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sábado, 28 de julho de 2012

"Mensalão": a mídia golpista quer sangue



Por DiAfonso
Todas as investigações sobre o escândalo – na Polícia Federal, em CPIs, na imprensa – produziram provas. Em cima delas, os juízes decidirão o destino dos réus

Assim, a revista Época resume matéria em que trata da Ação Penal 470 ou, simplesmente, "Mensalão" [do PT, que fique claro!]. 

Há de se perguntar se as "provas produzidas na imprensa" têm a credibilidade da Veja, de O Globo, da Folha de S.Paulo, do Estadão e da própria Época. Sim, porque, quando donos de veículos de comunicação [leia-se, Roberto Civita] e jornalistas agem como bandidos [leia-se Policarpo Jr. e Gustavo Nogueira Ribeiro], fica difícil tomar tais investigações jornalísticas como parâmetro para um julgamento justo e isento das interferências políticas a que estarão sujeitos os réus [na verdade, eles já foram condenados por uma mídia que julga e condena à revelia das instâncias jurídicas].  

Vale notar, ainda, a "disposição" de certos ministros do STF [leia-se, sobretudo, Gilmar Mendes] em se aliarem ao que de mais podre existe nessa elite apeada do poder pelo voto popular.

Noutros tempos, é preciso destacar, o Grupo Folha tornou-se mais do que bandido, ao ceder seus carros para torturadores do regime militar.

Esta é a mídia que produz provas para um julgamento no STF...

sábado, 12 de maio de 2012

Comissão da Verdade: O Grupo Abril ainda não digeriu o êxito do GOVERNO LULA

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

A eleição e a reeleição de Lula - além de ele ter feito a sucessora - provocam indigestão nas grandes corporações midiático-golpistas. Assim é que, volta e meia, qualquer fato é motivo para mencionar o ex-presidente. Essa menção quase sempre é matizada por fragmentos desabonadores, como se o ex-torneiro mecânico tivesse presidido com incompetência o Brasil [o crescimento econômico, os positivos indicadores de mobilidade social e os altos índices de aprovação de Lula estão aí para mostrar o quão inverídicas são as referências maledicentes de determinados setores da mídia tupiniquim].

A "má vontade" midiática com Lula pode se ver na matéria publicada por um dos "produtos" da Editora Abril. Aqui, refiro-me à revista Exame, especificamente.

Exame, a pretexto de revelar a "biografia" dos integrantes da Comissão da Verdade [ler matéria abaixo], resolveu incluir a figura de Lula na "apresentação biográfica" dos que comporão a Comissão.

Há de se perguntar: o que tem a ver Lula com o perfil dos escolhidos para a "missão de fechar algumas das cicatrizes do Brasil"? Nada. Absolutamente, nada. Os episódios que envolveram alguns componentes da Comissão da Verdade e Lula - de forma positiva ou negativa para o próprio - se deram em um momento da vida política nacional. Não dizem respeito aos objetivos da Comissão da Verdade ou à capacidade de discernimento dos integrantes da dita Comissão.

Isso, sim, deveria ser o norte da matéria em consonância com o seu título, haja vista não haver nenhuma relação entre investigar o que ocorreu no período sangrento da História do Brasil [com o apoio, velado ou explícito, desses órgãos de comunicação ao golpe de 1964] e as desavenças de A ou B com Lula ou com as críticas positivas de A ou B que são feitas a ele.

Clique na imagem para ampliá-la

A leviandade da publicação é tanta que só aponta um "desafeto" de Lula, além de omitir o real motivo que levou Maria Rita Kehl a ser demitida dO Estado de S. Paulo [leia aqui].

Vale notar ainda que a gratuidade na inclusão do nome de Lula - no universo temático tratado no texto - se confirma num simples detalhe: as tags [ou marcadores temáticos] da matéria não apontam para a palavra Lula. Lá, pode se ler: Ditadura, Governo Dilma, Justiça.

Assim são os nossos veículos de comunicação. Ainda vêm falar de liberdade de expressão e vociferar contra o marco regulatório da mídia.

Está mais que claro: a mídia brasileira é parcial e não cumpre o papel de informar como ocorre nas grandes democracias.

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Conheça de verdade os membros da Comissão da Verdade

Entre os membros da comissão, há quem defenda e quem ataque Lula e programas sociais petistas. Saiba quem terá a missão de fechar algumas das cicatrizes do Brasil

São Paulo - Cercada de polêmica desde o início, a Comissão de Verdade vai sair do papel. Os nomes das pessoas que deverão abrir para a história informações ainda obscuras foram divulgados ontem pela presidente Dilma Rousseff.

No momento, apenas um fato pode ser dado como certo, independente da qualidade dos trabalhos. “Os resultados da comissão já serão por si só polêmicos, por causa dos lados envolvidos”, acredita o cientista político e professor aposentado da Universidade de Brasília, Octaciano Nogueira.

Agora, é obrigação dos brasileiros prestar atenção nos sete nomes que carregarão a grande responsabilidade de garantir ao país a “verdade histórica”, como previa decreto assinado pelo ex-presidente Lula, em 2009. Conheça-os de verdade a seguir.

José Carlos Dias, advogado

Dono de escritório de advocacia no centro de São Paulo, José Carlos Dias não tem medo de polêmica. No ano 2000, foi exonerado do cargo de Ministro da Justiça pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso após ter criticado publicamente o então secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, que teria revelado publicamente detalhes de uma operação da Polícia Federal. Passou menos de um ano na pasta.

Em 2010, participou do Manifesto em Defesa da Democracia, movimento de juristas de São Paulo contra o que consideravam desmandos do então presidente Lula na corrida pelo Planalto, em 2010. “As atitudes de Lula são de um fascista, do verdadeiro autoritarismo. É preciso defender a democracia a qualquer preço", declarou ao jornal O Estado de S. Paulo, à época. José Carlos Dias já foi também secretário da Justiça do Estado de São Paulo nos anos 80.

