sábado, 7 de janeiro de 2012

DEVOLVAM À MULHER O SEU CORPO



Ao longo da história, a mulher sempre foi tratada como objeto de prazer e, mais além, de idiossincrasias políticas, religiosas e morais. Sempre quiseram legislar não só sobre seu corpo, mas até sobre a sua alma. O que vestir, dizer ou pensar sempre foi objeto da vontade não só dos homens, mas da sociedade.
Homens e mulheres pensaram meios, conceitos e preconceitos para controlar do corpo à própria alma da mulher porque as civilizações ocidentais e orientais sempre viram o gênero feminino através da lenda bíblica do pecado original, lenda essa que a mulher protagoniza como a vilã responsável por não vivermos todos no paraíso celestial.
Por uma ótica puramente científica e racional, sem influência religiosa, torna-se ridícula a lei que determina o que uma mulher deve fazer com as próprias funções biológicas caso engravide. Todavia, lendas religiosas sem base científica mantêm seu corpo como propriedade pública.
A maioria dos adultos já conheceu uma mulher que esteve diante do dilema de uma gravidez que poderia aniquilar seu futuro, seus sonhos e possibilidades e que, assim, optou por interrompê-la. Quem viu a dor e o medo pelo qual passa aquela que optou pelo aborto deveria saber que chegar àquela decisão foi uma tortura.
Só as mulheres deveriam opinar sobre a legalização ou a proibição do aborto. Como dar a um homem o direito de decidir o que elas devem fazer consigo mesmas? Um homem passa por nove meses de desconfortos físicos que podem até ser fatais? Sente a dor, a ansiedade ou o medo que elas sentem ao dar à luz?  Se não sente, como pode opinar?
Como o que uma mulher faz, sente ou diz ainda não é considerado um direito inalienável em sociedades menos desenvolvidas como a nossa, como esta sociedade ainda discrimina o direito da mulher de decidir se deve ou não ter um filho, tal decisão jamais deve se tornar pública, caso ela não queira.
É sob tais premissas que este blog manifesta serena discordância da medida provisória do governo federal que permitirá tornar públicos os nomes de mulheres que fizerem aborto.  A sociedade brasileira não pode mais manter seqüestrado o corpo da mulher. E muito menos a sua alma, como quer a MP 557.

