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sábado, 13 de outubro de 2012

Os sócios ocultos de Serra - II [O que a mídia corporativa não publica]



Neste terreno onde as coincidências se encontram amiúde e dizem “Olá” umas para as outras, Serra não incluiu a ACP na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 1994, 1998 e 2002. O endereço, aliás, também acolheu seus comitês nas campanhas eleitorais de 1994 e 1996.

Serra “mentiu para a Justiça Eleitoral, ocultando empresa e ligação com o Sr. Preciado”, registrou o Ministério Público Federal (MPF), quando investigava o relacionamento comercial do ex‑governador paulista e de seu contraparente. Como se fosse pouco, Serra escondeu também da Justiça Eleitoral sua vinculação com Vladimir Antonio Rioli, ex‑ diretor de operações do Banespa. Serra e Rioli foram sócios durante nove anos na Consultoria Econômica e Financeira Ltda., parceria que se manteve até 1995. E, mais uma vez, um sócio e uma sociedade de Serra foram sonegados pelo candidato à Justiça Eleitoral. Não é de hoje, mas desde 1965 que a lei eleitoral, buscando a necessária transparência, exige que os candidatos sejam honestos ao declarar seus bens para prevenir o enriquecimento ilícito por meio do assalto aos cofres públicos. 

Serra escondeu o primo, mas por que esconderia Rioli? Sucede que, nesta senda de negócios obscuros, o sócio Rioli é mais uma conexão com Preciado. Vice‑presidente de operações do Banespa e pilotando as reuniões do comitê de crédito do banco público, Rioli liberou R$ 21 milhões para o primo do ex‑governador tucano. Realizado em 1999, o empréstimo, sem garantias legais, direcionado para a Gremafer e a Aceto, carregava “indícios veementes de ilicitudes”, segundo o MPF. Não se sabe se o financiamento foi pago.

Mas Rioli é muito mais do que um elo da cadeia entre Serra e Preciado. Ele desvela a vinculação de Serra com o ex‑tesoureiro do ex‑governador, Ricardo Sérgio de Oliveira. No labirinto em que se cruzam e entrecruzam os caminhos de Serra, Preciado, Ricardo Sérgio e outros personagens da era das privatizações, o percurso de Rioli é tão importante, que ele merece tratamento à parte.

Pivô de negócios nebulosos, em que invariavelmente os cofres públicos perdem e os particulares ganham, ex‑arrecadador de campanhas eleitorais do PSDB e ex‑sócio de José Serra, o nome de Vladimir Antonio Rioli, hoje, evoca mais futebol do que política. É que, atualmente, uma de suas empresas, a Plurisport, empenha‑se em semear arenas esportivas Brasil afora, prevendo a demanda da Copa do Mundo de 2014. Torcedor do Palmeiras, Rioli envolveu‑se na modernização do velho estádio Palestra Itália. Além do clube do coração, arquiteta consórcios para erguer os novos estádios de Sport Recife, Botafogo (de Ribeirão Preto), Santo André, Remo, Tuna Luso e Paysandu. Seu passado, porém, persegue‑ o como uma sombra.

Rioli, 67 anos, sempre foi unha e carne com dois ex‑ministros de FHC. Um deles, José Serra e o outro, Sérgio Motta, ex‑titular da pasta das comunicações e um dos artífices da privatização do sistema Telebrás [41]. Bem antes da expressão “tucano”, em livre associação, vincular‑se à “privatização” e “neoliberalismo” no imaginário político nacional, Rioli, Serra e o falecido Serjão já eram amigos. Conviviam na Ação Popular (AP), uma das tantas organizações de esquerda dos anos 1960/1970 que peitaram a ditadura militar para mudar o Brasil. Implacável, o tempo passou, os três mudaram e mudou também a mudança que pretendiam fazer.

Em 1986, quando começou sua sociedade com Serra, Rioli envolveu‑se em desastroso negócio para a então estatal Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). Sua consultoria, a Partbank, foi acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de engendrar um contrato sem correção monetária em período de inflação galopante. No final das contas, a Cosipa acabaria perdoando parcialmente a dívida da siderúrgica Pérsico Pizzamiglio, de Guarulhos (SP). O prejuízo da Cosipa escalou o patamar dos US$ 14 milhões. Em 2005, caberia justamente à Pluricorp, de Rioli, assumir um plano de recuperação da indústria. Por ironia, a devedora Pérsico sobreviveu. A credora Cosipa foi privatizada em 1993 e absorvida pela Usiminas.

Nomeado, por indicação do PSDB, para a vice‑presidência de operações do Banespa em 1991, no governo Luis Antônio Fleury (PMDB), Rioli conquistou poderes para autorizar novos empréstimos mesmo para clientes endividados. Em 1999, foi condenado a quatro anos de prisão. Convertida em multas e prestação de serviços, a pena foi aplicada pela Justiça Federal que considerou sua gestão temerária. Apesar de pareceres contrários, Rioli emprestou US$ 326 mil à quase concordatária Companhia Brasileira de Tratores.

