quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ROGÉRIO CORREIA: O VALÉRIO OPEROU PARA PARA O PT E PARA O AÉCIO


Rogério Correia: "Os tucanos tentam sempre colocar o Nílton Monteiro na conta do PT, mas o Nílton é cria deles"
por Conceição Lemes
Desde a semana passada, quando a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso aprovou convite para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  dar explicações sobre a Lista de Furnas, os tucanos estão em polvorosa.
Em discurso no plenário, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) atacou:
– Esta Lista de Furnas é um documento produzido em oficinas criminosas que operam sob o comando do PT com objetivo de atacar a reputação dos adversários, com uma série de nomes de políticos que teriam recebido contribuição ilegal da estatal. Submetida à investigação, a perícia já constatou ser uma fraude. As assinaturas foram falsificadas.
No início de novembro, o PSDB e aliados foram surpreendidos com outra notícia embaraçosa. Dino Miraglia, advogado do lobista Nílton Monteiro, entrou com petição no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando ao ministro Joaquim Barbosa que junte no mesmo inquérito a Lista de Furnas e o mensalão tucano. Alega haver conexão entre os processos, pois envolve as mesmas partes e a mesma forma de fazer caixa 2. Nílton, velho conhecido dos mineiros, denunciou os dois esquemas.
“Os tucanos tentam colocar o Nílton Monteiro na conta do PT, mas o Nílton é cria deles”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). “O Nílton foi usado pelo Cláudio Mourão para pressionar o Azeredo [Eduardo Azeredo], de quem cobrava uma dívida da campanha eleitoral de 1998. Só que o Cláudio acabou perdendo o controle sobre o Nílton, e o seu relatório com os financiadores da campanha daquele ano e os candidatos beneficiados acabou vazando.”
“O próprio Nílton apresentou também a Lista de Furnas, elaborada por Dimas Toledo, que, em 2002, fez uma operação monstro para levantar recursos para as campanhas de tucanos e aliados”, prossegue Correia. “Dimas lista nomes e quantias recebidas por candidatos que se se beneficiaram do esquema. Seu objetivo era pressionar Aécio Neves, eleito governador, e  outros tucanos, para que pressionassem Lula a mantê-lo à frente de Furnas, como, de fato, aconteceu por um tempo.”
Ou seja, duas listas tiram o sono dos tucanos.  A do mensalão, que a mídia insiste em chamar de mensalão mineiro, diz respeito à eleição de 1998. Eduardo Azeredo era candidato à reeleição pelo governo de Minas Gerais pelo PSDB. Perdeu para Itamar Franco, na época no PMDB.  Já a Lista de Furnas refere-se à campanha eleitoral de 2002. Como ambas têm origem em Minas, no mesmo grupo político, muita gente confunde os dois esquemas.
“A mídia geralmente omite que Aécio estava na lista do mensalão tucano, como tendo recebido R$ 110 mil reais e que o esquema extrapolou Minas, irrigando até a campanha de reeleição de Fernando Henrique à presidência”, afirma Correia. “Assim como passa por cima da história da Lista de Furnas, feita toda no esquema político do Aécio e que se espalhou pelo Brasil inteiro. Foi o esquema da Lista de Furnas que sustentou os tucanos na campanha de 2002.”
Tucanos e aliados odeiam Rogério Correia. Em 2005, ao tomar conhecimento da Lista de Furnas, o deputado levou-a à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal e Estadual para que fosse investigada.  Em 2011, após reportagem publicada por Veja, tentaram lhe cassar o mandato, dizendo que havia participado do processo de falsificação dos nomes da lista. “Falsa era a reportagem da Veja”, ressalta. “A verdade acabou aparecendo.”
Daí esta nossa entrevista com o deputado, que é líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa e do Movimento Minas Sem Censura. Aqui, ele  faz um raio X  das duas denúncias que, desde que se tornaram públicas, têm contado com a blindagem da mídia corporativa.
Viomundo — Na semana passada, o senador  Aloysio Nunes disse que a “perícia já constatou ser uma fraude” a Lista Furnas e que “as assinaturas foram falsificadas”.  O que acha?
Rogério Correia – Foi perícia da Polícia Federal que atestou a autenticidade de Furnas. Assim como a lista do Cláudio Mourão, contendo nomes de parlamentares que receberam do mensalão tucano, na eleição de 1998. Esse documento foi periciado. Depois, o próprio Cláudio Mourão confessou na Polícia Federal que o documento era dele.
Viomundo – É impressão ou as pessoas confundem a Lista de Furnas com a do mensalão tucano?
Rogério Correia – Não é impressão, não. Muita gente confunde. Primeiro, porque ambas têm origem em Minas, envolvem os mesmos partidos políticos e os mesmos esquemas de caixa 2. Segundo, porque cita nomes de candidatos que teriam recebido dinheiro do esquema para as respectivas campanhas. Terceiro, porque a mídia não tem interesse em divulgá-las, muito menos em diferenciá-las. Isso é proposital. Fica parecendo então que só havia uma denúncia, quando, na verdade, são duas, de eleições diferentes.
Viomundo – Esses esquemas vieram a público quando?
Rogério Correia – Em 2005, após a denúncia sobre o mensalão do PT, é que eles ganharam  notoriedade. Só que a lista do Cláudio Mourão, a do mensalão tucano, é de 1998. A Lista de Furnas é da eleição de 2002.
Viomundo – Vamos começar pela lista do Cláudio Mourão.
Rogério Correia – O Cláudio Mourão foi secretário de Administração de Azeredo na Prefeitura de Belo Horizonte [1990-1992] e no governo de Minas Gerais [1995 a 1º de janeiro de 1999]. Depois, foi o coordenador financeiro da  malsucedida campanha pela reeleição de Azeredo ao governo do Estado. Consequentemente, dominava toda a operação envolvendo dinheiro para a campanha: dos financiadores aos beneficiários.
