar, empresta três vezes mais do que o Banco Mundial — o Bird.
Além disso, Lula pagou a dívida externa, as reservas do Brasil são da ordem de R$ 400 bilhões e, no decorrer de dez anos, os governantes trabalhistas fizeram o Brasil crescer exponencialmente, os salários aumentaram de valor e o desemprego é quase um risco nas estatísticas, ou seja, vivemos o pleno emprego. Somente para ficar nisso, porque se não eu teria de me alongar. Esse conjunto de conquistas e de melhorias sociais e econômicas gerou um ódio incomensurável nas classes sociais preconceituosas, levianas e tolas, pois que não percebem ou se negam a perceber que um Brasil robusto economicamente e politicamente propicia desenvolvimento, distribuição de renda e de riqueza ao conjunto da sociedade e não apenas, por exemplo, aos acionistas das empresas de energia cujos interesses foram defendidos pelos governadores tucanos de São Paulo, Goiás, Paraná, Minas Gerais, bem como pelo aliado do PSD de Santa Catarina, que boicotaram o projeto do Governo trabalhista de baixar os preços das tarifas de energia, que tem o apoio dos empresários da Fiesp e da Firjan.
A direita tucana é tão leviana e descompromissada que sabotou a diminuição do preço da energia. Essa gente é tão midiática e judiciária (o STF é o alicerce das "elites") que defende privilégios, quer um Brasil VIP e, portanto, para poucos, exatamente aqueles que se consideram escolhidos, quiçá, por Deus. Afinal, eles rezam com os padres Marcelo Rossi ou Zezinho, além de terem o apoio incondicional do Opus Dei. Se tiver dúvida, pergunte ao José Serra e ao Estadão. É muita falta denonsense, um disparate. Lula é o alvo. Juízes, procuradores, barões da imprensa, jornalistas e políticos conservadores a serviço do establishment e por causa dessa realidade precisam derrotar os trabalhistas como fizeram com Getúlio Vargas e João Goulart, que edificaram as bases do Brasil moderno e civilizaram a nossa sociedade por intermédio das leis trabalhistas.
É um acinte, um despropósito e uma inconveniência a atuação política dessa gente que quer transformar o Brasil em um grande Paraguai, que amarga forte censura ao ficar fora das decisões da Unasul e do Mercosul. É tal qual eu li outro dia: as classes hegemônicas desse País, na verdade, gostariam que o tempo voltasse e que o nosso Brasil ficasse "congelado" no tempo, a continuar a ser um gigantesco fazendão de plantação de café ou de cana de açúcar. O País do cafezinho e da garapa.
Seria ótimo para eles, os inquilinos da Casa Grande. Super cômodo. Afinal, os colonizados com um imenso complexo de vira-lata se quiserem tomar um banho de civilização bastariam ir à Corte, como o fez, de forma ridícula e sem noção, o senhor Paulo Francis. Hoje, por causa do Lula, a Danuza Leão tem de comprar passagens para ir a Nova York, a Paris ou a Londres juntamente com seu porteiro. Danuza não tem culpa de sua iniquidade, mas ela poderia deixar de fora o rei da selva, que tem de lutar duramente para sobreviver — o Leão.
Contudo, não vai ser possível para os imperialistas de pensamentos colonizados viverem em um mundo à imagem deles refletido na abominável Casa Grande. Um lugar onde poucos se locupletam e se divertem, enquanto a enorme maioria fica a sofrer na Senzala, a fim de propiciar aos herdeiros dos escravos e às suas dondocas as delícias e as satisfações adquiridas com a pobreza e o trabalho da maioria. É disto que se trata. Por isto e por causa disto, a burguesia jamais vai esquecer o Lula, mesmo se ele estiver fora do poder. A esquerda tem de reagir, porque a política é como o boxe: quem não bate, apanha. É isso aí.

Fonte:   Brasil 247

domingo, 11 de novembro de 2012

DILMA INCENTIVA O GOLPE CONTRA LULA E CONTRA SI MESMA E FERE DE MORTE OS QUE LUTAM CONTRA O PIG

Dilma está com saudade desse tempo

 “Como já disse várias vezes, eu estou convencida de que mesmo quando há exageros, e nós sabemos que eles existem, é sempre preferível o ruído da imprensa livre ao silêncio tumular das ditaduras”. Dilma Rousseff

Com um esse discurso medroso para agradar os barões da mídia, Dilma Rousseff  enche a bola daqueles que diuturnamente tramam contra governos trabalhistas desde Getúlio. É uma pena que a presidenta não saiba a diferença entre exagero e crime, entre noticiar uma escândalo de corrupção e envolver um ex-presidente da república num assassinato sem apresentar uma única prova. A grande realidade é que Dilma e o PT não querem ou não podem  (sabe-se lá por que motivo) enfrentar o PIG. Como entender a luta solitária de Collor, que foi cassado por corrupção,  contra a PGR e a Veja e o silêncio covarde do PT no senado?! Em que gaveta esconderam o projeto de "Ley de Medios" do ex-ministro Franklin Martins?!

Uma outra coisa que a presidenta não sabe, ou como o pior cego, não quer ver, é que cada vez que ela vem a público com essa lenga-lenga medrosa, no outro dia toda, digo toda, a imprensa golpista cai de pau em cima do PT e daqueles que resistem aqui na internet, sem nenhum recurso, aliás, contra as atitudes golpista do monopólio da mídia, dizendo que querem amordaçar a imprensa livre.  Monopólio aliás que não está previsto na constituição da qual a presidenta é a guardiã mor.

A presidenta esquece que muito do insucesso da direita golpista e do seu braço midiático  desde 2002 se deve ao trabalho dos blog "sujos" e de todos que militam por pura ideologia contra o poder disproporcinal da imprensa no Brasil. O que garante igualdade de condições nessa luta não é amordaçar a imprensa (uma pequena parte) que faz seu trabalho correto e sim regulamentar (que significa "criar um regulamento") para que esta mesma imprensa não saia do seu papel de importante órgão de informação da sociedade e se transforme numa poderosa máquina a serviço daqueles que sempre trabalharam contra essa mesma sociedade, como acontece aqui desde que Getúlio Vargas assumiu o poder. 

