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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PROCURA-SE UMA ALTERNATIVA AO "SHOW DE TRUMAN" QUE A GLOBO NOS EMPURRA

Truman chega ao fim do "mar" e ao começo da vida

O filme "O show de Truman" de 1998, conta a história do próprio Truman, personagem vivido por Jim Carrey,  que tem sua vida mostrada ao vivo desde seu nascimento. Todos sabem, na cidade fictícia onde ele vive, pois todos são atores, menos ele. Seus pais, seu melhor amigo, sua esposa, todos representam seus respectivos papeis menos Truman por achar que aquela era realmente a realidade. Para encurtar a história, Truman depois de começar a desconfiar de certas "coincidências",  consegue chegar até o "mar", que na verdade é um estúdio e, a partir daí,  não só descobre a verdade como se liberta da prisão em que vivia no "projac" montado pela emissora da ficção. Na última cena do filme, ocorrida em um bar, quando percebem que Truman descobriu a verdade e que aquele programa perdeu a seu maior atrativo,  o dono do bar automaticamente desliga a televisão e os clientes, que estavam vidrados no programa , se voltam e começam a conversar. 

 Desde que começou,  semana passada,  a celeuma a respeito do BBB que o tema Rede Globo voltou à pauta. Aqui neste prosaico blog escreveu-se texto, nos blogs mais visitados textos foram escritos e naqueles blogs considerados "top" também foram encontrados conteúdos cujo  tema era a vênus prateada. Na maioria dos blogs ditos  progressistas e que pelejam nesta guerra para defender uma regulação para a mídia no Brasil e que ver,  na globo,  um grande impecilho para isso, o tema central dos textos era: o estupro não é o foco principal. O foco é o fato de uma emissora de televisão, que é uma concessão pública,  fazer (e mostrar) coisas que estarrecem a todos e não ser sequer molestada por isso. 

Pois bem. A partir daí comecei a observar que embora haja um indignação contra os fatos ocorrido no "reality",  as pessoas no meu entorno, pelo menos, continuam a assistir uma tal de griselda, continuaram a ver o tal do BBB e aqui na  minha cidade em todas as churrascarias há, no mínimo, dois telões de quarenta e duas polegadas, todos ligados na Globo de dia a noite.  É claro que existe muito milhares de pessoas, e nós entre elas,  que não assistem à tv dos Marinho. Mas temo que este número ainda não seja  tão grande , como relaçao aos que a assistem.

 Por que essa audiência persiste? Na minha modesta opinião, para aquelas  pessoas que buscam em um canal de televisão o tipo de entretenimento fornecido pela Globo,  e ao qual elas estão acostumadas, não há no Brasil uma outra alternativa. As concorrentes tentam mas não conseguem produzir programas e novelas  com a mesma qualidade (pelo menos aos olhos do público), com os mesmos atores e autores que a Vênus produz. Há tentativas aqui e ali. A Record está conseguindo vencer batalhas importantes na área do entretenimento e do jornalismo, mas não ainda o suficiente para desbancar a emissora em primeiro lugar. Não estou fazendo aqui apologias à qualidade dos programas da Globo nem estou dizendo que eles são bons, na verdade não assisto a mais nenhum faz tempo. Estou apenas dizendo que não foi ofertado ao cidadão  que, à noite, depois do jantar, se senta em frente à sua televisão nenhuma outra escolha, pelo menos  até agora, que faça com que ele, a partir dos padrões estabelecidos dentro de sua mente,  mude de canal . 

Tal qual no "Show de Truman" tão logo as pessoas percam o interesse por aquilo que lhes é empurrado todos os dias pela Rede Globo, (e isso só será conseguido, aqui, pela oferta de uma programação melhor ou igual, aos olhos daqueles que assistem) , os expectadores mudarão de canal ou simplesmente desligarão a televisão e irão cuidar de suas vidas. rezemos para que este dia chegue logo. 

The teacher. 

Leia aqui uma análise acadêmica sobre o  "O show de Truman",  aqui uma resenha do filme e assista aqui comentário do crítico de cinema Marcelo Janot sobre o dito cujo.

A NOTÍCIA QUE A VEJA NÃO GOSTARIA DE TER DADO.