Maria Rita Kehl, psicanalista

Maria Rita Kehl defendeu o Bolsa-Família e provocou debates

Enquanto seu colega de Comissão critica com veemência o presidente Lula, Maria Rita segue na direção levemente contrária: quando era colunista do jornal O Estado de S. Paulo, em 2010, escreveu texto se posicionando a favor do Bolsa-Família e criticando a postura da elite do país, que estaria desqualificando os votos dos eleitores de Lula. “Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos", escreveu.

Atuante na área da imprensa – foi editora do jornal Movimento, que circulou durante o período Militar, além de atuar como jornalista em vários meios de Comunicação – se destacou mesmo em sua área de formação acadêmica - psicologia/psicanálise – na qual possui doutorado.

José Paulo Cavalcanti Filho, advogado

Mais um da Comissão que é advogado e ex-Ministro da Justiça. José Paulo Cavalcanti Filho esteve em Brasília entre 1985 e 1986, durante o governo de José Sarney. Sua característica mais forte é o apreço pela literatura, sendo também escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras.

É especialista na poesia e vida do poeta Fernando Pessoa, sendo autor do livro “Fernando Pessoa, uma quase autobiografia”, sobre o qual participou ativamente em feiras literárias. É consultor da Unesco e do Banco Mundial.

Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo

Paulo Sérgio Pinheiro não poupou crítica ao Supremo Tribunal Federal, quando a corte considerou constitucional a Lei da Anistia, em 2010

O trabalho do sociólogo e diplomata Paulo Sérgio Pinheiro é de repercussão: no ano passado, foi escolhido pela ONU para integrar a comissão que investigou violações de direitos humanos na Síria, tendo exercido a mesma função no também sangrento Mianmar. Sua especialidade são os direitos humanos.

Não poupou crítica ao Supremo Tribunal Federal, quando a corte considerou constitucional a Lei da Anistia, em 2010. “Pena que o clamor de justiça pela sociedade e pelos familiares dos desaparecidos, sequestrados, estuprados, torturados e assassinados pelos agentes da ditadura não tenha sido levado a sério”, disse, em artigo publicado na Folha de S. Paulo.

Não é nenhum novato em crimes da ditadura. “Escritos indignados: polícia, prisões e política no Estado autoritário” é um de seus livros. Foi secretário de Estado de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso e hoje leciona na Universidade de São Paulo (USP).

Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República

Cláudio Fonteles foi membro do grupo Ação Popular junto com Honestino Guimarães, que se tornaria posteriormente símbolo da resistência à ditadura

Indicado pelo então presidente Lula, Cláudio Fonteles foi o homem mais poderoso do Ministério Público entre 2003 e 2005. Franciscano, deixa sempre uma impressão positiva com quem trabalha. “Ele é especial, conversa com a gente, dá bom dia”, disse o garçom da Procuradoria Cleuber Maciel, em entrevista à Istoé Gente, quando Cláudio assumiu o cargo.

Uma de suas ações mais lembradas no período foi levar ao STF um questionamento sobre a liberação da pesquisa com células tronco embrionárias no Brasil. Fonteles, católico, era contrário à medida.

Na década de 60, o futuro prociurador foi membro do grupo Ação Popular (AP) junto com o amigo Honestino Guimarães, que se tornaria posteriormente símbolo da resistência à ditadura. Fonteles é membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – e se destacou na luta pela demarcação de terras indígenas.

Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada

A advogada criminalista Rosa Maria Cardoso da Cunha já defendeu a presidente Dilma Rousseff. Especializada na defesa de crimes políticos, Rosa Maria foi a advogada de Dilma e de seu ex-marido, Carlos Franklin Paixão de Araújo, no processo que a ditadura abriu contra a presidente e outros integrantes da organização VAR-Palmares. A advogada já afirmou que chegou a ser perseguida por defender presos políticos. “Sabia que os processos eram copiados pelos órgãos de segurança", disse à Folha de São Paulo. Rosa Maria tem um escritório de advocacia no Rio de Janeiro e também atua como professora e escritora.

Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Cabe a Gilson Dipp julgar o habeas corpus de Carlos Cachoeira no STJ

Gilson Dipp é ministro do STJ desde 1998. No tribunal, ele acumula a presidência da comissão de juristas que elabora o anteprojeto de lei do novo Código Penal. Segundo o STJ, ele é uma “referência” no combate aos crimes de colarinho branco. 

Coube a Dipp julgar o habeas corpus de Carlos Cachoeira no STJ. Mas somente na próxima semana o posicionamento dele será conhecido, já que o ministro pretende levar o caso a julgamento no plenário do tribunal na terça-feira. 

Atualmente, Dipp também integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Direitos Humanos e a cavilosidade do jornalista Cláudio Humberto

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

Foi-se o tempo em que certos jornalistas, por meio de uma imperceptível parcialidade diante dos fatos, seduziam legiões de incautos. Eles - os certos jornalistas - perderam o poder de "convencer" os leitores das falácias e cavilosidades jornalísticas. 

É sabido que a presença de tais "entes" é maciça nas grandes corporações midiático-golpistas que tentam, por razões não mais obscuras, desestabilizar um governo eleito democraticamente. Esse processo de desestabiização e desgaste, com factoides e tais e quais, deu-se mais intensamente no governo Lula e finca raízes no governo Dilma.

