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domingo, 7 de outubro de 2012

COMO O PIG E STF QUERIAM, O PT É O MAIOR DERROTADO NO PRIMEIRO TURNO


CAPITAIS:
João Pessoa -  Luciano Cartaxo, PT segundo turno;
Fortaleza, Elmano, PT no segundo turno;
Salvador Pelegrino, Pt no segundo turno;
Rio de Janeiro, Eduardo Paes candidato apoiado pelo PT eleito no primeiro turno Agradeceu a Lula e a Dilma;
Curitiba, Fruet, apoiado pelo PT,  segundo turno;
Cuiabá,  Lúdio PT,  segundo turno; 
Manaus, Vanessa PC do B, apoiada pelo PT,  segundo turno;
 Rio Branco, Marcus Alexandre PT, segundo turno,

ESTADO DE SÃO PAULO – CIDADES MAIS IMPORTANTES
Campinas,  Marcio Porchman, PT no segundo turno;
Diadema, Mario Reali, PT no segundo turno;
Guarulhos, Almeida, PT no segundo turno;
São Bernado do Campo, Luiz Marinho PT primeiro turno com 65,79 dos votos válidos;
Santo André, Carlos Grana PT no segundo turno; 

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, A CIDADE DE PINHEIRINHO PT VENCE NO 1º  TURNO


O PT TAMBEM VENCEU EM JACAREÍ, CIDADE VIZINHA A SJ CAMPOS, ONDE SERÁ INSTALADA A PRIMEIRA MONTADORA DE AUTOMÓVEIS CHINESA NO BRASIL.


TALVEZ A MELHOR TRADUÇÃO DO RECADO DO POVO À DIREITA MIDIÁTICO-JUDICIÁRIA SEJA A ELEIÇÃO EM PRIMEIRO TURNO DO CANDIDATO DO PT A PREFEITO DE OSASCO, JORGE LAPAS. PARA QUEM NÃO SABE, ELE SUBSTITUIU O DEPUTADO JOÃO PAULO CUNHA, RECENTEMENTE CONDENADO (SEM PROVAS) PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. (Blog da Cidadania)

SÃO PAULO (CAPITAL)

CONTRA O DATA FALHA, CONTRA O GLOBOPE, CONTRA O PIG (GLOBO, FOLHA, ESTADÃO, O GLOBO, VEJA, ÉPOCA, ISTO É) CONTRA A RECORD DE RUSSOMANO, CONTRA O  STF, QUE MARCOU O MENSALÃO PARA O ANO DAS ELEIÇÕES E DIVIDIU AS CONDENAÇÕES METADE PARA O PRIMEIRO TURNO E METADE PARA O SEGUNDO TURNO, CONTRA O PRÓPRIO MENSALÃO,  HADDAD PT,  QUE COMEÇOU  A DISPUTA COM 3% VAI AO SEGUNDO TURNO COM SERRA. E VAI VENCER.




Fonte dessas informações:  TSE



CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"? CADÊ O "MENSALÃO"?

The teacher.

sábado, 1 de outubro de 2011

ADEUS, EUROPA



Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital
Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas do Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?
Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades europeias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.
A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.
O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou.
Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.
O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.
Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Europeia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.
Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.
Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.
O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.
A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.
Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Europeia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.
Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.
[Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do ouro” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor.

sábado, 2 de abril de 2011

DE OLHOS OPACOS NO TURBILHÃO DO MUNDO



por Mauro Santayana

O engenheiro baiano José Carlos Aleluia enviou carta ao Reitor da Universidade de Coimbra, protestando contra a concessão do título de Doutor Honoris-Causa ao operário Luis Inácio da Silva, que, com o apelido afetivo de Lula, presidiu ao Brasil durante oito anos. Sem mandato, Aleluia mantém contatos com seus eleitores, mediante um site na Internet.

Ele foi um oposicionista inquieto, ocupando, sempre que podia, a tribuna, no ataque ao governo passado, dentro da linha sem rumo e sem prumo do DEM. Aleluia considera uma ofensa às instituições acadêmicas o titulo concedido a Lula, e faz referência elogiosa à mesma homenagem prestada ao professor Miguel Reale. Esqueceu-se, é certo, de outros brasileiros honrados pela vetusta universidade, como Tancredo Neves. Não é preciso conhecer a teoria de Freud para compreender a escolha da memória de Aleluia.

