domingo, 21 de novembro de 2010

O CARÁTER NA FORMAÇÃO DA IMAGEM JORNALÍSTICA

sábado, 20 de novembro de 2010


Autor da primeira matéria da Folha sobre a ficha de Dilma Rousseff na Justiça Militar, o repórter  Matheus Leitão (foto) poderia colher depoimentos em casa sobre a  tortura. Poderia entrevistar sua mãe Mirian Leitão, que falaria sobre as torturas que sofreu na prisão, de como quase deu à luz seu primeiro filho na cadeia.
Seria uma maneira de humanizar o relato e de convencer Otávio Frias Filho de que se o jornalismo é o exercício do caráter - como dizia Cláudio Abramo - jamais um jornal poderá moldar o seu caráter em cima da exploração abjeta de temas fundamentais, como a tortura.
Por mais que existam divergências políticas, há limites civizilatórios que não podem ser ultrapassados. Sob pena do caráter do jornal ficar indelevelmente marcado pela chaga da vilania.

Postado originalmente no portal Luis Nassif, e posteriormente copiado do Terra Brasilis

terça-feira, 16 de novembro de 2010

LUIZ CARLOS PRATES MOSTRA À PROFESSORA JANAÍNA O QUE LULA CHAMA DE "ELITE".

Em debate com colegas de trabalho um outro dia, um deles afirmou que Lula falava muito em "elite" mas  no PT também havia elite. Perguntei-lhe a que tipo de elite ele, meu amigo,  se referia e respondeu-me que no Partido dos Trabalhadores havia muitas pessoas que antes não eram e hoje são ricas. Argumentei com esse meu colega de trabalho que não era a este tipo de elite que  o presidente se referia e  ele alegou  que para ele não existia outro tipo. Dei um exemplo que acredito ser pertinente: no tempo da  escravidão havia proprietários de terra que tinham trabalhadores negros livres e que recebiam salários e outros que mesmo após a abolição insistiam em manter escravos. Este segundo tipo era, na minha opinião, um bom exemplo de elite. Ou seja, só porque nasceram ricos ou com alguns privilégios não admitem que outras pessoas conquistem, mesmo a custa de muito trabalho, o que eles conseguiram  muitas vezes sem  esforço nenhum.

Mas qual o motivo deste relato neste texto? Porque desde a semana passada aqui na blogosfera repercute  a polêmica causada pelo texto escrito na Folha pela advogada e professora associada de direito penal na USP, Janaina Conceição Paschoal. Nele,  a professora tenta amenizar as declarações racistas da estudante de direito Mayara, acusando  o governo federal e o presidente Lula de promoverem uma politica separatista. Leia um trecho do seu argumento  


"É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo."  
(trecho copiado de Escrevinhador)

Ao emitir sua opinião a professora intencionalmente  chama de elite apenas quem, na opinião dela "está contra o governo".  Aparentemente ela não vê "elite" como a parcela da população que não quer abrir mão de privilégios arraigados e principalmente não quer que aqueles que não fazem parte do seu seleto grupo, conquiste, repito, a custa de muito trabalho, os mesmos bens e facilidades que os membros desse grupo possuem.
  
Eis que hoje, para mostrar à professora Janaína o que o presidente Lula chama de elite e ela finge não saber, surge na blogosfera um  vídeo que é uma pérola do pensamento e das ações elitistas: O comentaristas da RBS/Globo de Santa Catarina Luiz Carlos Prates a vociferar contra os "miseráveis" que ousaram comprar carros, incentivados por este "governo espúrio que dá credito fácil para quem nunca leu um livro comprar carro".  

Aí está, professora. Era a este tipo de brasileiro que o presidente Luis Inácio se referia quando mencionou muitas vezes a palavra "elite".  Lula o conhece de perto porque teve que negociar com ele muitas vezes quando era sindicalista e mesmo quando chegou ao maior cargo da nação, deve ter sentido na pele o ódio que essa gente sente. 

E, ao contrário do que a senhora pensa, professora, do alto de sua inteligência o Presidente Lula sabe que a senhora, o senhor Prates e quem pensa como vocês podem até ser  muitos, mas nem todos são ricos e muito menos são a metade da população brasileira. Ao contrário, vocês são a  minoria derrotada. 

by the teacher (um dos miséraveis que comprou um carro zero graças ao financiamento do governo espúrio deste apedeuta dos infernos.)

abaixo,  vídeo onde Prates, para deleite da professora Janaína e de seus coleguinhas, vomita a sua fúria.