Pois bem, o Cláudio Mourão fez um documento onde relata minuciosamente essa operação, que custou mais de R$ 100 milhões. O documento atinge o próprio Azeredo, vários parlamentares e políticos, entre os quais o hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Nesse documento (íntegra, no final desta entrevista), ele diz, por exemplo, que:  arrecadou mais de R$ 100 milhões na gestão final de Eduardo Azeredo; valores não declarados ao TRE-MG acima de R$ 90 milhões (caixa 2); só a SMP&B e a DNA Propaganda, do Marcos Valério, movimentaram quase R$ 54 milhões dos recursos levantados. Aécio Neves está na lista do Mourão como tendo recebido R$ 110 mil para sua campanha à Câmara dos Deputados.
Esse documento foi periciado e a sua autenticidade comprovada. Na Polícia Federal, o Cláudio Mourão confessou que o documento era dele.
Viomundo – O que levou Cláudio Mourão a fazer e vazar esse documento? Como o Nílton Monteiro entrou no esquema?
Rogério Correia – O filho do Cláudio tinha uma empresa de locação de veículos, que prestou serviços à campanha do Azeredo. A fatura era de R$ 6 milhões. O Azeredo não tinha dinheiro para pagar e o Cláudio queria receber.
A intenção era chantagear o Azeredo. Para isso, usou o Nílton Monteiro, de quem era muito amigo. A revista Época chegou a publicar uma foto dos dois numa lancha…
Só que o Nílton e o Cláudio se desentenderam. E o Nílton, que também havia participado da campanha do Azeredo, começou a denunciar o esquema. Foi pelas mãos do Nílton que a lista do Cláudio vazou. Os tucanos perderam o controle sobre o Nílton. Eles querem colocar o Nílton Monteiro na conta do PT, só que é da conta deles. O Nílton é cria deles.
Viomundo – E a história do cheque do Marcos Valério para o Cláudio Mourão?
Rogério Correia – O Cláudio entrou na Justiça para cobrar a dívida do Azeredo. Quando chegou a campanha a senador, em 2002, ele apertou o cerco, ameaçando denunciar tudo. Aí, entra o Marcos Valério, pagando o Cláudio Mourão. Pagou na Justiça, com um cheque dele, a dívida do Azeredo. O Cláudio Mourão retira então o processo. A publicização da lista e do cheque do Marcos Valério derrubou o Azeredo da presidência do PSDB. Tudo isso, lembre-se, apareceu pelas mãos do Nílton Monteiro. Naquela época, estava-se discutindo o mensalão do PT.
Cheque de Marcos Valério a Cláudio Mourão e o recibo de quitação da dívida da campanha de 1998; em primeira mão, em reportagem de Amaury Ribeiro Jr e Rodrigo Rangel para a IstoÉ, em 2005
Viomundo – Em Minas, vocês  já conheciam essa denúncia?
Rogério Correia – Ela já tinha sido feita aqui. Era mais ou menos público. Em 1999, portanto no ano seguinte à campanha de Azeredo pela reeleição ao governo de Minas, o Durval Ângelo, que é deputado do PT, lançou o livro O voo dos tucanos, onde contava como o dinheiro dos tucanos tinha sido obtido.
Na época, o Itamar Franco, que disputava o governo de Minas Gerais pelo PMDB, entrou com uma ação, pedindo a impugnação da candidatura de Azeredo devido ao Enduro da Independência. Para levantar recursos para a campanha, a SMP&B, do Marcos Valério, promoveu o Enduro e obteve recurso, a título de patrocínio, da administração direta e empresas públicas de Minas Gerais, como Copasa, Bemge, Loteria Mineira, Comig.
Apenas uma pequena parte foi gasta com o Enduro. O grosso foi repassado, segundo o próprio Mourão, à campanha do Azeredo e aliados.
Outra fonte de recurso público  foi a Cemig, que repassou à SPMP&B R$ 1,6 milhão para a campanha publicitária A energia do bem. Só que, na verdade, o recurso foi para o caixa 2 da campanha dos tucanos, como comprova documento que obtive da própria direção da Cemig.
No mensalão tucano, portanto, o dinheiro público é na veia. Não há nenhuma dúvida sobre isso. O que o Nílton Monteiro trouxe de novo, em 2005, foram a lista do Mourão e os DOCs bancários de repasse de recursos da SMP&B para os candidatos.
Viomundo – Mas a mídia insiste em chamar de mineiro o mensalão tucano…
Rogério Tucano – Teve origem em Minas mas extrapolou o Estado.  O próprio Azeredo, num dos momentos de pressão, já falou que, em 1998, foi recurso para a campanha de reeleição de Fernando Henrique à presidência.
Reportagem da CartaCapital dessa semana mostra que o ex-presidente Fernando Henrique usou mesmo R$ 3,5 milhões do mensalão tucano, através das empresas de Marcos Valério. Na época, elas mantinham contrato com a Fundacentro, do Ministério do Trabalho.
Viomundo – O Marcos Valério continuou a operar para os tucanos depois?
Rogério Correia – Sim. Em 1998, houve a eleição, Itamar Franco ganhou aqui, o Fernando Henrique lá no Planalto. Em 1999, ao tomar posse, Itamar cortou todos os contratos do governo de Minas com a SMP&B. O Marcos Valério foi operar em Brasília. Sumiu daqui. Passou a trabalhar para os Correios, levado pelo tucano Pimenta da Veiga, então ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso.
Na eleição seguinte, em 2002, o Aécio ganhou aqui para governador e Lula foi eleito presidente.  Em 2003, o Marcos Valério voltou para cá. Começou a atuar na propaganda do governo de Minas, da Assembleia Legislativa…
Infelizmente, o PT, em vez de romper os contratos com o Valério em Brasília, deixou que ele se aproximasse… Ele conheceu o Delúbio e, aí, vem toda a história com o PT.
Lembro-me de que, em 2005, a CPI dos Correios veio a Minas, porque havia denúncias de que policiais civis estavam queimando notas fiscais e outros documentos aqui em Belo Horizonte. Colocou-se isso na conta do mensalão do PT. Só que, na verdade, estavam queimando arquivos e documentos referentes às operações da SMP&B, de Marcos Valério para o governo Aécio, em Minas.
Como o pessoal do PT estava totalmente atordoado naquela CPI, os tucanos aproveitaram para queimar toda a parte de Minas. E a CPI dos Correios não conseguiu ou não quis apurar o que aconteceu. Por isso, nada das operações de Marcos Valério para o governo Aécio vieram à tona.
