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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SERRA NÃO CONSEGUIU IDENTIFICAR SEUS ELEITORES

 Brilhante análise de Maria Inês Nassif sobre o PSDB de Serra e de como   eles não conseguiram, pelo menos nas três últimas eleiçõe ultrapassar as fronteiras de São Paulo nem se afastar do discurso  conservador



Uma das razões da derrota do candidato das oposições, José Serra (PSDB), foi a enorme dificuldade que teve de identificar quem eram seus eleitores. Um campanha sem debate de programa de governo favorece a situação - a administração já está lá e o eleitor identifica ideologias, intenções e opções de políticas públicas.

por Maria Inês Nassif para o Valor Econômico


Para um candidato de oposição, atirar a esmo na questão programática pode ser letal. A campanha deixa de ser debate político e passa a ser promessa. E promessa não conta para qualificar um candidato como representante de um setor social.

O PSDB e José Serra terão de decidir, definitivamente, que corneta tocam. O partido caminha para a direita desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), ocupou esse espaço no setor social correspondente, mas tem feito um suco ideológico na hora de ir para as urnas que não se mostra muito eficiente. O ex-presidente FHC tem razão numa coisa: o PSDB, de fato, tem que assumir sua real posição no cenário político, e essa posição tem a marca indelével de oito anos de seu governo, com todas as opções que fez de política econômica, monetária e de não-políticas públicas.

Esconder os oito anos de Fernando Henrique Cardoso é quase como apagar o partido da história. Foi nesse período que o PSDB cultivou uma base social identificável, conservadora, de alta renda e alta escolaridade, muito concentrada em São Paulo, à qual se somam uma classe média paulista que sempre deu votos a Paulo Maluf com prazer, e manteve um Orestes Quércia até que o PMDB do Estado fosse reduzido à inanição. A grande maioria dos quadros tucanos, que foi criada como social-democrata, fez essa transição sem grandes crises, amortecida pela ideia de que o único progressismo vinha do neoliberalismo - o Brasil moderno passava pela redução do Estado e pela autorregulação dos mercados. Foi com essa bandeira que o partido firmou-se no Estado mais rico da Federação, São Paulo, o centro nevrálgico do partido de José Serra. Foi aqui que o tucanato conquistou empresários, banqueiros e uma classe média altamente conservadora. Aqui o PSDB amoldou o seu eleitor típico. E foi com os olhos paulistas que a campanha de Serra à Presidência foi feita.

As três derrotas do PSDB nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010 decorrem de uma enorme dificuldade do partido paulista atender a um eleitorado majoritariamente conservador do Estado e, ao mesmo tempo, ganhar os votos necessários no resto do país para ganhar a eleição. A tentativa de unir essas duas necessidades - manter votos conservadores e atrair votos do povão beneficiado nos governos Lula - deu um nó na campanha serrista. As promessas de aumento real do salário mínimo, 13º salário para o Bolsa Família e aumento real das aposentadorias conviveram com o uso do tema aborto para acuar a candidata petista - ao agrado da elite paulista - ou pelas lembranças do passado de Dilma - a gosto de parcelas da classe média de São Paulo, que chegavam a trocar e-mails acusando a presidente eleita de "assassina".

Esse imbróglio ideológico resultou numa campanha que fugiu do debate pelo simples fato de que o PSDB não tinha programa. Não encontrou alternativas para se contrapor a um governo que terminou popular - o que nesse país é uma coisa rara - e não encontrou nada melhor para fazer do que dizer que ia fazer o mesmo que o partido que combateu de forma tão vigorosa. O conteúdo moral aplicado à campanha foi a diferenciação proposta ao eleitor.

A hegemonia paulista do PSDB provocou mais estragos do que trouxe votos no resto do país. O partido não consegue, com esse discurso, ultrapassar uma barreira de rejeição que o PT carregou até as eleições de 2002. O "até logo" de Serra, no discurso em que reconheceu a derrota, pode ter sido a sinalização da manutenção dessas contradições internas que se originam fundamentalmente nos quadros paulistas do PSDB e que dificultam a proximidade de seu discurso com setores de menor renda e menor escolaridade, que são a maior parte do eleitorado brasileiro. O isolamento do PSDB paulista em relação ao resto do partido tem cobrado seu preço, que é pago de forma socializada pelo partido nacional.

O país tem passado por profundas transformações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer pela facilidade com que conversa com as classes populares, quer pelo sucesso de uma política de distribuição de renda, mudou o padrão de relacionamento da política com a população de baixa renda. Os partidos, em geral, serão obrigados a se adaptar a essa nova realidade. Essa realidade inclui também uma redução da força política relativa do Estado de São Paulo e de suas elites. Redução de concentração de renda resulta, de forma quase que automática, em uma redistribuição regional das riquezas nacionais. Um partido que não for realmente nacional, ou não tiver apoios e uma visão nacionalizada, dificilmente conseguirá angariar os votos necessários para se eleger num pleito nacional.