O MEU BRASIL É COM "S"



No texto abaixo, José Socrates, Primeiro Ministro de Portugal,  diz o que a imprensa brasileira e muitos brasileiros nem dizem nem reconhecem sobre o melhor presidente do Brasil.


 
Lula era o homem certo; sem complexos ou desfalecimentos
      o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro
                                                       com o seu povo

Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os "anos Lula" mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente, mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente globalmente.
Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia inaugural da Presidência de Lula.
Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica; realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.
Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.
Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.
Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a "intelligentzia" recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É essa a "alquimia" Lula.
Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que alargou e consolidou a classe média brasileira.
Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo. Se falhasse, não falharia apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um continente.
Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. "Potência emergente", como é habitual dizer, assume-se -e vai se assumir cada vez mais- como um dos grandes países que marcam o mundo contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é necessário para isso.
Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.
Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos: econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico. 
O Brasil dos entreguistas é com "Z"
A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras. Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o tornaram o presidente que foi.
Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração. Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.
Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o Brasil.
Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a nossa gratidão. Mais do que nunca, "o meu Brasil é com "S'". "S" de Silva.
Lula da Silva. Saravá!

*Texto de JOSÉ SÓCRATES (primeiro-ministro de Portugal).






segunda-feira, 15 de novembro de 2010

COMO DIRIA PHA: QUE HORROR!!

chilenos,  as classes C e D estão degustando.  Deveria ser proibido!

Estava eu assistindo ao  Jornal da Record nesta segunda à noite quando eles entram com uma reportagem a respeito dos efeitos do dólar baixo para as lojas de importados. Papo vai, papo vem, o reporter mostra que pessoas que sempre compravam importados voltaram a comprar e quem nunca comprou agora está comprando. Falaram do bacalhau, dos vinhos chilenos, tâmaras, produtos do oriente, aqueles babados. De repente o dono da loja saiu-se com essa pérola. As palavras podem não está iguais, mas o sentido foi este: "E agora está bem melhor porque as classes C e D também estão comprando. Antes só que comprava era a classe A!" Eu não acreditei no que estava ouvindo. Como diz o PHA:  " Que horror!!"

By the teacher

sábado, 13 de novembro de 2010

PARTIDOS DE ALUGUEL OU DE BORDEL?

sábado, 13 de novembro de 2010


Fiquei preguiçoso com a idade: quando encontro um artigo de colega que diz tudo o que há para se dizer a respeito de algum assunto, tenho optado por simplesmente o reproduzir, ao invés de quebrar a cabeça para escrever a mesma coisa de outra forma.

É o caso de Aluguel de partidos, do colunista Fernando de Barros e Silva, um dos poucos profissionais que se mantêm verdadeiros jornalistas na Folha de S. Paulo.

Eis os principais trechos: 
"... (designamos com) a expressão 'partido de aluguel' (...) certas legendas nanicas. Mas como chamar um partido que apoia o governo Lula (ou Dilma) na esfera federal e ao mesmo  tempo dá seu apoio ao governo Serra (ou Alckmin) em São Paulo? Partido anfíbio? Partido oportunista? Partido Macunaíma? Partido ao meio?

Não estou me referindo apenas ao PMDB, verdadeiro partido de artistas, capaz de abocanhar a vice-presidência do governo Dilma, segurar com uma mão no governo Alckmin e com a outra fazer acenos para atrair Gilberto Kassab do DEM.

Pense no PSB, no PDT e no PV, três partidos que têm alguma pretensão de ser levados a sério ou possuir identidade programática. Na prática, pertencem à base do governo petista na esfera federal e à base do governo tucano em SP.

É curioso o caso do PSB. O partido cresceu, elegeu ou reelegeu seis governadores (...). Mas o PSB, em São Paulo, serviu de barriga de aluguel para a candidatura quixotesca de Paulo Skaf, o empresário que liderou o 'Xô, CPMF!', que os governadores do partido agora querem de volta. Afinal, que apito toca o PSB?

...(em) São Paulo (...) os governos tucanos mandam e desmandam na Assembleia Legislativa usando os mesmos métodos de aliciamento do governo federal.