 

O título universitário é, hoje, licença profissional corporativa. O senhor Aleluia está diplomado para exercer o ofício de engenheiro. A Universidade o preparou para entender das ciências físicas, e é provável que ele seja profissional competente, tanto é assim que ministra aulas. O título universitário certifica que o graduado estudou tal ou qual matéria, mas não faz dele um sábio. O conhecimento adquirido na universidade é importante, mas não é tudo. Volto a citar, porque a idéia deve ser repetida, os versos de um escritor mais identificado com a direita do que com a esquerda, T.S. Elliot, nos quais ele mostra a diferença entre ser informado, conhecer e saber: Where is the wisdom we have lost in knowledge? Where is the knowledge we have lost in information?

 

O título de Doutor Honoris-Causa, sabe bem disso o engenheiro Aleluia, não é licença profissional, mas o reconhecimento de um saber, construído ao longo do tempo, tenha o agraciado ou não freqüentado a universidade. O papel da Universidade não deveria ser o que vem desempenhando – o de conferir certificados de preparação técnica -, mas o de abrir caminho à busca do saber. O Senador Christovam Buarque, com a autoridade de quem foi reitor da UNB, disse certa vez que a Universidade ideal será aque a que não expeça diplomas. 

 

Lula, com os seus defeitos, e não são poucos, é um doutor em política. Um chefe de Estado não administra cifras, não faz cálculos estruturais, não prolata sentenças, nem deve escrever seus próprios discursos. Cabe-lhe liderar os povos e conduzir os estados, e isso dele exige muito mais do que qualquer formação escolar: exige a sabedoria que desconfia do conhecimento, e o conhecimento que se esquiva das informações não confiáveis.


A universidade é uma instituição relativamente nova na História. Ela não foi necessária para que os homens, com Demócrito, intuíssem a física atômica; com Pitágoras e Euclides, riscassem no solo figuras geométricas e delas abstraíssem os teoremas matemáticos; e muito menos para que Fídias fosse o genial arquiteto e engenheiro das obras da Acrópole e o escultor que foi. Mais ainda: as maiores revoluções intelectuais e sociais do mundo não dependeram das universidades, embora nelas se tenham formado grandes pensadores – e sua importância, como centro de reflexões e pesquisas, seja insubstituível. O preconceito de classe contra Lula sela os olhos de Aleluia e os torna opacos.Solidário o meu autodidatismo com o de Lula, quero lembrar o grande escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson: um talento pode formar-se na obscuridade, mas um caráter só se forma no turbilhão do mundo.É no turbilhão do mundo que se forma o caráter dos grandes homens.


domingo, 27 de março de 2011

O QUE ANTES ERA PARA POUCOS AGORA É PARA MUITOS


A semana que passou acabou marcada por uma importante mudança geométrica na sociedade brasileira: deixamos de constituir uma pirâmede social, com poucos ricos na ponta superior e uma legião de excluídos na base, e nos tornamos um losango,com a barriga inchada pelos mais de 100 milhões de conterrâneos da nova classe média.
Falando assim em números e figuras geométricas, talvez muitos ainda não se tenham dado conta ainda de que a paisagem humana mudou na última década, qualquer que seja o lugar onde a gente vá.
Aquele Brasil governado historicamente para os 30 milhões de eleitos com acesso ao consumo mais do que triplicou neste período e isto trouxe mais gente para viajar de avião, mais carros para congestionar as ruas, mais filas nos supermercados, novas obras de edifício por toda parte, hotéis superlotados, praias apinhadas de gente, falta de mesas para sentar nos botecos.
Neste sábado, em dois eventos musicais, pude constatar que mais uma barreira social se rompeu em nosso país: os mais pobres estão tendo acesso também à cultura.
À tarde, no 1º Santinha Cultural promovido no teatro do Colégio Santa Cruz, tradicional reduto da elite paulistana, encontrei 60 crianças da Comunidade do Jaguaré (a reurbanizada Favela do Jaguaré) para assistir ao show infantil apresnetado pelo grupo de Rita Rameh e Luiz Waack, que se apresentaram sem cobrar cachê.
Há mais de 50 anos, desde o tempo em que eu estudava lá, professores, pais e alunos do Santa Cruz dedicam-se a projetos sociais no Jaguaré, que atualmente beneficiam 800 crianças.
Na bagunça formada em frente ao palco com todas as crianças brincando ao final do show, ficava difícil saber quem era aluno do Santa Cruz e quem tinha vindo num ônibus fretado do Jaguaré: eram todas crianças bem cuidadas, bem vestidas, alegres na mesma medida. Creio que esta foi a maior revolução promovida no país neste meio século.

