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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A EUFORIA COM A DOENÇA É PIOR DO QUE UM CÂNCER

os abutres estão à espreita


Marcelo Semer

Equipes de TV em frente ao Sírio Libanês. Ex-presidente deixou o hospital nesta terça (1º) e seguirá com tratamento contra câncer na laringe

A revelação da grave doença do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva trouxe, infelizmente, bem mais do que uma onda de solidariedade.

A ira, o rancor e até um inacreditável entusiasmo ultrapassaram todos os limites do bom senso, descortinando um ódio de classe que, descobriu-se, ainda continua exageradamente impregnado.

O líder da juventude do PSDB usou o Twitter para equiparar jocosamente a luta de Lula contra o câncer a suas disputas eleitorais, lembrando sintomaticamente de "duas derrotas para FHC".

A jornalista Lúcia Hipólito não se constrangeu ao atribuir, sem qualquer autoridade, a doença a um suposto alcoolismo do ex-presidente -que estaria pagando agora o preço por todas que tomou.

No Facebook, uma hipócrita campanha se alastrou pela classe média bem nutrida provocando Lula a se tratar em hospitais do SUS, que pouquíssimos deles frequentam, aliás.

Com uma indisfarçável satisfação e a suprema ironia da desgraça, utilizaram a mais drástica das oportunidades para menosprezar a importância social do ex-presidente. Depois, é lógico, de terem comemorado a derrota do financiamento para a saúde pública.

A euforia com a doença alheia é ainda pior do que o próprio câncer.O cálculo político também. Não demorou nada desde que o diagnóstico se tornou público, para que os astrólogos da grande imprensa passassem a fazer suas assombrosas previsões.

Lula estará afastado das campanhas municipais, prejudicará os resultados de seu partido em 2012 e aqueles que dele dependerem vão ficar à míngua. Enfim, uma nova história política começando a ser escrita.

São os mesmos futurólogos, no entanto, que cravaram o mensalão como sua morte política, que desprezaram as chances de Dilma no começo da campanha e sepultaram o kirchnerismo na Argentina junto com o ex-presidente Nestor.

O que há de tão errado nas análises é que são frutos do desejo, não do conhecimento. Apostas da esperança, não da lógica. Não se viu campanha para que o empresário José Alencar, que tratou de seu câncer na vice-presidência, frequentasse os hospitais públicos.

Fernando Henrique Cardoso criou a CPMF em seu governo para vitaminar a saúde, mas quem teve coragem de exigir que sua esposa fosse tratada no SUS, destinatário daqueles impostos?

Para muitos, Lula deve honrar sua origem pobre.Não na hora de estimular transferências de renda ou impulsionar acesso dos mais humildes às universidades públicas -que incomodam ou dificultam o caminho da classe média.

Deve honrar sua origem de pobre vivendo como um pobre, vestindo-se como um pobre, tratando-se como um pobre.A trajetória de Lula deveria ser um orgulho para o país. Um daqueles exemplos de como até um capitalismo mal ajambrado e uma democracia censitária como a nossa permitem, vez por outra, tal ascensão.

Mas para quem está no andar de cima, é um ultraje que ele tenha deslocado o foco do Estado para a pobreza, valorizado tanto os carentes, estimulado, sobretudo, as regiões e as populações mais incultas.Afinal, as entradas social e de serviço não podem jamais se confundir num país de tantas casas-grandes e senzalas.

O recrudescimento do discurso dos colunistas do ódio, a campanha eleitoral que beirou o terrorismo, a xenofobia rediviva, enfim, colheram seus frutos.E muitos daqueles que estimularam a política do tudo-ou-nada, demonizando a figura de Lula, acostumando o público aos ataques pessoais mais repulsivos, de repente se assustaram com os ecos de seus próprios leitores.

Lula não é um semideus. Não está isento de críticas por causa da doença e não traz consigo uma história de vida sem defeitos ou perversões -como, de resto, nenhum de nós.Mas a delicada situação em que se encontra não é a melhor oportunidade para que nos divorciemos de nossa humanidade.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo.

sábado, 17 de setembro de 2011

DILMA SERÁ A PRIMEIRA MULHER A ABRIR UMA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU. CHUPA ESSA, PIG!


A presidenta incomoda a imprensa tucana. É de chorar !

O desafio de Dilma em Nova York
Presidenta embarca hoje para os EUA com uma honraria na bagagem: ser a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU
» DENISE ROTHENBURG
Obama e Dilma terão um encontro reservado um dia antes da Assembleia Geral da ONU: compra dos caças é um dos assuntos em discussão (Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 19/3/11
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Obama e Dilma terão um encontro reservado um dia antes da Assembleia Geral da ONU: compra dos caças é um dos assuntos em discussão

Depois de passar dois meses voltada aos problemas domésticos, como a troca dos ministros da Agricultura e do Turismo, a presidente Dilma Rousseff se prepara para tentar conquistar um novo patamar no cenário internacional com o discurso que fará na abertura da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima quarta-feira.

Ela viaja hoje à noite aos Estados Unidos, acompanhada de 10 ministros, levando na bagagem a minuta do discurso em que será enfática na defesa da criação do Estado da Palestina, na necessidade de reforma nos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, e, ainda, fará os comerciais dos programas brasileiros: dirá, por exemplo, que o governo Lula tirou 40 milhões da pobreza e enfrentou a crise internacional de 2008 com um modelo de política de desenvolvimento com inclusão social.

