sexta-feira, 8 de julho de 2011

CHANTAGEM DOS EUA (e do 'O Globo') POR FALSO APOIO AO BRASIL NA ONU


[OBS deste blog ‘democracia&politica’: 

O texto a seguir transcrito parece ter sido elaborado pela Embaixada dos EUA no Brasil. Ou já veio produzido e traduzido do Departamento de Estado daquele país. Foi divulgado no Brasil pelo seu tradicional e fiel porta-voz “O Globo”, como tendo sido produzido pelo jornal. Também foi transcrito pelo site pró-EUA/Israel “DefesaNet”. Aliás, além do 'O Globo', a nossa ‘grande’ [sic] imprensa em geral (TVs, 'Estadão', 'Folha', 'Valor', 'Veja', 'Época' etc), juntamente com os partidos PSDB, DEM, PPS, sempre atuam priorizando, acima dos brasileiros, os interesses dos EUA, de Israel e das grandes potências européias. Especialmente, dos seus grandes grupos econômicos e financeiros.O "texto do O Globo” é mal-disfarçada chantagem. Finge ser favorável ao Brasil integrar o Conselho de Segurança da ONU. Isso é somente uma isca. Contudo, sua abordagem dos “pontos de discórdia”, a serem antes removidos pelo Brasil, revela o mortal anzol escondido. É cartilha de como o Brasil deve agir na sua política externa para, talvez, receber eventual apoio norte-americano para a pretensão brasileira na ONU. Em palavras simples e claras, o texto embute, implícita ou explicitamente, exigências como: o Brasil ser favorável à invasão e ocupação da Palestina por Israel; ser contra a criação do Estado Palestino; ser contra o programa nuclear do Irã para fins pacíficos(e, obviamente, ignorar o programa nuclear e as bombas atômicas feitas por Israel); apoiar punições ao Irã por ‘violações de direitos humanos’; ser favorável claramente -não somente com abstenção- aos ataques dos EUA e da OTAN na Líbia por conta de ‘atrocidades’ de Kahdafi; ser favorável a isolar a Venezuela e Cuba, e a depor Chávez; conceder muitas benesses aos EUA se eles acabarem com a ilegalidade dos subsídios ao etanol deles e da taxação do nosso; pressionar a China pela valorização do iuan –sem tocar nos danos a outras economias causados pelos EUA com sua egoísta superprodução de dólarVejamos a farsa e chantagem do texto, que tenta, sem êxito, ser sutil nessas mensagens]:

“INFLUENTE RELATÓRIO RECOMENDA AOS EUA APROXIMAÇÃO E APOIO À CADEIRA PERMANENTE NO CS"
Por Fernando Eichenberg, do O Globo “As pretensões brasileiras de obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU foram o principal ponto de dissensão nos debates do aguardado relatório sobre o Brasil elaborado pelo ‘Council on Foreign Relations’ (CFR), um dos mais prestigiados e influentes centros de estudos americanos, com divulgação prevista para breve e ao qual O GLOBO teve acesso. O documento recomenda que o governo Barack Obama "apoie totalmente" o Brasil como um membro permanente do CS, e que incentive negociações com esse objetivo. "Um endosso formal para o Brasil contribuiria muito para superar a suspeita remanescente dentro do governo brasileiro de que o compromisso dos EUA com uma relação madura entre iguais é em grande parte retórica. (...) Há pouco a perder e muito a ganhar com o apoio americano oficial a um assento brasileiro permanente neste momento", diz o texto prévio do "Independent Task Force on Brazil" (Força-Tarefa Independente sobre o Brasil), dirigido por Julia Sweig, reputada especialista em América Latina do CFR.Num adendo, porém, nove dos cerca de 30 colaboradores do documento discordaram dos termos escolhidos e apresentaramnuances à forma do apoio americano. O grupo dissidente reconhece os méritos da demanda de Brasília, mas acredita que uma abordagem "mais gradual" seria mais eficaz em meio às complexidades diplomáticas no caso de um firme apoio americano. O grupo teme que um declarado endosso de Washington -como foi feito na visita de Obama à Índia, em relação as mesmas ambições de Nova Délhi- poderia ter repercussões adversas imediatas na América Latina e causar problemas para os EUA nas relações com aliados na região. Os dissidentes aprovam o tom 'aberto' e 'menos conclusivo' da declaração feita por Obama no Brasil, em março, e aconselham consultas prévias ao Congresso americano como a estratégia mais adequada para pavimentar com sucesso o caminho brasileiro na busca da vaga permanente.Entre os vários nomes que participaram das discussões para a costura do documento estão Riordan Roett (Johns Hopkins University), Nelson W. Cunningham (conselheiro no governo Bill Clinton), David Rothkopf (CFR), Joy Olson (Washington Office on Latin America), James Wolfensohn (ex-presidente do Banco Mundial), Louis Caldera (Center for American Progress), Shepard Forman (Center on International Cooperation), Samuel Bodman (ex-secretário de Energia) ou Eileen Claussen (PEW Center on Global Climate Change). A seguir, os principais “pontos de discórdia” [sic:]
ORIENTE MÉDIO   Outro ponto de discórdia foi a participação do Brasil em questões de segurança no Oriente Médio. O documento avalia que o envolvimento nas negociações de paz entre Israel e Palestina era coerente com a política externa ‘expansiva’ do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Especialmente à luz do episódio do Irã em 2010 (em que Brasília e Washington se confrontaram na forma de abordar o controle do programa nuclear iraniano), a Força-Tarefa considera que o envolvimento do Brasil, nas questões de segurança do Oriente Médio, pode enfraquecer as credenciais do país para negociar em outras questões de interesse internacional em que sua participação é não só mais lógica como mais necessária", diz o texto. A recomendação, no entanto, não foi unânime: "Consideramos que seria impróprio, tanto para um relatório como este, como para os EUA procurar ditar [de forma mais clara] como o Brasil deve conduzir seus interesses nacionais pelo mundo", escreveram vozes dissonantes.IRÃNa avaliação do grupo, embora pareça que a presidente Dilma Rousseff "tenha minimizado a importância da dimensão de segurança nas relações com o Irã", a iniciativa do Brasil em negociar com Teerã no ano passado não foi "meramente produto das personalidades que estavam à época no poder". "A experiência do Irã ilustra a necessidade de os dois países estabelecerem mecanismos para prevenir e mitigar mal-entendidos e visões conflitantes das questões de segurança internacional", diz o texto.
DIREITOS HUMANOSO relatório elogia o compromisso demonstrado por Dilma Rousseff na defesa dos direitos humanos e destaca os esforços feitos nos primeiros meses de governo nesse tema em relação à América Latina, ao Oriente Médio e ao Irã. "A posição de Dilma quanto a algumas questões de segurança do Oriente Médio -a condenação das atrocidades na Líbia e o voto para aprovar um relator especial de direitos humanos para o Irã- tem assinalado uma diferenciação da abordagem estritamente não intervencionista de Lula. Ainda assim, o Brasil se absteve de votar no Conselho de Segurança para autorizar a intervenção na Líbia". Para o grupo, o apoio formal do Brasil numa iminente votação na ONU sobre o Estado palestino também indicará até que ponto Dilma "vai diferenciar sua política externa daquela exercida por seu predecessor com respeito ao Oriente Médio".
ABSTENÇÃO DE VOTOSO documento aconselha os americanos a compreenderem que o padrão brasileiro de se abster em votações em importantes fóruns internacionais, como a ONU, não reflete necessariamente uma discordância com a proposta da resolução. "Os brasileiros empregam a abstenção para expressar sua frustração com o tratamento não sistemático das questões, levantando frequentemente a contradição, por exemplo, de a comunidade internacional censurar o Irã, mas não a Arábia Saudita". Ao mesmo tempo, alerta o texto, o Brasil não corre o risco de perder sua independência quando, vez ou outra, votar em conjunto com os EUA.
AMÉRICA LATINA O Brasil é elogiado pela defesa da democracia no continente, mas criticado por não se aliar aos EUA na promoção dos direitos humanos e democráticos em países como Venezuela, Cuba, Colômbia ou Nicarágua: "Por exemplo, embora não apoie os abusos de Poder Executivo e direitos humanos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o atual governo brasileiro não faz esforços visíveis para encorajá-lo a cessar essas atividades."
ETANOL O Congresso americano deve eliminar os subsídios para os produtores de etanol do país. O grupo recomenda que os EUA usem o fim da subvenção para negociar a redução de barreiras comerciais para produtos americanos no Brasil.
CÂMBIO Brasil e EUA devem expandir os canais de comunicação entre suas políticas comerciais e monetárias, especialmente em relação à China. O grupo sugere que os dois países "encontrem uma linguagem comum" para enfrentar os desafios apresentados pela China, a fim de convencê-la a permitir a valorização do iuan.BRASIL E 
EUA  O relatório defende uma relação promissora e de alto nível entre Brasília e Washington, e sugere que Obama organize um encontro interministerial entre os dois países, como promovido pelo presidente George W. Bush em 2003. Também recomenda diretores exclusivos para o Brasil no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e no Departamento de Estado, à parte do Cone Sul, como é hoje. ‘Os presidentes Obama e Rousseff estabeleceram a base para o progresso em muitas frentes. O momento de construir sobre essa fundação positiva é agora’.”