Viomundo – O Marcos Valério operou então, simultaneamente, para os dois lados?
Rogério Correia – Exatamente, ao mesmo tempo. Ele operou em Brasília para o PT e aqui em Minas para o PSDB. Foi o auge do Marcos Valério.
Viomundo – E a Lista de Furnas?
Rogério Correia — Esse esquema não é do Valério, é do Dimas Toledo, para a eleição de 2002.  O Dimas Toledo era diretor de Furnas, onde durante muitos anos operou para os tucanos.
Em 2002, o Dimas fez uma operação monstro para os tucanos, PFL (hoje DEM) e demais aliados com vistas às eleições daquele ano. Lula disputava a presidência com o Serra. Alckmin era candidato a governador de São Paulo e Aécio, a governador de Minas. Se você examinar a Lista de Furnas vai ver que eles operaram no Brasil inteiro, a partir de Minas. Operaram pro Serra, Alckmin, Aécio…
Dimas é extremamente ligado a Aécio e a Danilo de Castro, que já foi deputado federal e presidente da Caixa Econômica Federal no governo Fernando Henrique Cardoso. É o homem forte do Aécio. Foi secretário de Governo na gestão Aécio e  hoje secretário de Governo do Anastasia [Antonio Anastasia, governador de MG pelo PSDB].
Pois bem, o Dimas, com conhecimento de Danilo de Castro,  captou recursos de empresas que trabalhavam com Furnas e formou o caixa 2, o mensalão de Furnas. Foi quem fez a lista com os nomes e valores recebidos pelos candidatos.
Viomundo – Por que o Dimas fez a lista incriminadora se era operador dos tucanos?
Rogério Correia – Para pressionar Aécio e demais tucanos, para permanecer em Furnas. Dimas queria que o tucanato fizesse  pressão sobre o Lula, para mantê-lo na direção da empresa,  como, de fato, aconteceu por um tempo.
Aqui, o pessoal do PT ficou furioso, porque o Dimas é inimigo nosso e continuou em Furnas a pedido do Aécio, que fez muita pressão para isso ocorrer.
Quem apresentou a Lista de Furnas foi o Nílton Monteiro.  Daí o ódio que os tucanos e aliados têm do Nílton. Chamam-no de estelionatário, vagabundo, etc, etc. Insisto. O Nílton Monteiro é alguém que veio lá de dentro deles, é cria deles.
Viomundo – E como essa lista se tornou pública?
Rogério Correia – O Nílton Monteiro mostrou essa lista para um monte de gente, inclusive para mim. Muitos não acreditaram… Todo mundo ficou desconfiado, com medo de mexer, já que envolvia as principais figuras do tucanato. Mas, como antes ele havia me dado uma cópia da lista do Cláudio Mourão e doss DOCs bancários,  que eram verdadeiros, eu resolvi dar atenção e verificar o que era.
Pedi-lhe então uma cópia, pois observei que a lista tinha lógica política. Só poderia fazê-la quem conhecesse bem a política mineira. Era impossível que fosse inventada de tão certinha que estava. Estão nela tucanos, peemedebistas, que naquele momento estavam divididos aqui…  O Itamar Franco, por exemplo, apoiou o Aécio e o Lula.
O que eu fiz? Entreguei o xérox da lista para a Polícia Federal examinar. Quem passou a investigá-la foi o delegado Luís Flávio ZampronhaO Nílton ficou enrolando para não entregar os originais. Depois de muito tempo, o Zampronha conseguiu com que o Nílton os entregasse.  Se eu não me engano, isso aconteceu já em 2006… O Zampronha veio de Brasília e o Nílton entregou os originais nas mãos dele. Nessa altura, a Polícia Federal já havia grampeado e  tinha dicas de que o documento era verdadeiro.
Viomundo – Foi o senhor que tornou pública a Lista de Furnas?  
Rogério Correia – Não, eu passei para a Polícia Federal. Mas como o Nílton entregou-a para um monte de gente em 2005, não se sabe quem a colocou na internet. Os tucanos trataram logo de desmoralizá-la, porque não havia o original. Diziam que o documento era falso.
Mas a Polícia Federal ficou atrás do Nílton, até que um dia ele resolveu entregá-la. O Zampronha veio a BH para receber receber pessoalmente, das próprias mãos de Nílton, a Lista de Furnas.
O Zampronha mandou periciar. Passados uns dois meses, veio o resultado da perícia: o documento era verdadeiro. Não havia sido montado, não era falsificado e a assinatura era do Dimas Toledo. Não se tem mais dúvidas disso.
Viomundo – Mas os tucanos insistem que a lista é falsa.
Rogério Correia — Os tucanos mandaram fazer perícia em outro documento que não o original. Fizeram perícia em cima de algum xerox. O único original existente é o que foi periciado pela Polícia Federal, ele está na mãos da Polícia Federal até hoje.
Mais recentemente os tucanos contrataram um especialista norte-americano para fazer perícia numa lista xerocada. Pagaram R$ 200 mil para esse perito, que é desmoralizado nos EUA, já foi até processado lá.
Viomundo – O Dimas Toledo disse que não assinou a Lista de Furnas e que a Polícia Federal havia sido induzida a erro.
Rogério Correia — Perguntaram isso ao Zampronha. Ele acha que não existe a possibilidade de a Polícia Federal ter errado. Para a Polícia Federal, a Lista de Furnas é autêntica, verdadeira. Não tem como os tucanos continuarem negando.  A única assinatura da lista é a assinatura do Dimas Toledo, que é comprovadamente verdadeira.
Viomundo – E o conteúdo?
Rogério Correia – De público, há três confissões que atestam a veracidade do conteúdo. A primeira foi a do Roberto Jefferson, que disse que recebeu exatamente o valor que consta lá: R$ 75 mil. Ele disse: “não posso dizer dos outros, mas eu posso dizer que eu recebi o que está aí”.
Em matéria postada no seu blog, o Noblat contou que havia conversado com um deputado que disse que o valor que constava da lista era realmente o que ele havia recebido. O Noblat não quis dar o nome do deputado.
Mais recentemente, quando os tucanos tentaram cassar o meu mandato aqui, o  deputado estadual Antonio Júlio, do PMDB, foi para cima deles. “Cassar o quê, se o que ele diz é verdade?!”, reagiu Antonio Júlio na época.