O lance mais impressionante de Rioli no Banespa incluiu um personagem recorrente desta trama: Ricardo Sérgio de Oliveira. Envolvendo o Banespa e com a cumplicidade de Rioli, Ricardo Sérgio trouxe de volta ao Brasil US$ 3 milhões sem origem justificada que repousavam no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. Na CPI do Banespa, que investigou o escândalo, o ex‑governador Fleury espantou‑se com o fato. “É surpreendente saber que os tucanos conseguiram usar o Banespa para internar dinheiro durante o meu governo”, disse.

[41] Sérgio Roberto Vieira da Motta (1940‑1998), um dos fundadores do PSDB, tornou‑se personagem central no processo de aprovação da reeleição para beneficiar o então presidente e seu companheiro de partido Fernando Henrique Cardoso. Teria articulado a compra dos votos parlamentares — por meio de dinheiro ou concessões de rádio e TV — necessários à aprovação da emenda pró‑reeleição, segundo gravações obtidas e publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.

*Amaury Ribeiro Júnior. A Privataria Tucana. São Paulo:
Geração Editorial, 2011, pp. 238-239

Leia a Parte I

Os sócios ocultos de Serra - I [O que a mídia corporativa não publica]

O editor-geral do Terra Brasilis revisitou o livro A Privataria Tucana*, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. e resolveu publicar o conteúdo de algumas páginas interessantes sobre o candidato José Serra. O teor desse conteúdo não é divulgado pela mídia corporativa e, muito menos, merece uma investigação jornalística da Veja, Estadão, Folha de S Paulo, Época, O Globo e outros trastes da imprensa nacional.

O editor-geral sugere a aquisição do referido livro - leitura obrigatória para quem deseja se inteirar do que ocorreu à época das privatizações no governo FHC.


Porque o ex-governador esconde seus sócios e suas sociedades. 
E porque mentiu à Justiça Eleitoral. 
Verônica, Preciado e Rioli. 
Outro elo com Ricardo Sérgio

Muitas parcerias comerciais unem — ou uniram — José Serra a parentes e amigos. Mas, por estranho que pareça, raras entre elas são assumidas pelo ex‑governador de São Paulo. No decorrer da sua vida pública, ele tem omitido, com zelo incomum, a existência de seus sócios — a filha Verônica entre ele  — e de suas sociedades à Justiça Eleitoral. Por que age assim? Vamos tentar saber aqui. Um bom começo é seu sócio e primo Gregorio Marín Preciado.

Senador eleito pelo PSDB, Serra assume, em 1995, o Ministério do Planejamento na gestão Fernando Henrique Cardoso. Enquanto isso, Preciado vive aturdido pelas dívidas com o Banco do Brasil. Cansado de esperar, o BB finalmente se move: em julho do mesmo ano ingressa na Justiça pedindo o arresto de bens do devedor relapso. No lote, figura um item interessante: o terreno que Preciado então possui em sociedade com o primo ministro no bairro Morumbi, área nobre de São Paulo. Mas alguém vazou a informação e os primos Preciado e Serra venderam o imóvel antes do arresto...

A escritura de compra e venda foi lavrada em 1º de setembro de 1995, e o negócio registrado no dia 19 do mesmo mês no 15o Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo. Em sua defesa, Preciado declarou ter realizado a venda em abril. Pitorescamente, o assento no cartório ocorreu cinco meses depois...

Serra apresentou uma explicação que o Ministério Público Federal tachou de “esdrúxula”. Sintonizado com o primo, sustentou que a negociação foi parcelada em cinco vezes e que somente após o pagamento da última cota, lavrou‑ se a escritura. Descreveu uma operação anômala, já que o instituto da hipoteca existe para solucionar tais pendências sendo a escritura firmada imediatamente após o fechamento do negócio.

A suspeitíssima operação autoriza a crer que Serra e Preciado cometeram aquilo que é chamado, no jargão jurídico, de fraude pauliana. Explica‑se: na pré‑história do Direito, o devedor respondia com o próprio corpo pelas obrigações assumidas. Se não pagasse a dívida, poderia até mesmo perder a liberdade — e tornar‑se escravo do credor — ou mesmo a vida. No Direito Romano, atribui‑se ao pretor Paulo a mudança desta situação, afastando a penalidade do corpo do devedor e direcionando‑a para seus bens. A fraude pauliana ocorre quando o devedor aliena seu patrimônio visando iludir o credor e esquivar‑se de sua obrigação. Em outras palavras, uma artimanha de que se vale o caloteiro para afastar a satisfação do prejuízo do alcance de quem iludiu.

Como se a suspeita carregasse no seu bojo outra suspeita — uma realimentando a outra — o terreno dos primos, com 828 m2, no valorizadíssimo bairro da classe média alta paulista, foi passado adiante por R$ 140 mil, montante abaixo dos preços praticados no mercado. Mas a relação entre Serra e seu contraparente é pródiga em parcerias, além da antiga e polêmica copropriedade do terreno no Morumbi. Os dois primos estão vinculados por endereços, negócios e sociedades. Mas Serra procura sempre isolar, atrás de uma muralha de subterfúgios, seus contatos e sua vida comercial. Basta ver o caso da ACP Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda. A empresa, que tem como sócia também Verônica Serra, situava‑se na Rua Simão Álvares, 1020, Vila Madalena, São Paulo (SP). Por uma incrível coincidência, o prédio pertencia à Gremafer e, portanto, a Preciado.