...Alckmin agora está empenhado em promover um arrastão nas legendas que também parasitam Lula/Dilma (o PR, o PRB e o PP, além das citadas). Quase todos estão na política para isso mesmo: fazer negócios. E todos querem ser do único partido que de fato importa - o partido do poder
".
 A REFLEXÃO QUE SE IMPÕE

O quadro que ele pinta com cores vivas, tão repugnante quanto rigorosamente exato, enseja uma reflexão, que eu recomendo seja feita pela companheira presidente Dilma Rousseff.

Para simplesmente obter sustentação para governar, a utilização (e pagamento) dos préstimos dessa escória política e moral é suficiente.

Mas, para devolver ao povo a esperança de que o Brasil possa ser mudado -- e de que ele, povo, possa ser o agente dessa mudança --, não. Aí será preciso bem mais.

Em abril de 1989, fui dos primeiros a entrevistar o candidato a presidente Fernando Collor, para a Agência Estado. Surpreendentemente, ele se alçara ao 2º lugar das pesquisas de intenção de voto, mas o meio jornalístico ainda o avaliava como mero fogo de palha.

Eu pressenti que ele poderia vencer. E, como Collor se apresentava como alternativa (caçador de marajás) à politicalha imunda, perguntei-lhe como faria para governar, tendo o Legislativo majoritariamente contra.

Respondeu que, com a autoridade de primeiro presidente eleito pelo povo em quase três décadas, ele convocaria as massas para pressionar o Congresso Nacional.

Palavras ao vento, claro -- afinal, ele próprio não passava de criatura do sistema que dizia combater. A única diferença era provir da periferia desse sistema, e não do seu centro.

Mas, para quem quiser mesmo ser uma alternativa à putrefata  política oficial, talvez seja este o caminho das pedras.

Não, não estou falando nas célebres  ameaças à democracia, o espantalho que a direita tanto gosta de erguer quando ela própria conspira para golpear as instituições democráticas.

Mas, em barganhar menos, ceder menos -- e usar mais a autoridade moral e o apoio das massas.

Seria um começo. E, dizem, Dilma é suficientemente dotada de brios para assumir uma postura destas.

Enfim, espero que ela leia o ótimo artigo de Barros e Silva e reflita sobre se, depois de ter lutado tanto, vale a pena tornar-se apenas a rainha do pântano nele tão expressivamente retratado.
Postado por Celso Lungaretti no Náufrago da Utopia

ESSA GROBO DÁ AZAR,

                    imagem copiada do R7.com

Parece brincadeira, mas essa grobo, além de tudo dar azar. Assisti aos dois primeiro sets do jogo Brasil x Japão no carro chefe do PIG, na metade do segundo set lembrei-me que a Band estava transmitindo também. Pronto, mudei de canal e Brasil virou. Eita Pigzin mardito sô!

by the teacher.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O ENEM VALE. O GOLPE CAIU



A Dilma venceu o "terceiro turno" criado pelo PiG

Saiu no site do MEC:

TRF SUSPENDE DECISÃO DA JUSTIÇA FEDERAL DO CEARÁ E DÁ CONTINUIDADE AO EXAME

"O presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, acolheu recurso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação, e sustou, na manhã desta sexta-feira, 12, liminar que impedia o instituto de dar prosseguimento ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010. A interrupção do exame fora determinada pela juíza federal Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara do Ceará.


Gurgel de Faria atendeu o pedido formulado pelo Inep, responsável pelo Enem, na suspensão de antecipação de tutela nº 4208-CE. O magistrado ressaltou que a suspensão de um exame que envolve mais de três milhões de estudantes traria grandes transtornos aos organizadores e candidatos de todo o Brasil e que a alteração do cronograma do Enem repercutiria na realização dos vestibulares promovidos pelas instituições de educação superior que pretendem usar as notas do exame em seus processo seletivos. Portanto, havia risco de grave lesão à ordem administrativa.

O desembargador destacou, ainda, a possibilidade de um elevadíssimo prejuízo ao erário — aproximadamente R$ 180 milhões —, decorrente da contratação da logística necessária à realização de novo exame. Segundo ele, a decisão da juíza Karla Maia, baseada “em eventual irregularidade nas provas de menos de 0,05% dos candidatos, equivalente a dois mil estudantes”, prejudicaria todos os demais, o que afrontaria o princípio da proporcionalidade.