Ao não enfrentar dentro da lei e da  constituição as práticas golpistas do monopólio da mídia no Brasil, Dilma Rousseff, pena que finja não saber, está incentivando a volta  do " silêncio tumular das ditaduras".  Talvez não aquelas imposta pelos militares mas as  impostas pelo outro poder. O outro poder  que há três meses julga de "forma isenta e justa", transforma um julgamento em circo, muda a jurisprudência do país e esquece pessoas que cometeram os mesmos crimes, só para condenar membros do seu partido.  Isso não é teoria da conspiração,  presidenta. Pegue seu avião e dê uma passadinha em Honduras e no Paraguai.


The teacher.

domingo, 4 de novembro de 2012

DECIDIDO: NÃO LEIO NEM COMENTO MAIS TEXTOS SOBRE A PERSEGUIÇÃO DO PIG CONTRA LULA

O cerco a Lula está se fechando. e o PT...?

SÓ FAREI ISSO QUANDO O PT, ATRAVÉS DE SEUS DEPUTADOS E SENADORES, FOREM ÀS TRIBUNAS DEFENDER LULA, O PARTIDO E O GOVERNO; QUANDO MEMBROS DE U MA CPI, AMEDRONTADOS POR UM PULHA COMO MIRO TEIXEIRA,  PERDEREM O MEDO E CONVOCAREM A VEJA, E O SEU CAPPO CIVITTA, PARA DEPOR; QUANDO ME EXPLICAREM POR QUE UM CARA FEITO COLLOR ENFRENTA SOZINHO A VEJA E O PROCURADOR E UM PARTIDO INTEIRO (O PT) NÃO TEM CORAGEM DE FAZÊ-LO; SÓ LEREI, COMENTAREI E DEFENDEREI O PT QUANDO O GOVERNO, ATRAVÉS DESSE MINISTRO ESCROTO, O TAL DO PAULO BERNARDO DESENGAVETAREM A "LEI DE MEDIOS" QUE O FRANKLIN DEIXOU PRONTA. SABE QUANDO VAI ACONTECER ISSO TUDO?  NUNCA. E SABE O QUE VAI ACONTECER? LULA VAI SAIR ALGEMADO DO SUPREMO.

The teacher.

domingo, 28 de outubro de 2012

ESSE LULA É F...!!! CONSEGUIU QUEBRAR UMA DAS PERNAS DO PIG.

Lula e os seu dois postes. Vão iluminar pra caramba!!

Esperei terminarem as apurações para poder comentar aqui algo que penso desde o começo da campanha.
Enquanto pernambucano que mora muito próximo à  Recife, e portanto acompanha a política da capital, não   só não entendi como fiquei indignado quando Lula e Dilma, principalmente o primeiro, resolveram abandonar o Recife para o governador, que deu um golpe no PT pernambucano e vive flertando com direita, Eduardo Campos.  Pareceu- me um covardia de Lula para com Humberto e João Paulo, apesar de sabermos que as mazelas do PT em Recife e em Pernambuco nos últimos anos tem o dedo desses dois. 
Mas com o tempo eu, e até o reino mineral, como diria o Mino,  fui percebendo qual era o verdadeiro plano de Lula. Ele queria conquistar  São Paulo. Não apenas pelo seu peso econômico e político dentro do Brasil, Não apenas por ser uma das maiores cidades do mundo e a maior da América Latina. Lula queria ganhar São Paulo porque ele sabe que ganhando esta cidade ele estaria quebrando uma das pernas do PIG. Todos sabemos  que é em São Paulo que a oposição se organiza, através do PSDB e principalmente  que é em São Paulo que está o QG do PIG.  O Partido da Imprensa Golpista, representados por seus ícones: Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Veja não só apoia politicamente tudo que a oposição propõe como também esconde os malfeitos do PSDB e, principalmente, se locupletam com a propaganda oficial. Tenho certeza de que Haddad vai cancelar o escandaloso contrato de Kassab com a Veja, celebrado recentemente em troca de elogios e apoio. Agora, com a acachapante vitória sobre o saco de pancada do PT, Serra, Lula consegue fazer aquilo que há muito planeja: desalojar da cidade a direita raivosa  e, principalmente, ficar numa posição que ameaça a soberania da mídia corporativa em São Paulo, pois Haddad, como prefeito terá peso político para tomar posições e principalmente, poderá fechar os cofres que durante oito anos estavam a serviço do PIG.

Em tempo:  apesar de me ater principalmente em São Paulo, antes que digam que Lula perdeu  veja o balanço do PT no segundo turno.

BALANÇO  DO PT NO SEGUNDO TURNO:

DISPUTOU COM CANDIDATO PRÓPRIO  EM  21  CIDADES
GANHOU EM
8   CIDADES:
SÃO PAULO
SÃO PAULO
SANTO ANDRÉ
MAUÁ
GUARULHOS

BAHIA
VITÓRIA DA CONQUISTA
ACRE

RIO BRANCO

RIO DE JANEIRO
NITEROI

PARAÍBA
JOÃO PESSOA

ALIADOS VENCERAM EM:
JUNDIAÍ  -   PC DO B
PEDRO BIGARDI

O PT PERDEU ASSIM
PARA O  PSB --  3 CIDADES
PARA O PSDB -  2 CIDADES
PARA O DEM  -  1 CIDADE
PARA O PMDB  -   1 CIDADE
PARA O PRB   -   1 CIDADE
PARA O PP  -     1 CIDADE
PARA O PPS  -   1 CIDADE
PARA O PDT   -  1 CIDADE
PARA O PV    -   1 CIDADE

P.S  Não estou considerando o PSB  e os demais partidos (com exceção do PSDB e PPS) como aliados aqui porque eles disputaram  diretamente com o PT em várias cidades, embora sejam aliados do governo em nível federal

FONTE:  TSE  (http://divulga.tse.jus.br/oficial/index.html

The teacher.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E O "HERÓI" DO JULGAMENTO NÃO CONHECIA A LEI...