As três últimas eleições acirraram as divergências na base social - polarizaram a eleição entre duas forças e o PT firmou-se na posição social-democrata antes pleiteada pelo PSDB, enquanto o partido de Serra assumia o eleitorado conservador. Nos momentos de grande radicalização da campanha, o conservadorismo parece que vai tomar o eleitorado menos escolarizado. Um fato a ser lembrado, e estudado, todavia, é que essas três eleições acabaram se sobrepondo ao preconceito que é estimulado, nas bases, para favorecer um candidato conservador. O conservadorismo está fazendo mais barulho do que produzindo resultados. Como democracia é alternância de poder, isso um dia muda. Por enquanto, ficamos assim: duas eleições de um ex-metalúrgico e uma eleição de uma mulher que militou em grupos que defendiam a luta armada durante a ditadura. O preconceito, ao menos nessas vezes, não surtiu resultado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SOBRE A POSTAGEM 'LULA PREVALECERÁ EM 2011', DIZ 'THE ECONOMIST'


Li a postagem cujo  titulo está acima a alguns minutos atrás. (aqui). Durante todo o primeiro turno eu mesmo rebloguei vários "posts" como esse falando das privisões de jornais, revistas e especialistas sobre a vitória de Dilma no dia 03 de outubro. Talvez, em consequência disso o que vimos foi o relaxamento do comando da campanha não se preocupando com a imensa rede de boatos que se propagavam pela rede e não os combatendo de maneira eficiente. Não podemos, repito,  não podemos, ficar de novo espalhando texto que expressam apenas o otimismo e previsões. Também não podemos enveredar pelo pessimismo puro e simples. O que temos que fazer e arregaçar as mangas e trabalhar. E o comando da campanha, a direção do PT e todas as pessoas que tem poder de decisão devem se preparar e principalmente preparar e municiar a militância para a batalha que vai ser dura e sangrenta. 

P.S Paulo Henrique Amorim publica que a veja desta semana traz reportagem sobre a capitalização da Petrobrás para atingir Dilma. É disto que estou fala)ndo e contra isto que precisamos lutar.

by the teacher.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MARINA NÃO VAI PARA DILMA. ELA SABIA DOS ATAQUES E SE BENEFICIOU DELES.

Marina Silva  sabia da covarde campanha contra Dilma Rousseff na Internet. Como cristã fervorosa que diz ser, deveria ter se manifestado contra. Como política ética que diz ser, deveria ter combatido nas vezes em que teve oportunidade. Como mulher, deveria ter vindo a público para, ainda que de forma velada, manifestar sua indignação contra os ataques que ela mesma, Marina, poderia e pode também sofrer.  Mas calou-se. Calou-se porque lhe era conviniente o silêncio. A política falou mais alto do que a cristã. a evangélica, a pentecostal. Nós, simples cidadãos sempre soubemos dos ataques na internet, da calúnia e da difamação. Imaginem Marina! com todo marketing politico a apoiá-la. E mais, Marina e sua equipe sabiam que jamais chegariam ao segundo turno, mas provocariam um. A lógica é simples: Se Serra que tinha ao redor de 30% não alcançaria, como não alcançou, Dilma com 50%, como Marina ultrapassaria Serra se na semana antes da eleição ela ostentava 10%? Estou arredondando os números para maior clareza. Esta linha de raciocínio é apenas para esclarecer que Marina Silva não se encaminhará para Dilma. Não, porque ela sempre soube que o seu partido estava sendo usado como linha auxiliar para Serra. Não porque ela sempre soube que o PV no que tange à integridade moral de alguns de seus integrantes não está muito distante daquilo que ela condenou no PT. E finalmente, não, porque acho, e aqui estou supondo, claro, que para ela tem um gostinho de vingança ver Dilma, que foi uma das responsáveis pela sua saída do governo e do PT, sofrer um pouco. Deus queira que eu esteja errado, se estiver certo vai ser triste ver a grande seringueira, discípula de Chico Mendes, tentando, porque não vai conseguir, jogar o país e os brasileiros nas garras da direita.

by the teacher.