EDUARDO CAMPOS ENQUADRA A MÍDIA

O destino do PIG

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, protagonizou nesta sexta-feira, uma série de ações junto à mídia para pôr fim à recente “crise ministerial” envolvendo um ministro de seu partido. Ele deu entrevista à Folha e ligou para Merval Pereira, conseguindo enquadrar, ao menos por um dia, o principal colunista político do Globo.
A entrada de Campos compensa a timidez e um certo egoísmo da presidência da república, que mais uma vez não pareceu se preocupar com a fritura de um ministro. No primeiro dia após a eclosão do “escândalo”, tanto a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, como a presidente, surgiram na mídia, qual vingadoras da opinião pública, com informações de que fariam “uma intervenção” no ministério. No dia seguinte, Gleisi negou, mas o estrago já estava feito, e a negativa não vinha acompanhada de uma ação política maior para defender o ministro. É compreensível que a intenção do Planalto seja preservar Dilma Rousseff, a abelha-rainha da base aliada. Ministros podem ser substituídos. A presidente, não. Ministros não disputarão eleição em 2014. A presidente, sim.
Entretanto, é preciso evitar injustiças, combater a manipulação da notícia e, sobretudo, apostar no esclarecimento da população. As duas obras de barragem em Pernambuco, que consumiram os tais 90% do programa do ministério, são resultado de uma orientação política que passou pela Casa Civil e pela Presidência da República. Dilma inclusive participou do evento inaugural de uma delas. Ou seja, elas tem o carimbo da decisão soberana e popular de um governo democrátic e irão amenizar o sofrimento de milhões de nordestinos que vivem em áreas de risco em Pernambuco e Alagoas, trazendo benefícios econômicos e humanos, com reflexos em todo país.
O número mais vistoso que a mídia usa para acusar Fernando Bezerra é o uso de 90% da verba de um dos programas do ministério de Integração Nacional. Cito um trecho de um dos editoriais do Estadão de hoje:
Dos R$ 28,4 milhões liberados em 2011 pelo Ministério da Integração Nacional para obras de prevenção de desastres naturais em todo o País, o Estado de Pernambuco, terra natal do titular da pasta, Fernando Bezerra Coelho (PSB), ficou com R$ 25,5 milhões (89,7%). É o que apurou a ONG Contas Abertas com base em dados do Tesouro Nacional.
A origem do problema reside no fato de que o orçamento deste programa é ínfimo. R$ 28 milhões para prever desastres naturais em todo país? Seria injusto, porém, acusar o governo federal de estar investindo pouco nos estados. Só duas favelas cariocas (Alemão e Rocinha) receberam quase R$ 1 bilhão do governo federal num par de anos, para realizar de obras de infra-estrutura. O Rio recebeu ainda, do mesmo ministério de Integração Nacional, e no mesmo ano, R$ 300 milhões para obras de reconstrução, por conta das tragédias na região serrana. Quer dizer, a Integração dá R$ 25 milhões para Pernambuco e R$ 300 milhões para o Rio, e o primeiro é que é o privilegiado?
É óbvio que, diante de um volume tão pequeno de recursos, seria contraproducente dispersá-los por todo o território nacional.
O ministério poderia, se quisesse evitar esse tipo de acusação, não investir em estado nenhum, e usar o programa para construir um novo sistema nacional de gerenciamento e prevenção de desastres naturais. Seria talvez a melhor forma de aplicar essas verbas, e mais condizente com os objetivos conceituais do ministério, de integrar o país e aproximar as unidades da federação.
Por outro lado, não há “sistema de gerenciamento” que substitua uma obra de barragem, e não creio que investir em obras de prevenção numa das regiões mais pobres do país seja mau uso do dinheiro público.
Eu lembro que, estudando a grande reforma urbana que Pereira Passos fez no Rio de Janeiro na primeira década do século XX, fiquei pasmo ao ler que ela havia consumido quase a metade do orçamento federal no ano de 1905. E isso ao mesmo tempo em que o Nordeste continuava a experimentar tragédias humanas que ceifavam milhões de vidas, por conta da falta de investimentos em… prevenção de tragédias. E agora, a mesma imprensa carioca, que jamais denunciou o privilégio gozado pelo Rio no direcionamento das verbas federais, vem acusar Pernambuco por causa de duas obras de barragem no valor de R$ 25 milhões, que aliás não fazem nem cócegas nos bilhões que o Planalto, ainda hoje, tem investido no mesmo Rio de Janeiro?
O próprio governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tem dado apoio ao ministério de Integração Nacional, até porque não poderia, sem ser injusto, acusá-lo de não dar a devida atenção ao Rio.
Fonte:  O Cafezinho

Flagrantes preparados do Jornal Hoje levantam sérias questões éticas

Na edição do dia 04/01/2012 o Jornal Hoje da Rede Globo exibiu uma "reportagem investigativa" onde sob o pretexto de revelar "os riscos que os motoristas enfrentam", jornalistas armaram flagrantes preparados usando câmeras escondidas e exibiram as imagens dos manobristas que caíram nas armadilhas, sem ao menos proteger suas identidades, levantando sérias questões sobre a legitimidade e os limites éticos do jornalismo da maior emissora de televisão da América Latina.


A reportagem "Câmera do JH flagra manobristas vasculhando carros em São Paulo" apresentada por Evaristo Costa como "debate sobre os riscos que motoristas correm nas grandes cidades" e por Sandra Annenberg como "mostra do trabalho dos manobristas" são flagrantes preparados pelos jornalistas Walace Lara, William Santos, Robinson Cerântula, Carlos Rodrigues Junior, Juvenal Vieira e Patricia Marques, sob editoria de Teresa Garcia e Paulo Amaral. Devido aos métodos utilizados na reportagem, suponho que tenha sido aprovada pelos diretores de jornalismo da emissora Carlos Henrique Schroder e Ali Kamel.

Para preparar o flagrante os jornalistas colocaram deliberadamente no interior dos carros grandes valores em moedas e até doces como "tentação" (palavra usada na reportagem) para provocar e induzir os manobristas a um comportamento delituoso. Criaram um cenário artificial tentador que não corresponde à expectativa de um veículo comum que utiliza os serviços de estacionamento nas grandes cidades, um cenário de causar tanto estranhamento que durante a reportagem os manobristas flagrados exclamam: "essa eu nunca vi, não"; se espantam: "o carro aqui parece uma doceria"; e desconfiam: "tem câmera? tem ou não tem?".