Ao vivo e em cores, na sessão que começou a definir a dosimetria da Ação Penal 470, o ministro Joaquim Barbosa tentou aplicar penas não previstas em lei e teve de passar pelo constrangimento de ser corrigido por colegas no plenário; cultuado pelos meios de comunicação e transformado em fenômeno popular que virou máscara de Carnaval, o relator teve de consultar o Código Penal em plena sessão; até Merval Pereira reparou

247 – “Finalmente”. Esta foi uma das primeiras palavras usadas pelo ministro Joaquim Barbosa, presidente eleito do Supremo Tribunal Federal, antes da sessão que começaria a definir a chamada dosimetria da Ação Penal 470. Era chegada a hora de começar a mandar os réus para a cadeia e o relator mal escondia sua satisfação – diferentemente de ministros, como Ayres Britto, que, ao condenar falavam do gosto “de jiló, de fel ou de mandioca roxa na boca”, talvez apenas como figura de retórica.
Cultuado pelos meios de comunicação como “o menino pobre que mudou o Brasil” (Veja) e como o justiceiro com a grande chave da cadeia (charge do Globo desta quarta-feira), Joaquim Barbosa é um herói popular, cogitado até para uma disputa presidencial e, apelidado de “nosso Batman”, máscara de Carnaval já pronta para 2013.
No entanto, Barbosa não estava preparado para a sessão do “gran finale” e cometeu erros em série, tendo que passar pelo constrangimento de ser corrigido pelos próprios colegos, ao vivo e em cores, na sessão transmitida pela TV Justiça.
O que ocorreu ontem foi tão inusitado que até o colunista Merval Pereira, chefe de torcida pela condenação nos meios de comunicação, reparou e publicou, nesta quarta, a coluna “O STF se perde”. Eis alguns trechos:
“Barbosa em diversas ocasiões demonstrou que não se preparou adequadamente para a sessão de ontem. Deu uma pena para Marcos Valério por formação de quadrilha e ainda por cima aplicou uma multa (....) Luiz Fux tentou acudir, comentando baixinho: ´Eu tenho a impressão de que não há previsão de multas´. Barbosa insistiu, chamando a atenção para seu próprio erro: ´A previsão de multa é genérica´. Não era, não, e Celso de Mello e Ayres Britto, consultando o Código, alertaram que naquele artigo não havia previsão de multa.”
Merval citou ainda outro erro de Barbosa, ao tentar aplicar uma pena por corrupção ativa para Marcos Valério prevista não na lei correta, que é mais branda do que a atual. Foi corrigido por Lewandowski, irritou-se, disse que a propina a Henrique Pizzolato foi paga em janeiro de 2004, mas foi corrigido por vários ministros. Celso de Mello pediu até para que a sessão fosse encerrada.
Preocupado com o vexame de ontem, Merval afirmou que se os ministros não se reunirem antes das sessões – talvez para alertar Barbosa sobre possíveis novos erros – o julgamento não terminará amanhã (antes das eleições) como estava previsto e os réus poderão apresentar muitos embargos.
Segundo o colunista do Globo, ontem o STF se perdeu. Talvez tenha se perdido um pouco antes.
Leia, também reportagem da Folha sobre os erros em série de Joaquim Barbosa na sessão de ontem, classificados como “vergonha” por um advogado dos réus:
Relator comete erros ao definir penas e é corrigido por colegas
Joaquim Barbosa quis aplicar pena de multa ao crime de quadrilha, o que não existe, e usou uma legislação errada
Advogados disseram que os 'equívocos' do ministro devem levar aos chamados embargos à decisão
DE BRASÍLIA
O ministro relator do mensalão Joaquim Barbosa cometeu erros em seu voto sobre a aplicação das penas ao empresário Marcos Valério, foi corrigido pelos colegas no plenário e recebeu críticas dos advogados dos réus.
O primeiro equívoco de Barbosa ocorreu quanto ao crime de quadrilha. O relator quis aplicar a pena de multa, que não é aceita para o crime. Ele foi alertado sobre o engano pelo ministro Luiz Fux e afastou essa punição.
Barbosa também recuou após adotar uma pena prevista em lei que não estava em vigor quando aconteceu o crime de corrupção ativa de Valério em contratos de publicidade do Banco do Brasil.
O revisor Ricardo Lewandowski lembrou que o delito ocorreu em 2003, quando ainda valia norma que estabelecia penas de 1 a 8 anos de prisão para o crime. Só após novembro de 2003 a punição passou a ser de 2 a 12 anos.
A princípio Barbosa disse que a pena que estava aplicando (4 anos e oito meses) não estava fora dos parâmetros legais, mas o ministro mais antigo da corte, Celso de Mello, sugeriu que a votação fosse suspensa para que ele adaptasse seu voto à lei correta. A sessão foi encerrada.
Na discussão Barbosa disse que havia deixado de considerar em seu voto fato que poderia aumentar a pena de Valério. A lei prevê que na hipótese de corrupção a pena é maior se o ato pretendido pelo corruptor se concretiza, o que ocorreu, segundo o STF.
A manifestação do relator só ocorreu depois que Marco Aurélio e Lewandowski apontaram tal situação. Em um momento da sessão o relator não achou o próprio voto e chegou a pedi-lo aos colegas.
EMBARGOS
Advogados disseram que os "equívocos" do ministro devem levar aos chamados embargos de declaração [recurso contra obscuridade, contradição ou omissão].
"Foi uma vergonha o que fizeram aqui hoje. Rasgaram o princípio da legalidade", disse Leonardo Yarochewsky, que defende Simone de Vasconcelos. Outros quatro advogados também criticaram os erros de Barbosa ontem.
Até ontem, pelo menos seis memoriais sobre a dosimetria da pena haviam sido enviados. Entre eles, dos réus ligados ao Banco Rural (Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane) e do ex-deputado Pedro Corrêa (PP), além dos publicitários Marcos Valério e Cristiano Paz.
Todos pedem a aplicação da pena mínima. O argumento mais usado é o de bons antecedentes de seus clientes.