Para quem podia pagar, o ingresso custava R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), com renda revertida para os projetos sociais. Alunos do Santa Cruz eram minoria. Contatos para quem quiser contratar o belho show musical infantil Rita e Luiz:

e-mail: rita.rameh@terra.com.br
fone: 3815 4653
***
À noite, na abertura oficial da temporada 2011 da Bachiana Filarmônica SESI SP, comandada pelo meu amigo maestro João Carlos Martins, na Sala São Paulo, reparei logo ao chegar que havia gente nova chegando a um ambiente tão fechado em que até pouco tempo atrás todos se conheciam.
Com roupas mais esportivas, mais jovens e falando falando mais alto, sem aquele ar de quem está entrando num templo sagrado, esta nova platéia da música clássica em São Paulo aplaudiu várias vezes de pé as Sinfonias de Beethoven e os tangos em homenagem aos 90 anos de astor Piazzolla.
O grande momento da noite foi a estréia do jovem solista Lucas Targino Farias, de 12 anos, apresentado-se no Concerto Para Violino em Lá menor. Nascido em Guarulhos, bolsista da Fundação Bachiana Filarmônica, Lucas estuda com a professora Elisa Fukuda.
A homenageada da noite foi a executiva Marluce Dias da Silva, ex-diretora-geral da Rede Globo. Ao final, apresentou-se com a orquestra o percussinista Bolão levando Bach na cuíca. A plaéia não queria mais que o espetáculo acabasse e Martins teve que voltar duas vezes ao palco. Mais tarde, ele e a sua fiel mulher escudeira Carmem, ainda ofereceram um belo risoto para os amigos.
Com o apoio do SESI, e grandes empresas como Bradesco, Gerdau, Petróleo Ipiranga, Honda e Ecom, Martins levou seu projeto de popularização da música clássica a 350 mil pessoas no ano passado.
Na Fundação Bachiana Filarmônica, João Carlos Martins e sua equipe cuidam do ensino musical de 1.165 crianças de comunidades carentes. Os que não se tornarem novos virtuoses da orquestra de adultos, como Lucas Farias, certamente formaram as novas platéias da melhor música clássica. O que era para poucos agora é para muitos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

LULA É O POLÍTICO MAIS ATACADO PELA MÍDIA DESDE 1989

Você, estudante de jornalismo, de comunicação social, de ciências sociais, enfim, de tantas áreas afeitas ao estudo ou à prática da comunicação de massa, se estiver terminando seu curso universitário e tiver um trabalho de conclusão a apresentar, tem agora uma oportunidade imperdível de fazer o estudo mais eloqüente já feito sobre comunicação.
É tão evidentemente necessário, o estudo que irei propor, que não sei como não foi feito antes – e duvido de que tenha sido feito, ao menos da forma como será apresentado. Entretanto, se alguém tiver notícia sobre algum estudo correlato, que, por favor, informe aqui, via comentário.
No último domingo, discorri sobre os programas humorísticos da Globo e sobre o uso desses programas para atacar alguns políticos em benefício de outros, transformando uma concessão pública de televisão em arma político-partidária – o que a lei veda, mas não coíbe em razão do poder político de impérios de comunicação como uma Globo.
Logo apareceram os defensores dos pobres Barões da Imprensa para defendê-los da “sanha comunista” que pretenderia “censurá-los”, apesar de que são os únicos que já colaboraram com a censura neste país e que, aliás, praticam-na cotidianamente ao impedirem que o contraditório à sua retórica político-ideológica chegue ao seu público.
No post em questão, abordei o impressionante uso que a Globo vem fazendo de seus programas humorísticos para atacar Lula, seja no falecido Casseta & Planeta ou no humorístico da emissora que restou e que continua indo ao ar nas noites de sábado, o Zorra Total.
Não é que apareceu gente afirmando que Lula está sendo tão intensamente ridicularizado pelos programas humorísticos da Globo, entre outros, porque o “poder” é sempre alvo do humorismo?
Vejam só a que ponto chega a desfaçatez. Desde quando Lula continua no poder? Ele deixou de ser presidente no primeiro dia deste ano, ora bolas!, o que não impede que continue sendo ridicularizado, agora por estar aposentado, como se viu no post anterior.
Quando, em que época, um programa humorístico brincou com o complexo de D. Juan do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assim como tantos programas “brincaram” com o mentiroso alcoolismo de Lula?
Pelo contrário, a mídia escondeu, por dezoito anos, o produto mais famoso das famosas “escapadas” sexuais de FHC, com uma jornalista da Globo que a emissora sustentou na Espanha sem trabalhar por quase duas décadas, ao menos, e que só veio a público pela Folha de São Paulo porque esta queria acusar Lula de ser um maníaco sexual – vide o caso “Menino do MEP” – e, assim, justificou com o caso extraconjugal de FHC o ataque sórdido que lhe fez.
Alguém consegue conceber um quadro humorístico na Globo que vulgarizasse a imagem da ex-primeira-dama tucana, a falecida antropóloga Ruth Cardoso, mesmo quando estava viva? Seria impensável fazerem o que vêm fazendo com D. Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, ridicularizada reiteradamente por toda a grande mídia.
Mas isso tudo ainda não é o pior. Lula também era o alvo político preferencial da grande mídia quando estava na oposição. Quem não se lembra dos tantos quadros humorísticos que ironizavam sua falta de instrução formal, seu linguajar e, até, a sua aparência física?
O senso comum certamente mostra que o ex-presidente petista é o político mais atacado pela mídia nos últimos vinte e dois anos, ao menos. Desde 1989, nenhum outro político foi tão criticado ou ridicularizado quanto Lula, estando no poder ou fora dele. E é aí que entra a necessidade de comprovação científica dessa tese.
Apesar de nem ser necessário fazer qualquer estudo para comprovar o que todo mundo haverá de concordar, se tiver um mero resquício de honestidade intelectual, a formalidade científica certamente resultará em outro necessário trabalho acadêmico, desta vez sobre a causa de Lula ter se transformado no político mais odiado pela mídia em toda a história.
Então, jovem estudante, você tem a chance de fazer o estudo mais espantoso, em termos sociológicos e jornalísticos, que já foi feito. Comprovará que, apesar do sucesso estrondoso de Lula como político e administrador, os meios de comunicação de massa simplesmente se obcecaram por destruí-lo politicamente