Antonio Júlio pediu a Dimas uma verba não para ele, mas para um hospital da sua base eleitoral. O Dimas mandou para lá exatamente o valor que está na Lista de Furnas.  O hospital recebeu e o Antonio Júlio tem o recibo disso (imagem abaixo). Foi a pá de cal  nos tucanos, que murcharam, e na matéria da Veja.
Viomundo – Como foi essa tentativa de cassá-lo?
Rogério Correia – Antes, vou explicar a armação montada pelo pessoal do Aécio & Cia.
Danilo de Castro nomeou Márcio Nabak como delegado do Departamento de Operações Especiais de Minas, o Deoesp, antigo  DOPS. O Nakak é nitidamente tucano, um capacho do Danilo. Tem péssima reputação aqui, há vários procedimentos contra ele, não poderia nunca ser nomeado delegado tal a ficha dele. Inclusive, já foi retirado do cargo.
Bem, o Danilo foi colocado no Deoesp para fazer basicamente esta operação. Prendeu Nílton Monteiro por crimes que ele  teria cometido no passado, nada a ver com Furnas. Mas o objetivo real era que  falasse sobre a Lista de Furnas. Segundo o Nílton, três deputados federais do PSDB de Minas estiveram com ele e o Nabak, oferecendo liberdade em troca de delação premiada: Domingos Sávio, vice-presidente do PSDB, Marcos Pestana e o Rodigo de Castro, que é filho do Danilo de Castro, o homem forte do Aécio.
Segundo o Nílton, o Nabak, na frente dos deputados federais, fez-lhe a proposta de delação premiada. Propôs que ele renunciasse à lista de Furnas, dissesse que era falsa e que tinha sido armação minha. De dentro da prisão, o Nílton mandou uma carta à  Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais contando tudo isso.
Estava na cara que prenderam o Nílton para poder me acusar depois. Aí, começaram a plantar notas na imprensa.
Ao mesmo tempo, o Nabak solicitou no Rio de Janeiro o inquérito sobre a Lista de Furnas. Lá existem conversas grampeadas do Nílton Monteiro. E, segundo a Veja, teria conversas grampeadas do Nílton Monteiro com um assessor meu e comigo mesmo.
Dentro do contexto, as conversas não são nada comprometedoras. Mas a Veja pinçou trechos, para dar a entender que um assessor meu falsificava com o Nílton Monteiro nomes para a lista. E com essas “informações” Veja publicou a matéria contra mim. Eles queriam me desmoralizar e depois me cassar. Mas como eu tinha todos os documentos mostrando que aquilo era mentira, a história não pegou.
Entrou em cena o esquema de sempre: PSDB vazou a história para a VejaEstado de Minas repercutiu, PSDB viu e pediu a minha cassação. E como eles são maioria, iriam me cassar mesmo. Só que nós reagimos, fomos para cima deles e ainda provamos que falsa era a matéria da Veja.
Viomundo — Que deputados pediram a sua cassação?
Rogério Correia – O Domingos Sávio, vice-presidente do PSDB.
Viomundo – No final de 2011, a procuradora criminal Andréia Baião, do Ministério Público do Rio de Janeiro, concluiu o seu trabalho  sobre a Lista de Furnas, comprovando a existência do esquema de caixa 2.  
 Rogério Correia – Exatamente. A conclusão dela é que a Polícia Federal, com base nos grampos, ficou ainda mais convencida de que a Lista de Furnas era verídica. Segundo relato da Polícia Federal, até para a mulher dele, o Nílton falava que a lista é verdadeira. Os grampos demonstraram também que ele procurava ganhar tempo com os dados que tinha em mãos, já que é um lobista.  A dra. Andréia Baião denunciou o Dimas Toledo por corrupção ativa e o Roberto Jefferson por corrupção passiva.
Outra ação que demonstra a veracidade da lista foi a derrota do então deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA). Ele entrou com uma ação aqui em Belo Horizonte contra o Nílton Monteiro, alegando que ele teria falsificado a lista. Tanto a juíza Maria Luíza de Marilac Alvarenga Peixoto, que examinou o caso inicialmente, quanto o Tribunal de Justiça de MG deram ganho de causa ao Nílton Monteiro. A juíza baseou-se no depoimento do delegado Praxedes, que trabalhou junto com o Zampronha, que levou ao conhecimento dela que o documento era verdadeiro e o Nílton não o havia falsificado.
Viomundo — O que aconteceu com esta lista?
Rogério Correia — A procuradora mandou o inquérito para o juiz federal no Rio de Janeiro, que  se  julgou incompetente para analisar o assunto. Disse que não era caso de Justiça Federal, e sim, estadual, porque, segundo ele, Furnas é uma empresa de economia mista. Se fosse empresa pública, a competência seria federal. Então todo procedimento voltou para a promotoria no Rio de Janeiro, onde está sob análise.
O advogado do Nílton Monteiro, que também trabalha para família daquela modelo mineira que circulava nos meios políticos e  foi assassinada, pediu  ao ministro Joaquim Barbosa, no Supremo,  que junte a lista de Furnas e o mensalão tucano no mesmo processo, alegando que as pessoas envolvidas são as mesmas, a forma de fazer caixa 2 é a mesma. O ministro Joaquim Barbosa está estudando.
Viomundo – E agora?  
Rogério Correia – O Roberto Gurgel, procurador-geral da República, e o ministro Joaquim Barbosa, atualmente presidente do STF, têm conhecimento de tudo isso. Dizem que é muito mais fácil um saci cruzar as pernas do que o Gurgel investigar o tucano. Esperamos que, diante de tantas provas, o ministro Barbosa acolha a solicitação de juntar  a investigação da Lista de Furnas com o mensalão tucano.
Agora, o que pretendo mesmo é ampliar a campanha pela reforma política, em especial o financiamento público. Isso que aconteceu, no fundo,  tem relação com o modelo eleitoral. O crime de caixa 2 é inerente a esse modelo. A solução é fortalecer os partidos políticos de caráter ideológico definido, permitindo governabilidade a partir do resultado eleitoral e não do toma lá dá cá entre o Executivo e o Parlamento.
Mensalão tucano:  a lista do Cláudio Mourão