*Amaury Ribeiro Júnior. A Privataria Tucana. São Paulo:
Geração Editorial, 2011, pp. 235-237

Leia a Parte II.

sábado, 7 de abril de 2012

Especial Privataria Tucana: Campanha já arrecadou R$ 18 mil


O jornal Brasil de Fato lançou no dia 23 de março uma campanha para levar o Privataria Tucana a todos os recantos do Brasil.

A ideia nasceu do fato de que, mesmo com preços promocionais, o livro tem um custo alto para boa parte dos orçamentos: cerca de 30 reais. Além disso, por problemas de distribuição, o livro não chegou ainda aos lugares mais distantes dos grandes centros do país.

Até o momento, em duas semanas, foram depositados R$ 18 mil, doados por mais de duas centenas de brasileiros e brasileiras que querem que a população conheça as denúncias do livro.

A página do Brasil de Fato (www.brasildefato.com.br/node/9130) tem divulgado uma vez por semana o total recebido. Será publicada também a lista dos depósitos recebidos, sem expor o nome daqueles que depositaram.

A expectativa é encerrar a campanha até o final de abril para aproveitar o clima criado pelos escândalos em torno do senador Demóstenes Torres, a fragilidade do PSDB-DEM e pressionar pela instalação da CPI da Privataria.

Cotas para sindicatos

Queremos colocar na rua 1 milhão de jornais. O grosso dos recursos é para rodar na gráfica o jornal (em torno de R$ 60 mil reais), além do montante para a distribuição nacional via transportadora e do necessário para a produção do jornal.

A campanha é um sucesso, porque cidadãos e cidadãs brasileiros que não querem deixar barato os crimes das privatizações de FHC estão contribundo. Agora, o jornal quer envolver sindicatos, que tenham interesse em ajudar a rodar 1 milhão de jornais.

Para isso, estamos vendendo cotas de R$ 5 mil por 20 mil exemplares do jornal especial para distribuir para diversas categorias. Serão divulgados na página do Brasil de Fato o nome dos sindicatos que querem a CPI e ajudaram a rodar o especial.

Popularizar

A edição especial do Brasil de Fato servirá ao mesmo tempo para fazer propaganda do livro e matar a curiosidade de muitos leitores que não conseguem comprá-lo.

O jornal não vai, obviamente, reproduzir todo o livro. A ideia é uma edição que inclua alguns trechos, mais comentários, ilustrações e, provavelmente, uma entrevista com o autor.

Amaury Ribeiro Jr., consultado sobre a ideia, topou.

A ideia é usar a rede de distribuição dos movimentos sociais, a única capaz de rivalizar com as emissoras de televisão no Brasil: chegar aos bairros mais pobres das periferias das grandes metrópoles, ao interior do Nordeste e aos vilarejos da Amazônia.

Todo o trabalho será voluntário.

Para assegurar a lisura e transparência desta campanha, montamos uma comissão formada pelos jornalistas: Altamiro Borges (Barão de Itararé), Igor Felippe Santos (MST) e Nilton Viana (editor-chefe do Brasil de Fato).

Agora, precisamos de sua contribuição para pagar as despesas.

Quem quiser depositar via cartão de crédito, fique atento na página na internet do Brasil de Fato porque logo será possível.

Deposite qualquer quantia para: SOCIEDADE EDITORIAL BRASIL DE FATO (CNPJ 05.522.565/0001-52)

Banco: Bradesco

Agência: 0296 – 8

Conta Corrente: 67.621 – 7

ou

Banco: Banco do Brasil

Agência: 0383 – 2

Conta Corrente: 16.580 – 8

sábado, 21 de janeiro de 2012

POPULARIDADE DE DILMA: EFEITO COLATERAL DA CAMPANHA DO PARTIDO DA IMPRENSA

Sem o PIG não se elegeriam nem vereadores.


O jornalista Paulo Henrique Amorim costuma dizer que sem o PIG os principais caciques do PSDB de São Paulo não passariam de Resende. Depois da divulgação da aprovação de Dilma ao final do seu primeiro ano de mandato (veja aqui), pode-se se dizer mais: os principais "privatas" não se elegeriam nem para vereador dos seus respectivos municípios. Se não, vejamos. A oposição, no ano que passou, só teve as  bandeiras que o PIG levantou, acho que em reunião com ela mesma: primeiro,   a tentativa de jogar Dilma contra Lula, de diferenciar os seus governos e de dizer que Lula era leniente com a corrupção. Não conseguiram. Tanto o ex-presidente com a presidenta tiveram um comportamento exemplar e solidário. Dilma, não esquecendo de citar seu mentor e de associar as obras e as realizações de seu governo com o de Lula. Lula, por sua vez, usou o brilhantismo e a inteligência que lhes são característicos, embora os que o invejem não admitam,  e disparou esta pérola, que calou a todos: " Não há divergências entre mim e Dilma, mas, se houver,  ela é que está certa."

