segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"ENCHENDO A BOLA" DE TIRIRICA

PHA e Tiririca: Entrevista e post "enchendo a bola"

Um dos primeiros blogs que li quando comecei a "frequentar" a blogosfera foi o Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim. Fiquei impressionado logo nas primeiras leituras com a forma como ele criticava abertamente a Globo e a sua luta contra grandes nomes da política e do mundo financeiro como FHC, Serra e Daniel Dantas. A partir dali não parei mais e dali para outros blogs foi um pulo e estamos aqui agora. 

O motivo da pequena introdução acima é o post que li hoje no CAF: "Tiririca é o orgulho de São Paulo. E faz esquecer Maluf". Nele, o "ordinário blogueiro" ,como PHA  se intitula, "enche a bola" do palhaço Tiririca e começa dizendo que "Os paulistas deveriam se orgulhar do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva". Lá pelas tantas afirma que, como qualquer deputado que acaba de ser eleito e ainda não foi empossado,  tiririca ainda não sabe o que um deputado federal faz. Mais adiante, o jornalista compara a eleição de Tiririca à de Clodovil e lembra que este deixou como legado uma impecável lei para adoção de crianças. E finalmente conclui dizendo que "como Clodovil e Lula, tiririca é a prova de que a democracia brasileira funciona."

Como deixei claro no início deste post, sou admirador de Paulo Henrique Amorim. Agora, dizer que é normal um cidadão que se candidatou a deputado federal não saber o que vai fazer no congresso é, no mínimo, esperar que o seu leitor esteja "distraído". Um adolescente, no ensino médio, já deve saber o que faz um deputado federal! não ter experiência na função é outra coisa: lógico que quem nunca teve mandato não a tem. Mas saber o que faz um deputado é obrigação dele.  

Dizer que o povo de São Paulo foi sábio ao eleger o comediante com 1 milhão e "cacetada" de votos é brincar com a seriedade de uma eleição. O povo votou talvez para demonstrar o seu inconformismo com os políticos e com a política. Mas não há sabedoria nenhuma em votar em um candidato que diz que não sabe o  que se faz num cargo que está disputando. Não  há seriedade alguma em um candidato que diz: "Vote em Tiririca. Pior do está não fica":  Este tipo de raciocínio coloca a todos na vala comum e nós sabemos que as generalizações só beneficiam àqueles que vivem no erro, em qualquer que seja a instância da vida.  É completamente sem noção um postulante a um cargo público dizer que ao ser eleito vai ajudar aos mais pobres, a começar pela sua família. Mesmo que tenha sido jogada de marketing não se justifica, uma vez que usa o descrédito da classe política e o nepotismo para se conseguir votos. 

Uma vez eleito, que Tiririca assuma o mandato que o povo lhe deu democraticamente. Não se justifica, assim a perseguição do promotor contra ele. Não deve encontrar abrigo na sociedade excesso de agentes da justiça contra quem quer que seja, muito menos contra um cidadão, repito, eleito democraticamente. A discussão aqui é outra. Não consegui compreender os motivos do renomado jornalista ter escrito o seu post da maneira que escreveu. Também não sei, com certeza, o que o eleitor de São Paulo quis dizer com o seu voto. Não tenho nada contra o comediante que ganha o seu pão honestamente trabalhando em uma das grandes emissoras do país.  Mas, na minha opinião, em termos de consciência política e sem generalizar,  com a eleição de Tiririca o que está ruim pode  ficar pior sim. 

By the teacher. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BBB-11 E O FRACASSO DA ÉTICA


o animador do circo.
Reproduzo artigo de Washington Araújo, publicado no Observatório da Imprensa:

Mais algumas semanas e a TV Globo estará colocando no ar seu programa de maior audiência no verão brasileiro: Big Brother Brasil 11. Sucesso de público, sucesso de marketing, sucesso financeiro, sempre na casa dos milhões de reais. Fracasso ético, fracasso de cidadania, fracasso de respeito aos direitos humanos fundamentais.

