domingo, 17 de julho de 2011

UMA LOA (PARA O MESTRE DIÓGENES AFONSO DE OLIVEIRA)

Aprecio certos vocábulos arcaicos, os quais, embora egressos de um léxico avoengo e desusado, continuam preservados pelo linguajar do povo.
Loar é um deles.
O verbo Loar ainda guarda os dois sentidos: tanto o da ação de louvar, fazer discurso laudatório; quanto o de intróito ao drama, prólogo, apresentação do espetáculo; como era costume, segundo Aurélio Buarque de Holanda, no teatro ibérico dos séculos XVI e XVII.
O povo nordestino, mui sábio, também costuma usar a
 loa, rimada e, quase sempre, metrificada, antes de engolir uma boa dose de cachaça. Antes de tomar a lapada, louva-se e introduz-se, em seguida, a bebida goela abaixo.
Esse é o meu intuito, e tão somente esse, ao apresentar, neste zine-blog literário, os poemas desse Mestre: introduzir os textos, antes da fruição da leitura. Louvação e introdução é o que querem ser essas palavras de pórtico. Loar. Loor. Loa.

Não sei se é propriamente uma fruição, o sentimento que nos traz a leitura dos textos abaixo, pois o Mestre Diógenes é dono de uma potência criadora próxima da dos pugilistas. Sua força poética quase nos nocauteia. As imagens acachapantes da sua agonia nos falam, também, danossa agonia. Seus versos caosagonicos tratam de uma angústia que me faz lembrar, em sua essência, a de um outro Mestre, o grande basco Dom Miguel de Unamuno, cuja obra, A Agonia do Cristianismo, percorremos dia desses.
Assim como o Varão de Bilbao, também se esforça, Dom Diógenes Afonso, por apresentar-se ao leitor, não apenas como Poeta ou Autor, e sim, como um homem de carne e osso, com o flanco nu, adentrando a arena:

“o homem de carne e osso, aquele que nasce, sofre e morre, - sobretudo o que morre - aquele que come e bebe e joga e dorme e pensa e quer; o homem a quem vemos e ouvimos, o irmão, o verdadeiro irmão”.
( Unamuno)

Fala-nos o homem Diógenes que se problematiza, que se faz a questão de si mesmo (mihi quaestio factus sum, como em Santo Agostinho). Sua obra poética é, ela mesma, reduto eregistro inominável 
de sua problematicidade. Como neste insólito e belo: 

INEQUAÇÕES:


Sou matemático de cabeça para baixo:
as inequações, marcas de minha impotência;
os números, teimosia de infinitude,
postergando o meu capturar definitivo.

Sou matemático de uma agônica geometria:
as linhas, tortas por um contorno inacabado;
as esferas, derretidas na frouxidão do tempo
(talvez, doidamente, mais lânguidas que os relógios-tempo de Dali);
os trapézios, trapalhadas trôpegas
de um discurso falido.



No entanto, radicam-se no homem todas as realidades, e ao se impor como a questão de si mesmo, encontrará, irremediavelmente, o outro que não ele.
Dom Diógenes, como Unamuno, é um homem de seu tempo, que busca salvar a sua circunstância e com ela salvar-se a si mesmo. Ao chorar, num poema, as agruras de seu recém-nascido filho Victor, (hoje, um victorioso e saudável rapagão), chorava também as dores da alteridade, do próximo, do humano:

PRA QUE NÃO CHORES
(poesia pra Victor)

Porque a miséria, Victor,
tem o semblante da
morte
em vida que desponta
cadavérica e ameaçadora
como carvalho dês
aponta
no cerne da noite.

Porque a miséria, Victor,
faz disparar em
retirada
os sonhos que
por um,
por mil,
por milhões,
por infinitos... vãos desejos
se pretendem
sonhar!

Porque a miséria, Victor,
faz o seio do homem
inflar
de sangue-latino, latindo
como cão danado
uivo-desespero explodindo
inerte no ódio!


******************************************************************************
Não escapará de si mesmo, tampouco do Deus em que acredita. Sua crença se apresenta sob certa tensão, certo embate interior com um cristianismo que professa crítica e crísticamente, quase dizia, unamunianamente. Bom exemplo disso é esse soco final, digo, poema final, que considero ser a obra prima de Dom Diógenes Afonso de Oliveira:
***


CAOSAGONIA: um acorde com ninguém.


Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu esbravejo matilhas ofegantes, espumando
Pela Caça Fugidia que desliza espectral
Dos ombros inefáveis de Deus.

Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu estremeço legiões de demonios, temendo
Pelo Tudo Distante que emerge seminal
Dos ombros inomináveis de Deus.

Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu... Que esbravejo por essa Caça,
Que estremeço por este Tudo,
Que enlouqueço por este Lugar-Nenhum,
Busco desbravar o labiríntico
Dessas sendas sem nomes:
Golpes golfando impotência
Diante dos ombros absurdos de Deus .


.......................................................(Diafonso).

Como arremate, trago esse poema, de um homem que se confessa demasiadamente humano:


Ícaro (A vertigem)


Eis o homem:
Ícaro de asas amputadas
De alma pútrida...
Áptero... pávido...
Insano... sem dó... dor só!