Os sofismáticos jornalistas são, a cada dia e cada vez mais, desmascarados em sua ânsia de construir uma verdade inexistente ou meias verdades e passar para o público-leitor um recorte capenga da realidade. Muitos são os casos. Recentemente, a Veja e o jornalista de esgoto, Reinaldo Azevedo, foram flagrados na mentira [aqui]. Agora, é o jornalista Cláudio Humberto que, ironicamente, esforça-se em distorcer os fatos. Vejam o que foi publicado em sua coluna de hoje:


Partindo da premissa de que, em Cuba, não há observância aos direitos humanos e de que ministros responsáveis pela pasta de Direitos Humanos não devam, institucionalmente, relacionar-se com qualquer outro país onde não exista respeito a esses direitos, a ministra Maria do Rosário estaria impedida de pôr os pés nos Estados Unidos. 

Isso deveria ficar claro para Cláudio Humberto, a menos que ele desconheça o Campo de Detenção da Baía de Guantánamo ou, ainda, os horrores perpetrados por soldados estadunidenses no Afeganistão, no Iraque e no Paquistão - só para citar alguns exemplos.

Maria do Rosário também não poderá visitar Israel, certo, Cláudio Humberto?!

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Leia também: O equívoco de um jornalista na abordagem do "plural" e da "concordância" de Lula. Ou, se desejar, pesquise o que já se publicou no Terra Brasilis sobre Cláudio Humberto [palavra-chave na caixa de pesquisa: Cláudio Humberto].

sábado, 7 de janeiro de 2012

A desmoralização de um jornalista... por ele, mesmo! [Parte 2]

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

Continuando...*

"Lula, em seus oito anos de governo, não soube se comportar como presidente da República do Brasil; era mais um sindicalista no Palácio do Planalto, jogando região contra região, rico contra pobre, negro contra branco. Não desceu do palanque um único dia, fazendo muitas vezes da demagogia discurso presidencial."

O caro jornalista Jamildo parece não querer admitir que foi a mídia golpista [o SJC faz parte desse "ente" maléfico ao povo brasileiro] que não desceu do palanque um só instante, desde a primeira posse do "sindicalista". Por não aceitar o resultado do jogo democrático [Lula foi eleito e reeleito por vontade popular], o denominado PiG [Partido da Imprensa Golpista] desinformou, mentiu e usou de meios obscuros para apear do poder um presidente eleito democraticamente. 


Lula, querido pelo bravo povo brasileiro - dê uma olhadinha nos números das diversas pesquisas, Jamildo, e você saberá do que estou falando - não "era mais um sindicalista no Palácio do Planalto". Era sindicalista e mais um "ista": estadISTA. Acaso os prêmios e honrarias nacionais e internacionais foram frutos de uma ação demagógica? O que se nota é que, quando as elites não detêm o poder, qualquer ação dos representantes do povo é logo catalogada de "demagógica" e repercutida pelos capachos dessa mesma nefasta elite.

"A minha teoria é que o brasileiro médio não dá a mínima para a ética, muito menos na política. Afinal, estamos no país do jeitinho."

Tá aí uma coisa que deveríamos discutir, Jamildo: ética, ética jornalística. O brasileiro médio não se preocupar com a ética tem um certo fundo de verdade. Mas o mais grave, Jamildo, é que alguns veículos de comunicação e alguns jornalistas parecem agir como o "brasileiro médio": jogam a ética jornalística - "partidarizando-a" ao sabor de seus interesses escusos - na lata do lixo. O "calendário antiético" de certos grupos midiáticos está repleto de eventos. Vejamos, apenas, alguns:

  1. Rede Globo manipula eleição [aqui];
  2. TJ paulista condena revista Veja no caso escola Base [aqui];
  3. Repórter do JC (Recife) consegue, de forma fraudulenta, liberar tema da redação antes do horário permitido [aqui];
  4. Flagrantes preparados do Jornal Hoje levantam sérias questões éticas [aqui].

Então, Jamildo, falar da ética do "brasileiro médio" parece não ser "relevante" quando alguns veículos de comunicação desestimulam o exercício da ética em qualquer instância da vida em sociedade.

É ético, jornalisticamente falando, represar a veiculação de uma matéria ou uma nota sequer sobre o lançamento do livro de Amaury Ribeiro Jr., como o seu blog fez? Se o que nA Privataria Tucana está escrito, não for verdade, não é a imprensa que tem que dar o parecer, mas a justiça. À imprensa cabe divulgar o fato e informar, com imparcialidade, a população. 

Fazer a "triagem" de certos fatos para beneficiar determinados grupos políticos, parece-me não ser um comportamento ético. Ou será?!?! Nem sei mais...

Continuo ou não? [Vou pensar...]


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* Parte 1 [aqui]

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jornal do Commercio: a Editoria de Política é "incompetente" para divulgar fatos políticos


Por DiAfonso [Terra Brasilis]

O que um editor de política de um jornal com grande circulação está fazendo na editoria de política, se não toma conhecimento do lançamento de um livro que - queira-se ou não - diz respeito à pauta política de sua editoria? 

Dirão alguns: Mas não é bem assim... Sabe como é que é... O roteiro temático - a pauta jornalística - precisa passar pelo crivo de algum figurão do jornal que, por sua vez, submete-se - ciente de sua submissão - ao figurão-mor [aquele que, secamente, diz: o interesse do jornal é o que importa. Não temos nada a ver com informar a sociedade... Desde que essa informação, claro, esteja alinhada a nossos interesses. Este é o nosso conceito de "democratizar a informação". Nosso lema é: "abafa o caso", pois não é de nosso interesse. Se não é de nosso interesse, não o é da sociedade e ponto final - o figurão-mor, depois dessa "aula" de "jornalismo democrático", certamente sorrirá com deboche para o cúmplice interlocutor.].

Traduzindo: 

O que o editor de Política do Jornal do Commercio, Ciro Carlos Rocha, está fazendo numa editoria que sequer menciona o lançamento do livro "A Privataria Tucana" - do também jornalista Amaury Ribeiro Jr.? Não entrou na pauta da editoria de Política por quê? O figurão-mor viu seus interesses contrariados com um fato político de interesse da sociedade e exerceu o poder de selecionar o que é bom e o que não é para ele e para sua empresa jornalística? Disse ao Ciro: "isso aqui, não!" Ou o Ciro não entende que o referido fato é de interesse de sua editoria, pois envolve a classe política? 