A data já foi confirmada: 11 de janeiro, uma terça-feira. O prêmio será de R$ 1,5 milhão para o vencedor. O segundo e terceiro lugares levam, respectivamente, R$ 150 mil e R$ 50 mil. As inscrições para a próxima edição do BBB já estão encerradas. Ao todo, nas dez edições, foram 140 participantes. E já foram entregues mais de R$ 8,5 milhões em prêmios. Balanço raquítico, tanto numérico quanto financeiro para seus participantes, para um programa que se especializou em degradar a condição humana.

Aos 11 anos de existência, roubando sempre 25% do ano (janeiro a março) e agora entrando na puberdade como se humano fosse, o BBB começa anunciando que passará por mudanças na edição 2011. Se você pensou que as mudanças seriam para melhorar o que não tem como ser melhorado se enganou redondamente. O formato será sempre o mesmo, consagrado pelo público e pelos anunciantes: invasão de privacidade com a venda de corpos quase sempre sarados, bronzeados e bem torneados e com a exposição de mentes vazias a abrigar ideias que trafegam entre a futilidade e a galeria de preconceitos contra negros, pobres, analfabetos funcionais.

Após dez anos seguidos, sabemos que a receita do reality show inclui em sua base de sustentação as antivirtudes da mentira, da deslealdade, dos conluios e... da cafajestagem. Aos poucos, todos irão se despir de sua condição humana tão logo um deles diga que "isto aqui é um jogo". Outros ensaiarão frases pretensamente fincadas na moral: "Mas nem tudo vou fazer para ganhar esse jogo."

Como miquinhos amestrados, os participantes estarão ali para serem desrespeitados, não poucas vezes humilhados e muitas vezes objeto de escárnio e lições filosóficas extraídas de diferentes placas de caminhões e compartilhadas quase diariamente pelo jornalista Pedro Bial, ao que parece, senhor absoluto do reality show. Não faltarão "provas" grotescas, como colocar uma participante para botar ovo a cada trinta minutos; outra para latir ou miar a cada hora cheia; algum outro para passar 24 horas de sua vida fantasiado de bailarina ou para pular e coaxar como sapo sempre que for ativado determinado sinal acústico. O domador, que terá como chicote sua lábia de ocasião ou nalgumas vezes sua língua afiada, continuará sendo Pedro Bial que, a meu ver, representa um claro sinal de como as engrenagens que movem a televisão guardam estreita semelhança com aqueles velhos moedores de carne.

O último a sair da jaula

É inegável que Bial é talentoso. É inegável que passou parte de sua vida tendo páginas de livros ao alcance das mãos e dos olhos. É inegável também que parece inconsciente dos prejuízos éticos e morais que haverá de carregar vida afora. Isto porque a cada nova edição do reality mais se plasmam os nomes BBB e Pedro Bial. E será difícil ao ouvir um não lembrar imediatamente o outro. Porque lançamos aqui nosso nome, que poderá ter vida fugaz de cigarra ou ecoará pela eternidade. Imagino, daqui a uns 25 anos, em 2035, quando um descendente deste Pedro for reconhecido como bisneto daquele homem engraçado que fazia o Big Brother no Brasil. E os milhares de vídeos armazenados virtualmente no YouTube darão conta de ilustrar as gerações do porvir.

E, no entanto, essas quase duas dezenas de jovens estarão ali para ganhar fama instantânea, como se estivessem acondicionados naqueles pacotinhos de sopa da marca Miojo. Imagino cada um deles a envergar letreiro imaginário a nos dizer com a tristeza possível que "Coloco à venda meu corpo sem alma, meu coração quebrado e minha inteligência esgotada; vendo tudo isso muito barato porque vejo que há muita oferta no mercado". E teremos aquele interminável desfile de senso comum. Afinal, serão 90 dias de vida desperdiçada, ou melhor, de vida em que a principal atividade humana será jogar conversa fora. O que dá no mesmo. E não será o senso comum exatamente aquele conjunto de preconceitos adquiridos antes de completarmos 15 anos de vida?