O documento com os Princípios Editoriais das Organizações Globo diz o seguinte sobre o uso de câmeras escondidas, na seção II, ítem 2/J:
"O uso de microcâmeras e gravadores escondidos, visando à publicação de reportagens, é legítimo se este for o único método capaz de registrar condutas ilícitas, criminosas ou contrárias ao interesse público. Deve ser feito com parcimônia, e em casos de gravidade."
É flagrante que faltou "parcimônia" na escolha do método, visto que a informação sobre o risco de furto em estacionamentos poderia ter sido apresentada utilizando-se de outros métodos legítimos, porém, com certeza menos sensacionais. O delito flagrado pelas câmeras no cenário preparado pelos jornalistas - furtar moedas ou doces - não é um "caso de gravidade", um juiz de direito aplicaria o princípio da insignificância em todos os casos retratados pela reportagem. Ademais, se o flagrante foi preparado, não houve crime, houve um "delito putativo por obra de um agente provocador". O flagrante preparado ou flagrante provocado - o estímulo de uma pessoa a outra para que esta pratique o ato típico de uma infração penal, com o intuito, porém, de surpreendê-la no momento da execução - é ilegal segundo a súmula no.145 do STF. 
“não há crime quando o fato é preparado mediante provocação ou induzimento, direto ou por concurso, de autoridade, que o faz para fim de aprontar ou arranjar o flagrante (STF, RTJ, 98/136)."
O debate sobre câmeras escondidas, flagrantes preparados e ética jornalistica não é novo. Em 1997 nos EUA a rede de televisão ABC foi condenada a pagar mais de 5 milhões de dólares em danos por causa de uma reportagem do programa Primetime Live que supostamente revelava a presença de produtos estragados em uma corporação do ramo alimentício. A RTDNA (Radio Television Digital News Association) recomenda uma lista de seis critérios objetivos criados pela "Society of Professional Journalists" na análise da justificativa do uso de câmera escondida em uma reportagem. Para ser um ato justificável, é preciso preencher todos os seis requisitos expressos. A reportagem do Jornal Hoje não preenche nenhum.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros da Federação Nacional dos Jornalistas diz o seguinte:
Art. 6. É dever do jornalista:
VIII - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;  (...)
X - defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito; 
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:   (...)
II - de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III - obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração; 
Como não há crime na conduta dos manobristas retratados nos vídeos, e os jornalistas que prepararam o flagrante não podem ser considerados vítimas de subtração de coisa móvel, então as únicas vítimas acabam sendo os próprios manobristas. Vítimas de um golpe sensacionalista em busca de audiência, vítimas do que poderia ser considerado - em tese, pois não há lei de imprensa no Brasil - uma reportagem criminosa. No mínimo é uma conduta antiética pela visão do senso comum da sociedade e da comunidade profissional do jornalismo. E a identificação dos manobristas era uma informação irrelevante para o interesse público, poderia ter sido protegida pelos editores "pixelando" ou "esfumaçando" as faces dos envolvidos, mas os editores optaram por mostrar os rostos das vítimas de sua pegadinha séria com trilha de suspense.

Proteger o anonimato dos manobristas seria o respeito mínimo ao direito de imagem dos envolvidos, frente à natureza predatória dos métodos utilizados para colocá-los como objeto dos vídeos e pela  irrelevância de sua identificação na comunicação da narrativa. Pouparia dezenas de cidadãos - não só os manobristas, mas sua família, seus colegas e amigos - de sofrimentos desnecessários para contar a história. Porém, nem a imagem e nem a honra dos manobristas foi protegida, apenas as identidades corporativas das empresas onde os supostos furtos aconteceram. Não é por acaso. Corporações poderiam arrancar milhões da Globo em processos por danos morais, manobristas pobres - e provavelmente agora desempregados e envergonhados - terão muito mais dificuldade de acionar o judiciário e numa terra sem lei de imprensa, devem se contentar com as moedas e chocolates que subtraíram na fatídica pegadinha. Torço para que os manobristas brasileiros sejam organizados o suficiente para procurar a reparação dos prejudicados pela reportagem irresponsável, que mancha toda uma categoria profissional.