AGORA É O SEGUINTE: QUEM ESTÁ AO LADO E QUEM ESTÁ CONTRA LULA




Este é o lema político do segundo turno de 2010

O segundo turno da eleição presidencial de 2010 será a prova dos nove acerca do lulismo de resultados. Pessoalmente, o presidente Lula alcança cerca de 82% de popularidade no País. É um feito inédito, considerando a nossa história recente e menos recente. Somente dois outros presidentes da República tiveram tantos demonstrativos de estima e admiração dos brasileiros: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek de Oliveira. Não por acaso, dois líderes reformadores que modificaram o país e projetaram-no a patamares de desenvolvimento institucional, social, político e econômico que até hoje são lembrados como definidores de traços da nossa identidade nacional. Também não é por acaso que estes dois brasileiros foram os que sofreram os maiores ataques dos seus adversários de então. Um, foi levado ao suicídio como arma política que prorrogou o golpe que afinal se abateu dez anos depois, em 1964. O outro, foi morto em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Objeto de suspeitas sobre uma possível eliminação de adversários dos governos militares do Cone Sul, sob a sanha da chamada Operação Condor.






O teólogo Leonardo Boff, notabilizado pela intolerância do cardeal Ratzinger, depois papa da Igreja católica, tem sobre os seus ombros uma tarefa político-eleitoral de enorme significado. Me explico: Boff foi um dos pioneiros a fomentar a candidatura de Marina Silva à presidência da República. Temos informações confiáveis sobre esse fato. Depois de verificar a importância cada vez mais estratégica do tema ambiental, ainda que numa chave não-convergente com o pensamento hegemônico, Boff estimulou a vaidade da ex-seringueira acreana a ponto de fazê-la aceitar o desafio. Não podia ser dentro do PT, petreamente hegemonizado pelo lulismo. Acabaram achando uma sigla prostituída e sem nenhum caráter, a não ser a coloração Verde, sugerindo vagamente o compromisso ambiental, mesmo que em vigésimo lugar na sua interna hierarquia pseudo-programática. Mas faltava a chama essencial, a credibilidade de padrinhos políticos reconhecidos pelo establishment midiático nacional. É quando entram em cena os dois pajens de armas de Marina, a saber: Fernando Henrique Cardoso e Fernando Nagle Gabeira. FHC viu logo em Marina a possibilidade de promover uma fissura no lulismo e ao mesmo tempo anular o inegável caráter plebiscitário da eleição de 2010. Agora, Marina Silva deixava de ser tanto um projeto de vaidade pessoal da acreana, quanto um vago discurso rousseauniano em favor da sustentabilidade do planeta, para se constituir em potente vetor eleitoral - polido de Verde - de desconstituição do lulismo de resultados. Como se vê uma engenhosa arquitetura eleitoral de montagem de uma importante linha auxiliar da direita. Os fatos das últimas horas estão a evidenciar o acerto, ainda que provisório, do empreendimento antilulista. O diacho é que não se vence corrida eleitoral somente com descontrução e negatividade. Mais que isso, é precisar apontar para o futuro com dedos, olhos e mãos propositivas, com os braços carregados de esperanças e repletos de afirmações positivas. Eleição é sobretudo positividade, mesmo que seja apenas retórica, como acontece na maioria dos casos. Você pode e deve negar, mas simultaneamente deve propor ações objetivas e esperanças coletivas.






Isto posto, José Serra é um candidato improvável. Nos últimos sessenta dias experimentou uma dezena depersonas, máscaras, discursos e retóricas de ocasião. Tentou ser lulista. Tentou ser denuncista. Tentou ser escandaloso. Tentou ser vítima. Tentou usar de forma instrumental a própria filha. Tentou ser experiente. Tentou ser líder. Tentou ser popular. Tentou ser religioso. Tentou ser crente. Só não tentou ser José Serra, filiado ao PSDB, companheiro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afetado, vaidoso, impopular e descrente de si próprio (renunciou ao seu legado intelectual) e do Brasil.





No laboratório mesmo, Leonardo Boff viu o monstrinho que acabara de dar vida política. Desde então tratou de se reconciliar com o lulismo, apoiando a candidata de Lula à presidência da República, expresso em diversos artigos publicados nas últimas semanas. Mas falta mais. Falta puxar a acreana do fundo do seu poço de vaidade e mostrar a ela a trajetória do seu descaminho. Mostrar que os seus 20% de votos são compostos por pedaços da própria vaidade, por pedaços de circunstâncias irrepetíveis, pelo fortuito e pela acidentalidade dos fatos. Marina Silva é a quintessência da casualidade e do conjuntural. Nela, quase tudo é falso e improvisado. Sua formação religiosa católica - chegou a ser noviça conventual - ficou subsumida a um credo evangélico flou e de ocasião. Suas sinceras convicções ambientalistas ficaram dependentes e subordinados a um projeto econômico liberal que se quer sustentável apenas na retórica e no manejo astucioso da palavra. Sua liderança episódica não se sustentará sobre a base insólita de um partido desfigurado e prostituído. 