Eis o homem!
Acordado sem acordes
Ccom os quais dançar
(dançarino do nada: dor só)


Eis o homem!
Acordado sem cor
Ccom a qual se pintar
(dândi do nada: dor só)


Eis o homem!
Acordado sem palavras,
Sem verbo,
Sem vida
Com a qual apodrecer
em seu túmulo caiado de trevas
(divindade do nada: dor só!)


Eis o homem:
Dançarino... nada!
Dândi... nada!
Divindade... nada!


**************************

Leia mais em

TERRA BRASILIS
ou em,


******************************************


Eurico, julho/2011
homenagem, pelo aniversário do Poeta.
Fonte:   EU-LÍRICO




sexta-feira, 15 de julho de 2011

E SE FOSSE COM O "PIG"?

Rupert Murdoch e o filho, James, vão responder
às perguntas dos deputados britânicos
 (Eddie Keogh/Reuters)


O FBI anunciou que irá iniciar uma investigação ao magnata Rupert Murdoch e ao seu império News Corp para saber se também houve escutas ilegais nos EUA a familiares de vítimas do 11 de Setembro.
A investigação surge depois de familiares de vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque terem manifestado essa suspeita.
Também vários senadores norte-americanos pressionaram as autoridades norte-americanas para que a investigação fosse levada a cabo.
“Estamos a examinar as acusações que estão na carta de Peter King” [senador republicano], afirmou uma fonte oficial do FBI citada por diversos jornais dos EUA.
Robert King afirma que jornalistas que trabalhavam para o jornal “News of the World” solicitaram à polícia de Nova Iorque acesso aos arquivos telefónicos das vítimas do 11 de Setembro.
Entretanto, Rupert Murdoch vai ao Parlamento britânico responder a perguntas dos deputados sobre as escutas ilegais que levaram ao encerramento do jornal News of the World, depois de ter sido intimado a comparecer.
Rupert Murdoch tinha sido convocado para comparecer perante o comité de Cultura, Media e Desporto do Parlamento britânico, na próxima terça-feira, mas inicialmente recusou. O presidente do comité, John Whittingdale, recorreu então à intimação, que abrange o magnata e o seu filho, James Murdoch, bem como Rebekah Brooks, a directora-executiva da News International.
O comité é responsável pelo inquérito parlamentar sobre as escutas ilegais nos jornais detidos por Murdoch que visaram diversos políticos, membros da família real e vítimas de crimes. Whittingdale sublinhou, em declarações à estação de televisão Sky News, que esta será a primeira vez que Rupert e James Murdoch responderão a questões sobre o escândalo das escutas ilegais. “Espero que levem este comité parlamentar a sério e que dêem respostas que não só nós mas muitas pessoas querem ouvir”, adiantou.
Rupert Murdoch tinha manifestado indisponibilidade para comparecer, e também James Murdoch procurara ganhar tempo. “Não posso ir na terça-feira, mas terei todo o gosto em responder ao comité nos dias 10 ou 11 de Agosto. Se a data não for conveniente, estou disponível para considerar outras alternativas”, explicou. Só Rebekah Brooks já tinha confirmado a sua presença na terça-feira, mas ressalvando que, por estar em curso uma investigação policial, vai abster-se de “discutir certas matérias em detalhe”.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, já tinha defendido que Rupert Murdoch deveria apresentar-se perante o comité, e também o líder dos liberais-democratas que integram a coligação governamental, Nick Clegg, considerou que “se [Murdock] tem sentido de responsabilidade deve explicar-se”. A família Murdoch acabou por garantir, numa carta dirigida ao comité parlamentar, que irá estar presente e pretende colaborar.
Detenções prosseguem
Em Londres prosseguem as investigações sobre as escutas ilegais, que nesta quinta-feira levaram à detenção de Neil Wallis, antigo director executivo do News of the World. Ao início da manhã a Scotland Yard anunciou a detenção de “um homem de 60 anos” por envolvimento no caso das escutas ilegais. Mais tarde, vários órgãos de informação britânicos adiantaram tratar-se de Neil Wallis, que de 2003 a 2007 trabalhou directamente com Andy Coulson, então chefe de redacção do tablóide britânico.
Coulson tornou-se depois o director de comunicação do primeiro-ministro britânico, David Cameron, mas veio a demitir-se em Janeiro, na sequência deste escândalo, que no início deste mês atingiu novas proporções: a 4 de Julho, foi revelado que o telemóvel de uma adolescente que tinha sido assassinada, Milly Dowler, foi alvo de escutas. Algumas mensagens do telemóvel foram apagadas, o que levou os familiares a pensar que ela ainda estaria viva.
Até agora foram detidas nove pessoas por suspeita de terem estado envolvidas nas escutas ilegais que já levaram Rupert Murdoch a anunciar o encerramento do News of the World e a retirar a sua oferta de compra da totalidade do sistema de televisão por satélite BSkyB, do qual detém 39 por cento.