domingo, 21 de outubro de 2012

PAULO MOREIRA LEITE NA "ÉPOCA": QUEM NÃO TEM VOTO DIZ QUE ELEITOR ESTÁ CANSADO




O Conversa Afiada reporduz artigo de Paulo Moreira Leite na Época:

 21/10/2012
Paulo Moreira Leite


Pergunto o que leva nossos coveiros de sorriso amarelo a produzir tantas análises e raciocínios sofisticadíssimos para esconder o dado óbvio desta eleição municipal.

Apesar do julgamento do mensalão, apesar do tratamento ora irônico, ora pedante, que a maioria dos meios de comunicação dispensa ao ex-presidente Lula, está cada vez mais difícil esconder o bom desempenho do PT neste pleito.

Quem profetizou um fiasco de Lula precisa improvisar teorias para justificar verdades óbvias.

Quem chegou ao exagero de anunciar um duelo entre Lula e Geraldo Alckmin, em São Paulo, precisa fazer um curso supletivo de liderança política.

O mais novo argumento é dizer que o eleitor está desanimado, cansou-se da polarização entre PT e PSDB.

É preocupante. Nem faz muito tempo assim que os brasileiros recuperaram o direito de votar para prefeito de capital, que fora suprimido pela ditadura, e já tem gente que acha que esse tipo de coisa é cansativa e tediosa. É a mesma turma que, em dia de eleição, só consegue olhar para os santinhos na calçada e dizer que eles emporcalham a cidade. Eu acho que nada emporcalha mais uma cidade do que o autoritarismo, a falta de eleição, os prefeitos escolhidos de forma indireta.

E eu acho que a boca-de-urna ajuda a ampliar o debate numa eleição. E quem é a favor de proibi-la poderia dar uma chance ao próprio QI e perguntar-se se ela não tem a ver com a liberdade de expressão.

Voltando ao cansaço dos eleitores.

A teoria da baixa representatividade se apoia num fato real mas interpretado de forma interesseira.

É certo que  o  número de brancos e nulos nunca foi tão alto. O problema é usar este dado como prova de que  nosso sistema político não expressa a vontade dos brasileiros e blá-blá-bla…

Nós sabemos muito bem onde esse tipo de conversa sobre falta de representatividade da democracia começa e onde costuma terminar, não é mesmo?

Estrela principal do pleito que centraliza as atenções no segundo turno, Fernando Haddad não enfrenta o menor problema com sua representatividade. Ilustre desconhecido há seis meses, já conquistou 49% das intenções de voto  e lidera a eleição com uma diferença de 17 pontos. Falta de representatividade?

Se você comparar com outras eleições, municipais, estaduais e federais, verá que a ordem de grandeza é a mesma.

E se você se interessar pela temperatura da campanha, verá que Haddad tem empolgado a juventude e mesmo antigos militantes que pareciam ter pendurado a chuteira da luta política.

Estes números ajudam a mostrar que não há crise nenhuma com o regime democrático nem com o eleitor.

A doença envolve um candidato específico, José Serra, que exibe um  desempenho muito abaixo daquilo que seus aliados prometiam no inicio da campanha.

O grande número de nulos e brancos, em São Paulo, expressa sua dificuldade para atrair apoio junto a eleitores do PSDB e mesmo adversários do PT. São estes nulos e brancos que deixaram de ir para a Serra, o que é natural num candidato com uma rejeição que chegou a 52%.

Lançado como última esperança para  salvar a pátria do PSDB, o problema real da campanha de Serra não é a perpectiva de derrota. É o tamanho da diferença a favor de Haddad. Superior a qualquer previsão de nossos sábios, a vantagem do candidato do PT mostra um adversário que sequer tem-se mostrado competitivo.

Esta é a crise, o susto de 2012.

Temos uma  oposição sem representatividade, inclusive em São Paulo, que sempre considerou como sua fortaleza.

Após a terceira derrota na sucessão presidencial, não é uma boa notícia para o PSDB

                                                                                                               no       Conversa Afiada

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

POR QUE A FOLHA E O GLOBO ESCONDEM SUAS PESQUISAS?



Às 21h37 de ontem, o 247, que não possui nenhum instituto de pesquisas, publicou os resultados da sondagem Datafolha encomendada por Globo e Folha: Fernando Haddad tem 49% e José Serra, 32%. Nem o vazamento levou a Folha.com ou o Uol a divulgar os números. Será que os grandes grupos de mídia seguem a máxima "o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde", popularizada por Rubens Ricupero? 