Assim, o segundo turno se afigura - agora, em definitivo - como um grande plebiscito: os que estão contra Lula e os que estão a favor de Lula. A eleição acabou retornando ao leito natural dos fatos e acontecimentos positivos dos últimos anos, quando quase 60 milhões de brasileiros tiveram graduação no seu status social, o país saiu da estagnação econômica das últimas três décadas, e o Brasil se projetou no plano internacional com força, identidade própria e soberania. Há, claro, muitas lacunas, falhas e omissões imperdoáveis mas é o que se conseguiu em oito breves anos, depois de uma espera de frustrações, golpes militares, derrotas e acertos pelo alto de quase meio século. 




Dilma Rousseff é o indivíduo fio-condutor de um longo processo de afirmação da modernidade burguesa no Brasil. Arrisco a dizer que ela representa os ideais republicanos e modernizantes do castilhismo, ainda na rústica vertente pré-democrática, do getulismo, do juscelinismo, como aspiração das classes médias urbanas, do nacionalismo que pende para a esquerda (inclusive com raízes militares) e finalmente da esquerda não-stalinista, bem como da cidadania sincera (como dizia Basbaum), republicana e que aposta na Utopia. 



Então decidamos: quem está com Lula, fica com Dilma. Quem está contra Lula e contra as últimas conquistas do Brasil e dos brasileiros, que fique com José Serra, essa improbabilidade ativa. Este é o ponto e a pauta do qual Dilma não pode se afastar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DILMA, O PT E OS DEBATES

                                       também! com Nosferatus por perto...

Durante todo o dia li muitas opiniões sobre a participação de Dilma no debate da Record. A maioria elogiou. O blog Os Amidos do Presidente Lula até colocou um vídeo com os melhores momentos da candidata. Já no  Blog da Cidadania apesar do título da postagem ser "Dilma passa o rodo em Serra",  reclamou-se de um "engessamento" e de uma "robotização" da petista. Bom, dito isto,  aqui vai a minha opinião: Não tenho gostado da atuação de  Dilma nos debates. Não tenho dúvida alguma de sua inteligência, poder de articulação e mesmo de retórica. Nas vezes    em que tive oportunidade de ouvi-la falar tranquilamente em entrevistas pude constatar o seu discurso fluente e sua cultura. Porém, ou ela está muito mal acessorada nos debates ou ainda não conseguiu relaxar completamente neles. Perguntas que, tenho certeza, em outras circunstâncias ela responderia de forma direta e nocautearia seu interlocutor,  nos debates nós esperamos que ela o faça e isto não acontece. Por exemplo a pergunta sobre se ela iria controlar o PT ou não foi uma ótima oportunidade para que ela dissesse - eu tenho usado esta linha para defender o Partido dos trabalhadores-  que não tem por que segurar o PT. É preciso segurar o PSDB, que teve um governador (Cassio Cunha Lima) cassado, uma governadora (Yeda Crusius) envolvida até o pescoço na corrupçao do Rio Grande do Sul, um deputado tucano (Ary Rigo) flagrado recebendo propina no Mato Grosso do Sul recentemente. ( aqui) Só para ficar por aqui. É preciso segurar o Dem, que  fez tudo o que se sabe  em Brasilia. Há  que se cuidar do PPS, cujo Presidente ganha graúdo salário em São Paulo sem aparecer lá. Depois das denúncias do mensalão em 2005 já houve eleições para presidente e governador senador e deputado (2006) e prefeito e vereador 2008. Quantos parlamentares, prefeitos ou governadores do PT foram denunciados por corrupção, prevaricação, uso indevido do dinheiro público de lá até aqui? Quantos foram pegos na Lei da Ficha Limpa? Se algum foi não tive conhecimento (aceito correções neste ponto). Dilma e o PT têm que sair das cordas neste assunto da corrupçao. Uma defesa mais veemente e segura precisa ser feita. Não se pode deixar que um falsário de marca maior com Serra, envolvido até a alma em transações erradas (Daniel Dantas, super faturamento de ambulâncias, confecção de dossiês contra adversários, contrato milionário com a veja, e todos os outros orgãos do PIG, com o dinheiro do contribuinte de São Paulo) fale mal do PT e sua representante nas eleições, que lidera as intenções de votos para a Presidência da República fique na defensiva.Não se pode deixar de reconhecer que para quem nunca disputou uma eleição, principalmente desta envergadura, consequentemente,  nunca participou deste tipo de experiência (os debates) Dilma até que tem se saído bem. Mas que poderia ser melhor, poderia. 
P.S:  Antes que alguém me lembre, a lapada que ela deu na Santinha do pau oco,  Marina, a respeito da corrupção no Ministério do Meio Ambiente foi um momento de brilho. É preciso mais iguais àquele.

by the teacher. 

domingo, 26 de setembro de 2010

MARCOS COIMBRA: A "ÚLTIMA HORA"




Neste domingo, a apenas uma semana da eleição presidencial, temos uma parte menor do sistema político, uma parte importante (mas minoritária) da sociedade e a maioria da “grande imprensa” em torcida animada para que a “última hora” faça com que os prognósticos a respeito de seu resultado não se confirmem.