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O PT NÃO VAI DEFENDER LULA?



Vai se institucionalizando uma campanha permanente de “desconstrução” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora que ele não tem mais o palanque presidencial para se contrapor a uma mídia que acredita que pode prestar ao que sobrou da oposição o serviço que, por mais que tentasse, não conseguiu prestar durante os últimos oito anos.
A institucionalização dessa campanha de destruição de imagem do ex-presidente pode ser vista no furioso noticiário, em novelas e até em programas humorísticos. Insultos, desqualificações, acusações, ridicularizações invadiram tevês, rádios, jornais, internet.
Como sempre, a oposição fica quietinha, deixando à mídia a missão de desmoralizar o ex-presidente que ambas acreditam que tentará voltar ao poder em 2014 ou em 2018, preocupação da direita que lhe insinua certa patologia psicológica por tentar desconstruir hoje um político que, como qualquer um de nós, pode nem estar vivo daqui a 4 ou a 8 anos.
Todavia, não falta consciência dos fatos à direita.  Muito pelo contrário: ela sabe muito bem o que está tentando. A destruição do mito Lula é imperativa, para que o povo deixe de acreditar que a política pode lhe mudar a vida “rapidamente” – em termos históricos, oito anos são um piscar de olhos.
A desigualdade brasileira foi construída sobre a premissa do topo da pirâmide social de que seria impossível redistribuir renda rapidamente. O processo demoraria décadas e se daria através do maior enriquecimento dos já muito ricos, de forma que as migalhas acabariam transbordando da mesa do banquete deles.
Lula, em seu governo histórico, provou o contrário. Chegamos ao fim de seu período com um processo intenso de distribuição de renda, ainda que muitos tentem, em vão, desmentir que a renda tenha se desconcentrado no Brasil nos últimos anos, apesar das evidências que caem sobre as cabeças de todos diariamente.
O aumento da participação da renda do trabalho assalariado em relação ao Produto Interno Bruto não deixa dúvidas, mas os pistoleiros da direita na imprensa não param de construir teses malucas que questionam o fato mesmo com eles saltando aos olhos, com aqueles que sempre estiveram alijados do mercado de consumo mergulhando nele de corpo e alma.
O colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi, por exemplo, há anos trava uma luta inglória no pouco tempo que dedica ao trabalho, com suas coluninhas (agora semanais) na página A2 do jornal nas quais diz que os métodos de aferição da distribuição da renda não contemplam o caixa 2 dos muito ricos e que, por isso, a distribuição de renda propalada seria “lenda”
A tese de Rossi é tão estapafúrdia que não valeria a pena comentar se não fosse o fato de que ainda há formadores de opinião que dão bola a um panfleto partidário como a Folha. Por isso, o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, no caderno “Ilustríssima” do jornal, no último domingo, teve que rebater tese tão absurda.
Para resumir, Pochmann deixou claro que os ricos não passaram a ocultar rendimentos hoje e explicou que a comparação, portanto, tem que ser feita entre os indicadores oficiais de hoje e do passado – indicadores como, por exemplo, o índice de Gini.
Esses indicadores com os quais o presidente do Ipea esgrimiu mostram que a renda se concentrou fortemente após o golpe militar de 1964 e permaneceu concentrada, quase sem se mexer, até 2005, a partir de quando começou a se desconcentrar de forma tão intensa que já é possível ver os efeitos, com a classe C  virando maioria da população.