247 – Jornal eletrônico independente, desvinculado de qualquer grupo tradicional de mídia, o Brasil 247, evidentemente, não controla nenhum instituto de pesquisa. Realizar sondagens eleitorais custa muito caro e é tarefa para poucos.
É o caso da Folha de S. Paulo, que possui seu Datafolha e ontem concluiu mais uma pesquisa, que hoje está na manchete de sua edição. O resultado, antecipado pelo 247 às 21h37 de ontem, aponta Fernando Haddad, do PT, com 49%, e José Serra, do PSDB, com 32%.
Desta vez, a pesquisa Datafolha, que ouviu 2.098 eleitores, foi encomendada pela parceria Folha e Organizações Globo. Como os resultados estavam prontos ontem, era possível já na noite passada – como fez o 247 – divulgar seus resultados. Como, aliás, foi feito com todas as pesquisas anteriores do instituto.
Mas a Folha preferiu o silêncio, assim como seu portal de notícias Uol. E isso mesmo depois do furo de reportagem publicado pelo 247.
O que explica um jornal gastar tanto dinheiro com uma pesquisa e não divulgar seus resultados? Qual é a lógica? De mesma maneira, o que explica o fato de a Globo ter encomendado uma pesquisa ao Ibope, que apontou 48% para Haddad e 32% para Serra, e não divulgá-la no Jornal Nacional, como ocorreu na última quarta-feira?
Mistérios que assombram os meios de comunicação e explicam a queda de sua influência, no momento em que a internet assume um papel cada vez mais relevante.
Ao que tudo indica, tanto a Folha, comandada por Otávio Frias, como a Globo, liderada por João Roberto Marinho, que aparentemente apoiam o candidato tucano José Serra, adotaram a máxima do embaixador Rubens Ricupero, que caiu do Ministério da Fazenda quando disse “o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.
Da pesquisa Datafolha, encomendada por Globo e Folha, o dado que salta aos olhos é a rejeição a Serra: nada menos que 52% dos eleitores garantem que não votarão nele em hipótese alguma. E a resposta para esse fenômeno para ser a agenda conservadora centrada no chamado "kit-gay" e trazida pelo candidato aos debates.

Fonte:  Brasil 247

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

EMILIANO JOSÉ: O PESADELO INTERMINÁVEL DO URUBU


por  Emiliano José

…Aquelas mãos pegajosas e fortes, aquele dedo faltando, os braços, e ele chamando-o para acompanhá-lo, seguir sua trajetória. Que horror aquele homem… E maior horror ainda era aquela corte de andrajos que o acompanhava. Pobres e mais pobres, negros e mais negros, a escória da sociedade. Um nojo, um horror, um horror…(“Os encontros noturnos de Herval Sobreira”)

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Assalta-me a referência a Marx, acho que em O Manifesto Comunista – um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo. Isso vem a propósito do tormento representado por Lula para a velha mídia brasileira. Esta vive sobressaltada pela liderança do operário que emergiu da luta sindicalista, tornou-se o maior líder popular de nossa história, em seguida o melhor presidente que o país tivera, uma das lideranças mais respeitadas do mundo, que está hoje fora do poder, e ainda assim, independentemente de sua vontade, acicatando os nossos vetustos e vetustas colunistas.
Creio que Lula, tal a obstinação com que cuidam dele, a insistência com que tentam diminuí-lo, de fato invade as noites de muitos jornalistas. Invade quando pensam nele para inventar as pautas desqualificadoras, quando tem de opinar de modo enviesado para diminuir a presença dele na cena política, invade quando o caluniam conscientemente, e Lula deve também invadir o sono deles e delas, coitados, e essa invasão, como acontece com o personagem Herval Sobreira, deve sempre aparecer como pesadelo, tal o ódio, o horror, o nojo que todos tem, de fato, desse operário-invasor, porque nunca antes na história desse País um nordestino pobretão, retirante famélico, encarnação das vidas secas de outrora, ousara sequer tentar a presidência da República.

E o operário suarento, com sua barba ora negra, ora branca, quase espumava em sua cara, quase sujava seu bigode bem aparado, querendo que o acompanhasse em sua rebelião contra os ricos, logo ele, que nada tinha contra os ricos, até gostava muito deles, e se não podia dizer tinha nojo, queria os pobres à distância, quanto mais distantes melhor…

Não é bem que Lula invada as noites das nossas e dos nossos nobres colunistas. Corrijo-me. A velha, conservadora mídia brasileira é que não consegue se livrar de Lula, nunca o tira da cena, e sempre pretende destruí-lo, sem que até agora o tenha conseguido. Talvez até o ajudem manter-se à tona, mesmo que ele não queira.
Lula parece para ela, para o consciente e o inconsciente, o espectro de que falava Marx, só que ele é de carne e osso, e foi Lula que Hobsbawm disse ter sido o inventor da democracia recente no Brasil por combinar de modo rigoroso crescimento econômico com distribuição de renda, embora isso fosse uma metáfora já que a recente democracia brasileira é resultado da luta de milhões de brasileiros. Inegavelmente, no entanto, depois de 2003, a democracia enlaçou os aspectos formais dela com a melhoria real das condições de vida do povo brasileiro.

Quando acordou, suava aos borbotões, assustado. Soltou uma exclamação, um sonoro puta-que-pariu libertador, se surpreendeu alegre por escapar daquele pesadelo, que não acabava, extirpar de si a lembrança do operário-barbudo e daquela multidão de maltrapilhos a tocá-lo, também, como se fosse um deles. Não era. O dia já despontava, e ele se indagando sobre quando se livraria daquele operário que se intrometera na vida política já havia tantos anos, e não saía dela, e o pior, sempre adorado pelo povo, esse povo tão ignorante…

Será que esse ódio quase visceral de nossa velha mídia vem de um sentimento ancestral, carga acumulada de racismo da sociedade branca, atormentada por quase 400 anos de escravidão? Será que a nossa velha mídia não é a encarnação recente da Casa-Grande, inconformada sempre com quaisquer intromissões indevidas, com quaisquer insubmissões dos de baixo?
São perguntas que me assaltam para tentar explicar a perseguição da velha mídia a Lula e quem sabe os tormentos e delícias do personagem Herval Sobreira. Será que vem da raiva sulista, de parte dos sulistas brancos, à ralé nordestina, que imagina os nordestinos como mão-de-obra barata, destino que o presidente operário resolvera mudar com suas políticas sociais ousadas? – vou refletindo, perguntando e dizendo a mim mesmo que deve ser por tudo isso e muito mais.