Friederich Nietzsche (1844-1900) parecia ter o dom da premonição. É que o filósofo alemão se antecipava muito quando se tratava de projetar ideias sobre a condição humana. É dele esta percepção: "O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele". Isto porque Nietzsche foi poupado de atrações quase sérias e semi-circenses, como o BBB. No picadeiro, o macaco é aplaudido por sua imitação do humano: se equilibra e passeia de triciclo e de bicicleta, se veste de gente, com casaca e gravata, sabe usar vaso sanitário, descasca alimentos. No picadeiro do BBB, os seres humanos são aplaudidos por se mostrarem intolerantes uns com os outros, se vestem de papagaios, ladram, miam, coaxam, zumbem – e tudo como se animais fossem. Chegam a botar ovo em momento predeterminado. Se vestem de esponja e se encharcam de detergente a limpar pratos descomunais noite afora.

Em sua imitação de animal, o humano que se sobressai no BBB é aquele que consegue ficar engaiolado – digo, literalmente engaiolado – junto com outros bípedes não emplumados – por grande quantidade de horas. E sem poder satisfazer as necessidades humanas básicas, muitas vezes tendo que ficar em uma mesma posição, como seriemas destreinadas. E são os únicos animais que demonstram imensa felicidade em permanecer por mais tempo na gaiola. Não lhes jogam bananas nem pipocas, mas quem for o último a sair da jaula semi-humana ganha uma prenda. Pode ser um passeio de helicóptero, pode ser um carro, pode ser uma noite na Marquês de Sapucaí.

Heidegger reconheceria

O leitor atento deve ter percebido que em algum momento deste texto mencionei que o BBB 11 terá mudanças. Nem vou me dar ao trabalho de editar. Eis o que copiei do site G1:

"Boninho, diretor do BBB, falou em seu Twitter nesta quarta-feira, 24/11, sobre a nova edição do programa, a 11ª, que estreará em janeiro de 2011. E ele adianta que, desta vez, as coisas vão mudar. ‘Esse ano tudo vai ser diferente... Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser’, postou Boninho em seu microblog. Questionado sobre o que estaria liberado no confinamento que não estava em edições anteriores, ele respondeu: ‘Esse ano... liberado! Vai valer tudo, até porrada’. Boninho também comentou sobre as bebidas no reality show: ‘Acabou o ice no BBB... Vai ser power... chega de bebida de criança’, escreveu."

Não terá chegado a hora de o portentoso império Globo de comunicação negociar com o governo italiano a cessão do Coliseu romano para parte das locações, ao menos aquelas em que murros e safanões, sob efeito de álcool ou não, certamente ocorrerão? E como nada compreendo de Heidegger, só me resta dizer que ao longo de toda sua vida madura Heidegger esteve obcecado pela possibilidade de haver um sentido básico do verbo "ser" que estaria por trás de sua variedade de usos. E são recorrentes suas concepções quanto ao que existe, o estudo do que é, do que existe: a questão do Ser (i.e. uma Ontologia) dependente dos filósofos antes de Sócrates, da filosofia de Platão e de Aristóteles e dos Gnósticos.

Quem sabe tivesse assistido uma única noite do BBB – caso o formato da Endemol estivesse em cena antes de 1976 –, o filósofo, por muitos cultuado, não apenas teria uma confirmação segura de que não valia mesmo a pena publicar o segundo volume de sua obra principal, O Ser e o Tempo, como também haveria de reconhecer a inexistência de algo anterior ao ser. Mas, com certeza, se fartaria com a miríade de usos dados ao verbo "ser"

Fonte:  Blog do Miro

terça-feira, 30 de novembro de 2010

UFA, ATÉ QUE ENFIM UMA NOTICIA BOA! CENSO 2010: RECIFE É A CAPITAL DAS MULHERES.


Os dados consolidados do Censo 2010, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmaram o que muita gente já desconfiava. Recife é a cidade das mulheres. Em todo o País, nenhuma outra capital tem um percentual tão grande de população feminina. Elas representam 53,87% dos recifenses, o que significa que há 118.808 mulheres a mais que homens na cidade. São 1.536.934 pessoas no Recife, 827.871 mulheres e 709.063 homens. A população total em Pernambuco é de 8.796.032. E o Brasil atingiu a marca de 190.732.694 residentes. Mais dados do levantamento nacional serão divulgados até junho de 2013.

