quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

POR QUE TODOS TEMEM A GLOBO?


             Cid Moreira lendo direito de resposta. Brizola, este teve coragem.

Essa pergunta eu e muitos fazemos desde sempre. Por que ninguém,  nem parlamentar, nem governador, nem presidente, ninguém tem coragem de enfrentar o grupo Globo? Confesso que não sei a resposta, por mais que tente. Todos sabem que a rede Globo foi criada com capital estrangeiro, algo proibido pela Constituição brasileira à época. Todos sabem que a emissora e o jornal apoiaram e defenderam enquanto puderam a ditadura militar. Não é segredo para ninguém que o "Caçador de Marajá", Collor foi uma criação da mídia, Globo entre ela. A manipulação das pesquisas na eleição de Lula x Collor, a edição do debate naquela eleição, tudo isso é do conhecimento de todos, de toda a sociedade mas nenhuma autoridade constituída tem  coragem de tocar nesse assunto  publicamente. Por quê? nunca saberemos. A distorção das notícias durante os oito anos do governo Lula, a campanha escancarada durante o suposto mensalão, a omissão do mensalão tucano, os editoriais, a omissão em divulgar os bons resultados, o boicote ao país, o pessimismo premeditado e para culminar, ainda no governo Lula, a sórdida campanha em 2010, o absurdo da bolinha de papel, a falta de respeito à candidata do governo por parte de Bonner e Waack e nada. Nem uma voz para se erguer. No governo Dilma, a participação na campanha do contra: contra ministro, contra programas, contra Banco Central, contra investimentos, contra tudo. O silêncio criminoso sobre o "Privataria Tucana" e continua   o medo. Para coroar, o  alegado estupro (estou dizendo alegado por que algumas pessoas insinuam armação contra o suposto estuprador.) no BBB. Não está em questão quem é o culpado e a vítima nesse caso. A polícia tem que fazer o seu papel e descobrir. Mas a situação em si só se concretizou porque, como já foi dito por blogs, organizações feministas, instituições, houve, por parte da Rede Globo a elaboração de ambiente e contextos propícios: o incentivo ao  comportamento movido à álcool, misturado com o forte apelo sexual que há no programa  durante todas as suas edições e estava montado o "script"  para o que aconteceu.  Se já apareceu e estou sendo injusto retiro minhas palavras.  Mas,  um deputado, um senador, o ministro das comunicações, o da justiça, alguém já foi a alguma tribuna, a um blog a um jornal para se pronunciar? Temo que não. Até onde tenho informações, só um político brasileiro teve coragem de enfrentar as organizações Globo, inclusive, usando o nome, Globo, quando mostrava a verdade. Chamava-se Leonel Brizola. Brizola nunca chegou a presidência da república, que era seu sonho, mas ainda hoje é respeitado por todos aqueles que admiram a coragem e a honra em um homem público. Essa organização só deixará de ter o poder que tem neste país quando aparecer uma figura pública (homem ou mulher) com a mesma coragem de Brizola e mandar  para o Congresso Nacional uma lei de regulamentação da mídia que preserve a liberdade de expressão mas enquadre nos rigores da lei aquilo que for manipulação ou crime. Mas aqui nos deparamos com a pergunta que permeou todo este texto: quem tem coragem?


the teacher.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB: BARÃO DE ITARARÉ RESPONSIBILIZA GLOBO POR ESTUPRO






    O Centro de Estudos de Midia Alternativa Barao de Itararé, que reúne os blogueiros que o Cerra chama de “sujos”, acaba de divulgar veemente convocacao do Ministro da Comunicação à responsabilidade.

    O titulo é “Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB12″:

    Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.


    Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena “de amor”. O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.


    Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.


    Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de

    seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.

    Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.


    Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.


    Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:


    • Ocultar um fato que pode constituir crime;

    • Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;

    • Atrapalhar as investigações de um suposto crime;


    • Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.


    É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.


    Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.


    Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.


    Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma “naturalidade” dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.