Comentário do blog.  Já imaginou se a polícia federal brasileira iniciasse as investigações contra  a Rede Globo, a  Folha e o resto do PIG? O mundo desabaria. O supremo entraria em cena. A oposição que só pensa em golpe pediria ajuda à ONU.  Agora, publicar ficha falsa de um candidato à presidência da república eles querem, Acessar de forma ilegal o prontuário médico de uma Presidenta eles querem. Usar criminoso condenado para sustentar matéria visivelmente mal intencionada, como no caso do BNDES, durante a campanha em 2010 eles querem . Ou Dilma passa uma lei regularizando a imprensa ou não governará em paz.
The teacher.

 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

É POR ISSO QUE É DIFÍCIL COMBATER O PIG

Imagens Keti Marinho (PE 360)

"zappeando" pelos canais agora pela manhã parei no "mau dia Brasil" que estava noticiando a queda de um avião com dezesseis passageiros na orla da praia de Boa Viagem, no Recife. Como a notícia estava sendo repassada do estudio do jornal no Rio, com imagens aéreas, imediatamente troquei para os canais locais para ver se eles já  estavam noticiando o fato. A tribuna,  canal que retransmite a Record estava passando um programa policial e pelo visto nem sabia o que tinha acontecido e o que retransmite o SBT estava com desenho animado.
A globo ainda voltou ao vivo, direto do estúdio com o apresentador do jornal do meio dia e, novamente com imagens aéreas e só uns dez minutos depois a Tribuna entrou com uma reporter falando por telefone!! Problemas técnicos e de logística que eu desconheço à parte, assim fica difícil combater o PIG!