Será a estreia de Dilma para uma plateia de mais de uma centena de chefes de Estado e de governo. Até então, o maior público desse porte da presidente brasileira tinha sido a reunião da Unasul, em julho, no Peru, com 12 chefes de Estado, quando teceu críticas à forma como os países ricos trataram da crise de 2008 e ainda usou a expressão “incapacidade política” para se referir às ações relativas ao combate à atual crise. Até então, o protagonismo de Dilma tinha se restringido aos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), em abril, durante a reunião na ilha de Hainan, e ao Boao Forum, o fórum econômico asiático equivalente ao Davos europeu.

A questão Palestina ganhou tanto peso para esse encontro que o presidente de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou esta semana que irá pessoalmente à ONU marcar uma posição contrária. Mas, embora Dilma defenda a criação da Palestina, o discurso será mais focado na crise econômica global e na necessidade de ampliar a voz de emergentes, como o Brasil e a Índia, na discussão dos problemas econômicos mundiais, uma vez que os dois países são hoje fontes de recursos para as nações ricas. Tanto é que houve um aceno de ajuda dos Brics à Zona do Euro, que atravessa uma grave crise financeira.

Dilma destacará o fato de ser a primeira mulher na história a abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas — que tradicionalmente cabe ao Brasil desde Oswaldo Aranha em 1947. Nesse quesito, a presença dela será carregada de simbolismo. Afinal, Dilma é vista como uma ex-guerrilheira, que sobreviveu aos porões da ditadura militar, e vai discursar numa Assembleia da ONU que tem como tema central este ano o papel da mediação na solução de disputas por meios pacíficos.

Nesse sentido, ela abordará também a primavera árabe, nome dado às rebeliões contra os regimes autoritários na região do Oriente Médio e a necessidade de maior ênfase ao que os especialistas chamam de “diplomacia preventiva”, ou seja, a resolução dos conflitos antes do uso da força. Dilma defenderá ainda a ampliação do diálogo, de forma a evitar que casos como o da Líbia se repitam. Afinal, foi uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiu o ataque àquele país.

Outro ponto a ser abordado no discurso de Dilma é o meio ambiente e a agenda de desenvolvimento sustentável a ser detalhada no próximo ano, na Rio+20, a Conferência da ONU sobre meio ambiente marcada para junho de 2012 no Rio de Janeiro.

FMI

A agenda da presidente brasileira não ficará restrita aos encontros da ONU (veja quadro ao lado). Nos intervalos da programação oficial das Nações Unidas, ela terá pelo menos quatro encontros bilaterais. O primeiro será com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na tarde de terça-feira. Em pauta, além de Dilma discutir a reforma dos mecanismos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, ela falará das instituições econômicas, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Depois de Obama, Dilma terá ainda uma hora de conversa com o presidente do México, Felipe Calderón, e, no dia seguinte, após o discurso na Assembleia Geral da ONU, há encontros agendados com o primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Além da mesma agenda que tratará com Obama, Dilma tem com a França um tema em aberto: a compra dos caças, assunto que, por sinal, não está descartado da conversa com Obama, uma vez que os Estados Unidos também batalham a venda de seus caças ao Brasil.

Há, portanto, uma diferença básica na legislação entre os dois países, uma vez que o Congresso americano pode vetar a transferência de tecnologia, algo que o Brasil coloca como pré-requisito para fechar um acordo.

Reconhecimento

O apoio à criação do Estado da Palestina não é novidade no discurso brasileiro na ONU. Tanto Lula quanto seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, defenderam a posição na Assembleia Geral das Nações Unidas em anos anteriores. Antes de deixar o governo, Lula assinou um documento em que o Brasil reconhece o Estado.

Disputa

Há dois anos, Sarkozy participou do desfile de Sete de Setembro no Brasil e, na oportunidade, Lula praticamente acertou a compra dos caças franceses. O governo Lula chegou ao fim, entretanto, com uma ferrenha disputa entre os suíços, os franceses e os americanos. Em abril, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu que o Brasil avaliasse a possibilidade de adquirir os caças russos. A discussão, então, foi a para geladeira.

A programação

Confira os principais assuntos a serem tratados pela presidente
no exterior

» SEGUNDA-FEIRA

No primeiro dia da visita oficial a Nova York, Dilma estará na abertura da reunião sobre doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças pulmonares. No mesmo dia, Dilma terá um “colóquio” sobre a participação política das mulheres, a convite da atual subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres, Michele Bachelet, a ex-presidente do Chile.

» TERÇA-FEIRA

Dilma se reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A presidente também participará do Encontro Parceria para o Governo Aberto (Open Government
Partnership, OGP).

» QUARTA-FEIRA

Na mesmo dia do discurso de abertura na Assembleia Geral da Nações Unidas, Dilma terá um encontro reservado com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e encerrará a programação com um jantar em que receberá o Prêmio por Serviço Público do Woodrow Wilson International Center for Scholars. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Zilda Arns — que morreu no Haiti, vítima do terremoto — já foram agraciados com a mesma premiação.