    Brasil, 18 de janeiro de 2012


    •  FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação


    •  Rede Mulher e Mídia


    •  Articulação de Mulheres Brasileiras


    •  Campanha pela Ética na TV


    •  Ciranda


    •  Coletivo Feminino Plural


    •  Observatório da Mulher


    •  Associação Mulheres na Comunicação – Goiânia


    •  COMULHER Comunicação Mulher


    •  HUMANITAS – Diretos Humanos e Cidadania


    •  Marcha Mundial das Mulheres


    •  Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos


    •  SOF – Sempreviva Organização Feminista


    •  SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia


    Manifesto aberto a adesões de entidades e redes. Para aderir, escreva para imprensa@fndc.org.br


    Bernardo (2º E) promete Ley de Medios no Encontro Nacional dos Blogueiros (Abril 2011)

    Bernardo (2º E) promete Ley de Medios no Encontro Nacional dos Blogueiros (Abril 2011)

    TÍTULO ORIGINAL: 

    BBB: Barão de Itararé
    chama Bernardo às falas

    FONTE :  Conversa Afiada

    HADDAD AFIRMA QUE REAJUSTE DO PISO SEGUIRÁ LEI FEDERAL

    Porém, novo valor só será anunciado em meados de fevereiro


    O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ao presidente da CNTE, em audiência nesta manhã do dia 12, que a correção do valor do piso salarial profissional nacional do magistério seguirá a lógica da Lei 11.738, porém, que por decisão de Governo, o reajuste só será anunciado em meados de fevereiro, a exemplo do que ocorreu em 2011.
    A CNTE tem pressionado o MEC a fazer o anúncio do reajuste do PSPN, uma vez que a Lei do Piso define o mês de janeiro como base para incidência do novo valor.
    Desde 2010, o Ministério da Educação assumiu o compromisso de anunciar valores a serem seguidos pelos entes federados como forma de unificar o percentual e o valor de referência nacional, não obstante o critério de reajuste da Lei ser autoaplicável.
    Vale lembrar, sobre a questão do valor do PSPN, que a CNTE não concorda com a fórmula de reajuste empregada pelo MEC, pois a mesma atrasa em um ano a atualização real do Piso. Contudo, a sistemática mantém relação com o custo aluno do Fundeb, conforme determina a Lei 11.738, devendo ser assegurado para o ano de 2012 um percentual de 22,22%. Outra questão que diferencia os valores defendidos pela CNTE dos anunciados pelo MEC, diz respeito à primeira incidência do reajuste, que para os trabalhadores refere-se ao ano de 2009, e para o MEC o de 2010.
    Diante das controversas sobre o valor do Piso, em 2012, o valor defendido pela CNTE é de R$ 1.937,26 contra R$ 1.450,75 que o MEC deverá anunciar em fevereiro próximo.
    Conforme temos acompanhado na mídia, a pressão de governadores e prefeitos contra o percentual de reajuste de 22,22% é grande, razão pela qual a categoria deve manter-se mobilizada para fazer valer esse direito retroativo ao mês de janeiro. A CNTE também acompanhará com atenção os trabalhos no Congresso Nacional, a fim de evitar qualquer outra manobra que atente contra a fórmula de reajuste definida na Lei 11.738.
    A luta pela plena e efetiva implantação do Piso é a pauta principal da Greve Nacional da Educação, que ocorrerá de 14 a 16 de março. Os sindicatos filiados também devem aprofundar as estratégias para pressionar os gestores a cumprirem a Lei, ainda que por vias judiciais, em toda sua dimensão. Recentemente, a Apeoesp/SP garantiu, em decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, o cumprimento imediato da jornada com no mínimo 1/3 de hora-atividade para todos os integrantes do magistério público estadual. A decisão é uma importante jurisprudência para outras ações em níveis estadual e municipal. (CNTE, 12/01/12)
    Confira, abaixo, os históricos de reajuste do valor do piso.
    PSPN/CNTE
    AnoValor Reajuste
     2008    R$ 950,00-
    2009R$ 1.132,40  19,2%
    2010R$ 1.312,85      15,93%
    2011R$ 1.597,8721,71%
    2012R$ 1.937,2621,75%

    PSPN/MEC
    AnoValor Reajuste
    2008    R$ 950,00-
    2009R$ 950,00 0%
    2010R$ 1.024,67    7,86%
    2011R$ 1.187,0015,84%
    2012R$ 1.450,7522,22%*
    * Percentual a ser confirmado pelo MEC.