Assessoria de Comunicação Social, com informações da Assessoria de Imprensa do TRF da 5ª Região



FONTE: portal “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim (http://www.conversaafiada.com.br

Nota do Brasil's news:   Pense num ministro resistente! O pig já tenta há dois anos derrubar o ministro  da educação Fernando Haddad e mais uma vez não consegue. O governo e o presidente Lula tem dado apoio irrestrito a este servidor que demonstrou grande capacidade não só de gerenciamente frente ao ministério, como também na administração de crise, tanto  no ano passado como neste ano.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"E AGORA, ZEZINHO?" UMA ODE AO ZÉ BOLINHA. VALE A PENA!


Postagem copiada da página de comentário do Blog da Cidadania no post  "Quem disse que o Pig não serve para nada?" (O link leva até lá).  O autor está identificado como Lucas Santos. É um primor de criatividade






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E agora, Zezinho? 


A campanha acabou, 
a Globo perdeu, 
Bob Freire zarpou, 
Bob Jeff também, 
Malafaia chorou, 
e Merval se abateu. 


E agora, Zé? 
e agora, você? 
que faz dossiê, 
filhote de FHC, 
e que disse: "Até!…" 


Está sem aborto, 
está sem o Papa, 
casamento gay. 
Sobrou-te a Folha, 
e o Gilmar também. 
E agora, Zezinho? 


O Arruda partiu, 
o Índio ficou, 
Jabor é tristeza, 
e o pobre Vereza 
não psicografou. 
E agora, "Coiso"? 


Veja esgoto(u), 
o golpe ruiu, 
o Lula sorriu, 
Estadão encalhou, 
e agora, Zé? 


Você que é economista, 
você que é engenheiro, 
você que é competente, 
você que é preparado… 


Com O Globo na mão, 
quer derrubar Lula, 
a Soninha te ajuda, 
se o ENEM vazar. 
Quer Aécio de vice, 
bolinha te "espanca", 
quer vencer em Minas, 
Minas não é Sampa. 
Zezinho, e agora? 


Sozinho na França, 
por que não te calas? 
E, sem ter o PiG 
pra te coonestar, 
sem Paulo nem Preto, 
que fuja a galope 
do Amaury Júnior; 
Zezinho, pra onde?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SÓ PRA REFRESCAR A MEMÓRIA DOS TUCANOS E DE MARINA




P.S  Os dois estados em azul escuro , principalmente o Acre, são um presente de Marina Silva pra Chico Mendes.
                                
                                         Acre: 


          Serra e assassinos de Chico Mendes -  69, 68
          Dilma Rousseff                                   -  30,32
          Marina Silva                                       -  Neutra



Mapa,  fonte: Blog do Ale

MINO CARTA FAZ O MELHOR RESUMO JÁ ESCRITO SOBRE FHC

FHC e a ambição exagerada para um pássaro que não voa

publicada terça-feira, 09/11/2010 às 11:08 e atualizada terça-feira, 09/11/2010 às 11:08
Luis Inácio Lula da Silva jamais se prestaria a este papel!


O triste fim de FHC
por Mino Carta, na CartaCapital
Quem já leu um livro de Fernando Henrique Cardoso? É a pergunta que às vezes dirijo à plateia que, generosa além da conta, acompanha uma palestra minha. Que levante o braço quem leu. De quando em quando, alguém acena ao longe, por sobre e em meio a uma fuga de cabeças imóveis. Trata-se, obviamente, de uma pesquisa rudimentar. Tendo a crer, porém, que o príncipe dos sociólogos e ex-presidente não é tão lido quanto os jornalistas tucanos supõem.
É grande, isto sim, o número daqueles que lhe atribuem acertadamente a chamada “teoria da dependência”, objeto do ensaio escrito no Chile em parceria com o professor Enzo Falletto. Ali está uma crítica inexorável da burguesia nativa, incapaz, segundo a dupla de ensaístas, de agir por conta própria para tornar o Brasil um país contemporâneo do mundo.
Muitos anos após a publicação do livro, quando FHC ocupava a Presidência do País, eu me atrevi a perguntar aos meus botões se ele não estaria a provar a célebre teoria. Teria a oportunidade de demonstrar na prática seu teorema, pelo qual o Brasil é inescapavelmente destinado ao papel de dependente. Dos Estados Unidos, está claro. Ninguém como o presidente Fernando Henrique entendeu ser inevitável, ineludível, imperioso, cair nos braços do colega americano, no caso Bill Clinton.
Não me permito aventar a hipótese de que o nosso herói agiu em benefício próprio. Atendeu, legitimamente, isto sim, às suas convicções. A operação revela uma extraordinária habilidade política, a refletir seu incomum poder de sedução. A burguesia nativa encantou-se com aquele que recomendava o esquecimento de seu próprio passado, incapacitada, talvez, à comparação entre a teoria da dependência e a ação do presidente tucano, enquanto Bill escancarava os braços e oferecia o abrigo do ombro possante. Nem se fale do deleite da mídia: eis o presidente intelectual que o mundo nos inveja.