O editor Ciro não leu o livro? Tudo bem... Eu também, não... Quer dizer, só tive acesso a algumas páginas e às informações veiculadas na blogosfera que anda destronando esse modo hipócrita e antidemocrático de fazer jornalismo [o chamado "jornalismo de esgoto"]. No quesito informação, está parecendo que ando mais informado que o jornalista Ciro.

Em editorial recente [aqui], veiculado pelo JC, lê-se que o "execrável" José Dirceu [PT] desejava "lançar as bases de uma imprensa oficial de talhe único, chapa-branca, que lamba as botas do governo e trate de esconder seus erros e maracutaias em qualquer situação [...]". Lê-se também que, no petista, dormiria "[...] a tentação autoritária de controle dos órgãos de comunicação." 

Ora, ora, ora... o que José Dirceu deseja e todos nós é que a imprensa não "lamba botas" de quem quer que seja, muito menos da oposição, da forma tão descarada e pouco democrática como está sendo. O que desejamos é ter acesso às informações veiculadas de forma imparcial. Um peso e duas medidas... Não!

Essa tão propalada defesa da liberdade de expressão, bradada pela mídia corporativa e que se subentende no editorial do JC, é de uma seletividade que enoja. Senão, vejamos como o editor Ciro Rocha pautou sua coluna de hoje, em benefício dos tucanos e... nada sobre "A Privataria Tucana":



É... como diria Ana Carolina e Seu Jorge: "Agora você como são as coisas, Maria José"!

Em tempo:

Para o caso de o editor de Política do JC não ter tomado conhecimento do livro "A Privataria Tucana":



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cantanhêde é advogada da Chevron?

Por Altamiro Borges

Eliane Cantanhêde, sempre ela, voltou a se despir na sua coluna da Folha. Depois do seu entusiástico apoio à “massa cheirosa do PSDB” e da sua militância aguerrida contra os governos Lula e Dilma, agora ela até parece uma advogada de defesa da multinacional Chevron, responsável pelo grave vazamento de petróleo na Bacia de Campos. Veja o que ela escreveu hoje (22):

As “patriotadas” do “fora, Yankees”

“Não é hora de disseminar patriotadas e resgatar o velho ‘fora, Yankees!’. Acidentes acontecem e o vazamento de petróleo no litoral do Rio é bem menor, por exemplo, do que o da British Petroleum no golfo do México, em 2010”. No artigo, a colunista da Folha até critica os erros da poderosa empresa – nem dava para ser de outra maneira –, mas se esforça para evitar radicalismos.

Cantanhêde também defende que a multinacional seja punida. “Aqui não é a casa da mãe Joana”, apesar dos “nossos escândalos e bizarrices”. Mas deixa implícito que o castigo deve ser brando. “A punição é um alerta para a Chevron e para grandes empresas que são bem-vindas para parcerias no Brasil, mas com direitos e deveres, não só para sugar petróleo e lucros”. Belas palavras!

Multa de R$ 260 mi é irrisória

A Chevron realmente vai precisar de bons advogados – e de “colunistas” da mídia – para se defender do criminoso vazamento no Campo do Frade. A multinacional poderá ser punida em mais de R$ 260 milhões – valor que inclui as multas do Ibama por crimes ambientais, as autuações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as reparações cobradas pelo governo do Rio de Janeiro.

Além disso, a ANP avalia a possibilidade de proibir a Chevron, a quarta maior petroleira do mundo, de participar da exploração do petróleo do pré-sal. “O que vamos examinar é o projeto dela de chegar ao pré-sal legalmente... Eu pessoalmente acho que ela incorreu num erro sério que pode prejudicar esse intento”, argumenta Haroldo Lima, diretor-geral da ANP.

BP foi multada em US$ 20 bilhões

Apesar dos temores da colunista da Folha, as punições previstas até agora não representam grandes danos para a multinacional, não expressam qualquer “patriotada”. O faturamento diário da empresa equivale a US$ 542 milhões – cerca de R$ 960 milhões. Na verdade, as multas são irrisórias, ridículas. Os R$ 50 milhões de multa do Ibama representam 5,2% do seu faturamento diário - uma merreca!

Tiete dos EUA, a “advogada” Cantanhêde deve saber que os “yankees” são bem mais rígidos nas punições, nas suas “patriotadas”. Em abril de 2010, quando do vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo da British Petroleum, no golfo do México, a empresa foi multada em US$ 20 bilhões! A Chevron não tem do que reclamar! O Brasil ainda é um paraíso das multinacionais.

A preocupação dos entreguistas

Se a soberania nacional fosse realmente valorizada, a multinacional ianque deveria ser mais duramente penalizada. Além do vazamento criminoso, ela ainda omitiu informações e demonstrou total incompetência na solução do acidente. Há ainda denúncias de que a Chevron utiliza trabalhadores ilegais nas suas plataformas. E o pior: há suspeitas de que ela tentou explorar, ilegalmente, o pré-sal.

Não é para menos que o “New York Times” destacou no sábado passado que os executivos da Chevron temem “multas e prisões”. Já o “Wall Street Journal” afirmou que o vazamento “pode complicar a prospecção” da empresa no Brasil. O caso é grave e deve preocupar vários entreguistas nativos com prestígio na mídia e na política. É o caso de José Serra, velho amigo de Cantanhêde!