    Fonte:  site da CNTE (Conferderação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

    A SERPENTE, DESDE SEU OVO





    Outro dia, a Ministra Eliane Calmon disse, a propósito dos escândalos no Judiciário, que “todo mundo vê a serpente nascendo pela transparência do ovo,  mas ninguém acredita que uma serpente está nascendo”.
    Talvez seja a mais precisa definição para aqueilo que, há exatas 20 anos, pregava no deserto um cidadão que tinha a coragem, que vai faltando cada vez mais neste país, de enfrentar o monopólio avassalador (de vontades, inclusive) representado pela Rede Globo.
    Este indescritível episódio do “BBB”, no qual rasteja na lama a maior emissora de televisão brasileira, que repercute pelo mundo vergonhosamente e, pior, corroi-nos as estranhas a todos os que acreditamos no respeito e na dignidade  como essência relações humanas, é apenas um estágio – quais serão os próximos? – de uma jornada para a barbárie, infelizmente consentida por parte de nossa inteligência, por medo, cumplicidade ou simples covardia ante o poder.
    O ovo desta serpente, há exatos 20 anos, era transparente.  E houve quem lhe apontasse a natureza sibilante, peçonhenta, deformante, mortal para uma sociedade que pretende ser humana.
    Por isso, e com a inestimável ajuda do Ápio Gomes – guardião invencível dos textos publicados por Leonel Brizola – republico um de seus textos sobre o  tema.

    O ovo da serpente

    A violência que todos vêem e poucos percebem



    Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo. Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
    O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
    E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
    Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
    Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
    A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.

    (Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil)

    Fonte:  Tijolaço

    Bom Dia Brasil: "Incontinência verbal" expõe incompetência do PSDB e do DEM

    Por DiAfonso [Terra Brasilis]

    No Bom Dia Brasil de hoje [ver vídeo aqui], Rodrigo Pimentel - consultor de segurança e ex-capitão do BOPE - comentou as mazelas de um estado como Alagoas no que diz respeito à segurança. Ao falar da situação dos peritos, do número de homicídios e da violência reinante naquele estado nordestino, Pimentel foi categórico em três oportunidades:

    1. a questão está relacionada a um problema de gestão que, no bojo, revela falta de vontade política ou incompetência para resolver a crise por que passa a área de perícia criminal alagoana ["O problema sempre é do estado."];
    2. embora haja uma demanda enorme por peritos ["Alagoas precisaria ter hoje 600 peritos e tem em torno de 40"], o governo não está preocupado com a contratação de mais profissionais capacitados para executar o serviço ["... não é prioridade para o governo do estado."];
    3. o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública [Senasp], está fazendo intervenções como pode [enviando equipamentos e equipes de tarefas] para auxiliar a perícia.

    Os apresentadores da Globo - Chico Pinheiro e Renata Vasconcellos - reiteram as críticas à gestão. Renata chega, inclusive, a relembrar matéria [exibida em 2011, no próprio Bom Dia Brasil] cujo foco estava centrado nas condições precárias de atuação dos legistas. 

    O que a apresentadora não tornou público é que, em 2011, o estado de Alagoas era governado por Teotônio Vilela [PSDB] e pelo vice José Thomaz Nonô [DEM, ex-PFL, ex-PSDB]. Ambos foram reeleitos e hoje governam o estado, destaque-se.

    Como a dobradinha PSDB-DEM está no comando do governo, não se mencionou, em momento algum, quem era quem. Fosse um governo petista, nome e número de cpf estariam à disposição dos telespectadores.

    A Globo só não contava com a "incontinência verbal" da própria Renata e, sobretudo, do comentarista Rodrigo Pimentel que deixou claro que o governo federal está lá para apoiar, dentro do possível, um governo incompetente como é e como são os governos do PSDB e DEM.

    terça-feira, 17 de janeiro de 2012

    PARA A GLOBO A CONSTITUIÇÃO É LETRA MORTA.