Acostumada a só dar notícia ruim sobre o país, verdadeira ou inventada, a revista Veja agora teve que engolir seu ranço e reproduzir em seu caderno de economia na edição on line uma ótima notícia sobre o Brasil, publicada no Estadão e reproduzida abaixo

Economia

Brasil retira 10 milhões da pobreza em uma década

Número de pessoas na classe E cai de 17 milhões para 7 milhões, apontam pesquisas

Pela primeira vez, a classe E, a base da pirâmide social, representa menos de 1% dos 49 milhões de domicílios existentes no país. Isso significa que o número de brasileiros em situação de pobreza extrema teve uma drástica redução nos últimos dez anos, conforme apontam duas pesquisas de consultorias que usaram metodologias distintas. Em números exatos: 404.900, ou 0,8% dos lares, são hoje de classe E, segundo os cálculos do estudo IPC-Maps, feito pela IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 1998, a classe E reunia 13% dos domicílios, indica o estudo baseado em dados do IBGE.
Marcos Pazzini, responsável pelo estudo, explica que os dados são atualizados segundo um modelo desenvolvido pela consultoria, que leva em conta a pesquisa do Ibope Mídia sobre a distribuição socioeconômica dos domicílios, projeções de crescimento da população e da economia, entre outros indicadores. Os lares são classificados segundo o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), que leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família.
O Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, vai na mesma direção. Em 2001, a classe E era 10% da população (17,3 milhões de pessoas) e, em 2011, tinha caído para 3,6% ou 7 milhões, segundo o estudo que divide a população pela renda mensal per capita - R$ 79 para a classe E. "Não dá para dizer que acabaram os pobres, mas diminuíram muito, e a condição social deles melhorou porque tiveram acesso a vários bens de consumo, o que antes era praticamente impossível", afirma Pazzini.
Segundo o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles, a tendência das pesquisas é a mesma: uma forte redução do contingente de pobres. "Em dez anos, foram 10 milhões de pessoas a menos na classe E", observa, ponderando que a divergência entre a ordem de grandeza dos resultados pode ser decorrente do fato de muitas pessoas da classe E não terem domicílio.
As participações das classes E e D na estrutura social encolheram por causa da forte migração que houve entre 1998 e 2011. A fatia dos domicílios de classe D caiu quase pela metade no período, de 33,6% para 15,1%. Já os estratos C e B cresceram. Em 1998, 17,8% dos domicílios eram da classe B e, em 2011, representavam 30,6%.

sábado, 21 de janeiro de 2012

POPULARIDADE DE DILMA: EFEITO COLATERAL DA CAMPANHA DO PARTIDO DA IMPRENSA

Sem o PIG não se elegeriam nem vereadores.


O jornalista Paulo Henrique Amorim costuma dizer que sem o PIG os principais caciques do PSDB de São Paulo não passariam de Resende. Depois da divulgação da aprovação de Dilma ao final do seu primeiro ano de mandato (veja aqui), pode-se se dizer mais: os principais "privatas" não se elegeriam nem para vereador dos seus respectivos municípios. Se não, vejamos. A oposição, no ano que passou, só teve as  bandeiras que o PIG levantou, acho que em reunião com ela mesma: primeiro,   a tentativa de jogar Dilma contra Lula, de diferenciar os seus governos e de dizer que Lula era leniente com a corrupção. Não conseguiram. Tanto o ex-presidente com a presidenta tiveram um comportamento exemplar e solidário. Dilma, não esquecendo de citar seu mentor e de associar as obras e as realizações de seu governo com o de Lula. Lula, por sua vez, usou o brilhantismo e a inteligência que lhes são característicos, embora os que o invejem não admitam,  e disparou esta pérola, que calou a todos: " Não há divergências entre mim e Dilma, mas, se houver,  ela é que está certa."

Quando a oposição estava começando a ficar sem discurso, começou a caça aos ministros. aproveitando-se da conduta de ministros que foram indicados  pelos respectivos partidos da base,  o PIG começou a campanha que ainda está em curso para derrubar auxiliares de Dilma. Alguns deles foram defenestrados por pura pressão pois não foram apresentadas, pelos menos até o momento, provas concretas contra estes acusados. Estão incluídos neste caso os Ex-ministros dos esportes Orlando Silva e do trabalho Carlos Lupi.