Quando a oposição estava começando a ficar sem discurso, começou a caça aos ministros. aproveitando-se da conduta de ministros que foram indicados  pelos respectivos partidos da base,  o PIG começou a campanha que ainda está em curso para derrubar auxiliares de Dilma. Alguns deles foram defenestrados por pura pressão pois não foram apresentadas, pelos menos até o momento, provas concretas contra estes acusados. Estão incluídos neste caso os Ex-ministros dos esportes Orlando Silva e do trabalho Carlos Lupi.

Verdadeiras as acusações ou não, a intensa campanha desenvolvida pelo PIG visava a, primeiro, dar discurso à  combalida oposição e, segundo, colar no governo e na presidenta a pecha de conivente com a corrupção e sem autoridade diante de ministros que praticavam o famoso "mal feito". Foi um tiro no pé: as rapídas e firmes atitudes de Dilma, após dar o tempo necessário para que os acusados se defendessem, tiveram o efeito contrário ao esperado pela imprensa e pela oposição:  a sociedade começou a ver na presidenta uma mulher capaz de resolver rapidamente e com autoridade um dos problemas que mais atormentam o cidadão comum: a corrupção.

Os partidos de oposição, que foram governo durante a era FHC estavam, há algumas semanas,  com um problema sério nas mãos: encontrar um modo de explicar aos seus eleitores, cada dia em menor número, mas que já leram o "Privataria Tucana",  a participação de alguns de seus caciques nos crimes mostrados por Amaury Ribeiro Junior além de acharem um modo de neutralizar a referência ao livro no guia eleitoral que se aproxima. Agora, com a divulgação da pesquisa na qual a presidenta supera o próprio Lula no seu primeiro ano de governo, para não falar nos presidentes que  o antecederam, os caciques, dependentes do PIG até a medula,  suspiram de desânimo  por saberem primeiro que serão desnudados diante da sociedade como corruptos e corruptores que são e depois por constatarem que  o povo, desde o governo de Luis Inácio Lula da Silva,  não se guia tanto e tão cegamente pela imprensa-partido como fazia no passado. 

the teacher. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS: 7 MILHÕES DE ACESSOS EM 21 DIAS



Saiu no Blog do Planalto entrevista com o Ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, sobre a compra de pluviômetros para prevenir enchentes.

Ali, há também, informação importante sobre o programa “Ciência sem Fronteiras”:
Bolsas de estudo no exterior – No programa, Aloizio Mercadante fez um balanço do programa Ciência sem Fronteiras, lançado pela presidenta Dilma Rousseff com o objetivo de ofertar 75 mil bolsas de estudo no exterior. Nos últimos dois dias – segundo o ministro – o portal do programa registrou mais de sete milhões de acessos e os primeiros 1,5 mil bolsistas seguiram para universidades nos Estados Unidos. Em 2012, a meta é conceder cerca de 15 mil novas bolsas, completou.
“O Ciência sem Fronteiras é um sucesso espetacular. Nos Estados Unidos, nós estamos negociando 18 mil bolsas para esses próximos três anos. Na França, 10 mil bolsas; na Inglaterra, 10,2 mil; na Alemanha, 10 mil; na Itália, 6 mil. E, agora, esse novo edital que nós estamos fazendo, que tem 12 mil inscritos, são para estes países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Itália.”
Ouça aqui a íntegra do programa Bom Dia, Ministro.

NAVALHA

O Conversa Afiada procurou informações adicionais sobre o “Ciência sem Fronteiras” e soube:
No dia 13 de dezembro, a Presidenta Dilma Rousseff anunciou a publicação dos editais para os bolsistas de 2012;
No dia 14, o Ministerio da Ciência e Teconologia publicou anúncios de meia página nos principais jornais do país sobre como se candidatar;
Entre 29 e 30 de dezembro, houve 870 mil acessos ao site que dá aos candidatos acesso às condições do programa: www.cienciasemfronteiras.gov.br ;
Até ontem, 21 dias depois de lançados os editais, já houve mais de sete milhões de acessos ! ;
Sete milhões de acessos !
Como se sabe, um dos pontos centrais da política do “socialismo à moda chinesa” de Deng Xiaoping, quando se tornou sucessor de Mao, foi dar curso às “Quatro Modernizações” de Zhou Enlai na agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia.
Foi aí que Deng disse:
“A chave para atingir a modernização é o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. E, a menos que se dê ênfase à educação, será impossivel desenvolver a ciência e a tecnologia. Palavras vazias levarão o nosso programa de modernização a lugar nenhum. Temos que ter Conhecimento e pessoal treinado. “
E estudantes chineses invadiram as melhores universidades do mundo, a começar pelas americanas.
Com bolsas de estudo pagas pelo Governo da China.
E deu no que deu.
(O Conversa Afiada se vale do livro “Sobre a China”, de Henry Kissinger, que deu origem aos posts “Deng (Dilma): Mao (Lula) acertou 70%” e “Dilma, leve-nos a Ialta“)
Quando esses tucanos despertarem, estarão do tamanho do PPS.
Um partido cujo presidente é o Sergio Guerra, vai ter o tamanho de um anão daqui a pouco.