No ranking geral de municípios, Recife perde apenas para Santos, em São Paulo, no índice de mulheres. Subiu uma posição em relação ao Censo 2000, quando ficava atrás de Águas de São Pedro, também em São Paulo.

Mostrando tendência de crescimento da população feminina no Estado, Olinda, que não figurava sequer entre as dez cidades com maior percentual de mulheres em 2000, surgiu em quarto lugar este ano. O índice de população feminina atinge 53,76%. São 201.905 mulheres para 173.654 homens. Diferença de 28.251 pessoas.
 Comentário do Brasil's News:  Além disso não temos nenhum mala por aqui chamado prates. 

Fonte:   Terra Brasilis

domingo, 28 de novembro de 2010

GUERRA DO RIO: POLICIAIS CRIMINOSOS CONTRA INOCENTES CONTRAVENTORES

o políciais, pelos menos os honestos, não têm uma dessas

Duas postagens acendem uma polêmica na blogosfera neste  sábado. Uma, no Blog do Sakamoto, pergunta: "o Estado pode usar método de criminoso?", ao se referir à entrada da polícia na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. O post, publicado pelo blogueiro à tarde, já tem quase um bilhão (sic) de comentários. Em um outro post, este no Blog do Gilson Sampaio, o escritor carioca autor de Cidade de Deus, Paulo Lins, afirma que a polícia, ao entrar no Complexo do Alemão, promoverá ali uma chacina. Não vi comentários no Gilson, mas, com certeza, haverá. Nas duas postagens os respectivos autores dão como certa a morte dos traficantes e questionam se a polícia tem direito de matar, questionamento correto.  Em ambas,  há a preocupação com a morte gratuita de seres humanos, no que está certa, também, a dupla. 

Agora, vamos combinar aqui. Foram exibidas em todas as redes - o circo midiático - centenas de bandidos fugindo, muitos deles com fuzis nas mãos em direção ao morro. Uma Hilux, carregada de homens, partia em disparada em meio à fuga em massa. Em outra imagem um traficante se exibia, dançando, com um fuzil na mão. Os relatos de moradores, que concordam em falar com a voz disfarçada e com o rosto encoberto mostra o alívio da população da Vila Cruzeiro. E pra terminar, o porta voz da PM do Rio, hoje, nas principais redes, deu um ultimato para que aqueles bandidos (aqueles, da Hilux. Aquele,  que estava dançando) se entregassem numa rua determinada pela polícia, com suas armas sobre a cabeça. Se esses cidadãos não confiam na polícia, no Exercito, nem na Marinha eles podiam, a qualquer hora, solicitar a presença da imprensa - já fizeram isso quando foi interessante para eles - para registrar a rendição.  Até o último jornal da noite nenhum bandido armado tinha se rendido. 

Não se discute que esses homens, a maioria negros, como registra Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania, foram levados a esta vida pela perversa desigualdade social do Brasil e pela ausência do estado em garantir o mínimo de dignidade a estes brasileiros. É fato que para jovens que cresceram em meio a miséria extrema a possibilidade de de uma hora para outra terem os tênis mais caros, as melhores marcas de roupas e, principalmente, o respeito de sua própria comunidade é por demais tentador. 

Contudo, o número de moradores do Alemão que resolveram enveredar pelos caminhos do crime é infimo diante das várias centenas de milhares de pobres - tanto quanto eles - mas que decidiram por continuar numa vida sacrificada, mas honesta. E mais:  muitos desses jovens ao verem seus amigos mortos ou mesmo ao perceberem, por si sós,  que aquela vida só os levaria à destruição,  resolveram sair sem que ninguém lhes pedissem ou lhes desse ultimatos: Descobriram a tempo que há saida, embora difícil, para quem quer deixar o tráfico. 