Verdadeiras as acusações ou não, a intensa campanha desenvolvida pelo PIG visava a, primeiro, dar discurso à  combalida oposição e, segundo, colar no governo e na presidenta a pecha de conivente com a corrupção e sem autoridade diante de ministros que praticavam o famoso "mal feito". Foi um tiro no pé: as rapídas e firmes atitudes de Dilma, após dar o tempo necessário para que os acusados se defendessem, tiveram o efeito contrário ao esperado pela imprensa e pela oposição:  a sociedade começou a ver na presidenta uma mulher capaz de resolver rapidamente e com autoridade um dos problemas que mais atormentam o cidadão comum: a corrupção.

Os partidos de oposição, que foram governo durante a era FHC estavam, há algumas semanas,  com um problema sério nas mãos: encontrar um modo de explicar aos seus eleitores, cada dia em menor número, mas que já leram o "Privataria Tucana",  a participação de alguns de seus caciques nos crimes mostrados por Amaury Ribeiro Junior além de acharem um modo de neutralizar a referência ao livro no guia eleitoral que se aproxima. Agora, com a divulgação da pesquisa na qual a presidenta supera o próprio Lula no seu primeiro ano de governo, para não falar nos presidentes que  o antecederam, os caciques, dependentes do PIG até a medula,  suspiram de desânimo  por saberem primeiro que serão desnudados diante da sociedade como corruptos e corruptores que são e depois por constatarem que  o povo, desde o governo de Luis Inácio Lula da Silva,  não se guia tanto e tão cegamente pela imprensa-partido como fazia no passado. 

the teacher. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

POR QUE TODOS TEMEM A GLOBO?


             Cid Moreira lendo direito de resposta. Brizola, este teve coragem.

Essa pergunta eu e muitos fazemos desde sempre. Por que ninguém,  nem parlamentar, nem governador, nem presidente, ninguém tem coragem de enfrentar o grupo Globo? Confesso que não sei a resposta, por mais que tente. Todos sabem que a rede Globo foi criada com capital estrangeiro, algo proibido pela Constituição brasileira à época. Todos sabem que a emissora e o jornal apoiaram e defenderam enquanto puderam a ditadura militar. Não é segredo para ninguém que o "Caçador de Marajá", Collor foi uma criação da mídia, Globo entre ela. A manipulação das pesquisas na eleição de Lula x Collor, a edição do debate naquela eleição, tudo isso é do conhecimento de todos, de toda a sociedade mas nenhuma autoridade constituída tem  coragem de tocar nesse assunto  publicamente. Por quê? nunca saberemos. A distorção das notícias durante os oito anos do governo Lula, a campanha escancarada durante o suposto mensalão, a omissão do mensalão tucano, os editoriais, a omissão em divulgar os bons resultados, o boicote ao país, o pessimismo premeditado e para culminar, ainda no governo Lula, a sórdida campanha em 2010, o absurdo da bolinha de papel, a falta de respeito à candidata do governo por parte de Bonner e Waack e nada. Nem uma voz para se erguer. No governo Dilma, a participação na campanha do contra: contra ministro, contra programas, contra Banco Central, contra investimentos, contra tudo. O silêncio criminoso sobre o "Privataria Tucana" e continua   o medo. Para coroar, o  alegado estupro (estou dizendo alegado por que algumas pessoas insinuam armação contra o suposto estuprador.) no BBB. Não está em questão quem é o culpado e a vítima nesse caso. A polícia tem que fazer o seu papel e descobrir. Mas a situação em si só se concretizou porque, como já foi dito por blogs, organizações feministas, instituições, houve, por parte da Rede Globo a elaboração de ambiente e contextos propícios: o incentivo ao  comportamento movido à álcool, misturado com o forte apelo sexual que há no programa  durante todas as suas edições e estava montado o "script"  para o que aconteceu.  Se já apareceu e estou sendo injusto retiro minhas palavras.  Mas,  um deputado, um senador, o ministro das comunicações, o da justiça, alguém já foi a alguma tribuna, a um blog a um jornal para se pronunciar? Temo que não. Até onde tenho informações, só um político brasileiro teve coragem de enfrentar as organizações Globo, inclusive, usando o nome, Globo, quando mostrava a verdade. Chamava-se Leonel Brizola. Brizola nunca chegou a presidência da república, que era seu sonho, mas ainda hoje é respeitado por todos aqueles que admiram a coragem e a honra em um homem público. Essa organização só deixará de ter o poder que tem neste país quando aparecer uma figura pública (homem ou mulher) com a mesma coragem de Brizola e mandar  para o Congresso Nacional uma lei de regulamentação da mídia que preserve a liberdade de expressão mas enquadre nos rigores da lei aquilo que for manipulação ou crime. Mas aqui nos deparamos com a pergunta que permeou todo este texto: quem tem coragem?