» QUINTA-FEIRA 

 Ainda dentro da programação das Nações Unidas, Dilma participará de uma reunião sobre segurança nuclear, onde estará em pauta o acidente em Fukushima, no Japão, e o desastre provocado depois que o país foi atingido por um tsunami. A ideia é avaliar como assegurar que o uso da energia nuclear se dê com o máximo de segurança. Estará presente também no encontro sobre diplomacia preventiva, no Conselho de Segurança da ONU, seu último evento nas Nações Unidas. O retorno ao Brasil está previsto para sexta-feira.

domingo, 28 de agosto de 2011

O PONTO SEM RETORNO DA "VEJA"




Veja chegou a um ponto sem retorno. Em plena efervescência do caso Murdoch, com o fim da blindagem para práticas criminosas por parte da grande mídia no mundo todo, com toda opinião esclarecida discutindo os limites para a ação dá mídia, ela dá seu passo mais atrevido, com a tentativa de invasão do apartamento de José Dirceu e o uso de imagens dos vídeos do hotel, protegidas pelo sigilo legal.

Até agora, nenhum outro veículo da mídia repercutiu nenhuma das notícias: a da tentativa de invasão do apartamento de Dirceu, por ficar caracterizado o uso de táticas criminosas murdochianas no Brasil; e a matéria em si, um cozidão mal-ajambrado, uma sequência de ilações sem jornalismo no meio.

Veja hoje é uma ameaça direta ao jornalismo da Folha, Estadão, Globo, aos membros da Associação Nacional dos Jornais, a todo o segmento da velha mídia, por ter atropelado todos os limites. Sua ação lançou a mancha da criminalização para toda a mídia.

Quando Sidney Basile me procurou em 2008, com uma proposta de paz – que recusei –, lá pelas tantas indaguei dele o que explicaria a maluquice da revista. Basile disse que as pessoas que assumiam a direção da revista de repente vestiam uma máscara de Veja que não tiravam nem para dormir.

Recusei o acordo proposto. Em parte porque não me era assegurado o direito de resposta dos ataques que sofri; em parte porque – mostrei para ele – como explicaria aos leitores e amigos do Blog a redução das críticas ao esgoto que jorrava da revista. Basile respondeu quase em desespero: "Mas você não está percebendo que estamos querendo mudar". Disse-lhe que não duvidava de suas boas intenções, mas da capacidade da revista de sair do lamaçal em que se meteu.

Não mudou. Esses processos de deterioração editorial dificilmente são reversíveis. Parece que todo o organismo desaprende regras básicas de jornalismo. Às vezes me pergunto se o atilado Roberto Civita, dos tempos da Realidade ou dos primeiros tempos de Veja, foi acometido de algum processo mental que lhe turvou a capacidade de discernimento.

Tempos atrás participei de um seminário promovido por uma fundação alemã. Na mesa, comigo, o grande Paulo Totti, que foi chefe de reportagem da Veja, meu chefe quando era repórter da revista. Em sua apresentação, Totti disse que nos anos 70 a revista podia ser objeto de muitas críticas, dos enfoques das matérias aos textos. "Mas nunca fomos acusados de mentir".

Definitivamente não sei o que se passa na cabeça de Roberto Civita e do Conselho Editorial da revista. Semana após semana ela se desmoraliza junto aos segmentos de opinião pública que contam, mesmo aqueles que estão do mesmo lado político da publicação. Pode contentar um tipo de leitor classe média pouco informado, que se move pelo efeito manada, não os que efetivamente contam. Mas com o tempo tende a envergonhar os próprios aliados.

Confesso que poucas vezes na história da mídia houve um processo tão clamoroso de marcha da insensatez, como o que acometeu a revista. 

domingo, 21 de agosto de 2011

CATANHÊDE: CUIDADO, TUCANOS, DILMA É LULA!




Hoje, na Folha, antes de dar a maravilhosa notícia de que vai tirar férias até 13 de setembro, a inefável Eliane Cantanhêde nos brinda com uma mensagem que, certamente, poderia receber a assinatura de José Serra, ou mesmo de Nélson Jobim, de quem ela é a mais autorizada psicógrafa.
O título é ótimo e resume toda a essência da visão serro-jobinista da situação: “Tucanos caem como patinhos”.
E aí, com a mesquinhez eleitoreira que marca o pensamento do xiismo tucano, ela discorre sobre o que seria uma maquiavélica manobra da presidenta para, na visão dela, virar “estrela de uma frente pluripartidária contra a corrupção e contra a miséria”.
A Cantanhêde acha – qualquer um pode achar qualquer coisa na democracia – que a presidenta está se pendurando, como papagaio de pirata, na foto com Fernando Henrique, o Amado e Inesquecível, e os campeões de simpatia Geraldo Alckmim e Antonio Anastasia.
“O aparato marqueteiro que Dilma herdou de Lula não dá ponto sem nó: a solenidade do Brasil sem Miséria com o tucanato foi justamente em São Paulo, coração do PSDB e do seu eleitorado.”
Claro, se Dilma não se reúne com o governo paulista e mineiro, é partidária, se o faz, é oportunista. E o que dizer de aparecer na foto com FHC? Com o prestígio transbordante do ex-presidente, uma foto com ele quase chega a ser um problema.
Mas ela lança o alerta dos bolsões serristas: “assim ela vence resistências entre os 40 milhões que votaram na oposição, contra Lula e o lulismo. Por trás do discurso de que o Brasil sai ganhando, a oposição não lucra nada, Dilma fica com tudo”.
Como qualquer pessoa que encare o exercício do poder de forma mesquinha, sem se dar conta que o Presidente ou a Presidenta é chefe de toda a Nação, inclusive daqueles 40 milhões que votaram no “coiso”, esquece daquele papo “republicano” que gostam de invocar quando é para criticar.
Mas Cantanhêde e os espíritos desencarnados que inspiraram seu raciocínio acerta numa coisa, na frase final, definitiva:
“Dilma é Lula”.
É essa a verdade e é isso que tem de ficar claro para a população, em meio a todos estes rapapés da turma que perdeu o único discurso que tinha – o (falso) moralismo – e das fotografias com o Brasil que já era.
Que os tucanos caiam como patinhos, problema deles. Mas não deixemos o povo brasileiro pensar que é verdade algo diferente do que é verdade: “Dilma é Lula”.
Fonte:  Tijolaço  