    Ninguém tem nada a ver com o que fazem pessoas maiores fazem em sua intimidade, de forma consentida, se isso não envolve violência.
    Niguém tem nada a ver com o direito de pessoas expressarem opinião ou criação artística, independente de se considerar de bom ou mau gosto.
    Outra coisa, bem diferente, é utilizar-se de concessões do poder público, como são os canais de televisão, sobretudo os abertos, para promover, induzir e explorar, com objetivo de lucro, atentados à dignidade da pessoa humana.
    Não cabe qualquer discussão de natureza moral sobre a índole e o comportamento dos participantes. Isso deve ser tratado na esfera penal e queira Deus que, 30 anos depois, já se tenha superado a visão que vimos, os mais velhos, acontecer em casos como o de Raul “Doca” Street, onde o comportamento da vítima e não o ato criminoso ocupava o centro das discussões.
    O que está em jogo, aqui, é o uso de um meio público dedifusão, cujo uso é regido pela Constituição:
    Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
    I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;(…)
    IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
    O que dois jovens, embriagados, possam ou não ter feito no “BBB” é infinitamente menos graves do que o fato de por razões empresariais, pessoas sóbrias e responsáveis pela administração de uma concessão pública fazem ali.
    Não adianta dizer que um participante foi expulso por transgredir o regulamento do programa. Pois se o programa consiste em explorar a curiosidade pública sobre comportamentos-limite, então a transgressão destes limites é um risco assumido deliberadamente.
    Assumido em razão de lucro pecuniário: só as cotas de patrocínio rendem à Globo mais de R$ 100 milhões. Com a exploração dos intervalos comerciais, pay-per-view, merchandising, este valor certamente se multiplica algumas vezes.
    Será que um concessionário de linhas de ônibus teria o direito de criar “atrações” deste tipo aos passageiros, para lucrar?
    Intependente da responsabilização daquele rapaz, que depende de prova, há algo evidente: a emissora assumiu o risco, ao promover a embriaguez, a exploração da sexualidade, o oferecimento de “quartos” para manifestação desta sexualidade, a atitude consciente de vulnerar seus participantes a atos não consentidos. É irrelevante a ausência de reação da jovem, ainda que não por embriaguez. Se a emissora provocou, por todos os meios e circunstâncias, a possibilidade de sexo não consentido, é dela a responsabilidade pelo que se passou, porque não adiante dizer que aquilo deveria parar “no limite da responsabilidade”.
    Todos os que estão envolvidos, por farta remuneração, neste episódio – a começar pelo abjeto biógrafo de Roberto Marinho, que empresta o nome do jornalismo à mais vil exploração do ser humano – não podem fugir de suas responsabilidades.
    Não basta que, num gesto de cinismo hipócrita, o sr. Pedro Bial venha dizer que o participante está eliminado por “infringir as regras do programa”. Se houve um delito, não é a Globo o tribunal que o julga. Não é uma transgressão contratual, é penal.
    Que, além da responsabilização de seu autor, clama pela responsabilização de quem, deliberadamente, produziu todas as cirncunstâncias e meios para isso.
    E que não venham a D. Judith Brito e a Abert falar em censura ou ataques à liberdade de expressão.
    E depois não se reclame de que as demais emissoras façam o mesmo.
    O cumprimento da Constituição é dever de todos os cidadãos e muito maior é o dever do Estado em zelar para que naquilo que é área pública concedida isso seja observado.
    Do contrário, revoquemos a Constituição, as leis, a ideia de direito da mulher sobre seu corpo, das pessoas em geral quanto à sua intimidade e o conceito social de liberdade.
    A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.
    Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.
    Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.
    Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país..

    POSTADO POR FERNANDO BRITO

    sábado, 14 de janeiro de 2012

    HUMBERTO COSTA: "A CEZAR O QUE É DE CEZAR."

    Senador Humberto Costa

    Apesar de ter votado todas as vezes em Lula, em 2010 em Dilma e na maioria das vezes em deputados e senadores do PT, não sou daqueles que não criticam o partido e não mostram os problemas que há nele. Por isso, por achar que a pessoa indicada para o senado na eleição passada deveria ser João Paulo, e por achar que o Senador Humberto Costa teve uma grande oportunidade de fazer boa gestão frente ao ministério da saúde no governo Lula e não fez, não votei nele (Humberto) para Senador e normalmente não votaria nele para nenhum outro cargo. Porém, como já disse no início, não sou daqueles que não mudam de opinião, que escondem os erros e os acertos de outras pessoas. Ao contrário da maioria dos senadores e deputados do PT, que estão se fingindo de mortos no caso da Privataria e também no linchamento do ministro Fernando Bezerra Coelho, inclusive (no caso da Privataria) o Ministro da Justiça, que não se pronunciou ainda nem levou o caso ao Procurador Geral da República, o senador Humberto Costa quebrou esta escrita. Subiu a tribuna do senado com o livro de Amauri Ribeiro Junior em punho, denunciou o silêncio do PIG e exigiu do ministro da justiça providências sobre o caso aquiAgora, no linchamento do FBC, novamente o Senador subiu à tribuna e denunciou o preconceito contra ministros nordestino e tentativa de desestabilização do governo Dilma.(aqui) A Cezar o que é de Cezar. Parabéns Senador. Espero que sua atitude acorde o PT e espero que o senhor cobre explicações daqueles que nem assinaram a CPI da privataria nem sobem a tribuna do Senado nem da câmara para combater  o PIG e defender o governo. 