É preciso destruir o que Lula representa, pois. Ou seja: destruir a crença popular que a sociedade veio construindo nos últimos anos de que é possível sonhar com um país menos desigual não só para os netos de nossos netos, mas para os que vivem hoje.
Lula representa esse conceito que vai de encontro à mentalidade que permitiu que o Brasil chegasse a ser, ao fim do século XX, o terceiro país mais desigual do mundo, quadro que só começou a melhorar de verdade ao fim do primeiro mandato do ex-presidente, com seus investimentos imensos na inclusão social.
Há uma aposta da direita de que Dilma Rousseff ficará encolhidinha no Palácio do Planalto até 2014, sem incomodar a elite étnico-financeiro-midiática, prontinha para ser derrotada pelo golden boy conservador de turno.  Acha isso por prever que a presidente da República não assumirá a liderança política que seu cargo impõe e, assim, será facilmente derrotada.
Contudo, a debilidade eleitoral de Dilma daqui a quatro anos depende da destruição moral de Lula e de sua obra, para que ele não tome o lugar da sucessora na sucessão dela ou para que não volte a avalizá-la eleitoralmente com o sucesso  que teve no ano passado.
É nesse ponto que espanta o imobilismo do PT e do próprio governo Dilma diante da campanha difamatória contra o ex-presidente, campanha que a mídia intensificou após ele deixar o poder, no último dia primeiro.
Claro, Dilma não tem nem um mês de governo. Mas e o PT? O partido de Lula não rebate os ataques a ele, à sua família, os deboches, a difusão de uma “herança maldita” que ele teria deixado para a sucessora, teoria tão absurda que não resiste a cinco minutos de análise séria por gente que entenda do traçado.
O governo Dilma não quer marola agora. Vem aí a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, por exemplo. São postos–chave para o governo. Resta saber, apenas, se é inteligente a estratégia de deixar que tentem destruir o legado de Lula e que construam um clima de medo do futuro por conta da tal “herança maldita” que tentam criar.
O debate político é atemporal e não-circunstancial. É perene. Fugir dele já se mostrou um erro – no primeiro turno da campanha eleitoral de 2010. Tudo bem que não estejamos mais em campanha eleitoral, mas como já vi a mídia destruir políticos que durante o mandato foram populares, penso que o PT deveria refletir sobre uma reação a esses ataques.


Fonte:   Blog da Cidadania

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

NA VOLTA DAS FÉRIAS ME DEPARO COM AS SANDICES DE FERREIRA GULLAR. TERRA BRASILIS NELE!

O que estará se passando na cabeça de Ferreira Gullar?

Da editoria-geral do Terra Brasilis

O que estará se passando dentro da cabeça daquele que é conhecido por Ferreira Gullar? Pergunto-me. Pergunto-me, mesmo tendo consciência de que o poeta Ferreira Gullar e o homem José Ribamar Ferreira são "entidades distintas". 

Contudo, não há como negar o vínculo entre o artista e o homem [ainda que ele, o homem, lance mão de recursos escamoteadores, como fez o grande poeta português Fernando Pessoacom seus heterônimos [1], ao produzir sua obra.]. Todo trabalho artístico emana de um ser histórico e de sua visão sobre a realidade que o cerca como uma fera a ameaçá-lo. Quiçá, uma esfinge a desafiar: "Decifra-me ou devoro-te".  

O artista [poeta, escritor, pintor, escultor, músico, mímico etc] debasta ou desbasta [2] o real, ora se insurgindo contra ele [não necessariamente, a partir do "engajamento" sartreano], ora se aliando e avalizando a inércia [aqui me refiro ao artista que, com seu fazer artístico, diz o dito, sem nada acrescentar... Isso pode soar subjetivo... E é! Não me furto a admitir, nem a tomar esta posição.].