Fonte:  Vi o Mundo

MARIO SANTAYANA: MARINA SILVA E OS LIMITES DA PÁTRIA



Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana do JB online:

OS LIMITES DA PÁTRIA



por Mauro Santayana

É difícil saber se a Sra. Marina Silva é uma pessoa ingênua e de boas intenções, ou se optou, conscientemente, por defender os interesses das grandes potências que, sob o comando de Washington, exercem o solerte condomínio econômico do mundo e pretendem o absoluto império político. Há uma terceira hipótese que, com delicadeza, devemos descartar: desmesurada ambição de poder, sem as condições concretas para obtê-lo e exercê-lo.

Os admiradores lembram sempre sua  origem modesta, o que não quer dizer tudo, mas não podem, com a mesma convicção, dizer que ela tenha mantido, ao longo da carreira, o que os marxistas chamam “consciência de classe”. Suas alianças são estranhas a esse sentimento. Ela se tornou uma figura homenageada pelos grandes do mundo, mas, sobretudo, do eixo Washington-Londres. Se ela mantivesse a consciência de classe, desconfiaria desses mimos. Para dizer a verdade, nem mesmo seria necessária a consciência de classe: bastaria a consciência de pátria.

A Sra. Silva, como alguns outros brasileiros que se pretendem na esquerda, é uma internacionalista. O meio ambiente, que querem preservar tais verdes e assimilados, não é o do Brasil para os brasileiros, mas é o do Brasil para o mundo. Quando a Família Real Inglesa e os círculos oficiais e financeiros norte-americanos cercam a menina pobre dos seringais de homenagens, usam de uma astúcia velha dos colonialistas, e fazem lembrar os franceses na aliança com a Confederação dos Tamoios, e os holandeses em suas relações com Calabar. 

Os tempos mudam, os interesses de conquista e domínio permanecem, com sua própria dinâmica e solércia. Os limites intransponíveis da razão política são os da pátria. Todos os devaneios são admissíveis, menos os que comprometam a soberania nacional.  Não são apenas os estrangeiros que adoçam os sonhos da defensora da natureza. São também brasileiros ricos e conservadores que, é claro, procuram dividir a cidadania, para que  fiéis servidores políticos mantenham sua posição no Parlamento e nos outros poderes. Há informações de que  grande acionista de banco poderoso se encarregou das despesas do espetáculo de lançamento do partido de dona Marina, que não quer ser chamado de partido. E não se esqueça de que quem sempre a financiou é um industrial enriquecido com a biodiversidade amazônica. 

Não há coincidências em política. Os mentores da Sra. Silva querem que seu movimento, como ela anunciou, não seja de direita, nem de esquerda, e muito menos de centro – que é o equilíbrio pragmático entre as duas pontas do espectro. É interessante a ilogicidade da proposta. Como é possível dissociar a ideologia da política e, ainda mais, a ideologia do viver cotidiano? Esquerda e Direita existem na vida dos homens desde as primeiras tribos  nômades, e são facilmente identificáveis na postura solidária de alguns e no egoísmo de outros. Sempre que pensamos em igualdade, somos, menos ou mais, de esquerda; sempre que pensamos na superioridade, de qualquer natureza, de uns sobre os outros, estamos na direita.  Mais ainda: idéia é a imagem que construímos previamente na consciência, seja a de um objeto, seja a de uma conduta social e política. 