É natural que todos os candidatos, salvo Dilma, queiram que alguma reviravolta aconteça. Os três partidos que dão apoio a Serra, o PV de Marina Silva, os pequenos partidos de esquerda, todos torcem pelo “fato novo”, a “bala de prata”, algo que a golpeie. Do outro lado, a ampla coligação que Lula montou para sustentar sua candidata (e que formará, ao que tudo indica, a maioria do próximo Congresso) espera que nada altere o quadro.

Hoje, Dilma lidera em todas as regiões do país, jogando por terra as análises que imaginavam que as eleições consagrariam um fosso entre o Brasil “moderno” e o “atrasado”. Era o que supunham aqueles que leram, sem maior profundidade, as pesquisas, e acreditavam que Serra sairia vitorioso no Sul e no Sudeste, ficando com Dilma o voto do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Não é isso que estamos vendo.

Ela deve vencer em todos os estados, em alguns com três vezes mais votos que a soma dos adversários. Vence na cidade de São Paulo, na sua região metropolitana e no interior do estado. Lidera o voto das capitais, das cidades médias e das pequenas. É a preferida dos eleitores que residem em áreas rurais.

As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras.

Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.

É claro que sua candidatura não é uma unanimidade. Existe uma parcela da sociedade que não gosta dela e de Lula, que nunca votou e que nunca votará em alguém do PT. São pessoas que até toleram o presidente, que podem achar que é esperto e espirituoso, que conseguem admirar aspectos de seu governo. Mas que querem que Dilma perca.

Se, então, Dilma reúne ampla maioria no eleitorado e apoios majoritários no sistema político, o que seria a “última hora”? O que falta acontecer, de hoje a domingo?

Formular a pergunta equivale a considerar que o eleitorado ainda não sabe o que vai fazer, que aguarda a véspera para se decidir. Que “tudo pode mudar”.

É curioso, mas quem mais acredita que os outros são volúveis são os mais cheios de certezas, os mais orgulhosos de suas convicções. Mas acham que o cidadão comum (o “povão”) é diferente, que é incapaz de chegar com calma a uma decisão pensada e madura.
É fato que sempre existe uma parcela do eleitorado que permanece indecisa até o final. Já vimos, em eleições anteriores, que ela pode oscilar, saindo de uma candidatura e indo para outras. Conforme o caso, sua movimentação pode provocar resultados inesperados, como ocorreu com o segundo turno em 2006.

Mas aquelas eleições também mostram como acontecem esses fenômenos de “última hora”. Nelas, a única coisa que um quase uníssono da “grande imprensa” contra a candidatura Lula conseguiu fazer foi assustar os eleitores mais frágeis, com baixa informação e baixo interesse por política. Os dados indicam que os eleitores mais informados e com alto e médio interesse em nada foram afetados pela artilharia da mídia (assim como os sem nenhum, que nem ficaram sabendo que havia “aloprados”).

Ou seja: aquela gritaria só fez com que as pessoas mais inseguras a respeito de suas escolhas ficassem confusas, ainda que apenas por alguns dias. Mal começou a campanha do segundo turno, Lula reassumiu as rédeas da eleição e avançou sem problemas até a consagração no final de outubro. É como o título daquela comédia: “Muito barulho por nada”.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi



Fonte: Vermelho

O RECADO DO CUMPADI DIAFONSO.