E cuide-se, leitor, pois a próxima vítima pode ser você ou alguém de sua família ou círculo social. Com a reportagem dos manobristas e o anúncio da série Câmera do JH, a Globo deixa claro que não respeitará a imagem de ninguém, e não abdicará de métodos questionáveis para flagrar pequenos delitos cotidianos em vídeo. Os jornalistas, que escondem seus rostos ao som de música de suspense preparando seus flagrantes,  para expor o rosto alheio em busca de um momento sensacional delituoso, parecem anunciar em tom de ameaça na página do projeto Câmera do JH: "A câmera do JH quer chegar bem pertinho de você" e "Fique ligado no Jornal Hoje, porque em 2012, o nosso foco está em você." Qualquer incauto pode ser o próximo vilão do Big Brother jornalístico da hora do almoço. E não estranhe se forem trabalhadores jovens e pobres  induzidos a cometer pequenos delitos à serviço do espetáculo trágico, são as mesmas vítimas de sempre. A câmera escondida continuará sendo um "aparato tecnológico usado como 'muleta', pequenos instrumentos com poderosos recursos, que se voltam para retratar, na maioria das vezes, delitos banais, conseqüências, quando deveriam revelar causas."

O Código de Ética dos Jornalistas não é cumprido no Brasil. Os princípios editoriais da Globo não são cumpridos pela Globo. Não foram cumpridos nem na mesma edição do Jornal Nacional em que foram anunciados com pompa, no caso da merendeira acusada de colocar veneno em comida de escola, quando a repercussão de um vídeo viral do Blog do Mello inspirado num artigo do Roteiro de Cinema obrigou William Bonner a admitir o erro e culpar uma "falha de edição" pelo deslize.  É sintomático que as vítimas dos deslizes éticos mais flagrantes da Globo sejam merendeiras e manobristas pobres. São a face mais desprotegida da sociedade.

Não há uma auto-regulamentação efetiva, nenhum ordenamento jurídico para proteger o indivíduo contra o abuso do imenso poder social dos veículos de comunicação. No legislativo está parado um projeto de lei do Senador Roberto Requião que regulamenta o direito de resposta e na gaveta do Ministro Paulo Bernardo adormece o projeto de marco regulatório das comunicações. É preciso urgentemente reabrir o debate sobre a regulamentação dos meios de comunicação de massa, sabotado pelas empresas de comunicação que gritam censura e sem nem cumprir suas próprias regras privadas tentam inibir qualquer discussão sobre regras públicas e balanceadas que visem preencher o vácuo jurídico deixado pela queda da velha e inconstitucional - segundo o STF - lei de imprensa. Uma legislação baseada na Constituição de 88, algo que proteja a liberdade de imprensa dos grandes conglomerados de mídia, as corporações privadas, mas que também nos proteja, meros cidadãos, dos abusos cometidos por elas. Alguém tem que vigiar o grande irmão que nos vigia. E vice-versa.

Fernando Marés de Souza

Algumas opiniões dos leitores que assistiram a matéria e compartilharam de minhas impressões na ocasião.

https://twitter.com/#!/DIVITTAOFFICIAL

https://twitter.com/#!/blogsessao

Anonymous não esquece e não perdoa:

Mensagem deixada por  um anônimo que hackeou a conta de Arnaldo Jabor em 2011.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

TIJOLAÇO: DUAS NOTÍCIA PARA MOSTRAR QUE O TERRORISMO DO PIG "FAIOU"

Como se disse aqui ontem, a catástrofe deu xabu.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado – a inflação oficial, IPCA – cravou 0,5% em dezembro, levando o acumulado no ano de 2011 para 6,5%.
Bem no limite do teto que, durante seis meses, a mídia “especializada” disse que ia estourar.
Aliás, eles sabiam que ia ficar dentro da meta, mas torciam por 0,01 ou 0,02% a mais, para “terem razão”.
Ridículo, como análise econômica: 6,5% ou 6,52%, do ponto de vista da economia é o mesmo.
Mas não era do ponto de vista da propaganda, que é o que muitas vezes fazem, em lugar de jornalismo.
Mas até isso deu xabu.
Qualquer um sabia, bastava olhar os índices, que a inflação estava em queda em relação ao último trimestre de 2010 e em relação ao primeiro semestre do ano.
Mas invocou-se a inflação explosiva lilhões de vezes para combater a ideia de que os juros deveriam baixar.
Eles sabem que não é o tomate e o acém no lugar dos juros do Federal Reserve ou da Libor inglesa que se determina a rentabilidade do capital financeiro.
Mas sabem que o terror midiático gera indecisão, paralisia e tibieza nos governantes.
É assim que funciona o terrorismo, não é?