Não é possível viver sem um lado. A doutrina da mal chamada Rede (apropriação apressada e ingênua do mundo da internet, que é um meio neutro) oferece essa aporia: é um partido sem partido, uma realidade sem geometria, uma idéia sem idéia.
Fonte:  Conversa Afiada

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MARINA SILVA E SUA 'REDE: O DISFARCE VERDE DA DIREITA NEOLIBERAL



Tucano disfarçado de verde (e com amarelo para parecer brasileiro)



Como auxiliar de Serra, com a missão de levar a eleição de 2010 para o segundo turno



“No último sábado (16), em Brasília, houve um grande lançamento, com toda a pompa que a mídia brasileira poderia dar; o lançamento do 31° partido político brasileiro: a ”Rede Sustentabilidade” ou simplesmente “Rede”.



Por Pedro Luiz Teixeira de Camargo



Capitaneado pela ex-presidenciável Marina Silva, tal partido teve, nesse ato de fundação, o que eles chamaram de “acabar com a lógica de partidos a serviço de pessoas".



Antes de entrar no campo ideológico dessa nova agremiação, como romper com essa lógica, sendo que esse partido está sendo organizado um ano antes da eleição presidencial e, por coincidência, a presidenta [da “Rede”] Marina Silva teve cerca de 20 milhões de votos nas eleições passadas? Um pouco estranho né... 



Dizer que vai acabar com tal lógica saindo de dois partidos que são muito mais que um “grupelho de pessoas”? O PT, partido que a ex-seringueira militou por 30 anos pode ser acusado de um monte de coisas, mas não que não tenha ideologia, assim como o PV, que foi fundado em meados dos anos 80 pelo ex-guerrilheiro Fernando Gabeira e outros intelectuais (como Gilberto Gil, por exemplo) por influência dos verdes europeus, onde [pelo PV] a ex-senadora se candidatou à presidenta nas últimas eleições. Muito estranha tal afirmação dela, levando em conta essa curta lembrança de sua trajetória... 



Vamos pensar no campo ideológico agora: o tal partido novo não se coloca nem como esquerda e nem como direita. Coloca Marina: "Estamos na época do paradoxo, nem situação, nem oposição à Dilma. Precisamos de oposição. Se Dilma estiver fazendo algo bom, vamos apoiar. Se não, não. Parece ingênuo. mas não tem nada de ingênuo".



Não tem nada de ingênuo? Não tem mesmo. Como um partido pode ser criado sem saber o que ele mesmo defende? É duvidar da inteligência do eleitor! Ou, então, é querer ser mais uma legenda de aluguel, pois se o objetivo é esse, o caminho que está sendo percorrido faz todo sentido. E, pelas próximas afirmações que veremos desta e de outros novos “marineiros”, parece ser essa a lógica. 



Um dos fundadores do partido é o ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas [PSDB-SP], ex-Secretário de Coordenação das Subprefeituras de José Serra [PSDB-SP] e ex-Secretário de Esporte e Lazer do município de São Paulo na gestão Kassab e atual deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP). Muito curioso um quadro com a enorme votação (em 2002, foi o deputado federal mais votado do PSDB na capital e em 2006, foi reeleito deputado federal novamente como o mais votado do partido; e de novo em 2010) e prestígio dentro da principal legenda de direita do país como esse queira aderir ao "Projeto Marina 2014". Por acaso ele se tornou um “ambientalista”? 



Outro fato curioso em relação à “Rede” se dá porque serão proibidas contribuições de empresas de cigarro, armas, agrotóxicas e bebidas alcoólicas. Muito legal, mas quem mais doa dinheiro para campanhas eleitorais em nosso país são bancos e empreiteiras, mas sobre esses não há uma vírgula... 



Continuando nossa relação de coincidências, vemos um tema controverso:a ficha limpa. Observem a parte que coloco abaixo, oriunda do jornal [declaradamente tucano-serrista] “O Estado de S. Paulo” (16 fev): 



"Apesar de exigir "ficha limpa" para seus dirigentes partidários e candidatos, os filiados não precisarão seguir a mesma regra, podendo entrar para o partido mesmo que tenham problemas com a Justiça. Não serão aceitos, no entanto, aqueles que respondem a crimes do colarinho branco, como corrupção. "Para filiar-se não precisa de ficha limpa", afirmou o deputado Walter Feldman (SP), que deixará o PSDB para ingressar no novo partido. Mais tarde, em discurso, João Paulo Capobianco, um dos fundadores, assegurou que a legenda vai "coibir a entrada de ficha suja".



Nem começou e a confusão já está formada! O deputado é contra a ficha limpa, mas outro membro da direção é a favor. Um partido que não tem nem mesmo uma carta programática em seu lançamento tende a ter essas coisas, ou seja: não saber o que defende e nem aonde ir. 



Mais uma curiosidade está no fato de que haverá uma cláusula onde 50% dos filiados poderão ter a opinião que quiserem, sem seguir nenhuma diretriz partidária. Ora bolas, se eu não concordo com a ideologia ou com o que prega meu partido, para que vou ficar lá? 



Outro caso curioso se dá em relação aos mandatos políticos: segundo o que pregam, só poderá haver uma reeleição. Tudo bem se o Feldman não fosse deputado desde 1998, Heloísa Helena não tivesse sido senadora e depois vereadora e a própria Marina Silva, que foi senadora por 16 anos! Esse partido vai mesmo deixar esses caciques não serem candidatos? Sinceramente, não dá para acreditar nisso. Com certeza, esse tópico será mudado antes de ser colocado no papel. Afinal, está sendo fundado um ano antes da eleição e por pré-candidatos! 