Serra, amigo da Chevron

 

Segundo documentos do WikiLeaks, na campanha do ano passado o candidato tucano prometeu a Patrícia Pradal, diretora da Chevron, que mudaria os contratos do pré-sal para beneficiar a empresa: “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que quiserem. Nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava. E nós mudaremos de volta”. O vazamento no Rio abalou vários privatistas e entreguistas nativos! 

domingo, 20 de novembro de 2011

A inesquecível campanha de 2010: Serra, mídia golpista e companhia

“Ela é a favor de matar criancinhas”. A inesquecível campanha de 2010

Mônica Cerra: vim pedir o seu voto

Palmério Dória e Mylton Severiano escreveram “Crime de Imprensa – um retrato da mídia brasileira murdoquizada”, pela Editora Plena, com prefácio de Lima Barreto (!).

Trata-se de uma afiada e divertida reconstituição do Golpismo “murdoquiano” da “imprensa nativa”, como diz o Mino Carta, autor da epígrafe do livro:

“Na maioria dos casos, a midia é ponta-de-lança para grandes negócios.”

(Como se sabe, aqui “midia” se trata de PiG.)

Vamos reproduzir aqui algumas frases – é a primeira prestação dessa notável antologia – que Doria e Severiano recuperam e que indicam os crimes ou a defesa de interesses negociais – como se quiser:

- Diogo Mainardi ao reproduzir conversa com Padim Pade Cerra:

Marina é a companheira de chapa de seus sonhos.

- Merval Pereira ao consul americano:

Aécio está “firmemente comprometido” com a chapa puro sangue: ser vice do Cerra.

- Paulo Henrique Amorim:

O Vesgo do Pânico tem mais chance de ser presidente que o Cerra.

- Aácio sobre quem deveria ser  a vice do Cerra:

“A Ana Hickman”, mestre de cerimônias da convenção do PSDprê.

- Oscar Quiroga, astrólogo do Estadão:

“… seria tolice não arriscar que José Serra será o próximo Presidente”

- Jaqueline Roriz, ao lado de Jose Arruda, diante de um “pagador”:

“Você vê a possibilidade de aumentar isso?”

- Eliane Catanhêde, na convenção do PSDB:

“O PSDB parece até que virou partido de massa, mas uma massa cheirosa.”

- William Waack, ao perceber um áudio com a voz de Dilma Rousseff:

“Manda calá a boca”.

- Alexandre Garcia sobre a candidatura de Arruda como vice do Cerra:

“Vote num careca e leve dois.”

- Clovis Rossi sobre a morte do brasileiro Jean Charles, em Londres:

“É justo dizer que no revólver que matou Jean Charles estão também as digitais do PT e de seu governo…”

- Heleno de Freitas, editor do Estadão, ao explicar por que a Agência Estado divulgou com detalhes noticia de que Cerra tinha ido a um comício em Palmas, Tocantins, embora Cerra não tivesse posto o pé lá:

“Era uma matéria de prateleira”

- Fátima Bernardes ao anunciar o ataque com bolinha de papel à cabeça do Cerra:

“A atividade (sic) de campanha do candidato do PSDB José Serra foi interrompida hoje no Rio depois que ele foi agredido num tumulto iniciado por militantes do PT”.

- Mônica Cerra, no dia 14 de setembro, um mês antes da eleição, em Nova Iguaçu, Rio, acompanhada de Índio da Costa:

“Sou a mulher do Serra e vim pedir o seu voto”

A um leitor evangélico que dizia “Jesus Cristo foi o único homem que prestou no mundo”, Mônica falou que Dilma é a favor do aborto:

“Ela (a Dilma) é a favor de matar criancinhas.”

Esta notável antologia continuará, pelas mãos de Dória e Severiano, em outros retumbantes capítulos.


Paulo Henrique Amorim

“Monica Serra fez um aborto”

Será que foi aí que o Papa entrou na campanha?

Este é o capítulo II desta reveladora antologia.

Revela crimes de imprensa.

Palmério Dória e Mylton Severiano escreveram “Crime de Imprensa – um retrato da midia brasileira murdoquizada”, pela Editora Plena, com prefácio de Lima Barreto (!).

Trata-se de uma afiada e divertida reconstituição do Golpismo “murdoquiano” da “imprensa nativa”, como diz o Mino Carta, autor da epígrafe do livro:

“Na maioria dos casos, a midia é ponta-de-lança para grandes negócios.”

(Como se sabe, aqui “midia” se trata de PiG.)

Vamos reproduzir aqui outras frases que Dória e Severiano recuperaram e que indicam os crimes ou a defesa de interesses negociais, como se quiser :

- Plateia na área VIP, no estádio do Morumbi, no show do Paul McCartney quando vê, um mês depois da eleição, o Padim Pade Cerra ao lado do Fernando Henrique:

“Bolinha de papel, bolinha de papel !”

- O perito Molina, no jornal nacional do Ali Kamel, com uma bolinha de papel numa mão e uma fita adesiva na outra:

“São dois eventos completamente diferentes. Um é o evento da bolinha e o outro é o evento rolo de fita”

- Maitê Proença ao sugerir uma união contra Dilma:

“Onde estão os machos selvagens ?”

- Texto no site da filha do Padim Pade Cerra e da irmã de Daniel Dantas, que quebrou o sigilo de 60 milhões de brasileiros :

“Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”

- Rodrigo Vianna, então repórter da Globo, numa carta aberta em que denuncia a parcialidade do jornalismo do Ali Kamel na cobertura das ambulâncias superfaturadas no Ministério da Saúde na gestão do Cerra e os aloprados:

“Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom Dia ao JG temos um desfile de gente que está do mesmo lado”

- Diálogo com Fernando Henrique sobre seu ex-assessor Eduardo Jorge, protagonista da tentativa de envolver Dilma e o Nunca Dantes na violação do sigilo de membros da família de Cerra:

- O senhor acha que o Eduardo Jorge pode estar usando o seu nome para  facilitar negócios, presidente?

- Não tenho provas, mas não tenho dúvidas.