    The teacher, a propósito, diretamente de Fortaleza, no Nordeste.

    terça-feira, 10 de janeiro de 2012

    "BEM AVALIADO" GOVERNO DE PERNAMBUCO DESRESPEITA A CONSTITUIÇÃO DO PAÍS E NÃO PAGA O PISO DOS PROFESSORES EM JANEIRO DE 2012.

    Todos passarão.


    Ao contrário do que diz o "bem sucedido" governo de Pernambuco, segundo o Sindicato dos Professores do estado (SINTEPE),  não há nenhuma dúvida em Brasília sobre o valor do Piso Nacional de Salário dos professores. Há, sim, um projeto que visa a reduzir o percentual de reajuste do referido piso que foi aprovado apenas na comissão de finanças da Câmara. Como o projeto não avançou, pois foi interposto um recurso, não modificou em nada a lei atual, permanecendo esta em pleno vigor (devidamente explicado aqui e aqui). O que há, como sempre, é a má vontade do governo do estado e de seu governador, que, apoiado em pesquisa que lhe dá o primeiro lugar entre os governadores do país, se acha no direito de desrespeitar a lei, como é peculiar entre os déspotas. Mas não há de ser nada não. Quero só ver se ele vai modificar (ou desrespeitar) a lei e continuar no poder daqui a dois anos ou, ainda, ver se as suas alianças disfarçadas com o PSDB da Privataria vai levá-lo ao Palácio do Planalto, como é seu sonho. A luta dos professores em todo Brasil pelo respeito à profissão e pelo seus direitos permanecerá independente de quem seja o governador ou presidente e os professores resistirão e ficarão. Mas os políticos, por mais que usem de estratégia e por mais que comprem a mídia para inflar sua popularidade, um dia passarão, pois o seu mandato é dado pelo povo e os professores fazem parte do povo.

    The teacher.

    Leia abaixo nota integral publicada pelo SINTEPE nos jornais de Pernambuco no último domingo 08 de janeiro de 2012 e repetida no Site do sindicato na segunda, 09 de janeiro. 


    CONFIRMADO: Reajuste do Piso será maior que do Fundeb




    Escrito por Assessoria de Imprensa   
    Seg, 09 de Janeiro de 2012 09:51
    Na luta pelo Piso Salarial do magistério, os últimos capítulos continuam com algumas indefinições. O Governo do Estado não enviou para a Assembleia Legislativa o projeto de lei para implantação dos 22,23% de reajuste do nosso Piso, entendendo que existem, em Brasília, dúvidas sobre o percentual. O SINTEPE e a CUT procuraram o Executivo Estadual cobrando o reajuste do Piso agora em janeiro. Diante disso, o Governo se comprometeu em realizar reunião com o Sindicato no início da segunda quinzena deste mês.

    Por sua vez, o Ministro Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo, antes de se despedir do MEC, deve anunciar até o dia 15 de janeiro o que todos já sabem, o valor do novo Piso corrigido em 22,23%. Para isso, o primeiro passo foi dado: em 29 de dezembro de 2011, o Ministério da Educação publicou a Portaria Interministerial nº 1.809 fixando o valor per capita de referência do Fundeb para 2012, com reajuste de 21,24%.

    De acordo com a CNTE, “a interpretação da AGU/MEC acerca do reajuste do piso, que considera o crescimento do valor mínimo do Fundeb dos dois últimos anos, ao contrário de períodos anteriores, projeta para 2012 um reajuste acima do valor mínimo do Fundeb” (22,23%).

    Outra questão importante é a Aula Atividade. O Art. 2º, parágrafo 4º indica que 1/3 da carga horária deve ser “para o desempenho das atividades de interação com os educandos”. Uma comissão composta pelo Sindicato e Secretaria de Educação concluiu os trabalhos para cumprir o citado parágrafo. Assim, quando fevereiro chegar – já no primeiro dia -, queremos o Piso por inteiro: salário, carreira e aula atividade. 