terça-feira, 12 de julho de 2011

SERRA ACABOU, A INTOLERÂNCIA PERSISTE


Via Nassif
Um dos recursos de legitimação mais utilizados pela velha mídia é o da criação de Vampiros: o político que encarna o mal, tem sete vidas, sempre volta para assombrar, deixando a opinião pública assustada e confiante de que apenas a mídia será capaz de defendê-la.
Após a redemocratização, foram candidatos a Vampiro da vez sucessivamente Paulo Maluf, Orestes Quércia, ACM não, Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney e, mais recentemente, Lula - apesar de sua enorme aceitação popular.
Nos últimos dois anos, porém, a realidade política impôs José Serra como candidato efetivo a vampiro da vez - mesmo tendo o apoio dos caçadores de vampiros. E aí por razões objetivas. Sua vitória nas eleições significaria mergulhar o país em uma noite de São Bartolomeu, em um banho (simbólico) de sangue, em uma guerra que racharia inexoravelmente a vida nacional.
Pois o Vampiro não morreu, porque não era Serra. Este foi apenas um instrumento, um desmiolado de voo curto, um ambicioso sem escrúpulos que colocou biografia, amigos, lealdades a serviço do verdadeiro Vampiro: o clima de intolerância que sacode o Brasil há vários anos, como ferramenta política única de oposição.
Hoje em dia, Serra parece cada vez mais o empregado do vampiro, aquele personagem que frequenta o palácio do Drácula com andar trôpego, pronunciando frases desconexas, se ajeitando sempre que vê uma máquina fotográfica ou uma câmera de TV. Quem conhece os meandros da imprensa sabe que, por trás da suposta blindagem que ainda cerca Serra, ele se tornou o personagem preferencial de fotógrafos e editores para fotos em posição ridícula - é a maneira sutil com que o jornalismo enterra seus mortos.
O enterro simbólico se deu hoje, com a publicação do primeiro artigo de Aécio Neves como colunista da Folha. A empresa deve muito a Serra. O jornal retribuiu durante a campanha. No final, percebeu que Serra tinha se tornado  peso excessivo. Quando a atenção total do Brasil se concentrava em sua figura - na qualidade de candidato a presidente - veio à tona o dissimulado, o pregador maluco acenando com o fogo do inferno, invadindo casas simples para ler a Bíblia, pedindo ostensivamente cabeça de jornalistas.
As mudanças de Serra
Antes de expor sua verdadeira personalidade, Serra era um político que conseguia encontrar o eixo nas ideias de meia dúzia de personagens próximos. Na economia, nos desenvolvimentistas da Unicamp e da UFRJ, em Lessa, Conceição, Belluzzo; no campo industrial, em Paulo Cunha, do grupo Ultra; na saúde, colou em David Capistrano que lhe permitiu construir sua grande obra pública; nas finanças públicas, no grande José Roberto Afonso - apesar de Serra ter passado a vida vendendo a falsa ideia de que foi o criador dos modernos modelos de orçamento público (que existem desde 1964); na inovação, em um grupo de tecnólogos da Unicamp.
Enganou a quase todos apresentando-se como o grande campeão capaz de colocar os conceitos em prática, o anti-Malan, o anti-FHC que faria acontecer. Sua frase predileta era: "Eu faço acontecer".
A decepção com Serra surgiu já no governo do Estado. Gradativamente, sua não-atuação passou a expor o vazio de ideias e ação. Em plena crise de 2008, aplicou um arrocho fiscal no Estado. Nos momentos mais graves de seu governo, fugiu.
Foi assim nas enchentes que destruíram São Luiz do Paraitinga e inundaram São Paulo. Não participou de uma reunião sequer - repito, de nenhuma reunião sequer - com a Defesa Civil do Estado. Levou três dias para se pronunciar e o máximo que fez foi uma twittada dizendo estar tomando providências.
Foi Serra o grande responsável pelas enchentes, ao cortar os investimentos no desassoreamento do rio Tietê. Mas fez com que a conta fosse jogada em Kassab e nos munícipes "que jogam lixo nas ruas".
O mesmo aconteceu na crise de 2008. Empresários e centrais sindicais tentando marcar reunião para enfrentar a crise. E Serra isolado no seu gabinete, fugindo, aumentando impostos através da substituição tributária. Só aceitou recebê-los quando veio o aviso de que estava sendo preparada uma manifestação na frente do Palácio Bandeirantes, de industriais e sindicalistas.
No episódio da invasão da USP, revelou-se seu traço mais marcante e negativo: o do valente nas sombras. Definiu-se uma diretriz importante, a de alinhar universidades e institutos com metas do Estado. Faltaram as metas. Em seus quatro anos de governo, em nenhum momento o "desenvolvimentista" Serra, o homem do PPA (Plano Plurianual) logrou construir um documento sequer que definisse diretrizes para São Paulo, vocações, metas.
O que pretendia das Universidades era apenas o de impor seu tacão, mandar, desmontar - como fez na Cultura, com o infeliz João Sayad. Colocou um Secretário truculento, a USP reagiu, Serra estimulou a reitora e chamar a PM. Quando sobreveio o conflito, deixou a reitora exposta aos lobos, tirou o secretário infeliz, colocou um mais jeitoso. Mas abandonou completamente a ideia da coordenação de pesquisas. Bastava surgir um obstáculo para Serra desistir.
O episódio da greve da Polícia Civil foi similar. O embate ocorreu devido à resistência de Serra em receber representantes da categoria. Cortou o diálogo até que explodiu o conflito. Na semana seguinte, o valente Serra concedeu redução de prazo de aposentadoria para os policiais.
Na área de inovação, mesmo tendo como aliados os principais nomes do governo FHC, nada fez. Um dia indaguei de um desses oficiais da inovação a razão de nada andar em São Paulo. E ele, desanimado: "O homem (Serra) tem implicância com a Universidade".
O desmonte atual da TV Cultura e o aparelhamento da Secretaria da Cultura é apenas o ato final de sua participação no governo do Estado.
O comandante das trevas
O único campo em que Serra agia com naturalidade era nos bastidores, articulando as piores baixarias que a política brasileira já testemunhou. Numa ponta, alimentava seus criadores de dossiês. Na outra, se alinhou com o pior esgoto que a imprensa brasileira produziu. Através dessas manobras, conseguiu que blogueiros e parajornalistas de grandes publicações atacassem um a um os "inimigos" criados por sua imaginação: José Anibal, Franklin Martins, Eliane Cantanhede (com quem invocava na época), Kennedy Alencar, Geraldo Alckmin, Aécio Neves.
Ao mesmo tempo, convenceu os jornalões a participarem do episódio mais desgastante da moderna história da mídia: a defesa de Daniel Dantas no caso Satiagraha. Todos os que ousaram apontar Dantas como financiador de Marco Valério foram fuzilados pelos próprios companheiros. Um lobista de quinta categoria foi alçado à condição de "pensador político", para que os podres de Serra, que veiculava, pudessem ganhar eficácia.
Não se poupou nada. Atacaram jornalistas, seus familiares, expuseram suas esposas, espalhando uma infâmia ampla pela rede. E todos os autores eram ligados umbilicalmente a Serra.
A pá de cal na biografia de Serra será a elucidação final de suas relações com Dantas.
A senilidade política de Serra não poupou nenhum dos seus seguidores. Muitos, especialmente os novos aliados da mídia, foram seduzidos pela promessa de serem os novos donos do Brasil. O festival de deslumbramento, o oba-oba recíproco com que se saudavam a cada lançamento de livro da "turma", a facilidade com que montavam redes de assassinato de reputação - não apenas de adversários políticos de Serra, mas de pessoas do meio artístico, escritores, intelectuais com quem tivessem desavenças ou mera inveja - entrará nos anais da imprensa brasileira, como um de seus momentos mais deploráveis.
Mas não apenas eles. Aliados antigos, alguns com bela biografia, acabaram induzidos a atos canalhas, como se a prova de lealdade fosse o de cometer um ato vil em benefício do chefe. O que explica um sujeito com a biografia de Luiz Antonio Marrey Filho, Secretário de Justiça de Serra, pressionar o jornal "Valor" até o limite, para publicar um artigo em que acusava uma jornalista de estar a serviço da indústria do tabaco? O "crime" da jornalista foi ter criticado o instituto da delação na Lei do Fumo. Apenas isso.
Daqui para frente, só restará o Serra "comandante das trevas". Cada vez mais deixará de ser personagem dos jornais, mas continuará alimentando-os com dossiês. Seus comandados, agora, não são mais colunistas da velha mídia, mas "trolls" de Internet - enquanto puder mantê-los com as verbas da Secretaria da Cultura.
Os novos velhos tempos
Não cometerei a tolice de comparar esse clima com o nazismo e Serra com Hitler. Mas mostra com notável didatismo como as circunstâncias geram personagens improváveis.
O que ocorreu com parte do Brasil nos últimos anos espelha de forma ampla a "psicologia de massa do fascismo". Aliás, não apenas com o Brasil. Aqui se repetiu com notável exagero o que foram os Estados Unidos na campanha de Obama, o que são os movimentos xenófobos na Europa. São tempos de profundas transformações que trazem, no bojo, as sementes da intolerância: a resistência dos que não querem ceder aos que sobem; a impaciência dos que querem subir.
Serra foi apenas o ator destrambelhado de um enredo que não foi ele quem criou.
Serve apenas como caricatura para comprovar como as circunstâncias agem sobre a história. De repente, um político que se presumia racional, com história, uma vida política algo medrosa, mas cartesiana, se dá conta das circunstâncias e expõe seu lado mais doentio - que era apenas pressentido de leve no período da suposta "normalidade". Até onde teria ido se uma tragédia o colocasse no comando do país?
Digam aí, Lessa, Conceição, Belluzzo, eu mesmo, quando poderíamos supor que aquele Serra lá de trás, que fazia profissão de fé no desenvolvimentismo, na sensibilidade social, pudessem aflorar dessa maneira?
Serra-FHC
Em todo esse processo, só não consegui entender ainda completamente as relações FHC-Serra. Na entrevista à revista Piauí, em algumas manifestações esporádicas, FHC - com sua inteligência e acuidade - sempre foi a pessoa que melhor entendeu as fraquezas de Serra. Muitas vezes relutou em apoiá-lo. Sequer queria indicá-lo Ministro. Aliás, tenho parcela da culpa com uma coluna de dezembro de 1994, quando critiquei acerbamente FHC por temer Ministros com luz própria no seu Ministério.
Nas eleições de 2002, Serra dizia ter sido boicotado por FHC porque este supostamente saberia que seu (de Serra) governo seria muito melhor que o dele. Puro autoengano.
FHC sabia mais do que ninguém que Serra nunca teve luz própria e possuía características perigosas em um governante – a pior delas, o ódio permanente contra qualquer pessoa que ousasse criticá-lo.
O que teria levado FHC a apoiar Serra como candidato à presidência, em detrimento de um candidato muito mais competitivo, como Aécio Neves? Tenho para mim que foi a herança emocional de dona Ruth Cardoso e a emotividade que a idade traz para as pessoas, as lembranças de exílio, sei lá.
Serra se foi. O clima que o cercou continua.
Nos próximos anos, a intolerância continuará sendo a marca principal da política brasileira, nos dois lados do muro. Qualquer político que se aventure a campeão das oposições, por mais cordato que seja, acabará atraído pela massa crítica da intolerância, pelo menos até que se esgotem os princípios que nortearam a era Lula. Na outra ponta, haverá acirramento das posições políticas de grupos mais à esquerda do governo em relação à própria dinâmica de tentativa de preparar o segundo tempo do modelo. E a fome de sempre dos que rodeiam o poder.
Enfim, um belo desafio para a consolidação da democracia brasileira, com novos personagens vergando o fardão de vampiro.
Mas o verdadeiro vampiro sendo a intolerância que continua permeando a vida política nacional.