Paulo Henrique Amorim

Fonte:   Conversa Afiada




domingo, 1 de janeiro de 2012

A desmoralização de um jornalista... por ele mesmo! [Parte 1]


Por DiAfonso [Terra Brasilis]

A deturpação dos fatos é apanágio dos embromadores, já diziam. Essa máxima poderia ser muito bem aplicada, com todo o respeito, ao comportamento profissional do jornalista Jamildo Melo.

Jamildo, que mantém um blog no Portal NE10 [1], publicou ontem um artigo [2] em que, a pretexto de avaliar "Os primeiros doze meses de gestão do governo Dilma", aproveitou o ensejo para fazer injustas, descabidas e preconceituosas críticas ao ex-presidente Lula, além de tecer outras considerações longe da realidade factual. Isso, distorcer a realidade, parece estar no dna não só do Jamildo, mas também do próprio veículo de comunicação para o qual o jornalista presta serviço.

Aqui, em Pernambuco, é pública e notória a parcialidade com que o jornalista trata determinados fatos políticos, como de resto o próprio Sistema Jornal do Commercio [não é à toa que o SJC é chamado de "braço direito do PiG" por estas bandas de cá].

Para confirmar o dito acima, basta elencar dois fatos recentes: o primeiro foi a publicação de um editorial [3]. Lá, pode-se ler a ferocidade com que o editorialista trata José Dirceu, o PT e a "tentação autoritária" que o próprio Dirceu e o PT teriam, segundo o editorialista, em controlar os órgãos de comunicação.

O outro fato diz respeito à omissão de informações acerca do lançamento do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.. E, aqui, nunca é demais dizer da contradição que cerca o editorial citado acima. O próprio SJC, "órgão de comunicação", "amordaçou" informações, sonegando de seus leitores e da sociedade de um modo geral a divulgação do conteúdo de A Privataria Tucana.  Não foi o PT e, muito menos, José Dirceu.

No momento em que deu o ar da graça sobre o fato, o Blog do Jamildo divulgou matéria com algumas inverdades [4], chegando, inclusive, a receber protestos indignados de alguns comentaristas [ver imagem abaixo].



Pois bem. Detenhamo-nos em alguns pontos do tal artigo, escrito pelo jornalista Jamildo Melo:

"Lula, em seus oito anos de governo, não soube se comportar como presidente da República do Brasil; era mais um sindicalista no Palácio do Planalto, jogando região contra região, rico contra pobre, negro contra branco. Não desceu do palanque um único dia, fazendo muitas vezes da demagogia discurso presidencial."

A besteirada que se lê no parágrafo acima chega a dar "urticária" na minha pobre massa cinzenta. Lula deveria se comportar como se comportou FHC, cuja "habilidade" como presidente do Brasil mereceu duro sermão do ex-presidente estadunidense, Bill Clinton? Esse vexame internacional [5], se o "isprito" não me engana, não foi publicado no seu blog. Ou foi, Jamildo?

Quando foi que Lula jogou "região contra região", Jamildo? A má-fé nessas suas palavras beira ao ridículo, tal a torpeza que delas emana. Será que, por exemplo, priorizar ações que se fizeram no Nordeste [na área de educação: instalações de campus universitários e técnicos; na área econômica: estaleiro, Refinaria Abreu e Lima, Empresa de Hemoderivados e Biotecnologia - só pra citar alguns investimentos feitos em Pernambuco] é criar ponto de atritos entre regiões? Descentralizar, Jamildo, não é jogar "região contra região", mas criar uma situação em que outras unidades da federação tenham o justo direito de serem contempladas no quesito crescimento econômico. Isso é, também e em certo sentido, integração entre regiões.

Jogar "rico contra pobre". O que é isso?!?! Jamildo, não mostre uma incompetência que você, certamente, não tem. Permitir - como Lula fez  e Dilma está fazendo - que  a camada menos privilegiada da população tenha acesso aos bens produzidos pelo país é um direito dessas pessoas, Jamildo! Deixe de elitismo! Deixe  de idiotice!

Jogar "negro contra branco". Êta, mulesta! Outra idiotice! Quem tentou, por diversas vezes, criar esse conflito foi a elite branca deste país que não suporta ter de dividir a sala de aula das universidades com preto e o DEM [6] [hoje apêndice do PSDB e que tem como baluarte o "queridinho" da direita pernambucana e do Brasil, Marco Maciel - este foi vergonhosamente derrotado nas últimas eleições para o Senado Federal]. Jamildo, peça à sua equipe para fazer uma pesquisa na blogosfera ou nos próprios órgãos midiáticos corporativos [No Portal NE10 deve ter alguma coisa sobre isso... Penso...] e você terá essa informação.