    Vamos permanecer atentos e acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, com um olho em Brasília, através da CNTE, e outro aqui, cobrando do Governo o cumprimento do acordo do reajuste do Piso a partir de janeiro, cuja cópia do referido acordo se encontra em poder do Sindicato. 

    A qualidade na educação passa necessariamente pelo respeito e pela valorização dos trabalhadores que atuam nesta área."



    domingo, 8 de janeiro de 2012

    COTISTAS SE DÃO BEM NA SUA MAIOR PROVA: A CARREIRA

                                OS ILIBADOS CIDADÃOS ACIMA FORAM COTISTAS DE 1964 A 1985


    Nove em cada 10 formandos beneficiados por reserva de vagas estão no mercado de trabalho. Seis, na sua área de formação


    POR MARIA LUISA BARROS


    Rio - Oito anos após o início do programa de reserva de vagas no ensino superior para negros e estudantes da rede pública, ex-cotistas estão se saindo muito bem na prova mais importante: a carreira profissional. Sete em cada dez estudantes que ingressaram na universidade pelo sistema de cotas já conquistaram uma vaga no mercado de trabalho, sendo seis deles na sua área de formação. Dois se preparam para concursos e apenas um não conseguiu emprego após a formatura.

    Os dados inéditos fazem parte da primeira pesquisa feita, no ano passado, pela Universidade do Estado do Rio (Uerj), com 20% dos 4.280 ex-cotistas. O levantamento coordenado pela Sub-reitoria de Graduação revelou que 90% dos cotistas pioneiros não pensam em parar os estudos. Entre os egressos, 67% já concluíram cursos de pós-graduação e 39% frequentam mestrado, como Bruna Melo dos Santos, 30 anos.


    Formada em História, ela está na segunda faculdade, de Arquivologia, que concilia com o curso de mestrado. “Eu só precisava de uma chance de provar que era capaz. Daqui a dois anos pretendo fazer doutorado na Inglaterra”, planeja ela, que agradece aos patrões da mãe, doméstica, pela ajuda nos anos difíceis da faculdade. “Eles me davam vales-alimentação, transporte e até curso de inglês. Foram anjos na minha vida”, conta Bruna, que viu o padrão de vida mudar após os estudos. Ela comprou um apartamento junto com o marido, também ex-cotista, e se mudou de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para Irajá, na Zona Norte do Rio, para ficar mais perto do trabalho.

    As amigas Ana Paula Ferreira de Melo, 27, e Camila Rodrigues de Souza, 26, trilharam o mesmo caminho, fazendo as duas faculdades. Ana Paula é professora das redes municipal e estadual do Rio e Camila trabalha como arquivista na iniciativa privada. 

    “Vejo nos meus alunos que a maioria não sonha. Tento servir de exemplo”, diz Ana, que também comprou apartamento. “Estudávamos muito porque a cobrança era maior em cima da gente. Não queríamos que ninguém dissesse que jogamos fora a oportunidade”, conta Camila.

    Beneficiados por cota se formam mais que os outros

    Formada na primeira turma de cotistas da Uerj, em março de 2007, a dentista Priscila Seraphim, 26 anos, é a prova de que, às vezes, basta uma oportunidade. Ela se divide em três clínicas odontológicas e o curso de especialização. Durante a faculdade, Priscila contou com a ajuda da aposentadoria da avó para custear R$ 2 mil por semestre com o material da aula prática, livros, roupa branca, alimentação e transporte: “Havia livros que custavam R$ 300 e não tinha para todos na biblioteca”.

    Como ocorreu com Priscila, a Sub-reitoria de Graduação da Uerj identificou que a maior dificuldade dos cotistas era permanecer até a formatura. Por isso ampliou a assistência estudantil. Além da bolsa-auxílio de R$ 300 e de oficinas de reforço escolar, a universidade passou a fornecer livros, calculadoras e kits básicos para alunos de Medicina e Odontologia, que incluem instrumentos como estetoscópio e material para aulas em laboratório.

    Como tartarugas da fábula, cotistas começam em desvantagem, mas podem ser os primeiros na linha de chegada, incentivados pela determinação que os leva a seguir sempre em frente. Eles se formam mais (25,9%) do que os não-cotistas (20,5%). “Agarram com unhas e dentes a oportunidade e fazem melhor uso do dinheiro público, já que não abandonam o curso”, reconhece a sub-reitora Lená Menezes.

    Fonte:  Aposentado Invocado, adaptado pelo "teacher"
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