sábado, 9 de julho de 2011

MARINA, A LARANJA DE 2010: " UMA MÁQUINA OBCECADA PELO PODER."

acima, a consciência ambiental de Marina.

Marina é, ela sim, uma máquina obcecada pelo poder. Tanto é assim que assistiu em silêncio uma candidata mulher, como ela, ser impiedosamente caluniada durante a campanha presidencial de 2010, principalmente no quesito moral e religião. Assistiu em silêncio e  de camarote.   Marina Silva  sabia que os e-mails e o que se dizia nas ruas sobre Dilma eram calúnias e ela não disse uma palavra em sentido contrário em nenhum momento, pois sabia que seria beneficiada com isso. Beneficiada apenas no sentido de se projetar nacionalmente, uma vez que ela, seu partido e  até o reino mineral sabiam  que não chegariam ao segundo turno.
 Acontece que MS  tinha consciência que a função do PV era apenas de dar suporte para Serra. Não fosse assim o seu partido não teria dividido o palanque com dois candidatos a presidente, como fez no Rio de Janeiro e em outros estados. Por que Marina se submeteu a isso? Porque tinha a esperança de, passadas as eleições, apoiada na quantidade de votos que viria a ter, se lançar como liderança nacional e ter força suficiente para dominar o PV, que de verde não tem nada. Na verdade o partido, pelo menos em alguns estados está aliado ao que há de mais retrogrado em termos de política de preservação ambiental. O PV é apenas mais um partido político. O discurso ambiental é de fachada. A lógica é simples: Marina Silva afirmou durante a campanha que quando assumiu o Ministério do Meio Ambiente este não tinha nem fiscais, nem viaturas, nem uma estrutura montada. Estava tudo sucateado. Se isso é mesmo verdade, como se explica a sua neutralidade no segundo turno  e a divisão de palanque com Serra no primeiro, Se ela herdou o Ministério sucateado justamente de FHC e Serra?! Ora, a sua neutralidade significava que, para ela, não tinha importância quem ganhasse. Os dois eram iguais. A possibilidade de Serra e seu partido, que destruíram tudo que ela teve que reconstruir quando ministra, voltarem ao poder, não era problema  para ela.