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O GIGANTE NO PÂNTANO


07/08/11


A divulgação este fim de semana dos Princípios Editoriais das Organizações Globo tem por finalidade dar uma resposta à sociedade que clama por regulação. Eles sabem que não podem mais continuar fazendo o que vinham fazendo e tentam se antecipar à legislação para criar um ambiente favorável, no sentido de argumentar que, sozinhos, são capazes de impor uma norma de conduta. Nada mais falso, como conta Rodrigo Vianna (aqui).

Pesquisas qualitativas tem demonstrado que o público voltou a ter antipatia pelo jornalismo praticado pela emissora. O monopólio da verdade acabou. Com o advento da internet (que eles próprios elogiam, já que têm enormes interesses comerciais e investimentos nesse setor) o consumidor de informação deixou de ser massa acrítica. Hoje, uma informação veiculada por eles é confrontada em seguida logo depois, com fez o xará Mello (aqui).

Para trazer informação de qualidade é preciso não ignorar o contraditório, não fazer juízos apressados e preconceituosos, não testar hipóteses irresponsavelmente e não subestimar a capacidade de seu público. Muitos podem até absorver conteúdo inercialmente, mas muitos também estão dispostos a dizer basta. Basta de manipulação, basta hipocrisia, basta de irresponsabilidade (aqui).

Ao definir o jornalismo que fazem, ressaltam: "Livre de prismas e de vieses, pelo menos em intenção, restará apenas o noticiário. Mas, se de fato o objetivo do veículo for conhecer, informar, haverá um esforço consciente para que a sua opinião seja contradita por outras e para que haja cronistas, articulistas e analistas de várias tendências." Desafio os leitores a encontrarem vozes dissonantes em política e economia, por exemplo. Vejam uma amostra do que fazem (aqui).

Informação de qualidade, segundo o documento, tem que ter: isenção, correção e agilidade. Ótimo, bom tripé. No entanto, o jornalismo da emissora não é isento. Posso garantir - como ex-funcionário durante 12 anos - que todo conteúdo "sensível" à emissora, não só é acompanhado de perto pela direção como é modificado e devolvido para os jornalistas. E ai daquele que ouse discordar.

Na seção II o documento prega a relação entre os jornalistas e as fontes (aqui). Posso afirmar, são no geral muito promíscuas. Como a TV é vitrine, quase sempre o que temos entre repórter e entrevistado é uma relação pautada pelo interesse recíproco. Como o alcance sempre foi grande, muitas "fontes" se acostumaram a frequentar os noticiários, mesmo quando suas declarações com frequência eram retiradas de contexto.

Quanto aos valores, "As Organizações Globo serão sempre independentes (dependendo do patrocinador - grifo meu), apartidárias (quando o PSDB não estiver no pleito - grifo meu), laicas (quando o Papa não se pronunciar oficialmente - grifo meu)." E prossegue: "Não serão, portanto, nem a favor nem contra governos, igrejas, clubes, grupos econômicos, partidos. Mas defenderão intransigentemente o respeito a valores sem os quais uma sociedade não pode se desenvolver plenamente: a democracia, as liberdades individuais, a livre iniciativa, os direitos humanos, a república, o avanço da ciência e a preservação da natureza." Aqui deixo para os leitores comentarem.

Fonte:  DoLaDoDeLá

domingo, 7 de agosto de 2011

OS "PRINCÍPIOS": ÓDIO A LULA E MEDO DA INTERNET.

                        
                                                       Joaquim e seus seguidores: como trair e vender o país



A partir de postagem publicada por Rodrigo Viana (aqui) no seu Escrevinhador, dando conta de que contatos seus na Globo lhe telefonaram dizendo que a vênus prateada tinha dado ordem para partir para cima do novo ministro da defesa Celso Amorim, muitos outros blogs não só repetiram o "post" como também emitiram opiniões as mais diversas e contundentes possíveis. Para completar, como que em um deboche, a emissora vem a público no seu principal telejornal noturno para publicar os seus "princípios editoriais". Fala-se em deboche e ironia porque os ditos "princípios" pregam exatamente o contrário do que as Organizações Globo praticam. No momento em que escrevo este texto já há dezenas de vídeos na blogosfera contestando, com imagens, o que a emissora diz ter como prática no seu manual jornalístico. O Blog do Miro (aqui) dispara: "tudo discurso vazio, jogo de cena" e chama a atenção para o fato de que o mesmo JN, que gastou dez intermináveis minutos para publicar a fanfarronice, não dedicou um segundo para divulgar a pesquisa do Data Folha que comprova a aceitação e aprovação  do governo Dilma pela população brasileira. Onde a pluralidade e o apartidarismo? Em lugar nenhum.