Continua...
__________________________________________

[1] Blog do Jamildo [aqui]. 
[2] Íntegra do artigo [aqui].
[3] Editorial do JC, aqui.
[4] A Privataria Tucana no Blog do Jamildo [aqui].
[5] FHC é humilhado por Bill Clinton [aqui]
[6] O DEM e a cota para negros, aqui.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Óia a vírgula, Merval Pereira! Óia a vírgula, hômi!

No Terra Brasilis

Fotomontagem Terra Brasilis

Por DiAfonso

O jornalista Merval Pereira, recém-eleito membro da Academia Brasileira de Letras, bem que poderia fazer jus ao fardão que lhe foi "outorgado" sabe-se lá por quais critérios literários [se é que me entendem].

Em artigo intitulado "A ficção do Amaury" - em que tece críticas ao conteúdo do livro "A Privataria Tucana" e defende, nas entrelinhas, a omissão da "grande imprensa" na divulgação da obra do também jornalista Amaury Ribeiro Jr. -, o Merval se "desvia" do que é posto como padrão "culto" para as situações formais de comunicação e expressão em língua portuguesa. 

Assim é que algumas normas são "quebradas", a ambiguidade surge em algum momento e a "limitação" vocabular se faz presente em outro. Tudo isso denuncia o "acadêmico" Merval Pereira como um verdadeiro relaxado no trato com a língua dita "culta". 

A seguir, as minhas observações e os meus comentários. Claro que não dá para me comparar ao Merval. Eu, coitado, sou da Acadêmía Brazilêra de Lêtra:




A leitura do segmento "suas denúncias" traz um sabor de... de que, mesmo? Já nem sei... da mesma forma que não sei se as denúncias são dos "novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca" ou do "Amaury Ribeiro Jr". Brincadeirinha. O contexto nos dá o caminho para o referente que, neste caso, seria o próprio "Amaury Ribeiro Jr". Agora que o Merval, membro da ABL, poderia ter evitado essa ambiguidade... Ah, poderia!

Embora não esteja "obrigado" a fazer uso da nova ortografia, o Merval escreve "idéia" e não segue a nova orientação ortográfica [aqui]. Será que os acadêmicos da ABL, eminências da língua "correta", estão ainda usando a ortografia anterior? Se não estiverem, Merval, você será chamado às falas... Com aquela gente não se brinca em matéria de língua padrão... Tô logo avisano...


Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! A oração coordenada explicativa ["pois alegam"] "abriu vaga" para uma intercalada de valor semântico temporal [alguns atribuem ao conectivo "enquanto" um valor de simultaneidade temporal]. Ponha a vírgula adispois do "pois", hômi!

Xiiii... Acho que, na pressa em escrever o artigo para defender a tucanada, o Merval deu um espaço e separou "por que". Não seria "porque", Merval? Vêji isso aí, diretim... Eu tenho cá pra mim que esse "por que" se ajunta, visse?!?!

Merval, fique tranquilo, pois o uso que você fez de "tranqüilo" já foi discutido acima... A nova ortografia, certo?!?!...

Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! Esse não é o momento adequado para usá-la, hômi de deusi! A oração "se tem provas" é complemento verbal de "verificar", assim como "se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações". Como se nota, a última oração do parágrafo, introduzida pela coordenativa "e", funciona, sintaticamente, como objeto direto [dizem os doutos da norma padrão que não se separa complemento verbal de seu verbo por vírgula.]. Ah... o uso da vírgula foi para dar ênfase?! Questão de estilo... é isso?!?! Sei não, sei não... Bom... de quarqué modo, vêji isso tamém, visse, Merval?!?!



Pô, Merval! Um minidicionário - daqueles escolares - teria dado uma força para evitar a repetição da palavra "falcatruas"! Aqui, nada demais, sabe, Merval... Mas o povo que entende dessas coisas de língua padrão e indicetra e tá pode achar que você está com o vocabulário meio comprometido. Sugerirão alguns que roubalheira cairia bem no lugar da segunda ocorrência da palavra "falcatruas"... Ah, mas é que, no governo Collor, foram muitas "falcatruas", né? Assim como foi, no caso das privatizações no governo FHC... Como é que eu não saquei isso! Você vai mi adiscurpando aí, visse, Meval?! É que, às vêiz, a gente se impóga e tal...

Óia a vírgula, Merval! "Será o binidito!"! Vêji que o sujeito de "transformou-se" é o mesmo de "desencadeou" - "Roberto Jerfferson". Desse modo, Merval, não haveria o uso da tal vírgula para separar as orações construídas em torno dos referidos verbos, a menos que... peraí, peraí... ah, já sei... Você pensou que a oração iniciada por "de quem..." tivesse caráter explicativo, não foi?!?! Mas ela não tem, né?!?! Então, apague essa vírgula aí tamém, hômi!