 Porém  os planos daquela que foi apenas uma laranja nas eleições presidenciais deram errado. Ela não conseguiu tornar-se uma liderança nacional simplesmente porque o seus votos, principalmente os da reta final das eleições não vieram da consciência política e ecológica do povo brasileiro. Eles foram resultado da campanha de ódio empreendida contra Dilma Rousseff. Tampouco conseguiu dominar o PV pelos óbvios motivos expostos acima. 

Agora, o que resta a Marina? Não resta nada. Vai vagar pela planície da política e se beneficiar do seu falso "status"  de ambientalista no Brasil e no mundo durante um tempo, depois, sem partido e sem mandato, cairá no ostracismo político. Ou não. Nunca se sabe. Agora, pelas atitudes tomadas por Marina Silva das  eleições de 2010 até agora, não seria de todo mal para ela sofrer um pequeno castigo para aprender.

The teacher.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

VER O 'GROBO" RECONHECENDO QUE LULA FOI MELHOR DO QUE FHC NÃO TEM PREÇO




Políticas sociais:até o PiG admite que Lula fez muito mais


Pode arregalar até a clocaca


Daqui a pouco os demotucanos safados vão dizer que Lula comprou o jornalão o Globo, eterno aliado da direita.


Paternidade impossível


 
 Lena Lavinas
O Globo - 08/07/2011
O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, governador José Serra, publicou nesta página do GLOBO dias atrás um artigo pretensamente analítico sobre as perspectivas de sucesso do Programa de Erradicação da Miséria, recém-lançado pelo governo federal. As imprecisões são tantas que demanda esclarecimentos, pois desinformar é um ato de desutilidade pública. Geralmente é o que acontece quando a fraseologia de oportunidade prevalece sobre os fatos e o bom senso.


 
Olhar para o passado recente implica reconhecer que as ações compensatórias no Brasil deixaram para trás um status menor e desvalorizado, marcado pela inoperância e pela inefetividade, para tornar-se uma verdadeira política pública, fundada em direitos e regras estabelecidas e transparentes, que podem, inclusive, ser monitoradas. Vamos recordar que o maior programa de combate à miséria da primeira gestão FHC foi a doação de alimentos - mais de 27 milhões de cestas em 1998 -, cujos resultados foram inócuos. Ademais, custava caro, gerava inúmeras ineficiências (desperdícios alarmantes na estocagem e na distribuição, por exemplo) e acabou sendo abandonado pelo próprio governo diante das evidências irrefutáveis de que era melhor ampliar programas de transferência de renda monetária direta.

 
Durante o segundo mandato FHC, o Comunidade Solidária consolidou-se como o grande programa de enfrentamento da pobreza, mas pecou pelas debilidades inerentes ao seu desenho: iniciativas altamente pulverizadas no território e nos objetivos, pontuais, que jamais permitiram uma avaliação rigorosa do que logrou realizar de fato o programa, tamanha a fragmentação de boas ações, que, por melhores que possam ter sido, jamais se configuraram em política. O Comunidade Solidária não mudou a cara da pobreza no Brasil. Essa é uma obviedade incontestável qualquer que seja o ângulo - conservador ou progressista - da mirada!

 
É verdade que, ao final do segundo mandato FHC, o MEC resolveu adotar em nível nacional o Programa Bolsa Escola, cujas iniciativas bem-sucedidas se multiplicavam em vários municípios. Porém, o teto de cobertura do Bolsa Escola federal não passou do milhão de famílias, e o valor do benefício por criança era de R$15, o que não lhe assegurava a escala necessária, nem a eficácia requerida para ter um impacto na magnitude do problema a sanar. A política econômica do governo FHC tornava impeditiva uma política social eficaz nos seus propósitos.

 
Ao contrário do que afirma, em seu artigo, o candidato à Presidência derrotado, o Bolsa Família não é a mera unificação dos vários cadastros de programas que existiam antes, dispersos em muitos ministérios e todos, igual e inequivocadamente, inexpressivos em termos de resultados. O Bolsa Família constitui-se numa ruptura com as iniciativas pretéritas no campo dos programas assistenciais porque ele vai garantir uniformidade no atendimento, escala na cobertura e institucionalidade da política pública de assistência social, nos marcos da regulação existente e não à margem e na contramão, como o fez por oito anos o governo FHC.

Entretanto, dado que o Bolsa Família não é um direito, acabou por excluir alguns milhões de famílias dentre as mais destituídas embora cumprissem os critérios de elegibilidade para tornarem-se beneficiárias. O novo Plano de Erradicação da Miséria vem talhado para reparar essa falha grave e introduzir algumas inovações, a mais promissora delas o intento de associar satisfação de necessidades com promoção de oportunidades.