Portanto, Companheiro Sakamoto, Companheiro Paulo Lins: Só aqueles que torcem pela barbárie gostam de ver seres humanos mortos. Principalmente, inocentes e crianças, vítimas de balas perdidas. Mas  se aquelas pessoas (aqueles, da Hilux. Aquele, que estava dançando)  não entregarem suas armas e, ao contrário,  partirem para o confronto com a polícia,  serão mortos. Não como resultado de uma chacina, mas como baixas de uma guerra na qual o Rio de Janeiro está envolvido há décadas. Não se sabe se com essas baixas a guerra estará vencida - temo que não - mas uma coisa se sabe: os homens do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e os da Polícia Militar são também  de origem humilde, assim  como aqueles a quem vão combater. A diferença é que eles,   eu ousaria dizer  a maioria, não têm  os tênis mais caros, não têm as  roupas de marcas, não têm  as caminhonetes Hilux nem suas mulheres moram em condomínios de luxo.

by the teacher. Nordestino, miserável, que comprou carro com financiamento, que nunca leu um livro... essas coisas.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

BAR RUIM E BLOG SUJO. PENSE EM DUAS COISAS PRA COMBINAR!

tambem não precisa ser assim. precisa?

 

 

òtimo texto encontrado no Blog do Prof. Nairo Bentes. Uma verdadeira homenagem aos bares ruins que tanto gostamos.

 

Adoramos ficar "amigos" do garçom...

Hoje eu fui no Alternativa  pros íntimos, Alterna  hoje o chamo de Destroços. É, Destroços do alterna. Do lado do IFPA. É, do CEFET. Eu ainda chamo assim, de Alterna, porque vem um sentimento de tristeza motivado por profunda saudade. É, o nome é nostalgia. Não que seja tristeza mesmo. Por que lá, só coisas engraçadas e diálogos proveitosos ocorreram. Talvez a tristeza mínima seja porque passou. Aí, ao chegar em casa, viajando de blog em blog na internet, encontrei um texto que, muito bem feito, me fez lembrar de alguns amigos. E de alguns bares. E é legal de ler pra todos nós... "meio intelectuais e meio de esquerda".
Não que os outros não mereçam mas, neste texto, lembrei específicamente de RibamarFelipe Rafaela.
Saudações, e até o próximo boteco!!! Um abraço!!
Nairo Bentes
Bar ruim é lindo, bicho.
Por Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo. Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo. Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz. Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?). - Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

POR QUE O "BRASIL'S NEWS" NÃO FOI CONVIDADO?!

o objeto da discórdia.

Desde ontem, após o encerramento da entrevista dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dez blogueiros ditos progressistas, ou sujos, como queiram,  algumas reações interessantes começam a aparecer.
 Um dos mais poderosos braços do PIG, o Globo, publica matéria hoje (quinta-feira), aqui, na qual tenta desqualificar tanto a entrevista quanto os entrevistadores e, principalmente, o entrevistado. Já a FSP, cobra informação a respeito de quando a entrevista foi solicitada. aqui.  Até aí tudo bem. A imprensa corporativa faria  tudo para "melar" uma entrevista que não foi iniciativa dela, para a qual não foi convidada e, principalmente, na qual foi alvo constante. Era normal e até esperado.

Agora, o que não é normal e não é esperado é a ciumeira que se estabeleceu dentro da própria blogosfera por causa da entrevista. Enquanto alguns blogs já ontem à noite mesmo vociferavam contra o que eles chamaram de injustiça, se perguntando por que não foram convidados aqui, outros hoje publicaram textos nos quais  afirmam que houve um conlúio e que a intenção principal dos blogueiros era turbinar a audiência de seus respectivos blogs, além claro de massagear seu ego e satisfazer sua vaidade pessoal. aqui  Um blogueiro "famoso", que convidado, não pôde estar presente, defendeu os que estavam no Planalto acusando    o "companheiro blogueiro"  que  reclamara  de ter a alma "pequena" . aqui

Não dá para entender essa picuínnha. Os blogs passaram uma eternidade para ter uma oportunidade desta. Lutaram, todos eles, dura e solidariamente,  para defender o governo, defender o presidente e, principalmente, defender o direito de ser uma alternativa à grande e velha mídia. E, agora que conseguem isso - a entrevista dada pelo presidente é antes de tudo o reconhecimento e talvez agradecimento a esta luta -  começam a trocar farpas e demostrar crises de ciúme explícito. É lamentável.