Agora, o que realmente chama a atenção tanto no caso Celso Amorim quanto no comportamento da imprensa brasileira em geral é a pergunta que não quer calar: por que brasileiros, como esses donos de órgãos de imprensa e seus "jornalistas" subordinados, trabalham tão incansavelmente contra o país? Por que dedicam tanto tempo fabricando crises para paralisar o governo e    jogar o povo contra as instituições? Por que negar à população o momento que o país está vivendo, com emprego, perspectiva para a classes sociais, protagonismo no mundo e equilíbrio econômico? Por que políticos, só por serem da oposição, aderem à este comportamento de lesa-pátria e se associam aos meios de comunicação para tentarem empurrar o Brasil para o fundo, agora que ele não só atingiu a superfície mas, principalmente, está  começando a se projetar para o alto? É claro que a resposta para estas perguntas é óbvia: a luta pelo poder político e econômico.  A guerra para faturar mais, enriquecer mais e consequentemente poder mais. e aí o círculo se fecha. 

Algo nos chama atenção aos chegarmos aqui. Os donos da mídia, seus empregados jornalistas e políticos, trabalham incansavelmente contra o Brasil atual, mas não o fizeram contra o Brasil do passado. O fazem agora porque esse Brasil que se desenha a partir da era Lula e segue seus passos no governo Dilma não só dá oportunidades aos menos favorecidos, que sempre foram excluídos pela elite,  da qual os donos do poder fazem parte, como também mostra o quanto eles e suas políticas estiveram erradas no passado. O ódio ao novo ministro da defesa é uma extensão do ódio ao atual governo e a tudo que ele representa: a ousadia de um operário, sem diploma superior, sem falar inglês, sem acesso aos grandes círculos do poder e da riqueza,  em  fazer um governo que resgatasse o orgulho do pobre, mostrasse ao empresário que ele pode contratar, pagar salário justo e ainda assim ter sucesso, ensinasse ao mundo que este país,  que era ridicularizado lá fora, pelo desrespeito até mesmo aos seus governantes, como fez Clinton com FHC em reunião em Roma, fosse respeitado como protagonistas nas decisões mundiais mais importantes. Isso a mídia e seus asseclas não entendem, não suportam nem perdoam.  Por isso trabalham diuturnamente para afundar o país, mesmo correndo o risco de jogar pessoas na miséria, no desemprego e na fome. Não importa. Eles não serão atingidos. O seu está guardado, seguro, provavelmente não aqui. 

No entanto, talvez  a divulgação dos "princípios" da emissora mais poderosa do país seja um sinalzinho, bem pequenininho, de que algo esteja se movendo, de que alguma coisa esteja acontecendo. Em termos de mudança de atitude, já foi dito aqui, não significa nada, nada vai mudar. Mas o episódio, que coincidência ou não, foi desencadeado a partir da postagem do jornalista da Record na Internet, indica que os donos da mídia temem o poder de informar que a rede mundial tem. Eles sabem que os que trabalham contra o Brasil, se se auto protegem em seus telejornais são desnudados na Internet. E cada vez mais pessoas das classes menos favorecidas tem acesso a rede. Cada vez mais suas traições ao pais e ao povo serão expostas aqui. E daqui sairá para o mundo real e para as ruas, veja-se o exemplo da eleição de Dilma e agora do "fora Ricardo Teixeira". Daqui para as ruas:  é esse o percurso que será feito pela informação e esta será a arma que será usada contra aqueles, que em nome de seus interesses e de interesses estrangeiros lutam para tirar  este Brasil novo e melhor dos brasileiros.

By the teacher.

sábado, 9 de julho de 2011

MARINA, A LARANJA DE 2010: " UMA MÁQUINA OBCECADA PELO PODER."

acima, a consciência ambiental de Marina.

Marina é, ela sim, uma máquina obcecada pelo poder. Tanto é assim que assistiu em silêncio uma candidata mulher, como ela, ser impiedosamente caluniada durante a campanha presidencial de 2010, principalmente no quesito moral e religião. Assistiu em silêncio e  de camarote.   Marina Silva  sabia que os e-mails e o que se dizia nas ruas sobre Dilma eram calúnias e ela não disse uma palavra em sentido contrário em nenhum momento, pois sabia que seria beneficiada com isso. Beneficiada apenas no sentido de se projetar nacionalmente, uma vez que ela, seu partido e  até o reino mineral sabiam  que não chegariam ao segundo turno.
 Acontece que MS  tinha consciência que a função do PV era apenas de dar suporte para Serra. Não fosse assim o seu partido não teria dividido o palanque com dois candidatos a presidente, como fez no Rio de Janeiro e em outros estados. Por que Marina se submeteu a isso? Porque tinha a esperança de, passadas as eleições, apoiada na quantidade de votos que viria a ter, se lançar como liderança nacional e ter força suficiente para dominar o PV, que de verde não tem nada. Na verdade o partido, pelo menos em alguns estados está aliado ao que há de mais retrogrado em termos de política de preservação ambiental. O PV é apenas mais um partido político. O discurso ambiental é de fachada. A lógica é simples: Marina Silva afirmou durante a campanha que quando assumiu o Ministério do Meio Ambiente este não tinha nem fiscais, nem viaturas, nem uma estrutura montada. Estava tudo sucateado. Se isso é mesmo verdade, como se explica a sua neutralidade no segundo turno  e a divisão de palanque com Serra no primeiro, Se ela herdou o Ministério sucateado justamente de FHC e Serra?! Ora, a sua neutralidade significava que, para ela, não tinha importância quem ganhasse. Os dois eram iguais. A possibilidade de Serra e seu partido, que destruíram tudo que ela teve que reconstruir quando ministra, voltarem ao poder, não era problema  para ela.