the teacher.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB: BARÃO DE ITARARÉ RESPONSIBILIZA GLOBO POR ESTUPRO






    O Centro de Estudos de Midia Alternativa Barao de Itararé, que reúne os blogueiros que o Cerra chama de “sujos”, acaba de divulgar veemente convocacao do Ministro da Comunicação à responsabilidade.

    O titulo é “Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB12″:

    Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.


    Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena “de amor”. O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.


    Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.


    Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de

    seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.

    Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.


    Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.


    Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:


    • Ocultar um fato que pode constituir crime;

    • Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;

    • Atrapalhar as investigações de um suposto crime;


    • Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.


    É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.


    Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.


    Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.


    Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma “naturalidade” dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.


    Brasil, 18 de janeiro de 2012


    •  FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação


    •  Rede Mulher e Mídia


    •  Articulação de Mulheres Brasileiras


    •  Campanha pela Ética na TV


    •  Ciranda


    •  Coletivo Feminino Plural


    •  Observatório da Mulher


    •  Associação Mulheres na Comunicação – Goiânia


    •  COMULHER Comunicação Mulher


    •  HUMANITAS – Diretos Humanos e Cidadania


    •  Marcha Mundial das Mulheres


    •  Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos


    •  SOF – Sempreviva Organização Feminista


    •  SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia


    Manifesto aberto a adesões de entidades e redes. Para aderir, escreva para imprensa@fndc.org.br


    Bernardo (2º E) promete Ley de Medios no Encontro Nacional dos Blogueiros (Abril 2011)

    Bernardo (2º E) promete Ley de Medios no Encontro Nacional dos Blogueiros (Abril 2011)

    TÍTULO ORIGINAL: 

    BBB: Barão de Itararé
    chama Bernardo às falas

    FONTE :  Conversa Afiada

    A SERPENTE, DESDE SEU OVO





    Outro dia, a Ministra Eliane Calmon disse, a propósito dos escândalos no Judiciário, que “todo mundo vê a serpente nascendo pela transparência do ovo,  mas ninguém acredita que uma serpente está nascendo”.
    Talvez seja a mais precisa definição para aqueilo que, há exatas 20 anos, pregava no deserto um cidadão que tinha a coragem, que vai faltando cada vez mais neste país, de enfrentar o monopólio avassalador (de vontades, inclusive) representado pela Rede Globo.
    Este indescritível episódio do “BBB”, no qual rasteja na lama a maior emissora de televisão brasileira, que repercute pelo mundo vergonhosamente e, pior, corroi-nos as estranhas a todos os que acreditamos no respeito e na dignidade  como essência relações humanas, é apenas um estágio – quais serão os próximos? – de uma jornada para a barbárie, infelizmente consentida por parte de nossa inteligência, por medo, cumplicidade ou simples covardia ante o poder.
    O ovo desta serpente, há exatos 20 anos, era transparente.  E houve quem lhe apontasse a natureza sibilante, peçonhenta, deformante, mortal para uma sociedade que pretende ser humana.
    Por isso, e com a inestimável ajuda do Ápio Gomes – guardião invencível dos textos publicados por Leonel Brizola – republico um de seus textos sobre o  tema.

    O ovo da serpente

    A violência que todos vêem e poucos percebem



    Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo. Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
    O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
    E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
    Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
    Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
    A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.

    (Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil)

    Fonte:  Tijolaço

    terça-feira, 17 de janeiro de 2012

    PARA A GLOBO A CONSTITUIÇÃO É LETRA MORTA.