FONTE: texto provavelmente elaborado pelo governo nos EUA ou pela Embaixada dos EUA no Brasil e aqui divulgado pelo seu tradicional fiel porta-voz “O Globo”. Transcrito no site pró-EUA e Israel “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/1790/Endosso-de-peso-ao-Brasil-na-ONU) [imagem do Google, título e observação inicial entre colchetes adicionados por este blog].
Fonte:  Democracia & Política

DEPUTADO MINEIRO ATRIBUI PROTESTO DE PROFESSORES EM GREVE À INGESTÃO DE "ALGUMA SUBSTÂNCIA"


Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE MG)
Os trabalhadores em educação da rede estadual de Minas Gerais estão em greve desde o dia 08 de junho pelo cumprimento da Lei Federal 11.738/08 que estipulou o Piso Salarial Profissional Nacional já declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. No dia 29 de junho, a categoria participou da reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, visando pressionar o governo e sua base aliada. Nesta reunião seria realizada Audiência Pública para discutir a dívida do Estado de Minas com a União e a categoria queria discutir a dívida do Governo de Minas com a categoria e com uma educação de qualidade.
O deputado Zé Maia (PSDB) é o presidente da comissão e presidia a reunião. Após  várias provocações e ataques aos professores, desrespeitou ainda mais a categoria com a afirmação transcrita acima e que consta das notas taquigráficas da ALMG e, portanto, são oficiais, comprováveis. Para ele, a forma como servidores públicos protestavam naquela reunião só poderia se justificar pela ingestão de alguma “substância” que fosse “não natural do ser humano”.
Trata-se de uma acusação gravíssima, oficialmente registrada, de um deputado estadual dirigida à categoria como forma de desqualificação e desmoralização.
Entre um insulto e outro ele dizia que educadores e educadoras estavam “desequilibrados” e “despreparados”; que deveriam ser “trocados”, insinuando que isso seria uma condição para que houvesse negociação.
É lamentável que um deputado estadual se agarre a imunidade parlamentar e se ache no direito de usar o seu mandato para tal comportamento.
Ele deveria ficar mais atento ao que o seu partido tem feito com a educação mineira: em 2009 investiu 20,15% em educação enquanto a Constituição Federal determina o percentual mínimo de 25%, faltam 1 milhão e meio de vagas na educação básica, a privatização do ensino médio profissionalizante, pagamento de vencimento básico de R$369,00 a um professor mineiro. É esta a dívida do Governo de Minas desde Aécio Neves que o Deputado, com os insultos, tentou nos calar durante a Audiência Pública.
fonte:  Vi o Mundo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

WIKILEAKS: JARBAS E SUA PRAGA DE URUBU.