A catástrofe deu xabu

Da pesquisa sobre a expectativa das famílias brasileiras, divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada:
“As famílias brasileiras chegaram ao fim de 2011 mais otimistas sobre a situação socioeconômica do país. O Índice de Expectativas das Famílias de dezembro, calculado pelo Ipea, subiu para 67,2 pontos em dezembro de 2011. No mesmo mês de 2010, ele havia fechado em 64,6 pontos. Já em novembro de 2011, o IEF havia ficado em 63,7 pontos. O índice de dezembro igualou a maior expectativa apurada na série – em janeiro de 2011, também 67,2.”
Reparem: é maior que em 2010 e igualou o maior índice da história, na pesquisa que pode ser vista aqui, na íntegra.
Isso com um ano inteiro de más notícias, fossem elas verdadeiras, meias-verdades ou simplesmente falsas. Crise mundial, inflação em alta, dólar subindo, assassinato serial de ministros e Miriam Leitão todo dia.
Aliás, quando maior a informação, maior o otimismo: entre os que têm curso superior incompleto (73%) e completo (69%).
E mesmo entre os menos informados, de renda mais baixa, embora o otimismo seja um pouco menor (52%) – dificil ser otimista na pobreza – 79% acham que a situação da família estará melhor. No total, 78,6% dos brasileiros acham que a situação financeira da família vai estar melhor daqui a um ano.
Também é positiva  a avaliação dos brasileiros sobre o que  aconteceu com esta situação no ano que passou: 78,2% dizem que está melhor.
Já se disse, mas não custa repetir: otimismo é o melhor combustível para a expansão da economia.
Como se vê, o catastrofismo deu xabu.
Fonte:   Tijolaço

POR QUE LULA É TÃO QUERIDO


Lula com a mulher Mariza

“Difícil não é subir”, escreveu o historiador francês Jules Michelet. “Difícil é, subindo, você permanecer o mesmo.”
Acho que essa frase explica a razão pela qual todos gostam de Lula, excetuada uma parcela retrógrada da classe média que tem preconceito contra pobres e nordestinos, sobretudo se eles ascendem.
Escrevi, no artigo anterior, sobre o oposto: por que Serra é tão amplamente detestado. Decidi ir para o inverso. Pessoalmente, tenho por Lula uma admiração moderada e distante. Entrevistei-o algumas vezes no começo dos anos 1980, quando os metalúrgicos do ABC sob seu comando articulavam as primeiras greves desde 1964. Nessa época, eu era repórter de economia da Veja. Achei-o vivamente inteligente: jamais confundi QI com a aquisição de diplomas.
Raras vezes votei em Lula. A ocasião em que tive mais convicção para votar nele foi quando seu adversário era Fernando Collor de Mello. Tive, na juventude, alguns problemas com o PT. Meu pai disputou a presidência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo no final da década de 1970 contra uma chapa formada por pessoas que depois estariam no PT. O candidato rival de meu pai era Rui Falcão, de quem guardo uma imagem lhana e delicada. Jogou limpo e perdeu com dignidade. Mas muitos dos jornalistas que apoiavam Rui me pareceram arrogantes e grosseiros nas assembléias em que se debatia a greve. Alguns chamaram meu pai de “a voz dos patrões” porque ele antevira com presciência as enormes dificuldades que a greve enfrentaria para funcionar. Daí meu incômodo com o PT, que seria fundado em 1980, pouco depois da eleição do Sindicato de Jornalistas vencida por papai.
Lula, talvez por não ser um intelectual, jamais foi o típico petista que vê (ou via) o mundo de cima para baixo.  Num determinado momento, muitos suspeitaram de que ele seria manipulado pelos intelectuais que o cercavam e o educavam. O tempo mostrou que isso jamais aconteceria. Lula, por sua extraordinária liderança, sempre comandou seus professores. Em nenhum momento foi teleguiado.
À medida que foi ganhando estatura, mexeu na aparência, mas não no conteúdo. Aparou a barba, colocou paletó e gravata. Mas não se vendeu. No começo de minha carreira, circulou uma história que, verdadeira ou não, mostra como Lula era visto. Uma montadora, no final do ano, teria deixado um carro na frente da casa de Lula como um presente. O objetivo era conquistar a aliança de Lula para que as reivindicações dos metalúrgicos fossem contidas. O carro, segundo a história, foi prontamente devolvido.
Lula é simples sem ser simplório. Fala como o brasileiro das ruas genuinamente. Se numa campanha vai a uma feira comer pastel com os eleitores, parece que está em seu habitat. Com Serra é o oposto: vê-se que ele, como o general Figueiredo, o último presidente militar, não gosta muito do “cheiro do povo”. Serra, para o brasileiro médio, jamais será o “Zé” de suas campanhas.
Lula, sob contínuos ataques da mídia no final de seu primeiro mandato, não vergou – o que é um sinal de força interior. Rumores afirmavam que ele estaria bebendo cada vez mais, e a ponto de renunciar ou cair como Collor. Vistas as coisas em retrospectiva, tais rumores soam como piada.
Um estadista tem que ter musculatura para suportar estoicamente as agressões. Conta-se que Fouquet, revolucionário francês, dormiu na sessão da Convenção em que era julgado e corria o risco de ser condenado à guilhotina.
No poder, Lula foi essencialmente o mesmo de sempre. Mudou o foco da administração para o combate à miséria – um ato que lhe dá um lugar de honra na história do Brasil. Ao mesmo tempo, foi pragmático o bastante para ajudar as empresas brasileiras – sobretudo as exportadoras. Jorge Paulo Lehman contou uma vez numa conversa da qual participei que Lula pegou o telefone e ligou para a embaixada brasileira em Buenos Aires ao saber que a Anbev de Leman enfrentava dificuldades burocráticas na Argentina. “Em situações parecidas, o Fernando Henrique dizia que ia resolver o problema e depois não fazia nada”, disse Leman. Vi também uma vez o então presidente da Vale do Rio Doce Roger Agnelli contar uma história parecida.
Lula subiu sem deixar de ser o mesmo, uma coisa rara como dizia Michelet. Por isso, acima de todos os outros motivos, é tão amado — e é também em consequência disso sobretudo que milhões de brasileiros, entre os quais me incluo, fecham o ano torcendo para que ele se recupere do câncer na garganta tão usada para defender os trabalhadores.
Por  Paulo Nogueira