    Ninguém tem nada a ver com o que fazem pessoas maiores fazem em sua intimidade, de forma consentida, se isso não envolve violência.
    Niguém tem nada a ver com o direito de pessoas expressarem opinião ou criação artística, independente de se considerar de bom ou mau gosto.
    Outra coisa, bem diferente, é utilizar-se de concessões do poder público, como são os canais de televisão, sobretudo os abertos, para promover, induzir e explorar, com objetivo de lucro, atentados à dignidade da pessoa humana.
    Não cabe qualquer discussão de natureza moral sobre a índole e o comportamento dos participantes. Isso deve ser tratado na esfera penal e queira Deus que, 30 anos depois, já se tenha superado a visão que vimos, os mais velhos, acontecer em casos como o de Raul “Doca” Street, onde o comportamento da vítima e não o ato criminoso ocupava o centro das discussões.
    O que está em jogo, aqui, é o uso de um meio público dedifusão, cujo uso é regido pela Constituição:
    Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
    I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;(…)
    IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
    O que dois jovens, embriagados, possam ou não ter feito no “BBB” é infinitamente menos graves do que o fato de por razões empresariais, pessoas sóbrias e responsáveis pela administração de uma concessão pública fazem ali.
    Não adianta dizer que um participante foi expulso por transgredir o regulamento do programa. Pois se o programa consiste em explorar a curiosidade pública sobre comportamentos-limite, então a transgressão destes limites é um risco assumido deliberadamente.
    Assumido em razão de lucro pecuniário: só as cotas de patrocínio rendem à Globo mais de R$ 100 milhões. Com a exploração dos intervalos comerciais, pay-per-view, merchandising, este valor certamente se multiplica algumas vezes.
    Será que um concessionário de linhas de ônibus teria o direito de criar “atrações” deste tipo aos passageiros, para lucrar?
    Intependente da responsabilização daquele rapaz, que depende de prova, há algo evidente: a emissora assumiu o risco, ao promover a embriaguez, a exploração da sexualidade, o oferecimento de “quartos” para manifestação desta sexualidade, a atitude consciente de vulnerar seus participantes a atos não consentidos. É irrelevante a ausência de reação da jovem, ainda que não por embriaguez. Se a emissora provocou, por todos os meios e circunstâncias, a possibilidade de sexo não consentido, é dela a responsabilidade pelo que se passou, porque não adiante dizer que aquilo deveria parar “no limite da responsabilidade”.
    Todos os que estão envolvidos, por farta remuneração, neste episódio – a começar pelo abjeto biógrafo de Roberto Marinho, que empresta o nome do jornalismo à mais vil exploração do ser humano – não podem fugir de suas responsabilidades.
    Não basta que, num gesto de cinismo hipócrita, o sr. Pedro Bial venha dizer que o participante está eliminado por “infringir as regras do programa”. Se houve um delito, não é a Globo o tribunal que o julga. Não é uma transgressão contratual, é penal.
    Que, além da responsabilização de seu autor, clama pela responsabilização de quem, deliberadamente, produziu todas as cirncunstâncias e meios para isso.
    E que não venham a D. Judith Brito e a Abert falar em censura ou ataques à liberdade de expressão.
    E depois não se reclame de que as demais emissoras façam o mesmo.
    O cumprimento da Constituição é dever de todos os cidadãos e muito maior é o dever do Estado em zelar para que naquilo que é área pública concedida isso seja observado.
    Do contrário, revoquemos a Constituição, as leis, a ideia de direito da mulher sobre seu corpo, das pessoas em geral quanto à sua intimidade e o conceito social de liberdade.
    A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.
    Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.
    Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.
    Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país..

    POSTADO POR FERNANDO BRITO

    domingo, 4 de dezembro de 2011

    DILMA: TEMPOS DIFERENTES, OLHARES DIFERENTES. A MESMA LUTA



    Quando a primeira foto foi tirada, o olhar de dignidade de Dilma Rousseff parecia indicar não apenas a coragem de enfrentar seus inquisidores, que covardemente escondiam o rosto, mas também a certeza de que  a  luta  por um país mais justo valeria a pena. Na segunda foto, embora continue a enfrentar os mesmos inimigos, o olhar - agora mais suave - ostenta a confirmação daquele sentimento: a luta para livrar o Brasil dos que trabalham diariamente contra ele e para levar o seu povo ao lugar que realmente merece, não só vale a pena, como continua... e continuará sempre.  