WikiLeaks: Jarbas Vasconcelos ‘previu’ que Lula não terminaria segundo mandato

Em conversa com diplomatas dos EUA em setembro de 2006, ex-governador do Pernambuco afirmou que reeleição lulista seria uma “tragédia”
O segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva seria tão ruim que o ex-presidente poderia não terminá-lo, disse o ex-governador de Pernambuco (1999-2006) Jarbas Vasconcelos a diplomatas dos EUA que o visitaram em Recife em 5 de setembro de 2006, cerca de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais que reelegeram Lula para mais quatro anos de governo. Para o atual senador pernambucano pelo PMDB, a reeleição do ex-presidente seria uma “tragédia”.
A conversa foi relatada em um telegrama da embaixada de Brasília dez dias depois. O documento, redigido pelo próprio embaixador estadunidense na época, Clifford Sobel, afirma que Vasconcelos “descreveu um cenário político desanimador”. Ele não especificou como o segundo mandato lulista terminaria de forma prematura, mas “pareceu sugerir que seria uma renúncia em virtude de uma implacável oposição”. Para o atual senador, Lula teria um páreo duro com o novo Congresso.
Segundo o telegrama, Jarbas Vasconcelos também fez comentários sobre o PMDB, corrupção no governo Lula e a disputa eleitoral para o Legislativo nacional. “Algumas das observações de Jarbas pareceu-nos razoáveis, exceto pela assombrosa e, mais que tudo, misteriosa, previsão de que Lula pode não terminar seu segundo mandato. Vindo de uma tão respeitada liderança política, a precisão de Jarbas é um alerta de que um impasse político pode revisitar o Brasil de uma forma ou de outra em uma segunda presidência de Lula”, diz o documento vazado, que destaca a surpresa com que as afirmações de Vasconcelos foram recebidas, uma vez que, quando governador, ele havia mantido boas relações com Lula.
Ainda de acordo com o telegrama, o ex-governador pernambucano “não tinha dúvida” de que o ex-presidente tinha conhecimento dos escândalos que ficaram conhecidos como “mensalão”, pois configuravam “nepotismo desenfreado”. Ele próprio teria ficado sabendo do que ocorria “a nível federal” em 2003, e posteriormente teria alertado seus comandados a não deixarem acontecer o mesmo em Pernambuco. Segundo Vasconcelos, a já provável vitória de Lula na época se explicava porque a maioria dos eleitores não se importava o suficiente com a corrupção para rejeitar o petista nas urnas, “apesar de ataques implacáveis da mídia contra ele”.
Segundo o telegrama, o atual senador valeu-se de tais ataques para comparar Lula com João Goulart, presidente deposto pelo golpe de 1964. Enquanto o primeiro teria sobrevivido a eles e estava liderando a corrida presidencial, Goulart teria sucumbido devido a dois editoriais do Estado de S. Paulo, embora tivesse, ao mesmo tempo, minado “dois pilares fundamentais para o apoio militar: disciplina e hierarquia”, o que teria sido decisivo para sua queda, de acordo com o político.
“Embora a maior parte do PMDB permaneça do lado de Lula, Jarbas não modera sua postura anti-Lula”, continuava o documento, ponderando que, segundo o próprio interlocutor pernambucano, ele nem sempre foi antilulista: em 2003, teria recomendado ao PMDB cooperar com o ex-presidente, mas o partido se recusou.
Jarbas teria afirmado que tal recusa foi uma “forte evidência” de que seu partido agia apenas em interesse próprio. O PMDB, de acordo com o político, era “podre” e um “saco de gatos ideológico”. “Mesmo assim, ele disse que não entrou em outro partido porque ele não tem um ‘perfil’ PSDB e não se sente próximo o suficiente de nenhum outro partido”, acrescentava o telegrama.
Igor Ojeda, especial para a Pública