Sofro pelo poeta por quem tenho profunda admiração. Sofro pelo poeta dePoema Sujo [3], de A Luta Corporal e Novos Poemas, de Dentro da Noite Veloz, de Crime na Flora, de Na Vertigem do Dia. Do fenomenalTraduzir-se...[4]! Mas, sobretudo, encho-me de indignação com o homem que tem feito variadas e rancorosas declarações contra Lula e seu governo. A mais recente delas encontra-se publicada na Folha de São Paulo de hoje [Leia artigo abaixo e comentários do editor-geral do Terra Brasilis].

E o que se lê?

Uma crítica cuja tônica é uma visão tosca, míope. Uma crítica eivada por um esquadrinhamento enviesado acerca das conquistas do governo que, se não foi perfeito [nenhum governo será... Até segunda ordem.], ao menos erigiu a desconstrução das relações sociais em que uma elite mesquinha e nefasta ditava as regras [José Ribamar Ferreira parece ter se aliado a ela]. Elite esta que se locupletva, exclusivamente, com as benesses de e para um estrato arrogante da sociedade. Digo, ainda: o Governo Lula desconstruiu o que estava estampado na testa dessa elite infame que pensava ser a única camada social a ter o direito de urinar guaraná e de defecar bolo de chocolate.

Alguém, em clara referência ao drama familiar por que passa o sr. José Ribamar Ferreira [5], publicou que era o caso de diagnosticar e prescrever algum medicamento para ele. Embora tenha criticado - em artigo - a Lei da Saúde Mental [6], não posso compactuar com a sutil sugestão de que o sr.José Ribamar Ferreira esteja acometido de esquizofrenia, porquanto debilita o debate e avilta a pessoa e a dor que ela sente ao ter de internar um filho. Antes me interessa entender por que o governo Lula é vítima de um discurso vindo de alguém que tanto lutou por reformas para o Brasil deixar de ser um país de injustiças. Confesso que ainda estou matutando...

Ademais, entre Ferreira Gullar [o poeta] e José Ribamar Ferreira [o homem], mantenho o respeito pelo primeiro. Quanto ao segundo...
Quando dois e dois são quatro

O tempo se encarregará de pôr as coisas no lugar. O presidente Médici também obteve 82% de aprovação


TALVEZ SEJA esta a última vez que escreva sobre o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil. Com alívio o vi terminar o seu mandato, [A imensa maioria do povo brasileiro tem uma leitura diferente. Gullar está vivendo em que país?] pois não terei mais que aturá-lo a esbravejar, dia e noite, na televisão, nem que ouvir coisas como esta: "Ele é tão inteligente que fala todas as línguas sem ter aprendido nenhuma". Pois é, pena que não fale tão bem português quanto fala russo. [A mordacidade aqui é desprezível e parece, por um lado, negar a atuação de Gullar no CPC; e, por outro, parece desnudar um sujeito elitista linguisticamente e avesso ao reconhecimento de uma variação de linguagem que não seja a dita padrão. Ainda: como se "falar bonito", em conformidade com a norma padrão da língua, fosse a chave para ser bom governante... Diz aí FHC...!] 
 
É verdade que tivemos, ainda, que aturá-lo nos três últimos dias do mandato, quando "inaugurou" obras inexistentes e fez tudo para ofuscar a presidente que chegava.
 
Depois de passar a faixa, foi para um comício em São Bernardo, onde, até as 23h, continuava berrando [Este berro é o berro de um povo oprimido por séculos de dominação e injustiças sociais que o sr., Gullar, presenciou e atuou para exterminá-las. Esquece-se disso?] no palanque, do qual nunca saíra desde 2002.
 
Aproveitou as últimas chances para exibir toda a sua pobreza intelectual, [Gullar, sua pobreza de espírito assusta. Que tal refletir sobre o intelectualismo idiota de certos governantes anteriores a Lula? Diz aí FHC...!] dizendo-se feliz por deixar o governo no momento em que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão em crise.
 
Alguém precisa alertá-lo para o fato de que a crise, naqueles países, atinge, sobretudo, os trabalhadores. Destituído de senso crítico, atribui a si mesmo ("um torneiro mecânico") o mérito de ter evitado que a crise atingisse o Brasil. Sabe que é mentira mas o diz porque confia no que a maioria da população, desinformada, acreditará. [Ainda que haja desinformação no seio das camadas populares, isso está mudando com a Blogosfera alternativa à mídia golpista da qual o sr., Gullar, se serve para publicar seus artigos e falar as besteiras que fala como se dono da verdade fosse. E acha-se um intelectual, ora...]
 