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DE CARTOLA PARA SERRA: "QUANDO NOTARES ESTÁS À BEIRA DO ABISMO. ABISMO QUE CAVASTE COM TEUS PÉS."

Em 05 de setembro de 2010, postei este mesmo vídeo e o título era "...É Serra, a vida é um moinho".  

O "Privataria" nos faz lembrar de cada coisa!




By the teacher.

CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS: 7 MILHÕES DE ACESSOS EM 21 DIAS



Saiu no Blog do Planalto entrevista com o Ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, sobre a compra de pluviômetros para prevenir enchentes.

Ali, há também, informação importante sobre o programa “Ciência sem Fronteiras”:
Bolsas de estudo no exterior – No programa, Aloizio Mercadante fez um balanço do programa Ciência sem Fronteiras, lançado pela presidenta Dilma Rousseff com o objetivo de ofertar 75 mil bolsas de estudo no exterior. Nos últimos dois dias – segundo o ministro – o portal do programa registrou mais de sete milhões de acessos e os primeiros 1,5 mil bolsistas seguiram para universidades nos Estados Unidos. Em 2012, a meta é conceder cerca de 15 mil novas bolsas, completou.
“O Ciência sem Fronteiras é um sucesso espetacular. Nos Estados Unidos, nós estamos negociando 18 mil bolsas para esses próximos três anos. Na França, 10 mil bolsas; na Inglaterra, 10,2 mil; na Alemanha, 10 mil; na Itália, 6 mil. E, agora, esse novo edital que nós estamos fazendo, que tem 12 mil inscritos, são para estes países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Itália.”
Ouça aqui a íntegra do programa Bom Dia, Ministro.