Nota do Brasil News:  Esse Jarbas envergonha os pernambucanos. Foi por isso que ele levou uma "pisa" de mais de dois milhões de voto do atual governador, que, por sua vez, paga os piores salários para professor do Brasil. Mas, voltando ao traíra Jarbas, a compra de votos no governo de FHC ele apoiou, a dilapidação do patrimônio público, com envio de bilhões para o exterior, ele apoiou e acha bonito, o desgoverno dos tucanos em São Paulo, ele acha bonito, tanto que se candidatou só pra dá palanque pra serra aqui. Os ataques do PIG a Lula e a tudo que acontece de bom para o país ele acha bonito. a genuflexão ao americanos ele também pratica. Por isso está no ostracismo no congresso, se beneficiando apenas do mandato e mau abrindo a boca lá. É um derrotado. Vai dar palestras no exterior como Lula, satanás!!
The teacher.

terça-feira, 5 de julho de 2011

PROFESSORA AMANDA GURGEL RECUSA PRÊMIO DO PNBE


Natal, 02 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald's, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.
Saudações,

Professora Amanda Gurgel

(Fonte: Blog da Amanda)

         FONTE: Alternativa 

O NOSSO FUTURO E O CASACO DE 29 REAIS

Qual dessas fusões o BNDES financia?