Evidentemente, muitos dos que ficaram de fora da entrevista tem audiência muito boa. Outros que também não foram convidados   não tem tantos acessos mas tem conteúdos riquissímos. (não vou dá exemplos para não ser injusto com nenhum). Todos, tantos os que não participaram da entrevista como os que estavam lá,  lutaram  bravamente na trincheira da verdadeira guerra que foi a eleição de Dilma. Não cabe a nenhum deles   reivindicar para si mais ou menos poder ou direito. Deveriam, isto sim, capitalizar este fato (a entrevista)  e considerá-lo como uma vitória inequívoca do fraco contra o forte, da verdade contra a mentira, dos fracos contra os poderosos.

Este ordinário blog, como diria PHA, por exemplo, foi criado em julho de 2010 e desde então tem sido incansável em defender o direito de informação e combater o PIG. (todas as postagens estão a disposição).  De forma tímida, é claro. Para poucas pessoas, talvez. Mas a intenção e o amor pela causa da verdade, que todos os blogs que se dizem progressistas defendem,  é a mesma. E como este blog há muitos milhares na blogosfera. Poderia eu perguntar, diante disso, e em nome dos pequenos blogs: Por que o "Brasil's news" não foi convidado?!  Com a palavra os "ofendidos" e os "famosos" de plantão.

by "the teacher":  Nordestino, miserável, que comprou carro com financiamento, que nunca leu um livro... essas coisas.

SERIAM OS TUCANOS DO RESTO DO PAÍS UM BANDO DE "JECAS"?

Seria este homem presidente  de partido?

"Post" aqui na blogosfera dá conta da guerra interna no ninho tucano. Os presidentes do PSDB de São Paulo José Henrique Reis Lobo e o de Minas, Nárcio Rodrigues trocaram farpas afiadíssimas nos últimos dias. O primeiro defendendo que FHC, José Serra, o candidato pela segunda vez derrotado à presidência da república,  e o Candidato a senador derrotado no Ceará, Tasso, "tenho jatinho por que posso" Jereissati não podem se aposentar. Já o segundo alega que a vez agora é de Minas e que São Paulo "vai ter que engoli-los" (sic). 

Agora, o que chama atenção nesta discussão é: e o resto do Brasil onde fica? A mesma política café com leite que já afundou metade do tucanato e vai afundar o resto. Enquanto dois presidentes de partido estaduais ficam se "esmurrando" pelas prioridades do partido em nível nacional, o presidente nacional, que na certa ficou sabendo da briga pelos jornais, limitou-se a dizer que este debate é precoce.  Será que os tucanos de São Paulo e Minas consideram Sergio Guerra, que é pernambucano,  um "Jeca"? Sei não, viu!...

A propósito, gostaria de saber o que têm a  dizer o  líderes tucanos no Nordeste sobre a opinião dos eleitores  do seu partido no sul do país a respeito dos nordestinos.


Em homenagem,  reproduzo primeira estrofe da letra de "Jeca Total" de Gilberto Gil:


"Jeca Total deve ser Jeca Tatu
Presente, passado
Representante da gente no senado
Em plena sessão
Defendendo um projeto
Que eleva o teto
Salarial no sertão"


By the teacher.  Nordestino, miserável, que comprou carro com financiamento, que nunca leu um livro... essas coisas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