Em relação ao que esse novo partido defenderá, Pedro Ivo, um dos coordenadores do movimento, tentou resumir a ideia do grupo. “Estamos construindo uma nova utopia, um novo projeto político e ideológico baseado na sustentabilidade”. 



Sinceramente, falar apenas "sustentabilidade" é como falar educação, saúde, segurança, ninguém é contra, mas que tipo de sustentabilidade? A quem? A serviço de quem? 



Por último, vejamos os principais nomes que já aderiram ao Projeto pessoal de Marina, além do deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP): Maria Alice Setúbal, herdeira do “Banco Itaú”; Guilherme Peirão Leal, co-presidente do Conselho de Administração e dono de 25% das ações da “Natura”; os deputados federais Alfredo Sirkis (PV-RJ) e Domingos Dutra (PT-MA); o vereador paulistano Ricardo Young (PPS), empresário e ex-presidente do “Instituto Ethos” e a vereadora de Maceió e ex-senadora alagoana Heloísa Helena (PSOL). 



Chama a atenção que nenhuma liderança dos movimentos sociais esteja presente, declarando apoio a essa nova empreitada... 



CONCLUSÕES



Depois de vermos com calma como se deu a aglomeração e organização desse novo partido político, pode-se tirar algumas conclusões: 



1- Não Representa Nada de Novo: partidos políticos surgem todo dia e toda hora, foi assim antes da última eleição com o PEN (Partido Ecológico Nacional), será assim com a direitista ARENA, que está voltando. Sem uma ideologia definida, sem carta programática, essa “Rede” funcionará como mais uma legenda para ser negociada nas eleições brasileiras, com um agravante: como só metade dos filiados deve obedecer à direção do partido, será uma verdadeira confusão, aliança com a direita, com a esquerda, com o centro...



2- Representa um Projeto Pessoal. Sim: Essa conversa mole de Marina Silva que essa agremiação não surge para ser trampolim dela à eleição não cola. Se fosse assim, não teria surgido um ano antes do ano eleitoral.



3- Legenda de Direita: Dizer que o partido não nem situação e nem oposição com essa escalação? Megaempresários e deputados ligados diretamente a empresas. Como podem querer modificar a sociedade? Da maneira que os bancários do “Itaú” são explorados ou dos processos que a “Natura” responde por crimes ambientais? 



4- Favor ao PSDB: Não é segredo para ninguém que Aécio Neves deverá ser o grande quadro que os neoliberais apostam suas fichas para poder voltar ao Palácio do Planalto. Quanto mais candidatos, que possam tirar votos da esquerda, melhor para eles, pois aumenta a chance de levar a disputa para o segundo turno.



5- Sem ideologia: dizer que "sustentabilidade" é ideologia é o mesmo que falar que educação é ideologia; não é. São bandeiras de luta que devem ser debatidas, pois podem perfeitamente representar um avanço ou um retrocesso; é só olhar o que era (para ser) e o que é o PV em nosso país. Na teoria, defendem a natureza, mas na prática se aliam ao PSDB que privatizou [para estrangeiros, a maioria] nossas empresas em diversos locais. Um partido sem carta programática pronta em seu lançamento só pode querer dizer uma coisa: “não sei o que defendo”.



6- Retrocesso: Tanto Marina Silva é uma famosa militante criacionista, faz parte da “Igreja Assembleia de Deus” e é conhecida por sua intolerância a questões científicas já provadas, como a teoria da evolução. Ter uma presidenta de um partido que tem como principal líder espiritual o homofóbico Pastor Silas Malafaia é muito preocupante. 



7- Desfavor para uma Reforma Política Séria: A partir do momento que metade dos filiados não precisa seguir um programa partidário, busca-se o enfraquecimento dos partidos políticos, e tal enfraquecimento é o que mais quer a famosa bancada dos partidos grandes, pois dessa forma, aumentam seus argumentos de que todos os partidos são iguais, ou seja, tanto faze ter 5, 10 ou 31 partidos!



Para terminar, é fundamental mostrar a toda a sociedade a verdadeira faceta de Marina Silva e de sua “Rede”: servir de legenda para deputados insatisfeitos em seus partidos, garantir um partido para a realização pessoal da ex-senadora e, principalmente: servir de sublegenda para a direita neoliberal. Desgastada devido aos bons governos de Lula e Dilma, a direita tradicional precisa se repaginar, e nada melhor que usar uma ex-militante "de esquerda", ainda mais se puderem pintar o tucano de verde, que pode deixar de ser a cor da esperança para passar a ser a cor da preocupação... ".



FONTE: escrito por Pedro Luiz Teixeira de Camargo (conhecido como Peixe). É biólogo e professor, especialista em Gestão Ambiental e Mestrando em Sustentabilidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Artigo publicado no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206125&id_secao=1) [Imagens do google, suas legendas e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A REDE DE MARINA SILVA PARA AMARRAR VOCÊ NA MATRIX DOMINADORA DO ITAÚ E DA GLOBO



Militantes são credenciados no encontro nacional do partido de Marina.
Organização empresarial feita por bilionária do Grupo Itaú.
Negação da luta política lembra a dominação mostrada no filme Matrix.

Nada decepciona mais nesse partido da Marina Silva do que a negação da luta política dos mais fracos e da pregação ao conformismo submisso aos mais fortes.