Isso dá para entender, mas e aqueles que, sem viverem do Bolsa Família nem do empréstimo consignado, veem nele um estadista exemplar, que mudou o Brasil? É incontestável que, durante o seu governo, a economia se expandiu e muita gente pobre melhorou de vida. Mas foi apenas porque ele o quis, ou também porque as condições econômicas o permitiram?
 
Vamos aos fatos: até a criação do Plano Real, a economia brasileira sofria de inflação crônica, que consumia os salários. Qual foi a atitude de Lula ante o Plano Real? Combateu-o ferozmente, afirmando que se tratava de uma medida eleitoreira para durar três meses.
 
À outra medida, que veio consolidar o equilíbrio de nossa economia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lula e seu partido se opuseram radicalmente, a ponto de entrarem com uma ação no Supremo para revogá-la. Do mesmo modo, Lula se opôs à política de juros do Banco Central e ao superávit primário, providências que complementaram o combate à inflação e garantiram o equilíbrio econômico. [Interessante como há um golpe intelectualoide aqui. Lula e o PT se opuseram, sim, a tais medidas. Entretanto, Lula por compreender que se equivocara fez sua revisão e, a partir das tais medidas, fez com que o Brasil fosse construído para os brasileiros... Isso não ocorria em governos anteriores. Diz aí FHC...!.]. Essas medidas, sim, mudaram o Brasil, preservando o valor do salário e conquistando a confiança internacional.[Mudaram o Brasil por que havia alguém lá, o Lula, que entendeu ser necessário transferir os benefícios para a camada da população sofrida. Fosse FHC e os tucanos... Sem comentários.]. 
 
Lembro-me do tempo em que o preço do pão e do leite subia de três em três dias. Quem tinha grana, aplicava-a no overnight e enriquecia; quem vivia de salário comia menos a cada semana.
 
Se dependesse de Lula e seu partido, nenhuma daquelas medidas teria sido aplicada, e o Brasil - que ele viria a presidir - seria o da inflação galopante e do desequilíbrio financeiro. Teria, então, achado fácil governar? [O intelectual Ferreira Gullar entoa a cantilena das carpideiras. Isso é lastimável para quem se apresenta como integrante da intelligentsiabrasileira.]
 
Após três tentativas frustradas de eleger-se presidente, abandonou o discurso radical e virou Lulinha paz e amor. Ao deixar o governo, com mais de 80% de aprovação, afirmou que "é fácil governar o Brasil, basta fazer o óbvio". Claro, quem encontra a comida pronta e a mesa posta, é só sentar-se e comer o almoço que os outros prepararam.
 
A verdade é que Lula não introduziu nenhuma reforma na estrutura econômica e social do país, mas teve o bom senso de dar prosseguimento ao que os governos anteriores implantaram. A melhoria da sociedade é um processo longo, nenhum governo faz tudo. Inteligente, mas avesso aos estudos, valeu-se de sua sagacidade, já que é impossível conhecer a fundo os problemas de um país sem ler um livro; quem os conhece apenas por ouvir dizer não pode governar.
 
Por isso acho que quem governou foi sua equipe técnica, não ele, que raramente parava em Brasília. Atuou como líder político, não como governante, e, se Dilma fizer certas mudanças, pouco lhe importará, pois nem sabe ao certo do que se trata. Para fugir a perguntas embaraçosas, jamais deu uma entrevista coletiva. Afinal, ninguém, honestamente, acredita que com programas assistencialistas e aumento do salário mínimo se muda o Brasil. [Certamente não, sr. Gullar. E muito menos com visões mesquinhas e distorcidas como as suas.]
 
O tempo se encarregará de pôr as coisas em seu devido lugar. O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação. [Aqui, o cúmulo da comparação ou a reafirmação da DITABRANDA. Médici obteve aprovação a título de quê? Quem mediu tal popularidade? Os que estavam sendo torturados nos porões da ditadura? Os que foram obrigados ao exílio? O sr., Gullar, correu risco na era Médici e partiu para o exílio: Moscou, Santiago, Lima. O sr., Gullar, votou - quando esteve fora do Brasil - para que Emílio Garrastazu Médici alcançasse a pseudoaprovação de 82%? Bom saber...] [Folha de São Paulo]

[1] Para ler um artigo do editor-geral sobre Fernando Pessoa [ortônimo] eÁlvaro de Campos [heterônimo], clique AQUI.
[2] Seleção vocabular especial para o grande poeta e irmão na lida Luiz Eurico, carinhosamente chamado de "Lula".
[3] Assista ao vídeo e ouça AQUI.
[4] Assista ao vídeo e ouça AQUI ou AQUI [com Fagner]
[5] Leia AQUI.
[6] Leia AQUI.