Minha nossinhora, Merval Pereira! A vírgula de novo, hômi!!! Pela última vez: a gente não viu aí in riba* que não se separa complementos verbais de seu verbo por vírgula? O mesmo se dá com o sujeito e o seu verbo. Eles não gostam de vírgula atrapalhando a relação. Nisso eles têm razão: quem já se viu uma vírgula se metendo onde não é chamada? Desse modo, bote pra correr a vírgula adispois de "Amaury Ribeiro Jr"!

Rapaz... Eu num tô acreditando nisso não! Merval!... A vírgula... Meu deus do céu! Óia, Merval, eu não vou tá mais aqui falano de vírgula, não, visse! Chega! Mas, ainda assim, eu vou dizer... Eu sou chato: Ô, misera! Há um tal de paralelismo sintático em "não apenas"... "mas". Apois bote uma vírgula adipois da mulesta dessa palavra "TCU"!

* Vêiz em quando, Merval, é sempre bom usar um latim nordestino - não é o de Roma, não, visse?!?! Só para você entender, caso não saiba, pois agora tá todo chique... é da Academia Brasileira de Letras, né?!?!: "in riba" significa "pras bandas de cima".

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sérgio Guerra e FHC divulgam notas sobre a "Privataria Tucana". A montanha pariu um rato.

PSDB e FHC defendem privatizações e atacam livro

Fotomontagem Terra Brasilis

Em duas notas oficiais divulgadas nesta quinta-feira (15), o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e o PSDB atacam o livro "A Privataria Tucana" e seu autor, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. O PSDB defende as privatizações e classifica de "levianas" as denúncias. Já o ex-presidente classifica as denúncias como "infâmia' e procura desqualificar seu autor como "um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra José Serra".  

Redação

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB divulgaram notas oficiais sobre o livro "A Privataria tucana", Amaury Ribeiro Jr. Ambas as notas, rejeitam as acusações feitas na obra, classificando-as como "levianas e infames", entre outros adjetivos. A divulgação das duas notas ocorreu no mesmo dia em que o jornal Folha de S.Paulo rompeu o silêncio e, finalmente, tratou do caso que tomou conta das redes sociais nos últimos dias.

Assinada pelo presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, a nota do PSDB afirma:
O PSDB repudia veementemente a mais recente e leviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas.

As privatizações viabilizaram a modernização da economia brasileira, com centenas de bilhões de investimentos em serviços essenciais e a geração de milhares de empregos.

Todo o processo foi exaustivamente auditado pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, e nenhuma irregularidade foi constatada.

O livro agora publicado tem as mesmas características de farsas anteriores, desmascaradas pela polícia, como a “Lista de Furnas”, o “Dossiê Cayman” e o caso dos “Aloprados”. Seu autor é um indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes, incluindo corrupção ativa e uso de documentos falsos.

Uma constante dessa fabricação de falsos dossiês tem sido a participação de membros e agentes do Partido dos Trabalhadores. Os que não se envolvem diretamente nas falsificações não têm pudor de endossá-las publicamente, protegidos, alguns deles, pela imunidade parlamentar.

A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil.

Serão tomadas medidas judiciais cabíveis contra o autor e os associados às calúnias desse livro.

Já a nota divulgada por Fernando Henrique Cardoso diz:
A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o "Dossiê Cayman", uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do "Dossiê dos Aloprados" e do "Dossiê de Furnas", desmascarado nestes dias?

Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora "acusações", especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar "documentos" não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.

Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Exclusivo: Serra fala sobre o livro "A Privataria Tucana" pela primeira vez

No Terra Brasilis

TB - O que o senhor acha do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., "A Privataria Tucana"?

José Serra - Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo!

TB - Mas o lixo tem sua importância, se, por exemplo, pensarmos na geração de emprego... Isso é bom para economia, não é?!... Podemos pensar também no processo de reciclagem, de reaproveitamento para um CPI... O que o senhor acha?!?!

José Serra - Você trabalha em que jornal?

TB - Quem?... Eu?

José Serra - Você, sim! Quero saber em que jornal trabalha para mandar demiti-lo por causa desse seu tro-lo-ló...

TB - Bom... Eu não trabalho em jornal nenhum... Tenho um blog, sabe? Ele é sujinho, mas dá pro gasto... É lixo, mas tem quem reaproveite... Reciclagem, sabe...

José Serra - É o quê?!? Vou providenciar um dossiê contra você, imediatamente! [Tututuuuuu... Caiu a ligação... Essas empresas de telefonia! Sei não, viu... Na horinha em que eu estava engendrando um furo de reportagem... M...!]

domingo, 11 de dezembro de 2011

"Privataria Tucana" - O maior escândalo de corrupção da História do Brasil

Por LEN*

Os processos de privatização ocorridos no governo FHC, sobretudo os das teles, sempre foram contestados. Favorecimentos de concorrentes por parte dos tucanos, utilizando fundos de pensões aparelhados, foram revelados com os grampos “fogo amigo” do BNDES, mas, até hoje, quase quinze anos depois, não se sabia ao certo qual a forma de retribuição dos corruptores aos corrompidos. Com um Procurador-Geral da República disposto a engavetar todas as denúncias contra o governo e a imprensa no bolso, a impunidade estava garantida.