Barbeou-se cuidadosamente. Aparou o bigode. Pensou em glórias recentes, na autoridade que lhe foi conferida ao receber o galardão da Academia dos Sábios das Letras, e quase riu agora ao lembrar-se do pesadelo. Novamente, aquele sujeito o incomodava. Falaria dele hoje, novamente. Como ousara chegar novamente à presidência da República, depois de tudo pelo que passou? Pena que o câncer não o tenha vencido, lamentou-se irritado, abandonando o esboço de sorriso e cortando levemente o rosto…

Creio, no entanto, que tal combate, esse combate tão feroz por parte da velha mídia, tão insistente, tão organizado, tão concertado, tão programático, enlaça tudo o que disse no combate a um projeto político, esse que se tornou governo em 2003, quando Lula assumiu. A mídia tem posição política – insisto nisso para que não nos enganemos. A mídia, isso não se pode negar, tem consciência de que Lula é o principal símbolo desse projeto político em andamento no Brasil, e por isso quer destruí-lo, usando para isso todas as armas de que dispuser, evidentemente sem quaisquer considerações por aquilo que conhecemos como bom jornalismo.

…A rede de televisão em que trabalhava, as outras redes, as revistas, os jornais estavam unificados no combate àquela figura. Lembrava-se novamente do pesadelo, e não atinava por que Lula ocupava tanto sua mente, porque invadia suas noites. Alguns sonhos leves já o tinham embalado – como quando Lula falava para multidões embevecidas, mas era interrompido por uma benfazeja chuva de ovos jogados não se sabe por quem. Outros, nem tanto, como o último, pesadelo interminável…

Desde que a presidenta Dilma assumiu, a velha mídia, valendo-se do noticiário e de seus abnegados colunistas, envolveu-se numa operação que só podia enganar ingênuos: vamos momentaneamente poupar Dilma, e vamos detonar Lula e o PT. E, ao fazer isso, tentemos sempre separar Lula e Dilma, e esta do PT. Vamos envolver a presidenta, fazer de conta que ela é tão boazinha, que está se livrando da herança maldita de seu antecessor, e que os demônios são Lula e o PT.
Era o seu programa tático – se podemos expressar assim. A mídia tem disso: subestima a inteligência dos outros, despreza a capacidade do chamado campo de recepção, como diriam os teóricos da comunicação, achando que os seus movimentos não são percebidos. E acredita que quaisquer lealdades são desmontadas com afagos em suas redes e páginas. Às vezes, dá certo. Imaginou fazer isso com Dilma.

…Quase se lamentava não fosse mais o tempo de golpes, quase se lembrava com saudades dos tempos da ditadura. Não ficava bem dizer isso, pensar, bem, pensar era o livre pensar. Tinha convicção: de um jeito ou de outro, Lula sairia do poder. Seu combate, sua missão, e o de toda a mídia, pelo menos das grandes redes, das revistas mais importantes e dos jornais, os poucos que ainda resistem, tudo isso haveria de produzir resultados. Um dia cai, diante de tanta artilharia. Se não é possível tirá-lo pelo voto, que seja por algum tipo de golpe, naturalmente menos violento do que o nosso, de 1964, mais institucionalizado, com aparência de legalidade…

Ao pretender separar Dilma de Lula, a velha mídia quebrou a cara. Protestou com o fato de a presidente, além de tudo, falar em herança bendita de seu antecessor– e ela estava fazendo justiça, como fez justiça, na mesma ocasião, quando desmontou o governo FHC. A velha mídia pensa ter a palavra final sobre o mundo. Perdeu nessa proposta de dividir Lula e Dilma, mas continuou a forçar a mão para que o julgamento da Ação Penal 470, cunhada por ela de mensalão, acontecesse exatamente no período eleitoral para cumprir o objetivo (dela) de detonar o PT e de modo especial assegurar a vitória de José Serra em São Paulo. Nisso, para além do que se especule sobre as razões do STF, sem dúvida foi bem-sucedida, ao menos quanto ao período do julgamento.
A mídia pretendia, como suas sentenças prévias condenatórias o revelavam, e como o Procurador-Geral Roberto Gurgel também revelou querer em entrevista à Agência Estado no dia 3 de outubro, impactar as eleições, e por impactar leia-se prejudicar o desempenho eleitoral e estratégico do PT. Era o que se pretendia e de cambulhada pretendia-se, também, desgastar ao máximo a figura de Lula, por uma operação discursiva que divulgaria seu provável envolvimento com o mensalão (recente matéria, daquelas, da revista Veja, se insere nessa estratégia), junto com a erosão de sua liderança, especialmente pela loucura de ter lançado Fernando Haddad como candidato a prefeito.

Naquela noite, Herval Sobreira deitou-se com muito medo e a mulher sentiu o terror em seus olhos. Perguntou. Aquele homem, disse quase ciciando, as lágrimas vindo aos olhos, aquele homem, tenho medo que volte esta noite. E demorou muito, muito pra dormir. E sentiu o terror de um novo e terrível pesadelo…

Durante algum tempo, diante dos resultados das pesquisas, a mídia celebrou Russomanno como uma novidade. Depois passou a combatê-lo para garantir a ida de Serra para o segundo turno, e dando como certo que Haddad não iria. Lula não conseguira fazer o milagre, devido à suadecadência. Só faltou combinar com o povo de São Paulo.
No domingo, 7, vi como estavam encabulados, perplexos, perdidos os comentaristas da Globo News, especialmente o pretensioso Merval Pereira, um dos principais escribas daquela operação. Estava até mais contido. Ninguém referiu-se a Lula quanto se tratava de São Paulo, salvo esparsamente, senão teria que concordar com o jornalista Paulo Moreira Leite, que dissera que Lula fora o grande vitorioso do primeiro turno por conseguir, junto com o PT e seus aliados, levar o ex-ministro da Educação para o segundo turno contra José Serra, tudo que Lula estabelecera nos  seus objetivos iniciais.