NAVALHA

O Conversa Afiada procurou informações adicionais sobre o “Ciência sem Fronteiras” e soube:
No dia 13 de dezembro, a Presidenta Dilma Rousseff anunciou a publicação dos editais para os bolsistas de 2012;
No dia 14, o Ministerio da Ciência e Teconologia publicou anúncios de meia página nos principais jornais do país sobre como se candidatar;
Entre 29 e 30 de dezembro, houve 870 mil acessos ao site que dá aos candidatos acesso às condições do programa: www.cienciasemfronteiras.gov.br ;
Até ontem, 21 dias depois de lançados os editais, já houve mais de sete milhões de acessos ! ;
Sete milhões de acessos !
Como se sabe, um dos pontos centrais da política do “socialismo à moda chinesa” de Deng Xiaoping, quando se tornou sucessor de Mao, foi dar curso às “Quatro Modernizações” de Zhou Enlai na agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia.
Foi aí que Deng disse:
“A chave para atingir a modernização é o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. E, a menos que se dê ênfase à educação, será impossivel desenvolver a ciência e a tecnologia. Palavras vazias levarão o nosso programa de modernização a lugar nenhum. Temos que ter Conhecimento e pessoal treinado. “
E estudantes chineses invadiram as melhores universidades do mundo, a começar pelas americanas.
Com bolsas de estudo pagas pelo Governo da China.
E deu no que deu.
(O Conversa Afiada se vale do livro “Sobre a China”, de Henry Kissinger, que deu origem aos posts “Deng (Dilma): Mao (Lula) acertou 70%” e “Dilma, leve-nos a Ialta“)
Quando esses tucanos despertarem, estarão do tamanho do PPS.
Um partido cujo presidente é o Sergio Guerra, vai ter o tamanho de um anão daqui a pouco.

Paulo Henrique Amorim

Fonte:   Conversa Afiada




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

APESAR DE O BRASIL SER A 6ª ECONOMIA, A LUTA DOS PROFESSORES POR UM SALÁRIO DIGNO PROMETE CONTINUAR EM 2012.

  
                                  aqui, um importante capítulo desta luta. 

                   
Até o reino mineral sabe (como já diz o Mino Carta) que um país só evolui com investimento em educação. Não é novidade que os países que hoje se destacam como grandes potências investiram pesado na educação básica ao longo de décadas. No Brasil, a educação foi relegada ao segundo plano. Há décadas não se tem um plano sério para o setor. O que vemos são soluções paliativas e projetos desordenados que consomem tempo, dinheiro e não levam a lugar algum. E quando se fala em investimento em educação, deveria se ter o professor como um dos alvos dessa medida. Professores bem remunerados, capacitados, ganhando um salário que lhes possibilitasse trabalhar em apenas uma escola, evitando a correria que o obriga a se sacrificar em até três escolas batalhando manhã, tarde e noite. 

A aprovação pelo Congresso Nacional do Piso Nacional de Salários do professor parecia ser um alento nessa guerra desigual que travamos pelo reconhecimento e valorização da profissão. Ainda que o valor não fosse o de nossos sonhos, pelo menos haveria um valor de referência. Ademais, o Piso valorizaria, principalmente, as professoras de educação infantil, na maioria funcionárias de prefeituras, que recebiam aquilo que os prefeitos queriam pagar. Uma verdadeira guerra foi travada para que o Piso fosse acatado pelos prefeitos e governadores, tendo ido parar no Supremo. Quando este, finalmente, foi referendado pelo STF, os professores de todo o país achavam que finalmente esta pendenga estava resolvida. Ledo engano. Eis que agora, um deputado do PT, (José Guimarães, PT/CE) atendendo às demandas de alguns secretários de estado, foi relator de um projeto que tenta mudar o índice de reajuste do Piso. Outra deputada, também no PT (Fátima Bezerra, PT/RN), conseguiu o número de assinaturas necessárias para impetrar recurso ao projeto, que por hora está parado na Câmara. (veja post aqui).

É um paradoxo que no momento em que o Brasil assume a posição de sexta economia global, ao invés de se aproveitar este momento para um investimento pesado na educação, um deputado do Partido dos Trabalhadores (e se não fosse dos trabalhadores, hein?) relate um projeto modificando o índice que reajusta o Piso Nacional de Salário dos professores. Se este projeto prosseguir na sua tramitação e for aprovado com a autorização do governo ou for sancionado por ele, este "teacher" se declara sem condições de levantar a bandeira de sua defesa, como tem feito aqui há um ano e pouco. Não por vingança ou por picuinha pessoal, mas por acreditar que não se pode ter um discurso para a sociedade e na calada da eterna noite que é este congresso (com as honrosas excessões) ter outra prática.

The teacher.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A desmoralização de um jornalista... por ele mesmo! [Parte 1]


Por DiAfonso [Terra Brasilis]

A deturpação dos fatos é apanágio dos embromadores, já diziam. Essa máxima poderia ser muito bem aplicada, com todo o respeito, ao comportamento profissional do jornalista Jamildo Melo.