- Senador Roberto Requião a Eduardo Jorge, na CPI do Judiciário, que investigava as relações de Eduardo Jorge com o Juiz Lalau:

"Você não devia estar aqui, devia estar numa penitenciária"

- Manchete da Folha na edição que publicou a ficha falsa da Dilma:

"Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto"

- Frase da advogada da Folha, ao constatar que o Superior Tribunal Miltar abriu os 16 volumes do processo contra Dilma depois das eleições:

"Lamentável que o pedido tenha sido deferido depois das eleições"

(A Folha não achou um grama de prova que responsabilizasse Dilma do sequestro sequer tramado. A Folha também não achou um grama de prova de que a Dilma usasse armas, quando guerrilheira. PHA)

- Reação de Tasso Tenho Jatinho Porque Posso Jereissati, ao ser advertido pelo Padre Francisco de uma igreja de Canindé, interior do Ceará. O padre se irritou com a entrada de Tasso e do Padim, no meio da missa. Os dois se sentaram na primeira fila, falavam em voz alta e perturbavam o culto. O Padre criticou um panfleto que o grupo  de Cerra distribuiu na igreja, que acusava Dilma e sua religiosidade:  ninguém podia falar em nome da Igreja, disse Padre Francisco. Revela  o jornal O Povo, do Ceará:

"Tasso, que estava na frente, não se conteve e partiu para cima do padre, chamando-o de petista. Foi contido por uma assessora e sua mulher, dona Renata"

- Cerra, diante da constatação de que a gráfica que imprimia panfletos para o bispo de Guarulhos, com acusações a Dilma, era de uma filiada ao PSDB e irmã do corrdenador da infra-estrutura da campanha de Cerra:

"O fato da (sic) gráfica ser ou não ser de uma parente de alguém que está trabalhando na campanha é inteiramente irrelelevante"

- De Sheila Ribeiro, aluna de Monica Serra, na Unicamp:

“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o aborto, sobre seu aborto traumático. Monica Serra fez um aborto (no Chile, casada com Cerra)”

Breve, aqui,  o capitulo III dessa reveladora coleção de frases que levam ao que Dória e Severiano chamam de “crime de imprensa”.

Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ô, minino! Alguém aí sabe dizer se o Ophir foi à "Marcha contra a Corrupção" em nome da OAB?

A mídia golpista deu com os burros n'água... Marcha contra a corrupção sem ao menos fazer referência às denúncias contra o governo tucano de São Paulo não é marcha... É massa de manobra!






domingo, 13 de novembro de 2011

Dez fatos que a "grande" imprensa esconde da sociedade

As entidades que reúnem as grandes empresas de comunicação no Brasil usam e abusam da palavra "censura" para demonizar o debate sobre a regulação da mídia. No entanto, são os seus veículos que praticam diariamente a censura escondendo da população as práticas de regulação adotadas há anos em países apontados como modelos de democracia. Conheça dez dessas regras que não são mencionadas pelos veículos da chamada "grande" imprensa brasileira.  

Marco Aurélio Weissheimer

O debate sobre regulação do setor de comunicação social no Brasil, ou regulação da mídia, como preferem alguns, está povoado por fantasmas, gosta de dizer o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. O fantasma da censura é o frequentador mais habitual, assombrando os setores da sociedade que defendem a regulamentação do setor, conforme foi estabelecido pela Constituição de 1988.

Regulamentar para quê? – indagam os que enxergam na proposta uma tentativa disfarçada de censura. A mera pergunta já é reveladora da natureza do problema. Como assim, para quê? Por que a comunicação deveria ser um território livre de regras e normas, como acontece com as demais atividades humanas? Por que a palavra “regulação” causa tanta reação entre os empresários brasileiros do setor?

O que pouca gente sabe, em boa parte por responsabilidade dos próprios meios de comunicação que não costumam divulgar esse tema, é que a existência de regras e normas no setor da comunicação é uma prática comum naqueles países apontados por esses empresários como modelos de democracia a serem seguidos.

O seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias, realizado em Brasília, em novembro de 2010, reuniu representantes das agências reguladoras desses países que relataram diversos casos que, no Brasil, seriam certamente objeto de uma veemente nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) denunciando a tentativa de implantar a censura e o totalitarismo no Brasil.

Ao esconder a existências dessas regras e o modo funcionamento da mídia em outros países, essas entidades empresariais é que estão praticando censura e manifestando a visão autoritária que tem sobre o tema. O acesso à informação de qualidade é um direito. Aqui estão dez regras adotadas em outros países que os barões da mídia brasileira escondem da população:

1. A lei inglesa prevê um padrão ético nas transmissões de rádio e TV, que é controlado a partir de uma mescla da atuação da autorregulação dos meios de comunicação ao lado da ação do órgão regulador, o Officee of communications (Ofcom). A Ofcom não monitora o trabalho dos profissionais de mídia, porém, atua se houver queixas contra determinada cobertura ou programa de entretenimento. A agência colhe a íntegra da transmissão e verifica se houve algum problema com relação ao enfoque ou se um dos lados da notícia não recebeu tratamento igual. Após a análise do material, a Ofcom pode punir a emissora com a obrigação de transmitir um direito de resposta, fazer um pedido formal de desculpas no ar ou multa.

2. O representante da Ofcom contou o seguinte exemplo de atuação da agência: o caso de um programa de auditório com sorteios de prêmios para quem telefonasse à emissora. Uma investigação descobriu que o premiado já estava escolhido e muitos ligavam sem chance alguma de vencer. Além disso, as ligações eram cobradas de forma abusiva. A emissora foi investigada, multada e esse tipo de programação foi reduzida de forma geral em todas as outras TVs.

3. Na Espanha, de 1978 até 2010, foram aprovadas várias leis para regular o setor audiovisual, de acordo com as necessidades que surgiam. Entre elas, a titularidade (pública ou privada); área de cobertura (se em todo o Estado espanhol ou nas comunidades autônomas, no âmbito local ou municipa); em função dos meios, das infraestruturas (cabo, o satélite, e as ondas hertzianas); ou pela tecnologia (analógica ou digital).