 Porém  os planos daquela que foi apenas uma laranja nas eleições presidenciais deram errado. Ela não conseguiu tornar-se uma liderança nacional simplesmente porque o seus votos, principalmente os da reta final das eleições não vieram da consciência política e ecológica do povo brasileiro. Eles foram resultado da campanha de ódio empreendida contra Dilma Rousseff. Tampouco conseguiu dominar o PV pelos óbvios motivos expostos acima. 

Agora, o que resta a Marina? Não resta nada. Vai vagar pela planície da política e se beneficiar do seu falso "status"  de ambientalista no Brasil e no mundo durante um tempo, depois, sem partido e sem mandato, cairá no ostracismo político. Ou não. Nunca se sabe. Agora, pelas atitudes tomadas por Marina Silva das  eleições de 2010 até agora, não seria de todo mal para ela sofrer um pequeno castigo para aprender.

The teacher.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

VER O 'GROBO" RECONHECENDO QUE LULA FOI MELHOR DO QUE FHC NÃO TEM PREÇO




Políticas sociais:até o PiG admite que Lula fez muito mais


Pode arregalar até a clocaca


Daqui a pouco os demotucanos safados vão dizer que Lula comprou o jornalão o Globo, eterno aliado da direita.


Paternidade impossível


 
 Lena Lavinas
O Globo - 08/07/2011
O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, governador José Serra, publicou nesta página do GLOBO dias atrás um artigo pretensamente analítico sobre as perspectivas de sucesso do Programa de Erradicação da Miséria, recém-lançado pelo governo federal. As imprecisões são tantas que demanda esclarecimentos, pois desinformar é um ato de desutilidade pública. Geralmente é o que acontece quando a fraseologia de oportunidade prevalece sobre os fatos e o bom senso.


 
Olhar para o passado recente implica reconhecer que as ações compensatórias no Brasil deixaram para trás um status menor e desvalorizado, marcado pela inoperância e pela inefetividade, para tornar-se uma verdadeira política pública, fundada em direitos e regras estabelecidas e transparentes, que podem, inclusive, ser monitoradas. Vamos recordar que o maior programa de combate à miséria da primeira gestão FHC foi a doação de alimentos - mais de 27 milhões de cestas em 1998 -, cujos resultados foram inócuos. Ademais, custava caro, gerava inúmeras ineficiências (desperdícios alarmantes na estocagem e na distribuição, por exemplo) e acabou sendo abandonado pelo próprio governo diante das evidências irrefutáveis de que era melhor ampliar programas de transferência de renda monetária direta.

 
Durante o segundo mandato FHC, o Comunidade Solidária consolidou-se como o grande programa de enfrentamento da pobreza, mas pecou pelas debilidades inerentes ao seu desenho: iniciativas altamente pulverizadas no território e nos objetivos, pontuais, que jamais permitiram uma avaliação rigorosa do que logrou realizar de fato o programa, tamanha a fragmentação de boas ações, que, por melhores que possam ter sido, jamais se configuraram em política. O Comunidade Solidária não mudou a cara da pobreza no Brasil. Essa é uma obviedade incontestável qualquer que seja o ângulo - conservador ou progressista - da mirada!

 
É verdade que, ao final do segundo mandato FHC, o MEC resolveu adotar em nível nacional o Programa Bolsa Escola, cujas iniciativas bem-sucedidas se multiplicavam em vários municípios. Porém, o teto de cobertura do Bolsa Escola federal não passou do milhão de famílias, e o valor do benefício por criança era de R$15, o que não lhe assegurava a escala necessária, nem a eficácia requerida para ter um impacto na magnitude do problema a sanar. A política econômica do governo FHC tornava impeditiva uma política social eficaz nos seus propósitos.

 
Ao contrário do que afirma, em seu artigo, o candidato à Presidência derrotado, o Bolsa Família não é a mera unificação dos vários cadastros de programas que existiam antes, dispersos em muitos ministérios e todos, igual e inequivocadamente, inexpressivos em termos de resultados. O Bolsa Família constitui-se numa ruptura com as iniciativas pretéritas no campo dos programas assistenciais porque ele vai garantir uniformidade no atendimento, escala na cobertura e institucionalidade da política pública de assistência social, nos marcos da regulação existente e não à margem e na contramão, como o fez por oito anos o governo FHC.

Entretanto, dado que o Bolsa Família não é um direito, acabou por excluir alguns milhões de famílias dentre as mais destituídas embora cumprissem os critérios de elegibilidade para tornarem-se beneficiárias. O novo Plano de Erradicação da Miséria vem talhado para reparar essa falha grave e introduzir algumas inovações, a mais promissora delas o intento de associar satisfação de necessidades com promoção de oportunidades.