FHC é um encantador de serpentes. Plantou-se sobre o pedestal da estabilidade, obtida de início com a URV, enfim com o real, mérito indiscutível, premissa de progressos em espiral, que se renovam em uma espécie de estação de colheitas cada vez mais apressadas.
Trunfo notável, traído com a reeleição alcançada pela via da compra de votos para concretizar a emenda constitucional, e conduzida na campanha de 1998 à sombra da bandeira da estabilidade rasgada exatos 12 dias após a posse. Tanto em 94 quanto em 98, o obstinado Sapo Barbudo foi o adversário fadado à derrota, graças, inclusive, ao apoio maciço da mídia dos ainda influentes barões de longa vida e dos seus obedientes sabujos. Dá-se, inclusive, naquele 1998 vincado pela crise russa, um fenômeno peculiar: os patrões da mídia nativa passam a acreditar não somente nas promessas do seu candidato à reeleição, mas também nos seus colunistas que tão sofregamente o sustentam. Uma vez reeleito, FHC desvaloriza o real e deixa os senhores de tanga.

A Lula, vencedor em 2002, FHC entrega um país economicamente à deriva. O tucanato chegara ao poder oito anos antes com o propósito de ficar ali por duas décadas. Muita ambição, talvez, para um pássaro que não voa. Tenho uma lembrança pré-tucana que me vem à mente, remonta a 28 anos atrás. Acompanho André Franco Montoro na sua campanha à governança de São Paulo, na ocasião pela zona canavieira do estado. Chegamos a Rafard quando já caía a noite e a caçamba de um caminhão se dispôs a ser palanque nas bordas da cidadezinha.
Eu estava a bordo, do alto via aquela plateia de rostos iluminados obliquamente e ouvia a brisa ciciar em meio ao canavial que nos cercava. A sequência dos oradores previa também a fala de FHC e, ao cabo, aquela de Montoro. Quando o então suplente de senador tomou a palavra, Mário Covas veio sentar-se ao meu lado na amurada do convés. A cada período do discurso, olhava-me com cumplicidade e meneava a cabeça em desalento. Nunca esqueci aquele momento e quando o senador em lugar de Montoro, líder da cisão peemedebista criadora do tucanato, deixou-se encantar pelo convite de Fernando Collor e por sua própria, incomensurável vaidade, melhor entendi o comportamento de Covas na noite de Rafard.
Sua confiança no companheiro valia zero. E foi como se saísse da amurada e se chegasse ao orador garboso ao dizer com todas as letras, oito anos depois: “Se você for para o governo de Collor, eu saio do partido e trato de mandá-lo a pique”. FHC tirou o time de campo. Covas sabia ser persuasivo, e teve a ventura de não assistir ao desastre de 2002, a primeira derrota de José Serra.
Outro episódio para mim marcante tem 30 anos e alguns meses. Estamos a viver a última grande greve dos operários de São Bernardo e Diadema, comandada pelo presidente do sindicato, Luiz Inácio, melhor conhecido como Lula. Vou frequentemente ao estádio da Vila Euclydes para viver de perto aquela situação, e um dia Raymundo Faoro, o amigo que hoje me faz falta, liga e diz: “Quero ver também”. Veio a São Paulo e no aeroporto, quando fui buscá-lo, fomos interceptados por um emissário de FHC. O senador gostaria muito de se encontrar conosco a caminho do estádio. Faoro disse está bem.
Houve um café servido em xícaras de porcelana, e então o príncipe dos sociólogos iniciou a sua peroração a favor do nosso distanciamento daquela imponente manifestação dos grevistas. O segundo ato foi encenado no salão nobre do Paço Municipal de São Bernardo, precipitado pelo mesmo motivo. “Sou um jornalista – disse eu – esta conversa para mim é tempo perdido.” Faoro não disse nada. Levantamos e fomos ao palanque de Lula. Foi quando o autor de Os Donos do Poder e o líder sindical se conheceram. Refleti sobre as razões de FHC: por que pretendia impedir que Faoro fosse ter com Lula? Permito-me a seguinte conclusão: pelo jurista e historiador nutria turvos ciúmes intelectuais, pelo líder operário algo mais que a premonição de uma inevitável rivalidade. Tratava-se de um confronto já latente.