por Luiz Carlos Azenha

Vivemos tempos interessantes. A acreditar no noticiário, falta dinheiro aos governos.
No entanto, o Rio de Janeiro é um canteiro de obras.
E os estádios sobem.
E o BNDES — sim, eu sei, a BNDESPar — ajuda o Abílio, o Eike e outros pobres milionários.
Não, não há dinheiro para investir nos grandes equalizadores: educação pública e gratuita para todos (com bons salários para os professores) e banda larga realmente larga e universal para todos.
Lá na Coreia do Sul eles deram um jeito. Tudo bem, já entendi, sei que o país, comparado ao Brasil, é pequeno e a densidade demográfica é grande. Custaria mais caro, aqui, fazer o backbone feito lá, através do qual o estado cripto-comunista espalhou as redes de fibra ótica.
Lá foi dinheiro público financiando a iniciativa privada: quem cuidou e cuida da “última milha” são as empresas de telefonia e internet. Mas, ao controlar a infraestrutura, além de garantir a própria soberania na idade da informação, fazendo as ferrovias do século 22, o estado sul coreano ganhou poder de barganha diante das empresas privadas. Ditou as regras com um porrete na mão: lá, segundo a OECD (Organização para a o Desenvolvimento e Cooperação Econômica) 100 mbps pelo equivalente a 60 reais mensais; aqui, 1mbps por 35 reais. Nossa vantagem é que temos a Anatel para garantir que o serviço será de fato prestado nas condições propagandeadas…
[Ao contrário do que vocês imaginam, não apoio a banda larga como ferramenta para combater o PIG. É para impulsionar os pequenos empreendedores e negócios. Para facilitar a produção e disseminação de conteúdo cultural regional. Como forma de aumentar a mobilidade urbana.  Para impulsionar a indústria nacional ligada às tecnologias de informação.Como descobriram os japoneses e os sul coreanos, ter uma banda larga realmente veloz e universal cria uma série de novos "problemas" e a solução para eles exige inventividade e criatividade. Starcraft vicia, mas também cria emprego!]
Aqui, só falta escalar o ministro para vender o combo da Telefonica. Não duvido que em breve surja alguma lei exigindo número de telefone fixo para tirar documento. Aí vai ser possível empurrar dois serviços ruins combinados nas classes C e D. Aliás, o que é do projeto que extinguiria a cobrança da “mensalidade” dos telefones?
Ao contrário do que imaginávamos, vivemos o aprofundamento do sistema pelo qual os lucros são privatizados e os prejuízos, socializados. Taí o resgate de Wall Street para não me deixar mentir. Depois, a Grécia. Agora, privatizaram o Paulo Bernardo.
Como repetiu um milhar de vezes um antigo leitor deste site, hoje sumido, as empresas-casca da telefonia terceirizaram tudo. Ficaram apenas com o financeiro. E remetem os lucros obtidos no Brasil para tapar buraco na matriz. Agora, diz um executivo do banco Santander, eles vão correr atrás da classe C e D no Brasil. Como alertou a Conceição Oliveira, corram!
Ou, como disseram os bancários no Pacaembu, na final da Libertadores:
O fato é que nós, assalariados, já não temos mais representação política.
Quantos governadores ou deputados você viu, recentemente, defendendo os professores grevistas em Minas GeraisOu em Santa Catarina?
E os bombeiros que se amotinaram no Rio de Janeiro? Quem é que se arrisca a dar a cara a tapa e dizer que apoia a PEC 300, que aumenta os salários dos policiais?
Vejam bem, caros amigos: os salários são inflacionários! Quem sugere é ministro de um governo do Partido dos Trabalhadores!
Notaram como a falta de dinheiro público é relativa?
Depois de toda a gastança e a gatunagem que precederá a Copa do Mundo no Brasil, lá pelos fins de 2013 ainda vão tentar nos convencer de que precisamos fazer “trabalho voluntário” no evento.
E, às vezes, o que parece uma vantagem imediata pode ter consequências terríveis a longo prazo.
Como não entendo de economia, deixo para vocês os comentários. Apenas conto o causo.
1985. Acabo de desembarcar em Nova York, para trabalhar como correspondente da Rede Manchete. Um dia sim, outro também, um dos jornais importantes publica reportagem sobre um “terrível” problema do Japão: o país é fechado às grandes redes varejistas dos Estados Unidos. Por conta disso, os jornalistas estadunidenses associam os japoneses ao atraso. Os mercadinhos são um horror, os preços são altos, a qualidade é péssima, etc.
Aquele soldado japonês que não sabe que a Segunda Guerra acabou fica no mato por culpa da péssima qualidade das lojinhas “pop e mom” do Japão…
Foi a primeira campanha do PIG internacional que vi de perto, ainda que sem entender direito, na época, o que estava acontecendo.
Mais para a frente, lá pela metade dos anos 90, percebi em retrospectiva o que tinha acontecido: foi quando, nas minhas andanças pelos Estados Unidos (modéstia à parte, em meus vinte anos por lá só não fui à Dakota do Norte) descobri a grande campanha que se organizava contra o Walmart, que existe até hoje e que rendeu até mesmo um documentário, Walmart: O alto custo dos preços baixos.
Só que, se a campanha para “abrir” o Japão tinha ocupado as manchetes da grande mídia americana, a campanha local contra o Walmart mereceu um silêncio ensurdecedor…
O argumento contra o Walmart é de que o conglomerado detona o comércio local e, portanto, compromete a sobrevivência das pequenas cidades. Há um toque saudosista e conservador na campanha, quando se diz que a rede detona “the real America”. Solapa a base fiscal. Substitui centenas de salários médios por dezenas de salários miseráveis. Faz isso contando com o gigantesco poder de barganha diante dos fornecedores e, acima de tudo, com a capacidade de importar imensas quantidades de produtos baratos da China. O Walmart compra cerca de 10% de tudo o que a China exporta para os Estados Unidos!
Ontem, depois de publicar um texto de um leitor manifestando preocupação com a concentração dos supermercados no Brasil, tive a sensação de déjà vu, quando um colega jornalista contou que tinha ido ao Walmart e comprado um casaco made in China por apenas 29 reais.
Ei-lo:
A pergunta que me assalta é: corremos o risco de ver, no Brasil, o mesmo fenômeno que testemunhei nos Estados Unidos?
É possível que o Brasil enfrente ao mesmo tempo dois fenômenos contemporâneos turbinados pelo crescimento da China, a saber: a desindustrialização e o “desvarejo”?
Qual é o risco de a gente, gastando os tubos na Disney – agora que o Disney On Ice no Brasil é bancado com dinheiro público –  descobrir, de repente, que só nos resta produzir alimentos para os porcos asiáticos?
Se eu comprar o casaco de 29 reais, é bom porque combato a inflação ou é ruim porque exporto um emprego para a China?
Fonte: Vi O Mundo
Comentário Brasil's News:  Ótima análise da conjuntura econômica e consistente questionamento sobre o fato que nunca há dinheiro para a educação e a saúde (PERNAMBUCO PAGA O PIOR SALÁRIOS PARA PROFESSOR DO BRASIL) no entanto a ajuda a quem já é bilionário permanece e a corrupção campeia. (the teacher)