Carta aberta aos inestimáveis amigos blogueiros

Esta semana que entra é decisiva. Haverá "choro e ranger de dentes" vindos da oposição. Não baixemos a guarda. Conversando, ontem à noite (tomando um uisquinho), com o meu cumpadi prof. Ramos do blog Brasil's news externei a ele a nossa obrigação de intervir para que a mídia golpista não maculasse o processo democrático nessas eleições. Dizia eu que não pude intervir no período da ditaruda, pois minha geração era outra. Sabíamos pouco ou quase nada. Eu tive a oportunidade de estudar todo o meu antigo primário em quartel, nas tais Escolas Reunidas fundadas no governo militar, e, por algo que escapa à minha compreensão, pude perceber que algo não era do jeito que pintavam. Havia algo de estranho naqueles aroubos cívicos a que éramos obrigados e internalizar. Só com o passar dos tempos é que pude atinar para o que acontecia. Não fui omisso, fui, impiedosamente, desinformado e ludibriado. Não tive o poder de intervenção nesta página dolorosa da história do Brasil. Hoje é diferente. Tenho uma rede que me permite diálogo e reflexões. Tenho amigos blogueiros com quem posso interagir. Hoje quero fazer valer (como venho fazendo desde a primeira candidatura de LULA) o meu poder de intervenção como cidadão que deseja o Brasil para os brasileirosa. Tenho à disposição a Blogosfera e meus amigos de batalha. Façamos valer o nosso direito de ser feliz e de ter um país digno e justo para todos. Derrotemos esta mídia golpista, seletiva, mesquinha e parasita! Vale, também, refundar a emoção de um tempo em que ver um projeto político derrotado era apenas um detalhe, pois sabíamos o que queríamos e sabíamos que continuariamos lutando. Deu no que deu: um governo para o povo, pelo povo e do povo com Lula presidente por oito anos. Ele é o cara! Escutemos a aurora de um país diferente (Vale chorar... Já chorei várias vezes antes e... porque não lacrimejar agora?):Ouça a aqui a música que finaliza o texto(é de fazer arrepiar).Fonte:Terra Brasilis.

Post original Terra Brasilis, post atual e título importado do Terror do Nordeste 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

EXTREMA-DIREITA LANÇA MANIFESTO CONTRA A DEMOCRACIA



QUARTA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2010

O manifesto neoudenista
Alguns artistas e intelectuais estão lançando, com grande apoio da mídia, um manifesto “em defesa da democracia”. Muito bem, todos somos e eu trago na vida familiar a herança da sombra ditatorial.

Mas a pergunta que me ocorre é: como é que a democracia está “assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade”.

Como é este autoritarismo hipócrita? As instituições funcionam livremente ou não? O Ministério Público não está impondo, até com muito mais severidade que ao outro contendor, sanções à candidata do Governo e ao próprio Presidente da República? Os ministros do TSE que ora rejeitam, ora confirmam estas sanções estão pressionados para qual dos dois atos?

A Polícia Federal está limitada partidariamente em sua ação? Não acaba de agir com total liberdade contra aliados do Governo?

Gostaria que os senhores respondessem a esta pergunta com um simples sim ou não.

Ou democracia seria pré-condenar qualquer pessoa acusada, sem o devido processo legal, sem julgamento regular e justo, sem direito de defesa?

Dizem eles que “é um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo”. Quero testemunhar, como membro do Legislativo, que nunca recebi uma ameaça, uma pressão ilegítima, um ultimato para votar em qualquer questão do interesse do Governo. Algumas vezes, aliás, caminhei em sentido contrário, e posso citar, por exemplo, a questão do reajuste dos aposentados e do fator previdenciário, onde nossa pressão – e inclusive, registro, de alguns petistas, como o Senador Paim – se voltou justamente contra o Governo, em defesa das causas que apoiamos.

Mas o que mais estranhei foi que o tal texto dissesse que “é aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses”.

Como assim?

Teriam os senhores signatários a fineza de dizer que mecanismos são estes? Seriam, por acaso, as determinações constitucionais de que as concessões de rádio e televisão sirvam à educação e à informação correta da população? E que grupos estão sendo financiados e como? Os senhores fariam a fineza de informar ou vão ficar na “denúncia anônima” que fez a excelentíssima Dra. Sandra Cureau inquirir a Carta Capital, de Mino Carta, sobre quais foram os anúncios que recebeu, quando os grandes jornais e revistas, evidentemente de oposição ao Governo, publicam também anúncios insitucionais e comerciais de empresas estatais?

Mas a direita manifesteira, que não faz manifesto contra a fome, contra a pobreza, contra o aniquilamento cultural da população submetica a uma mídia baixa e deseducadora, que estimula o individualismo e a “notoriedade a qualquer preço”, no final do texto entrega sua devoção:
“É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.”

Ah, sim, agora eu entendi.

O manifesto não é em defesa da democracia. É um manifesto em defesa do neoliberalismo, em defesa de Fernando Henrique Cardoso.

Não tenho nada contra.

Mas eu me lembro de uma frase de meu avô: as palavras devem ser usadas para expressar os pensamentos, não para os esconder.