É a "utopia sonhática" do Itaú, da Globo, do bilionário neoliberal dono da Natura. É a sustentabilidade reacionária e conservadora. Os bilionários mandam, eles são os "sábios" conselheiros, orientadores e ideólogos de um hipotético governo, cuja REDE Marina se encarregaria de manter conectados os brasileiros, obedientes à ordem dominadora moldada por eles. Todos conformados, igual aos dominados no filme Matrix. Semelhante aos primeiros 502 anos da história do Brasil.

Cito o banco Itaú, especificamente, porque uma das principais caciques do partido de Marina é Maria Alice Setúbal, herdeira e acionista do império Itaú. Segundo o "site" na internet, sua função no partido é "mobilização de recursos".

Não deixa de ser curioso que os recursos mobilizados são laranja, a cor de fundo usada nas placas e propagandas do Banco Itaú.

Irresistível não comparar com a dominação de Matrix, quando vemos a foto de militantes enfileirados para serem credenciados em guichês com placas laranjas (foto acima), por atendentes uniformizadas de blazer preto com camisa laranja (a cor do Itaú, de novo). Parece que as atendentes estão plugando um a um à dominação da Matrix do Itaú.

Muito além da comparação com o filme, o mais grave é querer esvaziar a luta política como instrumento dos cidadãos conquistarem melhorias de vida.

O discurso de Marina é recheado de frases de efeito sempre puxando para um suposto "novo jeito de fazer política", "acima da esquerda e direita", "não é oposição, nem situação", "resgatar a ética", "não tem movimentos sociais por trás", "não fuma, nem bebe" e blá-blá-blá para ser politicamente correto, agradar a todos e não desagradar ninguém. Luta política que é bom, e que obriga a escolher lado, nada.

É o discurso que a Globo e o Itaú gostam. É discurso da desconstrução e criminalização da luta política que bate de frente com seus interesses.

É o discurso que busca dominar a chamada nova classe média, buscando convencê-la a se desiludir com a luta política que a levou a conquistar o que tem, e votar alienada, igual vota no paredão do BBB, em quem acha mais bonzinho, mais simpático, mais bonitinho. Na luta política, do jeito que está, a Globo sabe que não vence mais, então o negócio é esvaziá-la. E que tristeza ver Marina Silva fazendo esse serviço.

A REDE Matrix da Marina está mandando às favas a luta política do enfrentamento contra a má distribuição de riquezas e injustiça social.

O Banco Itaú fica mais "sustentável" quando a clientela faz tudo pela internet e deixa de ir na agência, deixa de imprimir papel. Mas esse ganho de produtividade, esvaziando as agências, o banco não compartilha com seus trabalhadores, mandando-os para o olho da rua, mesmo com lucros estratosféricos.

A boa luta política é brigar por leis que reduzam a jornada de trabalho em vez de demitir, se a empresa teve ganho de produtividade e tem lucros suficientes para manter a mão de obra. Ou pelo menos, quem pode mais e desemprega só para lucrar mais, tem que pagar mais impostos necessários a gerar novos empregos.

De nada adianta abraçar árvores, financiar ONG's, se a empresa joga pessoas no desemprego só para aumentar mais ainda os lucros de acionistas. Esse egoísmo é uma forma de poluir a qualidade de vida na sociedade, com o empobrecimento de pessoas, a desestruturação de lares, de famílias, que o desemprego provoca, muitas vezes. E para acabar com esse egoísmo é preciso luta política. Os partidos políticos são os instrumentos desta luta para mudar leis.

A grande luta política no Brasil ainda é o combate à desigualdade para elevar brasileiros pobres para um padrão de vida de classe média. E essa REDE Matrix de bilionários em torno da Marina tem uma agenda pragmática oposta, como, por exemplo, lutam para pagar menos impostos, mesmo com lucros exorbitantes; condenam verbas para programas sociais; pregam arrocho de salários e aposentadorias para ter mais lucros se pagarem alíquotas menores para manter a Previdência; pregam cortar direitos trabalhistas para poder demitir mais fácil e mais barato. Pregam a privatização e redução de serviços públicos, essenciais para quem não tem condições de pagar.

É luta contra tubarões, que enfrentamos e que produz baixas do nosso lado. Novidade na política é concluir o ciclo dessa luta e conscientizar aqueles que estão plugados na Matrix de dominação da Globo e do Itaú a se libertarem das amarras.

fonte:   O Terror do Nordeste

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

VEJA, EM LUA DE MEL COM RENAN, DISPARA CONTRA GURGEL



A revista Veja que, apesar das aparências, vinha pegando leve contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), devido à divida de gratidão pela blindagem do bicheiro Cachoeira e do jornalista Policarpo Júnior na CPI, entrou na fase de lua-de-mel, depois que o senador fez juras de amor ao PIG (Partido da Imprensa Golpista).

No quinta-feira (14), O colunista Lauro Jardim até disparou a seguinte nota favorável a Renan e desfavorável a Gurgel:

Os encarregados das relações institucionais entre o Ministério Público e o Congresso Nacional que têm circulado pelo Senado estão voltando para a Procuradoria-Geral da República com a seguinte mensagem: uma instituição não pode pagar pelos erros de um homem.
.
O recado é claro. Renan Calheiros, Fernando Collor e sua turma vão fazer de tudo para acabar com Roberto Gurgel, mas querem manter pontes no alto escalão do MP visando uma convivência mais harmoniosa entre investigadores e investigados para os próximos dias.

Quer entender a lua-de-mel? Bob Fernandes explicou no Jornal da Gazeta:

A HISTÓRIA SECRETA DA RENÚNCIA DO PAPA



Por Eduardo Febbro, na Carta Maior
Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.
Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.
O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.

Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.
Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.
João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.
Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.
Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.
Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.
Tradução: Katarina Peixoto

Fonte:  Escrevinhador
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