4. Zelar para o pluralismo das expressões. Esta é uma das mais importantes funções do Conselho Superior para o Audiovisual (CSA) na França. O órgão é especializado no acompanhamento do conteúdo das emissões televisivas e radiofônicas, mesmo as que se utilizam de plataformas digitais. Uma das missões suplementares e mais importantes do CSA é zelar para que haja sempre uma pluralidade de discursos presentes no audiovisual francês. Para isso, o conselho conta com uma equipe de cerca de 300 pessoas, com diversos perfis, para acompanhar, analisar e propor ações, quando constatada alguma irregularidade.

5. A equipe do CSA acompanha cada um dos canais de televisão e rádio para ver se existe um equilíbrio de posições entre diferentes partidos políticos. Um dos princípios dessa ação é observar se há igualdade de oportunidades de exposição de posições tanto por parte do grupo político majoritário quanto por parte da oposição.

6. A CSA é responsável também pelo cumprimento das leis que tornam obrigatórias a difusão de, pelo menos, 40% de filmes de origem francesa e 50% de origem européia; zelar pela proteção da infância e quantidade máxima de inserção de publicidade e distribuição de concessões para emissoras de rádio e TV.

7. A regulação das comunicações em Portugal conta com duas agências: a Entidade reguladora para Comunicação Social (ERC) – cuida da qualidade do conteúdo – e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que distribui o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifussão e as empresas de telecomunicações. “A Anacom defende os interesses das pessoas como consumidoras e como cidadãos.

8. Uma das funções da ERC é fazer regulamentos e diretivas, por meio de consultas públicas com a sociedade e o setor. Medidas impositivas, como obrigar que 25% das canções nas rádios sejam portuguesas, só podem ser tomadas por lei. Outra função é servir de ouvidoria da imprensa, a partir da queixa gratuita apresentada por meio de um formulário no site da entidade. As reclamações podem ser feitas por pessoas ou por meio de representações coletivas.

9. A União Européia tem, desde março passado, novas regras para regulamentar o conteúdo audiovisual transmitido também pelos chamados sistemas não lineares, como a Internet e os aparelhos de telecomunicação móvel (aqueles em que o usuário demanda e escolhe o que quer assistir). Segundo as novas regras, esses produtos também estão sujeitos a limites quantitativos e qualitativos para os conteúdos veiculados. Antes, apenas meios lineares, como a televisão tradicional e o rádio, tinham sua utilização definida por lei.

10. Uma das regras mais importantes adotadas recentemente pela União Europeia é a que coloca um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão. Além disso, as publicidades da indústria do tabaco e farmacêutica foram totalmente banidas. A da indústria do álcool são extremamente restritas e existe, ainda, a previsão de direitos de resposta e regras de acessibilidade.

Todas essas informações estão disponíveis ao público na página do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Note-se que a relação não menciona nenhuma das regras adotadas recentemente na Argentina, que vem sendo demonizadas nos editoriais da imprensa brasileira. A omissão é proposital. As regras adotadas acima são tão ou mais "duras" que as argentinas, mas sobre elas reina o silêncio, pois vêm de países apontados como "exemplos a serem seguidos" Dificilmente, você ouvirá falar dessas regras em algum dos veículos da chamada grande imprensa brasileira. É ela, na verdade, quem pratica censura em larga escala hoje no Brasil.


Leia todos os artigo da série "Mídia e Democracia" aqui.

domingo, 6 de novembro de 2011

Folha, Estado, Veja e televisões minimizam corrupção em SP


No último dia 12 de outubro, este blog cobriu ato público “contra a corrupção” que começou no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, e terminou no “Centro Velho” da cidade, na praça Ramos de Azevedo, diante do Teatro Municipal de São Paulo. A matéria reproduziu respostas a um questionário que esta página apresentou aos manifestantes. Aquele questionário foi elaborado de forma a identificar possível viés político-partidário e ideológico nos integrantes da manifestação.
 
Das 27 entrevistas feitas com os manifestantes, 26 apontaram forte viés político-partidário, deixando ver que o que ocorria ali era produto de campanha de partidos e entidades de oposição ao governo federal. Dessas 26 entrevistas que apuraram esse fato, sete se estenderam em breves conversas entre o entrevistador e os entrevistados. Só não foram relatadas antes porque o blog esperou pelo contato com fonte da Assembléia Legislativa que só ocorreu na semana passada.

Naquelas conversas com os manifestantes “contra a corrupção”, eles foram perguntados sobre se também estavam protestando contra o escândalo das emendas parlamentares na Assembléia Legislativa de São Paulo. Apesar de o entrevistador ter percebido que um dos entrevistados se fez de desentendido, os outros seis pareceram sinceros ao declararem que não sabiam de nada sobre esse escândalo, o que pode ser explicado pela discretíssima e rara cobertura do assunto pela imprensa.

Para quem não sabe, aliás, explica-se que há três meses o deputado estadual Roque Barbiere (PTB-SP) denunciou que ao menos “um terço” dos deputados estaduais paulistas “venderiam” a “prefeitos e empresas privadas” as emendas parlamentares ao Orçamento que os governos tucanos do Estado há muito distribuem a aliados e até a um pequeno contingente de deputados “de oposição” que fontes da AL informaram ao blog (na semana passada) que são tão governistas quanto os deputados assumidamente da base do governo.

Por conta disso, a base de apoio do governo Alckmin na AL-SP está conseguindo enterrar mais esse escândalo. Na última quinta-feira, os deputados governistas conseguiram derrubar, por seis votos a dois, o funcionamento do Conselho de Ética. Segundo um funcionário da AL (que preferiu não se identificar) ouvido pelo blog no último sábado, sem uma divulgação da imprensa igual à que é feita em relação a ministros do governo Dilma investigação relevante e profunda alguma ocorrerá, como nenhuma ocorre há muito tempo em São Paulo.