Quando se esconde algo, boa coisa não é.

sábado, 18 de setembro de 2010

SOM E FÚRIA DA VELHO IMPRENSA


Reproduzo excelente artigo de Gilson Caroni, publicado no sítio Carta Maior:

Em uma guerra onde cada queda nas pesquisas repercute como a perda de um exército do candidato tucano, a grande imprensa brasileira tem a reação previsível. Emissoras de televisão, jornais e revistas semanais se unem em grupos, deixando a confiança em uma improvável virada de José Serra se avolumar até atingir o êxtase nos estratos sociais que lhe dão sustentação rarefeita. Tal comportamento, onde todos os meios de comunicação atuam de forma orquestrada, em fina sintonia com os comitês de campanha, traduz a relação simbiótica entre o tucanato e as famílias que controlam os mecanismos de produção e difusão informativos. No estreitamento do processo, um projeta no outro seus interesses pessoais e políticos. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Cria-se uma vivência de alienação, situação de risco escolhida para se experimentar um novo cenário golpista. Neste clima, são negadas as dificuldades em se resolver os problemas sociais, políticos, econômicos e ideológicos de uma candidatura fadada a um “enterro de Gioconda”. É por esta anestesia da razão, alheamento da realidade, que se acentua a autoconfiança dos milicianos encastelados nas editorias de Política. Só assim acreditam que o desejo poderá ser satisfeito em um passe de mágica. Transitam pela animação da onipotência, acreditando possuir a força ilimitada dos deuses. Quando, no entanto, a história mostra o seu compasso, o efeito delirante dá lugar ao desconforto da depressão e do vazio ameaçador. Serra é a mídia. A mídia é Serra.

Não há espaço para o contraditório. Publicações que não fazem parte do pool tucano são censuradas no campo jornalístico. Escândalos são fabricados em escala crescente. Denúncias publicadas sem apuração. O contraditório inexiste. A imprensa golpista, involuntariamente, reaviva a advertência de Gramsci: enquanto o mundo velho não se finda e o novo não se afirma, a sociedade vive num estágio de morbidez latente, apta a produzir seus fenômenos mais perversos. Nesse interregno, os Mervais, Leitões, Noblats, Josias e Fernandos, entre tantos outros, fazem, ou tentam fazer, o retorno a uma formação política infantilizada, desagregada e primitiva.

Se for justa a indignação dos que militam no campo democrático, a perplexidade é imperdoável. Desculpem-me a sinceridade da pergunta, mas que tipo de comportamento vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? O padrão editorial predominante em 1954 não se repetiu dez anos depois? Desde a eleição de Lula a que temos assistido? Por que razão ficamos esperando que agora fosse diferente?

Será que é preciso lembrar que continuamos vivendo em uma sociedade determinada pelos interesses de classe? E, quando se trata do principal, não podemos esquecer que somos o outro lado, os inimigos a serem derrotados, mais ainda a Dilma e o que ela representa simbolicamente. Ficar surpresos nos remete a uma ingenuidade inadmissível.

A credibilidade no jornalismo é puro mito, pura hipocrisia, recurso de marketing usado pelas empresas. Apesar de sabermos disso, esperamos, lá no fundo das nossas almas, que seja diferente, que a prática da mídia burguesa seja semelhante ao seu discurso publicitário, mas não é e não será jamais. A única forma de travar a batalha democrática no campo informativo é criar veículos eficientes, na forma e no conteúdo, que estejam a serviço dos interesses da maioria da população. E isto não é para “fazer a cabeça” do povão, mas simplesmente articular um discurso, uma argumentação contrária à estrutura narrativa da imprensa que representa o establishment. Se falarmos em luta pela hegemonia, como ignorar questões centrais?

Queremos “absolvição” por termos desconcentrado o mercado publicitário e realizado a Confecom? Creio que não. Para continuar reerguendo o país do descalabro, da frustração e da desesperança, o que podemos esperar senão som e fúria dos aparelhos ideológicos burgueses? A ausência de poder sobre a situação fará aumentar o rugido, o desejo destrutivo de forças que subestimaram a sociedade brasileira, que a ignora solenemente.

Todos os sinais de alarme já soaram. O velho Gramsci era do ramo. Ninguém poderá dizer, desta vez, que não foi alertado a tempo.

Fonte do texto: Blog do Miro

O FIM: UM CICLO EM QUE A VELHA MÍDIA FOI SOBERANA.



Devemos ler e aprender neste belo texto no qual luis Nassif mostra o que foi e tem sido, pelo menos até o momento, a "velha mídia" no Brasil.






Luis Nassif

Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos

A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.

texto importado do Blog do Saraiva

LULA, O COMANDANTE ESTÁ FAZENDO O SEU PAPEL

Escrevi em postagem anterior a esta aqui que Lula deveria liderar o movimento de combate imediato ao PIG participando de todos os comícios de Dilma e enfrentando o PIG de frente. Pois bem, com certeza o comandante não leu meu post, mas movido pela sensibilidade que lhe é peculiar partiu pra cima da imprensa golpista com "gosto de gás". Algumas tiradas do Presidente:


"Vamos derrotar jornais e revistas que se comportam como partidos políticos... jornais e revistas que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato".