BOM DIA, PROFESSORA, COMO VAI?

terça-feira, 5 de julho de 2011


Reflexões de uma Educadora
Fui alfabetizada numa escola na costa do Rio Cavernoso, divisa de Laranjeiras do Sul com Candói, então distrito do município de Guarapuava e hoje emancipado.
A nossa professora, dona Lorena tinha um quadro de giz e 30 alunos sendo de primeira a quarta serie.
A merendeira era um dia ela e noutro também. Enquanto nós, alunos limpávamos a sala, todo mundo motivado, aprendíamos e ensinávamos, os maiores sempre acabavam nos ajudando em nossas tarefas. Foi aí que comecei a gostar a e pensar em ser professora.
Cresci em tempos difíceis e me formei durante o regime autoritário, sendo que meus pais eram gente simples e viviam ora como arrendatários ora como meeiros de terras.
Nessa época, falar em greves, significava ser contra-ordem e “gentilmente” éramos convidados a passar uns tempos em uma cela e ser rotulado de baderneiros, ainda que fossemos os professores, muitas vezes, dos filhos de nossos algozes.
Era tempo de aflição e nesse tempo, a música era um dos instrumentos, uma das vozes a se levantar contra a arbitrariedade.
Basta ver em Geraldo Vandré, na letra de Aroeira, a similitude:
“Vim de longe, vou mais longe
Quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta
Pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar”
Hoje, a liberdade permite que uma professora, estando no cargo de Secretária de Educação, venha a público e diga que não negocia com grevistas...
Não conhece, por certo, a História escrita com sangue, suor e lágrimas, inclusive, de muitos professores para que houvesse a democracia e por isso, desconsidera o significado social de uma greve.
Deve ser lembrada que toda legislação trabalhista brasileira, considera a greve um direito do trabalhador consignado na Constituição.
O que uma professora ou professor vai ensinar para seus alunos em relação a luta por direitos?
Que exemplo estranho é esse?
Mas, talvez, aprendeu com um certo ex-presidente que pediu para esquecerem o que havia escrito, agora, nossa ilustre Secretária de Educação quer que esqueçamos o tempo em que defendeu bandeiras petistas e hoje, as rasga publicamente.
No som de Geraldo Vandré, todos a cantar:
“Noite e dia vêm de longe
Branco e preto a trabalhar
E o dono senhor de tudo
Sentado, mandando dar.
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar”
Dóceis. Humilhados. Resignados a uma condição inglória, um após outro, professores estão voltando a sala de aula. O que dirão a seus alunos? Que exemplo de coragem e ousadia? O que pensarão seus alunos a respeito de sua submissão?
Nas estrofes de Aroeira, uma esperança:
“Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar.
Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de arueira
No lombo de quem mandou dar”.
Amanhã, junto com a alegria do reencontro dos alunos, haverá no olhar cabisbaixo de cada professor, tristeza e dor. Como diz os versos de Geraldo Vandré, em Mato Grosso, na Educação, “É a volta do cipó de arueira. No lombo de quem mandou dar”. Bravos professores que não se curvaram, pois aquele que acostuma a beijar a mão que lhe açoita, não sabe o significado e tem medo da liberdade.
Hilda Suzana Veiga Settineri


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