…Forte, não. Lula parecia ter um tamanho descomunal. E continuava acompanhado daquela malta esfarrapada de mendigos, de trabalhadores sujos de graxa, de desempregados, as roupas andrajosas, as barbas grandes ou por fazer, e os olhos deles cheios de raiva, prontos para uma revolução, e todos eles o obedeciam quase cegamente. E então, Lula veio pra cima dele com aquele braço que mais parecia um guindaste pronto para esmagá-lo, e Herval tinha convicção de que bastava um golpe para matá-lo, e a salvação, se se pode chamar de salvação, é que Herval se metamorfoseou num pomposo, garboso, urubu, a voar pelo mundo à procura das melhores carniças, a desfrutar a liberdade dos que não devem satisfações a ninguém. O trágico é que se sentiu bem na pele e no corpo do urubu…

No momento em que escrevo, o STF ainda julga a Ação Penal 470, não sei os resultados, não sei se impactará ou não as eleições do segundo turno. No primeiro, não o fez, como se pôde ver. O que não quer dizer que não provoque conseqüências para o PT, que é outra discussão. O que sei é que até este momento, Lula segue sendo o contrário do que a mídia quer: continua a ser o principal líder popular de nossa história, líder atual, que influencia decisivamente nossa vida política, que tem uma unidade inquebrantável com a presidenta Dilma, e seus acertos continuam a ser muito maiores do que os seus erros.

…Na manhã seguinte, no café a mulher perguntou como estava, embora o estado dele já o confessasse. “Um urubu”, respondeu outra vez ciciando, melancólico. “Meu destino é o de ser um urubu”. Não parecia ter acordado ainda. A barba, ainda por fazer. E a murmurar: um urubu, um urubu, um urubu… e ciciando de novo, melhor assim… melhor assim… melhor assim…

(O protagonista desse livro em gestação, ainda inédito, nasceu dos esforços literários de um amigo que prefere só se revelar no momento mesmo de sua publicação. Embora ambientado em 2019, me parece conter algumas lições para os dias de hoje. Fui autorizado por ele a publicar alguns trechos. Esperemos a publicação)

Fonte\;  Carta Capital,  com título de Vi o mundo

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ESTAMOS COM MEDO; E NÃO PORQUE SOMOS CULPADOS


Ministro do Supremo do Brasil

Via CartaMaior

É assustador que, numa suposta democracia, tremamos aos olhares furibundos e aos sorrisos sardônicos de certos brasileiros, que ocupam as cadeiras de ministros no Supremo Tribunal Federal. Eles são senhores absolutos do Brasil: há que temê-los, naturalmente.

Enio Squeff

Samuel Weiner gostava de contar sobre sua experiência no Julgamento de Nuremberg, aquele que levou a um tribunal internacional os maiores criminosos do Terceiro Reich. Como brasileiro, representante da imprensa de um dos países vitorioso da Segunda Guerra, Weiner tinha o direito de ficar fisicamente mais próximo de alguns dos acusados. Os réus estavam encerrados em cubículos de vidro, a prova de balas e, com um pequeno binóculo, Weiner, por pura curiosidade, observava um a um os acusados, até chegar a Hermann Goering, criador da Gestapo, um dos maiores criminosos da história, co-responsável pelos campos de concentração nazistas. Aí Weiner parou. Confessava que baixou o binóculo rapidamente; sentiu medo. O homem que o encarou de dentro da cabine de vidro "tinha olhos de tigre" (sic). Conforme Weiner, o interior de Goering, revelou-se em seus olhos, na inteireza de sua crueldade inconcebível.

É um depoimento revelador, não só sobre réus eventuais. No julgamento sobre o Mensalão, por exemplo, não é aos réus que nos vem sendo dado mirar, mas os juízes. Não existem comparações possíveis. A palavra medo, porém, não parece muito distante do sentimento de qualquer brasileiro com um mínimo de consciência. Há quem fale - sabe-se lá se, paranoicamente ou não- em ambiente de golpe nas decisões que estão sendo tomadas.

Não parece uma questão estranha à justiça ou ao poder. Aos fatos dão-se as dimensões que eles podem não ter. Parece mais que tolice que a ação 470 seja considerada "o maio escândalo da história do Brasil". Soa como absurdo tal consideração, principalmente num país, como o nosso, em que em quatro anos foram vendidas estatais sem qualquer transparência para os bilhões que lhes foram ou não, devidamente dados. Basta, no entanto, que o poder julgue fatos maiores do que são, e os envolvidos serão, então, maiusculamente julgados.

Foi o que fez o Marquês de Pombal no século XVIII, em Portugal. Ao atentado contra Dom José I - do qual o monarca sobreviveu com não mais que alguns arranhões-- o então primeiro ministro luso, fez um escarcéu. Imediatamente, alguns de seus principais inimigos na aristocracia portuguesa seriam arrolados como responsáveis pelo crime de lesa-majestade. O Marquês, diga-se, não se limitou a torturar e a matar uma família inteira, do qual nunca se provou qualquer culpa. Logo, seus juízes saíram à cata de culpados onde quer que algum tugido ou mugido se fizesse ouvir. Em poucos anos, até a queda do Ministro, os inimigos, falsos ou verdadeiros, os criminosos ou não, eram todos enclausurados, mortos, cruelmente torturados, ou obrigados a se exilar: tudo, porem, na mais perfeita ordem legal - que disso o marquês não descurava nunca. Uma vez que eram proibidos os contraditórios, valiam as interpretações jurídicas do momento: se não havia provas, impunham-se as evidências.

À época, não se excluíam as torturas para os processos legais. Eram suficientes, portanto, as confissões dos réus. Depois de algumas sessões de tortura, muito dificilmente alguém não admitia que não tivesse participado fosse do que fosse - não só das conspirações dos Jesuítas - cuja a ordem o Marquês logrou que o Papa extinguisse ( o ouro do Brasil operava milagres na Santa Sé, pelo menos naqueles tempos), mas de que tinha ligações com todos os crimes do mundo - não excluídos os maiores absurdos, fosse da morte de Cristo. Ou do pecado original. Era só os juízes do Marquês quererem - pronto, lá estava o réu quanto menos, na prisão ou no exílio.