O livro do Amaury Ribeiro Junior, "Privataria Tucana", vem revelar o modus operandi do que já pode ser considerado o maior escândalo de corrupção da história do país, que envolve o governo federal, grandes corporações financeiras e a imprensa com a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e invasão de privacidade, associado a desvio de dezenas de bilhões dos cofres públicos.

Para embasar as acusações do autor, o livro conta com um acervo de centenas de documentos extraídos legalmente de processos em andamento na justiça. Os documentos atingem diretamente um seleto grupo ligado ao tucano José Serra, o seu coordenador de campanhas e ex-diretor de contas internacionais do BB, Ricardo Sérgio, o empresário casado com sua prima, Gregório Marins Preciado, sua filha Verônica Serra e o genro Alexandre Burgeois.

Amaury mostra como Daniel Dantas enriqueceu a filha de Serra através da empresa Decidir.com, INC., ao injetar capital do Opportunity e Citybank por meio de dois argentinos, sócios das Verônicas (Serra e Dantas) no empreendimento de sucesso meteórico, e como foi montada a operação na imprensa para justificar o fantástico enriquecimento quase instantâneo.

A certeza da impunidade fez com que os tucanos ligados ao Serra tivessem pouca preocupação em disfarçar operações utilizando off-shores para internalizar o dinheiro das propinas, que faziam literalmente uma turnê pelo mundo antes de entrar limpinho nas suas contas. As empresas sediadas no paraíso fiscal Ilhas Virgens Britânicas possuem nomes idênticos ou muito parecidos às suas empresas “subsidiadas” no Brasil, e no caso de Alexandre Burgeois, Genro de Serra, chega ao cúmulo de assinar pelas duas empresas.

O livro ainda mostra como Serra usa serviços de arapongas, pagos com dinheiro público, para criar dossiês contra adversários políticos desde o seu período à frente do Ministério da Saúde, e como sua filha e a irmã do Daniel Dantas quebraram o sigilo de 40 milhões de brasileiros pela obtenção de informações privilegiadas dentro do governo.

Na entrevista que deu a blogueiros progressistas por twitcam na sexta-feira, Amaury revelou que além de ter dívidas com o BNDES reduzidas durante o período das privatizações, a grande mídia, que na época atuou como cabo eleitoral do neoliberalismo e encobriu as denúncias de corrupção, foi beneficiada com as negociatas entre governo e corruptores, garantindo cotas publicitárias aos veículos que se prestavam ao papel de produzir propagandas institucionais travestidas de matérias jornalísticas e editoriais.

Sobrou também para facções do PT que, na disputa insana pelo poder, são capazes de destruir colegas de partido e abastecer algozes na imprensa com dossiês que não atingem apenas o desafeto político, mas toda a agremiação, inclusive colocando em risco eleições presidenciais. São os aloprados que o Lula bem identificou. Ruy Falcão e Palocci foram citados nominalmente.

Amaury ainda faz mais uma revelação estarrecedora: como explicar que depois de nove anos fora do governo, Serra ainda mantém controle da cúpula da Polícia Federal? Com a palavra Marcio Thomaz Bastos, Tarso Genro e José Eduardo Cardozo, principalmente o último que ainda ocupa o cargo. Ou o ministro processa o Amaury, ou demite toda a cúpula da Polícia Federal e se informa melhor sobre ligações políticas dos detentores de cargos de confiança no ministério que comanda, ou pede demissão ele próprio porque é incompetência demais.

Ainda estão de fora outros personagens conhecidos da privataria tucana, como André Lara Resende, Sérgio Motta, Luis Carlos Mendonça de Barros, Jair Bilachi e o Próprio FHC, mas o Amaury informa que estão sendo elaborados mais livros de outros autores sobre o tema e a munição é gigantesca e que ele próprio vai aprofundar investigações em cima de FHC e jornalistas que, segundo ele, não resistem a uma investigação leve, como Reinaldo Azevedo e Cesar Tralli.

Como uma bola de neve, o livro do Amaury já está incentivando outros denunciantes, e o ex-delegado da Polícia Federal e deputado Protógenes Queiroz vem narrando no twitter, desde o lançamento do livro, algumas informações do que apurou em investigações durante o tempo de PF, como por exemplo, a forma como o grupo de FHC comandava operações de fraude com títulos da dívida pública, com o BACEN favorecendo laranjas de amigo de FHC, Alberto Aschar, que fugiu do Brasil com cinco milhões esquentados pelo Banco Safra em 1988, ou quando encontrou vários bicudos em fundos que enviavam dinheiro para fora do país.

A imprensa tenta desesperadamente abafar a repercussão do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, mas o esforço inglório é inútil porque já criou vida própria e a tendência é que percam mais credibilidade e morram abraçados ao Serra com blindagem e tudo. Enquanto isso, procure o livro "Privataria Tucana" na FNAC e Livraria Saraiva, é um excelente presente para dar de natal a si próprio e em confraternizações de "amigos ocultos".

*LEN é editor-geral do Ponto & Contraponto e editor do Terra Brasilis.
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