"Tem dia que determinados setores da imprensa chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse seu jornal, se o dono da revista lesse sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste instante. E eles falam em democracia... Eles não suportam escrever que a economia brasileira vai crescer 7% este ano, não se conformam é que um metalúrgico vai criar mais emprego que presidentes elitistas que governaram este País".


Isso, grande Lula, mostre o caminho!


by the teacher.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"O POVO? ORA, O POVO...



   No texto de Eduardo Guimarães toda a revolta contra o preconceito com  que a elite, representada pelo jornal fascista O Estado de São Paulo, dedica ao povo, insinuando que são apenas as facilidades da economia que fazem  com que o "povo de Lula" vote em Dilma, como se não fosse direito de todos os cidadãos, sem exceções, gozar de melhores condições de vida. Essa direita virulenta está com os dias contados.

“O povo? Ora, o povo… Se não tem pão, que coma brioches”
Atribui-se a frase em epígrafe a Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine, arquiduquesa da Áustria e rainha consorte de França de 1774 até a Revolução Francesa, em 1789. Essa frase entrou para os anais da história como suprema demonstração de desprezo das elites pelas camadas majoritárias e empobrecidas das nações.
Nesta parte do mundo, o conceito fundamental da democracia, o império da vontade majoritária dos povos, sempre foi relativizado. Os estratos superiores da pirâmide social sempre acharam que o povo não sabe o que é melhor para si e sempre se dispuseram a tutelá-lo.
A crença aristocrática na ignorância intrínseca das camadas populares e a conseqüente relativização da vontade de maiorias que jamais se formam sem tais camadas fundamentou por aqui aberrações como uma ditadura militar que estuprou a vontade das urnas e destituiu, sem qualquer processo legal, um governo legitimamente eleito.
Há pouco, em um pequeno país centro-americano a violação da vontade da maioria se deu por meio de um golpe de Estado desfechado na calada da noite, no qual o presidente da República, detentor de inquestionável mandato popular delegado pela maioria dos cidadãos, foi colocado de pijamas em um avião e deportado sumariamente. Por aqui, a direita midiática apoiou o golpe e desandou a verter teorias segundo as quais a vontade da maioria não bastaria para garantir ao eleito o mandato que recebeu.
O discurso da direita midiática tupiniquim, portanto, tal como há mais de cinqüenta anos continua sendo o de relativizar o direito democrático das maiorias de fazer julgamentos políticos e, assim, eleger ou não os que governarão, sempre usando como desculpa supostos pecados das massas que as inabilitariam para tomar tais decisões.
Editorial do jornal O Estado de São Paulo de hoje trata dessa maneira o povo brasileiro. O povo? Ora, o povo se vende por “badulaques” propiciados pela bonança econômica, diz, em outras palavras, texto que representa a versão contemporânea da frase histórica de Maria Antonieta.
São “badulaques” como o de jovens negros e pobres se converterem nos primeiros universitários de famílias que, antes deste governo, jamais haviam sonhado com tanto. Miçangas para brucutus como 14 milhões de brasileiros entrarem para um mercado formal de trabalho que o governo anterior dizia que só seria ampliado com supressão de direitos trabalhistas.
O último parágrafo do editorial do centenário jornal paulista dispensa o leitor da pena da leitura de toda aquela peça de cinismo, de arrogância e de uma certa alienação quanto ao que é o Brasil contemporâneo. Sobre a tendência esmagadora que as pesquisas revelam de que Dilma Rousseff seja eleita presidente em três semanas, diz o texto:
“Está errado o povo? A resposta a essa pergunta será dada em algum momento, no futuro. De pronto, a explicação que ocorre é a de que, talvez, o povo de Lula seja constituído de consumidores, não de cidadãos”.
O “povo de Lula”… Não é a maioria massacrante do povo BRASILEIRO que as pesquisas mostram que elegerá Dilma Rousseff a despeito de todo o bombardeio acusatório – considerado sem provas pela Justiça – que os aliados de José Serra na mídia e o próprio candidato usam sem parar para tentar modelar a vontade da população. É o “povo de Lula”.
Se encontrasse hoje a “Lâmpada de Aladim”, pediria ao gênio que me facultasse ocupar rede nacional de rádio e TV para ler a acusação do jornal paulista ao povo brasileiro. Em seguida, poderia partir em paz desta vida, ciente de que finalmente conseguira revelar ao meu povo quem são esses maníacos que há gerações tentam impor seus delírios a toda uma nação
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