Jamildo, que mantém um blog no Portal NE10 [1], publicou ontem um artigo [2] em que, a pretexto de avaliar "Os primeiros doze meses de gestão do governo Dilma", aproveitou o ensejo para fazer injustas, descabidas e preconceituosas críticas ao ex-presidente Lula, além de tecer outras considerações longe da realidade factual. Isso, distorcer a realidade, parece estar no dna não só do Jamildo, mas também do próprio veículo de comunicação para o qual o jornalista presta serviço.

Aqui, em Pernambuco, é pública e notória a parcialidade com que o jornalista trata determinados fatos políticos, como de resto o próprio Sistema Jornal do Commercio [não é à toa que o SJC é chamado de "braço direito do PiG" por estas bandas de cá].

Para confirmar o dito acima, basta elencar dois fatos recentes: o primeiro foi a publicação de um editorial [3]. Lá, pode-se ler a ferocidade com que o editorialista trata José Dirceu, o PT e a "tentação autoritária" que o próprio Dirceu e o PT teriam, segundo o editorialista, em controlar os órgãos de comunicação.

O outro fato diz respeito à omissão de informações acerca do lançamento do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.. E, aqui, nunca é demais dizer da contradição que cerca o editorial citado acima. O próprio SJC, "órgão de comunicação", "amordaçou" informações, sonegando de seus leitores e da sociedade de um modo geral a divulgação do conteúdo de A Privataria Tucana.  Não foi o PT e, muito menos, José Dirceu.

No momento em que deu o ar da graça sobre o fato, o Blog do Jamildo divulgou matéria com algumas inverdades [4], chegando, inclusive, a receber protestos indignados de alguns comentaristas [ver imagem abaixo].



Pois bem. Detenhamo-nos em alguns pontos do tal artigo, escrito pelo jornalista Jamildo Melo:

"Lula, em seus oito anos de governo, não soube se comportar como presidente da República do Brasil; era mais um sindicalista no Palácio do Planalto, jogando região contra região, rico contra pobre, negro contra branco. Não desceu do palanque um único dia, fazendo muitas vezes da demagogia discurso presidencial."

A besteirada que se lê no parágrafo acima chega a dar "urticária" na minha pobre massa cinzenta. Lula deveria se comportar como se comportou FHC, cuja "habilidade" como presidente do Brasil mereceu duro sermão do ex-presidente estadunidense, Bill Clinton? Esse vexame internacional [5], se o "isprito" não me engana, não foi publicado no seu blog. Ou foi, Jamildo?

Quando foi que Lula jogou "região contra região", Jamildo? A má-fé nessas suas palavras beira ao ridículo, tal a torpeza que delas emana. Será que, por exemplo, priorizar ações que se fizeram no Nordeste [na área de educação: instalações de campus universitários e técnicos; na área econômica: estaleiro, Refinaria Abreu e Lima, Empresa de Hemoderivados e Biotecnologia - só pra citar alguns investimentos feitos em Pernambuco] é criar ponto de atritos entre regiões? Descentralizar, Jamildo, não é jogar "região contra região", mas criar uma situação em que outras unidades da federação tenham o justo direito de serem contempladas no quesito crescimento econômico. Isso é, também e em certo sentido, integração entre regiões.

Jogar "rico contra pobre". O que é isso?!?! Jamildo, não mostre uma incompetência que você, certamente, não tem. Permitir - como Lula fez  e Dilma está fazendo - que  a camada menos privilegiada da população tenha acesso aos bens produzidos pelo país é um direito dessas pessoas, Jamildo! Deixe de elitismo! Deixe  de idiotice!

Jogar "negro contra branco". Êta, mulesta! Outra idiotice! Quem tentou, por diversas vezes, criar esse conflito foi a elite branca deste país que não suporta ter de dividir a sala de aula das universidades com preto e o DEM [6] [hoje apêndice do PSDB e que tem como baluarte o "queridinho" da direita pernambucana e do Brasil, Marco Maciel - este foi vergonhosamente derrotado nas últimas eleições para o Senado Federal]. Jamildo, peça à sua equipe para fazer uma pesquisa na blogosfera ou nos próprios órgãos midiáticos corporativos [No Portal NE10 deve ter alguma coisa sobre isso... Penso...] e você terá essa informação.

Continua...
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[1] Blog do Jamildo [aqui]. 
[2] Íntegra do artigo [aqui].
[3] Editorial do JC, aqui.
[4] A Privataria Tucana no Blog do Jamildo [aqui].
[5] FHC é humilhado por Bill Clinton [aqui]
[6] O DEM e a cota para negros, aqui.
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