Como amiúde acontece com fanáticos da ambição, o instinto da rivalidade está sempre preparado para o bote. Qual seria, exatamente, a primeira corda da relação Fernando Henrique-José Serra? Digo, do ângulo daquele. De grande ami zade, é a resposta oficial. E nos bastidores das intimidades mais recônditas, até mesmo inconfessáveis? Não duvido que a amizade de FHC por Serjão Motta fosse autêntica, totalmente sincera. Pois Serjão era um ser amoitado por natureza, provavelmente o mais sábio do terceto. Não tinha o menor interesse em sair à luz do sol para se exibir. Com Serra, parece-me fácil imaginar que a amizade de FHC seja agulhada pela rivalidade. Latejante.
Eis dois modelos de ambição diferentes, de certa forma opostos, pelo menos sob certos aspectos. Por exemplo. Ambos são hábeis em trabalhar à sombra, em manobrar por baixo dos panos. FHC, contudo, sabe como manter intacto este fluxo subterrâneo. Serra, talvez por causa da origem calabresa, às vezes não se contém e mostra a cara. FHC faz questão de aparentar tolerância e bonomia, mesmo em relação a quem abomina, como convém ao político matreiro a explorar os sentimentos alheios ao montar o ardil que irá engolir quem confiou em excesso. Serra é, para o mal de seus desenhos, de cultivar ressentimentos e rancores. Ódios precipitados, quando não daninhos para ele mesmo.
Nesta rivalidade se esvai o PSDB. A ambição transbordante, evidente demais, afastou ambos de uma liderança sábia e até arguta como a de Ulysses Guimarães. Depois de ter assustado fatalmente Tancredo Neves, que os quis longe do governo destinado a sobrar para José Sarney. Cogitado para o Planejamento, Serra só teve espaço em São Paulo. FHC, que Tancredo definia como “o maior goela da política brasileira”, não foi além de um cargo inútil no Congresso.
Vanitas, vanitatum, diziam os latinos ao se referir à vaidade. Não é por acaso que o PSDB, nascido do inconformismo em relação à linha peemedebista que a tigrada tinha como muito branda, acaba por assumir, tardia e desastradamente, e empurrado pela presença de Lula, o papel da UDN velha de guerra. O enredo é impecável na moldura da deplorável trajetória da esquerda brasileira. É uma história escrita por um punhado de verdadeiros, digníssimos heróis, crentes alguns até as últimas consequências, e por uma armada de cidadãos inconsequentes, quando não oportunistas. Tal é a minoria branca, como diz Cláudio Lembo. Descrentes de tudo, muitos até sem se darem conta de sua descrença porque incapazes de perceber seus impulsos mais fundos.
Magistral a entrevista de FHC ao Financial Times publicada às vésperas do primeiro turno. Dizia ele que, em caso de vitória de Dilma Rousseff, o desenvolvimento do Brasil seria “mais lento”. Confrontado com aquele do governo Lula ou do seu? Se for com este, podemos vaticinar um futuro terrificante. No tempo de FHC, o índice anual de crescimento não passou de 2,5%. Em matéria de desfaçatez, a entrevista é digna do Guiness. “Eu fiz as reformas – afirma o rei da cocada preta –, Lula surfou na onda.” Então, por que é o presidente mais popular da história? Culpa do próprio PSDB, dos companheiros incompetentes, “entenderam errado”, permitiram “a mitificação de Lula”, o qual, embora nascido da classe trabalhadora “portou-se como se fizesse parte da velha elite conservadora”.

Quem serviu à velha elite conservadora, foi o presidente FHC, que confirmou o Brasil como quintal dos EUA e o atrelou ao neoliberalismo. O confronto entre os dois governos é inevitável, bem como entre a repercussão internacional de um e de outro. Ocorre-me imaginar como há de roer as entranhas do príncipe dos sociólogos constatar que o metalúrgico teve mundo afora, com sua política independente, o reconhecimento que lhe faltou, a despeito de sua política dependente.
E nas suas últimas falas, FHC age no seu melhor estilo, é o náufrago que exige lugar no bote salva-vidas em lugar de crianças, mulheres e velhos. São estes, aliás, os culpados pelo naufrágio, donde o privilégio lhe cabe. Quanto a José Serra, que afogue


Fonte:  Escrevinhador
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