Parte da mídia brasileira apoiou o golpe da Suprema Corte de Honduras; e, quando houve o impeachment de Fernando Lugo, ela foi coerentemente a favor do congresso paraguaio. Já que os militares não são mais massa de manobra, como foram nos anos 70 em toda a América Latina, impõe-se, agora, qualquer legalização, seja pelos congressos, sejam pelas pelos poderes judiciários de alguns países. Os golpes não podem parecer que tais: têm de ostentar o selo da legalidade.

A questão maior, por isso, parece ser sobretudo o medo.

Qualquer pessoa de bom senso que passou pela ditadura militar, deve ter em alta conta o cenho carregado e enraivecido do ministro Joaquim Barbosa: ele já deixou claro, no grande evento televisivo em que se transformou o julgamento da ação 470, que não lhe agradam, nenhum pouco, qualquer balbucio de contraditórios a suas teses. Assim também em relação ao sorriso melífluo do ministro Marco Aurélio Mello ; há vários partidos no chamado caso do mensalão. Só lhe ocorre mencionar o PT. Fica-se na dúvida: não será temerário criticá-lo por considerar um escroque, como Roberto Jefferson, um digno "servidor da pátria" como ele declarou?

Restam muitas dúvidas, todas certamente temerárias.

De fato, qual o próximo capítulo televisivo, a merecer capas das revistas e jornalões que querem ver o ex-presidente Lula varrido da história? O exemplo do excelso Marquês de Pombal talvez seja um exagero - mas não deveria ser custoso ou mera paranóia ao ex e à atual presidenta porem-se em alerta. A ser verdade verdadeira, que provas não são necessárias para condenar alguém, dispensem-se inclusive as torturas. Haverá sempre evidências de que todos sejamos criminosos, incluindo-se aí não só os hoje e agora valorosos José Dirceu o José Genoíno. Eles não precisam mostrar sua santidade, por favor (já que o ônus da sua inocência deve-se a eles, apenas a eles). Basta, para nós, que não sejam culpados. E seremos, de novo, aquele pobre país que precisa de heróis

Sim, os brasileiros voltamos a ter medo. Como os juristas parecem se propor a guardar um silêncio mais que obsequioso (ou a palavra seria outra?) - aos espantados e inconformados com as sentenças que vão sendo atiradas a torto e a direito - sem que o país possa fazer nada (a começar pela decidida aprovação da grande imprensa), resta constatar, realmente, um "cheiro" de 64 no ar.

A propósito, será certamente apenas um desejo que a emocionante carta da filha de José Genoíno venha a comover alguns juízes do STF. Estamos vivendo aqueles inesquecíveis momentos em que a Justiça comete injustiças. Não é de se desprezarem os sinais

Aliás, pode parecer apenas fortuito que Samuel Weiner sentisse medo do o olhar de um autêntico assassino genocida, como foi Hermann Goering. Mas parece bem mais que assustador que, numa suposta democracia, tremamos aos olhares furibundos e aos sorrisos sardônicos de certos brasileiros, que ocupam as cadeiras de ministros no Supremo Tribunal Federal. Eles são senhores absolutos do Brasil: há que temê-los, naturalmente.

Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

Fonte:  Gilson Sampaio

domingo, 7 de outubro de 2012

COMO O PIG E STF QUERIAM, O PT É O MAIOR DERROTADO NO PRIMEIRO TURNO


CAPITAIS:
João Pessoa -  Luciano Cartaxo, PT segundo turno;
Fortaleza, Elmano, PT no segundo turno;
Salvador Pelegrino, Pt no segundo turno;
Rio de Janeiro, Eduardo Paes candidato apoiado pelo PT eleito no primeiro turno Agradeceu a Lula e a Dilma;
Curitiba, Fruet, apoiado pelo PT,  segundo turno;
Cuiabá,  Lúdio PT,  segundo turno; 
Manaus, Vanessa PC do B, apoiada pelo PT,  segundo turno;
 Rio Branco, Marcus Alexandre PT, segundo turno,

ESTADO DE SÃO PAULO – CIDADES MAIS IMPORTANTES
Campinas,  Marcio Porchman, PT no segundo turno;
Diadema, Mario Reali, PT no segundo turno;
Guarulhos, Almeida, PT no segundo turno;
São Bernado do Campo, Luiz Marinho PT primeiro turno com 65,79 dos votos válidos;
Santo André, Carlos Grana PT no segundo turno; 

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, A CIDADE DE PINHEIRINHO PT VENCE NO 1º  TURNO


O PT TAMBEM VENCEU EM JACAREÍ, CIDADE VIZINHA A SJ CAMPOS, ONDE SERÁ INSTALADA A PRIMEIRA MONTADORA DE AUTOMÓVEIS CHINESA NO BRASIL.


TALVEZ A MELHOR TRADUÇÃO DO RECADO DO POVO À DIREITA MIDIÁTICO-JUDICIÁRIA SEJA A ELEIÇÃO EM PRIMEIRO TURNO DO CANDIDATO DO PT A PREFEITO DE OSASCO, JORGE LAPAS. PARA QUEM NÃO SABE, ELE SUBSTITUIU O DEPUTADO JOÃO PAULO CUNHA, RECENTEMENTE CONDENADO (SEM PROVAS) PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. (Blog da Cidadania)

SÃO PAULO (CAPITAL)

CONTRA O DATA FALHA, CONTRA O GLOBOPE, CONTRA O PIG (GLOBO, FOLHA, ESTADÃO, O GLOBO, VEJA, ÉPOCA, ISTO É) CONTRA A RECORD DE RUSSOMANO, CONTRA O  STF, QUE MARCOU O MENSALÃO PARA O ANO DAS ELEIÇÕES E DIVIDIU AS CONDENAÇÕES METADE PARA O PRIMEIRO TURNO E METADE PARA O SEGUNDO TURNO, CONTRA O PRÓPRIO MENSALÃO,  HADDAD PT,  QUE COMEÇOU  A DISPUTA COM 3% VAI AO SEGUNDO TURNO COM SERRA. E VAI VENCER.




Fonte dessas informações:  TSE



CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"?

The teacher.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...