 
Há quem julgue que mantras produzem os efeitos esperados, pois seriam portadores de um poder específico. Deve ser essa a crença dos que repetem incessantemente que a novidade do crescimento com um pouco menos de desigualdade e um pouquinho mais de redistribuição, ampliação das camadas médias, mais crédito e a volta das políticas de infraestrutura social estavam nos genes do que precedeu o Bolsa Família. Não há exame de DNA possível para comprovar essa hipótese. Uma certeza temos, no entanto: a de que as urnas deram a vitória a quem soube, para além da garantia da estabilização, trazer segurança e prosperidade para que sonhos e projetos possam novamente alavancar o futuro da nação.

CHANTAGEM DOS EUA (e do 'O Globo') POR FALSO APOIO AO BRASIL NA ONU


[OBS deste blog ‘democracia&politica’: 

O texto a seguir transcrito parece ter sido elaborado pela Embaixada dos EUA no Brasil. Ou já veio produzido e traduzido do Departamento de Estado daquele país. Foi divulgado no Brasil pelo seu tradicional e fiel porta-voz “O Globo”, como tendo sido produzido pelo jornal. Também foi transcrito pelo site pró-EUA/Israel “DefesaNet”. Aliás, além do 'O Globo', a nossa ‘grande’ [sic] imprensa em geral (TVs, 'Estadão', 'Folha', 'Valor', 'Veja', 'Época' etc), juntamente com os partidos PSDB, DEM, PPS, sempre atuam priorizando, acima dos brasileiros, os interesses dos EUA, de Israel e das grandes potências européias. Especialmente, dos seus grandes grupos econômicos e financeiros.O "texto do O Globo” é mal-disfarçada chantagem. Finge ser favorável ao Brasil integrar o Conselho de Segurança da ONU. Isso é somente uma isca. Contudo, sua abordagem dos “pontos de discórdia”, a serem antes removidos pelo Brasil, revela o mortal anzol escondido. É cartilha de como o Brasil deve agir na sua política externa para, talvez, receber eventual apoio norte-americano para a pretensão brasileira na ONU. Em palavras simples e claras, o texto embute, implícita ou explicitamente, exigências como: o Brasil ser favorável à invasão e ocupação da Palestina por Israel; ser contra a criação do Estado Palestino; ser contra o programa nuclear do Irã para fins pacíficos(e, obviamente, ignorar o programa nuclear e as bombas atômicas feitas por Israel); apoiar punições ao Irã por ‘violações de direitos humanos’; ser favorável claramente -não somente com abstenção- aos ataques dos EUA e da OTAN na Líbia por conta de ‘atrocidades’ de Kahdafi; ser favorável a isolar a Venezuela e Cuba, e a depor Chávez; conceder muitas benesses aos EUA se eles acabarem com a ilegalidade dos subsídios ao etanol deles e da taxação do nosso; pressionar a China pela valorização do iuan –sem tocar nos danos a outras economias causados pelos EUA com sua egoísta superprodução de dólar. Vejamos a farsa e chantagem do texto, que tenta, sem êxito, ser sutil nessas mensagens]:

“INFLUENTE RELATÓRIO RECOMENDA AOS EUA APROXIMAÇÃO E APOIO À CADEIRA PERMANENTE NO CS"
Por Fernando Eichenberg, do O Globo “As pretensões brasileiras de obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU foram o principal ponto de dissensão nos debates do aguardado relatório sobre o Brasil elaborado pelo ‘Council on Foreign Relations’ (CFR), um dos mais prestigiados e influentes centros de estudos americanos, com divulgação prevista para breve e ao qual O GLOBO teve acesso. O documento recomenda que o governo Barack Obama "apoie totalmente" o Brasil como um membro permanente do CS, e que incentive negociações com esse objetivo. "Um endosso formal para o Brasil contribuiria muito para superar a suspeita remanescente dentro do governo brasileiro de que o compromisso dos EUA com uma relação madura entre iguais é em grande parte retórica. (...) Há pouco a perder e muito a ganhar com o apoio americano oficial a um assento brasileiro permanente neste momento", diz o texto prévio do "Independent Task Force on Brazil" (Força-Tarefa Independente sobre o Brasil), dirigido por Julia Sweig, reputada especialista em América Latina do CFR.Num adendo, porém, nove dos cerca de 30 colaboradores do documento discordaram dos termos escolhidos e apresentaramnuances à forma do apoio americano. O grupo dissidente reconhece os méritos da demanda de Brasília, mas acredita que uma abordagem "mais gradual" seria mais eficaz em meio às complexidades diplomáticas no caso de um firme apoio americano. O grupo teme que um declarado endosso de Washington -como foi feito na visita de Obama à Índia, em relação as mesmas ambições de Nova Délhi- poderia ter repercussões adversas imediatas na América Latina e causar problemas para os EUA nas relações com aliados na região. Os dissidentes aprovam o tom 'aberto' e 'menos conclusivo' da declaração feita por Obama no Brasil, em março, e aconselham consultas prévias ao Congresso americano como a estratégia mais adequada para pavimentar com sucesso o caminho brasileiro na busca da vaga permanente.Entre os vários nomes que participaram das discussões para a costura do documento estão Riordan Roett (Johns Hopkins University), Nelson W. Cunningham (conselheiro no governo Bill Clinton), David Rothkopf (CFR), Joy Olson (Washington Office on Latin America), James Wolfensohn (ex-presidente do Banco Mundial), Louis Caldera (Center for American Progress), Shepard Forman (Center on International Cooperation), Samuel Bodman (ex-secretário de Energia) ou Eileen Claussen (PEW Center on Global Climate Change). A seguir, os principais “pontos de discórdia” [sic:]
ORIENTE MÉDIO   Outro ponto de discórdia foi a participação do Brasil em questões de segurança no Oriente Médio. O documento avalia que o envolvimento nas negociações de paz entre Israel e Palestina era coerente com a política externa ‘expansiva’ do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Especialmente à luz do episódio do Irã em 2010 (em que Brasília e Washington se confrontaram na forma de abordar o controle do programa nuclear iraniano), a Força-Tarefa considera que o envolvimento do Brasil, nas questões de segurança do Oriente Médio, pode enfraquecer as credenciais do país para negociar em outras questões de interesse internacional em que sua participação é não só mais lógica como mais necessária", diz o texto. A recomendação, no entanto, não foi unânime: "Consideramos que seria impróprio, tanto para um relatório como este, como para os EUA procurar ditar [de forma mais clara] como o Brasil deve conduzir seus interesses nacionais pelo mundo", escreveram vozes dissonantes.IRÃNa avaliação do grupo, embora pareça que a presidente Dilma Rousseff "tenha minimizado a importância da dimensão de segurança nas relações com o Irã", a iniciativa do Brasil em negociar com Teerã no ano passado não foi "meramente produto das personalidades que estavam à época no poder". "A experiência do Irã ilustra a necessidade de os dois países estabelecerem mecanismos para prevenir e mitigar mal-entendidos e visões conflitantes das questões de segurança internacional", diz o texto.
DIREITOS HUMANOSO relatório elogia o compromisso demonstrado por Dilma Rousseff na defesa dos direitos humanos e destaca os esforços feitos nos primeiros meses de governo nesse tema em relação à América Latina, ao Oriente Médio e ao Irã. "A posição de Dilma quanto a algumas questões de segurança do Oriente Médio -a condenação das atrocidades na Líbia e o voto para aprovar um relator especial de direitos humanos para o Irã- tem assinalado uma diferenciação da abordagem estritamente não intervencionista de Lula. Ainda assim, o Brasil se absteve de votar no Conselho de Segurança para autorizar a intervenção na Líbia". Para o grupo, o apoio formal do Brasil numa iminente votação na ONU sobre o Estado palestino também indicará até que ponto Dilma "vai diferenciar sua política externa daquela exercida por seu predecessor com respeito ao Oriente Médio".
ABSTENÇÃO DE VOTOSO documento aconselha os americanos a compreenderem que o padrão brasileiro de se abster em votações em importantes fóruns internacionais, como a ONU, não reflete necessariamente uma discordância com a proposta da resolução. "Os brasileiros empregam a abstenção para expressar sua frustração com o tratamento não sistemático das questões, levantando frequentemente a contradição, por exemplo, de a comunidade internacional censurar o Irã, mas não a Arábia Saudita". Ao mesmo tempo, alerta o texto, o Brasil não corre o risco de perder sua independência quando, vez ou outra, votar em conjunto com os EUA.
AMÉRICA LATINA O Brasil é elogiado pela defesa da democracia no continente, mas criticado por não se aliar aos EUA na promoção dos direitos humanos e democráticos em países como Venezuela, Cuba, Colômbia ou Nicarágua: "Por exemplo, embora não apoie os abusos de Poder Executivo e direitos humanos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o atual governo brasileiro não faz esforços visíveis para encorajá-lo a cessar essas atividades."
ETANOL O Congresso americano deve eliminar os subsídios para os produtores de etanol do país. O grupo recomenda que os EUA usem o fim da subvenção para negociar a redução de barreiras comerciais para produtos americanos no Brasil.
CÂMBIO Brasil e EUA devem expandir os canais de comunicação entre suas políticas comerciais e monetárias, especialmente em relação à China. O grupo sugere que os dois países "encontrem uma linguagem comum" para enfrentar os desafios apresentados pela China, a fim de convencê-la a permitir a valorização do iuan.BRASIL E 
EUA  O relatório defende uma relação promissora e de alto nível entre Brasília e Washington, e sugere que Obama organize um encontro interministerial entre os dois países, como promovido pelo presidente George W. Bush em 2003. Também recomenda diretores exclusivos para o Brasil no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e no Departamento de Estado, à parte do Cone Sul, como é hoje. ‘Os presidentes Obama e Rousseff estabeleceram a base para o progresso em muitas frentes. O momento de construir sobre essa fundação positiva é agora’.”

FONTE: texto provavelmente elaborado pelo governo nos EUA ou pela Embaixada dos EUA no Brasil e aqui divulgado pelo seu tradicional fiel porta-voz “O Globo”. Transcrito no site pró-EUA e Israel “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/1790/Endosso-de-peso-ao-Brasil-na-ONU) [imagem do Google, título e observação inicial entre colchetes adicionados por este blog].
Fonte:  Democracia & Política

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...