 
Há quem julgue que mantras produzem os efeitos esperados, pois seriam portadores de um poder específico. Deve ser essa a crença dos que repetem incessantemente que a novidade do crescimento com um pouco menos de desigualdade e um pouquinho mais de redistribuição, ampliação das camadas médias, mais crédito e a volta das políticas de infraestrutura social estavam nos genes do que precedeu o Bolsa Família. Não há exame de DNA possível para comprovar essa hipótese. Uma certeza temos, no entanto: a de que as urnas deram a vitória a quem soube, para além da garantia da estabilização, trazer segurança e prosperidade para que sonhos e projetos possam novamente alavancar o futuro da nação.

CHANTAGEM DOS EUA (e do 'O Globo') POR FALSO APOIO AO BRASIL NA ONU


[OBS deste blog ‘democracia&politica’: 

O texto a seguir transcrito parece ter sido elaborado pela Embaixada dos EUA no Brasil. Ou já veio produzido e traduzido do Departamento de Estado daquele país. Foi divulgado no Brasil pelo seu tradicional e fiel porta-voz “O Globo”, como tendo sido produzido pelo jornal. Também foi transcrito pelo site pró-EUA/Israel “DefesaNet”. Aliás, além do 'O Globo', a nossa ‘grande’ [sic] imprensa em geral (TVs, 'Estadão', 'Folha', 'Valor', 'Veja', 'Época' etc), juntamente com os partidos PSDB, DEM, PPS, sempre atuam priorizando, acima dos brasileiros, os interesses dos EUA, de Israel e das grandes potências européias. Especialmente, dos seus grandes grupos econômicos e financeiros.O "texto do O Globo” é mal-disfarçada chantagem. Finge ser favorável ao Brasil integrar o Conselho de Segurança da ONU. Isso é somente uma isca. Contudo, sua abordagem dos “pontos de discórdia”, a serem antes removidos pelo Brasil, revela o mortal anzol escondido. É cartilha de como o Brasil deve agir na sua política externa para, talvez, receber eventual apoio norte-americano para a pretensão brasileira na ONU. Em palavras simples e claras, o texto embute, implícita ou explicitamente, exigências como: o Brasil ser favorável à invasão e ocupação da Palestina por Israel; ser contra a criação do Estado Palestino; ser contra o programa nuclear do Irã para fins pacíficos(e, obviamente, ignorar o programa nuclear e as bombas atômicas feitas por Israel); apoiar punições ao Irã por ‘violações de direitos humanos’; ser favorável claramente -não somente com abstenção- aos ataques dos EUA e da OTAN na Líbia por conta de ‘atrocidades’ de Kahdafi; ser favorável a isolar a Venezuela e Cuba, e a depor Chávez; conceder muitas benesses aos EUA se eles acabarem com a ilegalidade dos subsídios ao etanol deles e da taxação do nosso; pressionar a China pela valorização do iuan –sem tocar nos danos a outras economias causados pelos EUA com sua egoísta superprodução de dólar. Vejamos a farsa e chantagem do texto, que tenta, sem êxito, ser sutil nessas mensagens]:

“INFLUENTE RELATÓRIO RECOMENDA AOS EUA APROXIMAÇÃO E APOIO À CADEIRA PERMANENTE NO CS"
Por Fernando Eichenberg, do O Globo “As pretensões brasileiras de obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU foram o principal ponto de dissensão nos debates do aguardado relatório sobre o Brasil elaborado pelo ‘Council on Foreign Relations’ (CFR), um dos mais prestigiados e influentes centros de estudos americanos, com divulgação prevista para breve e ao qual O GLOBO teve acesso. O documento recomenda que o governo Barack Obama "apoie totalmente" o Brasil como um membro permanente do CS, e que incentive negociações com esse objetivo. "Um endosso formal para o Brasil contribuiria muito para superar a suspeita remanescente dentro do governo brasileiro de que o compromisso dos EUA com uma relação madura entre iguais é em grande parte retórica. (...) Há pouco a perder e muito a ganhar com o apoio americano oficial a um assento brasileiro permanente neste momento", diz o texto prévio do "Independent Task Force on Brazil" (Força-Tarefa Independente sobre o Brasil), dirigido por Julia Sweig, reputada especialista em América Latina do CFR.Num adendo, porém, nove dos cerca de 30 colaboradores do documento discordaram dos termos escolhidos e apresentaramnuances à forma do apoio americano. O grupo dissidente reconhece os méritos da demanda de Brasília, mas acredita que uma abordagem "mais gradual" seria mais eficaz em meio às complexidades diplomáticas no caso de um firme apoio americano. O grupo teme que um declarado endosso de Washington -como foi feito na visita de Obama à Índia, em relação as mesmas ambições de Nova Délhi- poderia ter repercussões adversas imediatas na América Latina e causar problemas para os EUA nas relações com aliados na região. Os dissidentes aprovam o tom 'aberto' e 'menos conclusivo' da declaração feita por Obama no Brasil, em março, e aconselham consultas prévias ao Congresso americano como a estratégia mais adequada para pavimentar com sucesso o caminho brasileiro na busca da vaga permanente.Entre os vários nomes que participaram das discussões para a costura do documento estão Riordan Roett (Johns Hopkins University), Nelson W. Cunningham (conselheiro no governo Bill Clinton), David Rothkopf (CFR), Joy Olson (Washington Office on Latin America), James Wolfensohn (ex-presidente do Banco Mundial), Louis Caldera (Center for American Progress), Shepard Forman (Center on International Cooperation), Samuel Bodman (ex-secretário de Energia) ou Eileen Claussen (PEW Center on Global Climate Change). A seguir, os principais “pontos de discórdia” [sic:]
ORIENTE MÉDIO   Outro ponto de discórdia foi a participação do Brasil em questões de segurança no Oriente Médio. O documento avalia que o envolvimento nas negociações de paz entre Israel e Palestina era coerente com a política externa ‘expansiva’ do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Especialmente à luz do episódio do Irã em 2010 (em que Brasília e Washington se confrontaram na forma de abordar o controle do programa nuclear iraniano), a Força-Tarefa considera que o envolvimento do Brasil, nas questões de segurança do Oriente Médio, pode enfraquecer as credenciais do país para negociar em outras questões de interesse internacional em que sua participação é não só mais lógica como mais necessária", diz o texto. A recomendação, no entanto, não foi unânime: "Consideramos que seria impróprio, tanto para um relatório como este, como para os EUA procurar ditar [de forma mais clara] como o Brasil deve conduzir seus interesses nacionais pelo mundo", escreveram vozes dissonantes.IRÃNa avaliação do grupo, embora pareça que a presidente Dilma Rousseff "tenha minimizado a importância da dimensão de segurança nas relações com o Irã", a iniciativa do Brasil em negociar com Teerã no ano passado não foi "meramente produto das personalidades que estavam à época no poder". "A experiência do Irã ilustra a necessidade de os dois países estabelecerem mecanismos para prevenir e mitigar mal-entendidos e visões conflitantes das questões de segurança internacional", diz o texto.
DIREITOS HUMANOSO relatório elogia o compromisso demonstrado por Dilma Rousseff na defesa dos direitos humanos e destaca os esforços feitos nos primeiros meses de governo nesse tema em relação à América Latina, ao Oriente Médio e ao Irã. "A posição de Dilma quanto a algumas questões de segurança do Oriente Médio -a condenação das atrocidades na Líbia e o voto para aprovar um relator especial de direitos humanos para o Irã- tem assinalado uma diferenciação da abordagem estritamente não intervencionista de Lula. Ainda assim, o Brasil se absteve de votar no Conselho de Segurança para autorizar a intervenção na Líbia". Para o grupo, o apoio formal do Brasil numa iminente votação na ONU sobre o Estado palestino também indicará até que ponto Dilma "vai diferenciar sua política externa daquela exercida por seu predecessor com respeito ao Oriente Médio".
ABSTENÇÃO DE VOTOSO documento aconselha os americanos a compreenderem que o padrão brasileiro de se abster em votações em importantes fóruns internacionais, como a ONU, não reflete necessariamente uma discordância com a proposta da resolução. "Os brasileiros empregam a abstenção para expressar sua frustração com o tratamento não sistemático das questões, levantando frequentemente a contradição, por exemplo, de a comunidade internacional censurar o Irã, mas não a Arábia Saudita". Ao mesmo tempo, alerta o texto, o Brasil não corre o risco de perder sua independência quando, vez ou outra, votar em conjunto com os EUA.
AMÉRICA LATINA O Brasil é elogiado pela defesa da democracia no continente, mas criticado por não se aliar aos EUA na promoção dos direitos humanos e democráticos em países como Venezuela, Cuba, Colômbia ou Nicarágua: "Por exemplo, embora não apoie os abusos de Poder Executivo e direitos humanos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o atual governo brasileiro não faz esforços visíveis para encorajá-lo a cessar essas atividades."
ETANOL O Congresso americano deve eliminar os subsídios para os produtores de etanol do país. O grupo recomenda que os EUA usem o fim da subvenção para negociar a redução de barreiras comerciais para produtos americanos no Brasil.
CÂMBIO Brasil e EUA devem expandir os canais de comunicação entre suas políticas comerciais e monetárias, especialmente em relação à China. O grupo sugere que os dois países "encontrem uma linguagem comum" para enfrentar os desafios apresentados pela China, a fim de convencê-la a permitir a valorização do iuan.BRASIL E 
EUA  O relatório defende uma relação promissora e de alto nível entre Brasília e Washington, e sugere que Obama organize um encontro interministerial entre os dois países, como promovido pelo presidente George W. Bush em 2003. Também recomenda diretores exclusivos para o Brasil no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e no Departamento de Estado, à parte do Cone Sul, como é hoje. ‘Os presidentes Obama e Rousseff estabeleceram a base para o progresso em muitas frentes. O momento de construir sobre essa fundação positiva é agora’.”

FONTE: texto provavelmente elaborado pelo governo nos EUA ou pela Embaixada dos EUA no Brasil e aqui divulgado pelo seu tradicional fiel porta-voz “O Globo”. Transcrito no site pró-EUA e Israel “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/1790/Endosso-de-peso-ao-Brasil-na-ONU) [imagem do Google, título e observação inicial entre colchetes adicionados por este blog].
Fonte:  Democracia & Política

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