Fonte:   Terra Brasilis

domingo, 2 de janeiro de 2011

UMA DESPEDIDA EM CLIMA DE APOTEOSE


Lula foi mais Lula do que nunca no seu último dia como presidente da República, encerrado com o primeiro discurso como ex-presidente. Em São Bernardo do Campo (SP), resumiu sua sensação de dever cumprido e de ter superado "preconceitos" que, segundo ele, enfrentou ao longo de sua trajetória carreira política. "Volto para casa de cabeça erguida. Posso dizer na frente do meu povo que, depois de provar que um metalúrgico tem condições de ser presidente da República, nós elegemos uma mulher", afirmou, diante de cerca de 1,5 mil pessoas.

O ex-presidente chegou com atraso, às 22h45 de ontem, à festa preparada pelo diretório municipal do PT, com apoio da prefeitura comandada pelo petista Luiz Marinho. Antes, visitou seu ex-vice, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês. Lula chegou a São Bernardo acompanhado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que havia prometido ao aliado "deixá-lo em casa" e foi aplaudido pelo público.

A recepção em São Bernardo encerrou um dia repleto de cenas que marcaram os oito anos de mandato de Lula. Em Brasília, o ex-presidente misturou-se a militantes petistas, chorou várias vezes, posou em formação de time de futebol com seus seguranças, compondo um verdadeiro concentrado de seu estilo exibido nos últimos oito anos. Das primeiras horas do dia com a família no Palácio da Alvorada até acenar da janelinha da cabine do piloto do Aerolula, na Base Aérea, por volta de 17h30, Lula despediu-se do poder em todos os momentos. Até o hino do Corinthians o ex-presidente ouviu ser tocado pela banda da Aeronáutica, enquanto subia no avião que o levaria a São Paulo.

Emoções

Antes de passar a faixa para a presidente Dilma Rousseff, o agora ex-Presidente Lula não conteve as lágrimas. Ao abraçar a sucessora, no gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto, na tarde de ontem, ele disse uma das poucas frases pronunciadas em público no seu último dia de governo. "Eu e o povo brasileiro confiamos em você", disse Lula a Dilma, com voz embargada, segundo relato de um dos auxiliares.

Dilma e o vice-presidente Michel Temer quebraram a tradição e desceram a rampa junto com Lula. Ministros do governo seguiram o ex-presidente para também prestar uma última homenagem. "Agora é que vai cair minha ficha", disse ele, brincando com ministros. Ele quebrou o protocolo, atravessou a rua e foi cumprimentar homens e mulheres que se concentravam atrás do alambrado.

Com os olhos vermelhos e paletó desabotoado, Lula enxugou as lágrimas em um lenço branco, apertou a mão de eleitores, distribuiu beijos e abraços e recebeu um troféu de um adolescente cara-pintada. Enquanto ele se jogava nos braços da multidão, Dilma dava posse ao ministério.

Família

Lula passou a manhã no Palácio da Alvorada com Marisa Letícia e os filhos Fábio, Luiz Cláudio e Sandro. Da equipe mais próxima do presidente, só o chefe da segurança, general Gonçalves Dias, e o fotógrafo da Presidência, Ricardo Stuckert, estiveram no Alvorada.

Quando José Sarney declarou Dilma presidente da República, precisamente às 14h52, Lula ainda estava na residência oficial. Ele deixou o Alvorada já como ex-presidente.Turistas o esperavam do lado de fora do Alvorada.

Antes de Dilma chegar ao Planalto, Lula apareceu no Salão Nobre. Acompanhado de Marisa Letícia, ele saiu abraçando e beijando os convidados. "Vocês estão com cara de ministro e eu de ex-presidente", brincou, assim que passou ao lado dos futuros ministros. Alertado da chegada iminente de Dilma, Lula saiu em disparada para a rampa do Planalto.

Antes de sair de cena, nas últimas horas de seu primeiro dia como ex-presidente, Lula reafirmou que não vai sair da vida pública, no discurso feito em São Bernardo. "O fato de eu ter deixado a Presidência não significa que eu tenha deixado a política", afirmou Lula. "Eu ainda tenho muita coisa a fazer."

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