A explicação que esses veículos dão em off (através de alguns de seus jornalistas que freqüentam redes sociais como Twitter ou Facebook e entram em debates com quem questiona a omissão da imprensa nos escândalos tucanos) é a de que são escândalos “regionais” e que, por isso, receberiam cobertura tão “diferenciada”, um claro eufemismo para cobertura omissa porque, a bem dos fatos, não há, em relação ao PSDB, o jornalismo “investigativo” que chega a tentar invadir domicílios em busca de “provas” contra pessoas ligadas ao governo federal.

A cobertura e fiscalização pífias da imprensa em relação ao comportamento da oposição ao governo Dilma nos Estados em que essa oposição é governo – como em São Paulo ou em Minas Gerais – se dá sob o argumento de que seriam assuntos “regionais”. Todavia, tal falácia pode ser facimente desmontada meramente lembrando o que era feito pela imprensa quando a petista Marta Suplicy ou a ex-petista Luiza Erundina governaram a capital paulista. Então, críticas e denúncias ganhavam manchetes quase diárias nos jornais supracitados e nos telejornais de alcance nacional.

A imprensa, por essa razão, não investiga o escândalo das emendas parlamentares em São Paulo, um escândalo que lança suspeitas sobre os governos tucanos que se encastelaram no poder desse Estado há quase vinte anos, suspeitas comparáveis às que desencadearam o escândalo do mensalão federal porque insinuam que os governos tucanos paulistas subornam deputados para obterem deles favores em votações na Assembléia Legislativa.

À diferença das matérias investigativas que veículos como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e a revista Veja passaram a fazer todos os meses contra o governo federal desde o começo do governo Lula e que neste ano ganharam uma intensidade nunca vista em anos anteriores, com trabalhos de investigação se sobrepondo em várias frentes simultâneas, nenhuma das matérias sobre o governo de São Paulo, na última década, partiu da imprensa, mas, sim, da repercussão de denúncias antigas que circulam entre os aliados do governo federal ou da repercussão de investigações no exterior.

O caso Alstom é um exemplo. Contém denúncias sobre propina que teria sido paga pela empresa francesa Alstom a vários políticos do PSDB, entre eles o ex-governador Mario Covas, já falecido, e o atual governador de São Paulo, Geraldo Alkmin. As raras matérias que saíram na imprensa brasileira foram “chupadas” da mídia internacional, de veículos como Wall Street Journal e Der Spiegel, entre outros. A imprensa brasileira mesma, não investiga nada sobre esse caso.

Todavia, é um caso gravíssimo. Trata-se de escândalo que envolve muitos milhões de dólares e que tem alcance internacional. Fora do Brasil, as notícias correm soltas.  O assunto é tão sério que está sendo investigado pelo ministério público da Suíça, onde estão arrolados os nomes dos políticos tucanos aqui citados e de outros brasileiros envolvidos.

De acordo com o que consta em documentos enviados ao Ministério da Justiça do Brasil pelo ministério público da Suíça, no período que vai de 1998 a 2001 pelo menos 34 milhões de francos franceses teriam sido pagos em propinas a autoridades do governo do Estado de São Paulo através de empresas offshore (empresas criadas em paraísos fiscais, onde gozam de sigilo de suas contas bancárias que dificultam investigações).

Segundo o ministério público suíço, os pagamentos teriam sido feitos utilizando-se do esquema de contratos de “consultoria de fachada”. O valor das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos pelo governo de São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Segundo o Ministério Público da Suíça, pelo cruzamento de informações esses trabalhos de “consultoria” foram considerados como sendo fictícios.

No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estava à frente da Secretaria de Energia de São Paulo o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn, que deixou o cargo em janeiro de 1998 ao assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo. O atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, também estão envolvidos.

Para que se tenha uma idéia da enormidade do caso e para que se possa mensurar a enormidade da minimização que a imprensa brasileira faz dele, O TCE (Tribunal de Contas do Estado) julgou irregular uma compra de 12 trens da Alstom no valor de R$ 223,5 milhões feita sem licitação pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), empresa do governo de São Paulo. O contrato foi assinado em 28 de dezembro de 2005, no governo de Geraldo Alckmin.

Pergunta: você se lembra, leitor, de quando foi a última vez que recebeu uma única notícia sobre esse caso?

O caso Alstom é apenas um dos muitos casos de corrupção que pesam sobre o partido que há quase duas décadas governa o segundo orçamento da União, o de São Paulo, que, como se sabe, é maior do que os orçamentos da maioria dos países da América Latina. Imagine o leitor o que faria a imprensa brasileira se houvesse um escândalo internacional contra o PT.

A imprensa daria ajuda inestimável ao ministério público suíço usando contra o PSDB esse “jornalismo investigativo” que descobre “provas” contra petistas e aliados toda semana. Contudo, é escandaloso o total desinteresse da imprensa brasileira sobre qualquer pedido de CPI entre as dezenas deles que hibernam nas gavetas da Assembléia Legislativa de São Paulo, que, agora se sabe, vem sendo banhada pelos impostos dos paulistas que acabam escorrendo para o setor privado através de nada mais, nada menos do que… ONGs.

É possível concluir, então, que a única forma de os governos federal, estadual e municipal serem fiscalizados pela imprensa é sendo governos petistas, pois só estes são alvos de investigação da imprensa. Essas campanhas “jornalísticas” contra ministros, com manchetes de capa e de primeira página tomando os telejornais todos os dias e com a Justiça sendo célere, só ocorrem desse jeito. Votar no PSDB, portanto, significa conceder a políticos uma espécie de licença para roubar sob as barbas da imprensa e da Justiça.

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