BLOGUEIROS PROGRESSISTAS E INDEPENDENTES ENTREVISTAM LULA



VITÓRIA DA BLOGOLÂNDIA


Nunca antes na história deste país um presidente da República abriu espaço na agenda para jornalistas independentes, que se expressam pela internet. É o que vai acontecer amanhã, em Brasília. O presidente Lula será entrevistado por Miro, Altino Machado, Rodrigo Vianna, sr. Cloaca, Conceição Lemes (pelo Viomundo, do Azenha), Edu Guimarães, Leandro Fortes, Pierre Lucena (do Acerto de Contas), Rovai e Túlio Vianna. A entrevista está marcada para às 9h da manhã no Palácio do Planalto e terá transmissão ao vivo pelo Blog do Planalto e pelos que quiserem incorportar o sinal retransmitir simultaneamente pela rede. É uma oportunidade diferente, porque é possível que os colegas façam perguntas alternativas ao que já foi consagrado pela grande imprensa, como sendo o senso comum. Oportunidade para o presidente responder, por exemplo, porque não apontou o dedo para as verdadeiras feridas da nossa sociedade e por que foi tolerante demais com alguns "atores" da nossa história? Quem sabe seja uma oportunidade também, agora que as luzes se apagam, de falar sobre determinados fatos, sem se preocupar se serão ou não distorcidos e manipulados desta vez. É uma senhora oportunidade, para nós e para ele. E não poderíamos estar melhor representados nesta hora. Sucesso a todos!

Fonte:  DoLáDoDeLá

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

THE INDEPENDENT: PROPINA DE US $ 3 BI A ISRAEL É VERGONHOSA E FEDE


o da sua esquerda cada dia mais carniceiro, o da direita, a cada dia a decepção aumenta
                