    By the teacher, com a colaboração do mestre DiAfonso do Terra Brasilis.

    sábado, 3 de dezembro de 2011

    Bonner, a próxima "vítima"


    O apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, revelou que tem um sonho: apresentar um programa automobilístico. A declaração foi dada após sua esposa, Fátima Bernardes, anunciar sua saída do 'JN', para se dedicar a um programa na mesma emissora, um projeto que foi sonhado há quatro anos Bonner apresenta o Jornal Nacional há 15 anos.


    "Eu penso nisso frequentemente. Adoraria apresentar um programa automobilístico. Gosto de carro, gosto de vinho, de corrida, mas, a despeito de tudo isso, tenho um gosto alucinado pelo o que eu faço no JN. É um prazer muito grande”, explicou.

    Bonner 'acalmou' o público. "Se depender de mim, como diria o Zagallo, vocês vão ter que me engolir" (será? grifo meu)Fátima comunicou sua saída do telejornal, que comandou por 14 anos, nesta quinta-feira (1), em coletiva de imprensa e, mais tarde, no Jornal Nacional. Segunda-feira (5) será o último dia dela na bancada, quando Patrícia Poeta, a nova apresentadora, ocupará seu lugar no telejornal a partir da próxima terça (6).

     Fonte:   DoLaDoDeLá

    quinta-feira, 10 de novembro de 2011

    Parece, veja bem. Parece que o PiG está dando um tiro no pé

             Ouvindo comentários de colegas no ambiente de trabalho agora pela manhã constatei um dado interessante: três colegas  que não votaram em Dilma e que têm posição política considerada, digamos assim, de direita,  estavam rasgando elogios à Presidenta na questão Luppi. Após a devida interferência para observar que está se praticando no Brasil aquilo que o jornalista Caco Barcelos chamou de "jornalismo declaratório" , aquele em  se acusa, primeiro, e sem provas e a pessoa tem que trabalhar muito para salvar sua reputação,  perguntei-lhes se ainda assim achavam que a Presidenta estava se portando bem. Todos concordaram que ela tinha realmente que tirar o ministro e que aquilo não eram modos de um ministro se comportar e se pronunciar em público e que, pasmem, que quem mandava era ela e que com Dilma não tinha espaço para o mal-feito. Concordei com eles mas ponderei que qualquer um pode sair mais é preciso que primeiro sejam apresentadas as provas contra o acusado, o que nem todos aceitaram. 

             É evidente que não vamos nos enganar aqui. O que está havendo é uma estratégia do  PIG de primeiro descontruir a imagem e assassinar a reputação de auxiliares direto de Dilma, usando como testemunha até bandidos condenados e depois forçar Dilma a demiti-los. O objetivo, a princípio  é passar,  a imagem de que o governo está mergulhado na corrupção e depois, dando tudo certo, usa-se a mesma estratégia com a própria Presidenta: monta-se  um escândalo, acusa-se sem provas, contrata-se testemunhas e arma-se o golpe. A população, devidamente escaldada com a série de ministros demitidos e as acusações de corrupçao, será facilmente envolvida na cruzada pela moralização do país. Pronto. está tudo dominado.

             Acontece, porém, que vendo a reação dos meus colegas à maneira,  a meu ver desastrada,  como o ministro se colocou perante a sociedade começo a achar, e isso é apenas um palpite, que o PIG talvez tenha dado um tiro no próprio pé. Explico: ao invés de achar que o governo está mergulhado na corrupção a população está entendendo de outro modo. Dilma, na opinião deles, deu um voto de confiança a estes colaboradores e uma vez que eles não correspondem à essa confiança ela tem usado muito bem a sua autoridade para removê-los de seus cargos. A única parte da estratégia dos golpista que estaria dando certo, se assim fosse, é a tentativa deles de atribuir ao governo Lula e ao próprio ex-presidente a culpa por ter nomeado todos esses ministros ainda em seu governo. Já a tentativa de mais tarde envolver a própria Presidenta, estaria, teoricamente saindo pela culatra. Mas não podemos diminuir a atenção de jeito nenhum. O PIG é o PIG. 

    The teacher.

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