Fisk: Obama, o conciliador “sórdido”
EUA-Israel: propina que fede a conciliação vergonhosa [1]
20/11/2010, Robert Fisk – The Independent, UK
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
“Conciliador é quem oferece carne de outro ao crocodilo, na esperança de ser devorado por último” (Winston Churchill)[2]
Em qualquer outro país, a propina que os EUA ofereceram a Israel, e a relutância de Israel para aceitá-la, mesmo que em troca de uma reles suspensão temporária do roubo de propriedade dos árabes, seriam considerados escandalosos. 3 bilhões de dólares em aviões bombardeiros, para ‘comprar’ uma suspensão temporária na colonização da Cisjordânia, e só por 90 dias? Não inclui Jerusalém Leste – portanto, adeus à última chance de capital palestina na cidade santa; – e, se Benjamin Netanyahu assim o desejar, logo depois poderá retomar furiosamente as construções em terra árabe. No mundo comum e são no qual cremos viver, só há um nome para o que Barack Obama ofereceu: ‘arreglo’, conciliação vergonhosa, expressão que nossos senhores e mestres sempre usam com desdém e repulsa.
Quem cede ante a injustiça que um povo comete contra outro é dito “conciliador” [2]. Quem espere a paz a qualquer preço, mesmo que ao preço de propina de 3 bilhões de dólares para o criminoso, é dito “conciliador”. Quem se acovarda ante o risco de defender a moralidade internacional contra a cobiça territorial de Israel é dito “conciliador”. Quando tantos de nós nos manifestamos contra invadir o Afeganistão, fomos execrados porque seríamos “conciliadores”. E também fomos execrados como “conciliadores”, quando nos opusemos à invasão do Iraque. Pois “conciliar” foi o que Obama tentou, nesse patético, inacreditável esforço, nessa súplica dirigida a Netanyahu, para que respeite a lei internacional só por 90 dias! Obama é conciliador, no sentido sórdido da palavra.
O fato de o Ocidente e as elites políticas e jornalísticas – e aí incluo o cada dia menos respeitável New York Times – aceitarem esse disparate como coisa normal, como se o disparate pudesse ser realmente apresentado como outro “passo” no “processo de paz”, para repor “nos trilhos” aquele delírio místico, é útil para avaliarmos a que ponto já avançou nossa loucura, em tudo que tenha a ver com o Oriente Médio.
É indício de o quanto os EUA (e, porque fracassamos na empreitada de condenar essa insanidade, também a Europa) deixaram agigantar-se por lá o medo que têm de Israel – e de o quanto Obama deixou que se agigantasse nele o medo que tem dos apoiadores de Israel no Congresso e no Senado.
3 bilhões de dólares por três meses é um bilhão por mês, para suspender temporariamente o roubo de terras palestinas. É meio bilhão de dólares por quinzena. 250 milhões por semana. 71.428.571 de dólares por dia, 2.976.190 por hora e 49.603 dólares por minuto. E, como se o pote de ouro não bastasse, Washington continuará a vetar toda e qualquer Resolução da ONU que critique Israel ou que admita a criação de algum estado palestino. Que bom negócio! Já teria valido a pena invadir qualquer país só para por a mão numa bolada dessas! Em seguida, encenava-se a retirada! Imaginem então receber a mesma bolada, só pelo cavalheiresco movimento de não construir novas colônias ilegais e só por 90 dias – com plena autorização para avançar simultaneamente as construções ilegais em Jerusalém!
A versão de Hillary Clinton para essa palhaçada seria engraçadíssima, não fosse trágica. Na pena afiada de Roger Cohen do NYT, LaClinton persuadiu-se de que a Palestina é “alcançável, inevitável e compatível com a segurança de Israel”. E quem teria persuadido Madame Hillary de tal coisa? Ora… Aconteceu numa viagem a “capital” Ramallah da pseudo-Palestina, ano passado. E ela viu as colônias exclusivas para judeus – “a brutalidade da coisa atingiu-a com violência” – mas ela achava que sua comitiva estivesse sendo escoltada por soldados israelenses “porque são tão profissionais”. E aí, ta-ta-ta-ti-ti-ti, acabou por descobrir que estava sob escolta de militares palestinos, “muito profissionais”. – Isso mudou completamente a visão de mundo de Madame!
Sem considerar o fato de que o exército israelense é ralé e que os palestinos são massa de miseráveis, esse incidente na “estrada de Ramallah” fez com que os apoiadores de Madame, nas palavras de Cohen, constatassem que já acontecera uma transição: “da psique de autopiedade e autoflagelação dos palestinos, sempre se apresentando como vítimas, para uma nova cultura pragmática de autoafirmação e de construção de instituições”. O ‘primeiro-ministro’ palestino Salam Fayyad, educado nos EUA e, portanto, gente confiável, “pôs o crescimento acima das lamentações, as estradas acima da agitação, e a segurança acima de tudo.”
Sob brutal ocupação por 43 anos, os palestinos roubados, reduzidos à miséria, com os primos da Cisjordânia que vivem sem casa há 62 anos, afinal pararam de lamentar-se e lamuriar-se e puseram-se repentinamente a cultuar a única coisa que realmente importa no mundo. Não é a justiça. Com certeza não, tampouco, é a democracia. Mas o único Deus que Madame espera que cristãos, judeus e muçulmanos cultuem: a segurança.
Agora, afinal, Israel está segura. Os palestinos uniram-se à humanidade em geral.
Com essa narrativa ginasiana, infantilizada, a mulher que, há 11 anos, dizia que Jerusalém seria “a eterna e indivisível capital de Israel” demonstra que o conflito Israel-Palestina atingiu o apogeu, o momento mais traiçoeiro e decisivo.
Se Netanyahu tiver algum juízo – falo de juízo sionista, expansionista – bastará esperar os 90 dias e passará pelos EUA de nariz erguido. Durante os três meses de “bom comportamento”, claro que os palestinos terão de segurar o rojão e manter-se sentados na cadeira das conversações “de paz” que decidirão as futuras fronteiras de Israel e “Palestina”. Mas, dado que Israel controla 62% da Cisjordânia, Fayyad e a turma dele ainda poderão disputar 10,9% da Palestina do Mandato.
E, ao preço de 827 dólares por segundo, melhor se forem rápidos. Serão. Deveríamos nos enforcar de vergonha. Mas ninguém se enforcará. Não se trata de gente. Tudo é falso. Não se trata de justiça. Só se trata de “segurança”. E de dinheiro. Muito, muito dinheiro. Adeus, Palestina.
Notas de Tradução
[1] No orig. appeasement. O dicionário Cambridge registra para appeasement: “conceder ou ceder a exigências do inimigo (nação, grupo, pessoa etc.) em esforço para conciliar, algumas vezes ao arrepio da justiça ou de outros princípios”.
[2] No orig. appeaser. A citação mais conhecida, em inglês, é frase atribuída a Churchill: “An appeaser is one who feeds a crocodile, hoping it will eat him last” [Conciliador é quem oferece carne de outro ao crocodilo, na esperança de ser devorado por último].

Link para ler o original em inglês aqui 

Fonte:  vi o mundo


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