Blog que denuncia sonegação fiscal da Rede Globo relacionada à Copa de 2002 libera novos trechos da documentação que expôs o caso; "Nos documentos vazados agora, aparecem alguns novos nomes usados pela Globo para realizar a fraude detectada pela Receita Federal nas Ilhas Virgens Britânicas", entre eles a Globo Overseas Investment; leia
quarta-feira, 10 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
DIA 11: LIBERTAR A RUA DO SEQUESTRO CONSERVADOR
Organizações e lideranças progressistas não podem se omitir nas jornadas da próxima 5ª feira, dia 11.Para além das justas reivindicações corporativas e setoriais, cabe-lhes repor a moldura da disputa política em curso no país.
Um ciclo de crescimento se esgota; outro terá que ser construído.
Não erguer pontes entre as demandas pontuais e a travessia de um tempo histórico pode ser fatal nesse momento.
O alarido das manifestações de junho não é a causa.
Mas adicionou consequências, e limites, à tentação de se adiar a pactuação das linhas de passagem que devem pavimentar o passo seguinte desenvolvimento.
Por linhas de passagem entenda-se a correlação de forças, as circunstancias objetivas, as metas, recursos e o escalonamento das prioridades.
Vivemos um aquecimento: 2014 será o pontapé oficial.
As jornadas do dia 11 não podem perder de vista a urgência de se organizar o time progressista.
O adversário conta com uma vantagem: o calendário mundial trabalha a seu favor.
A recuperação norte-americana apenas se esboça.
Mas já é precificada pelos gestores do dinheiro grosso, aqui e alhures.
Sinais positivos nos EUA ampliam as rotas de fuga para investidores e rentistas.
Vale dizer, reforçam o poder de chantagem contra Estados, governos, partidos, anseios e plataformas progressistas.
É o que evidencia o jogral da finança global.
O custo do desenvolvimento vai subir, avisam a ‘The Economist’, ‘Financial Times’ e assemelhados locais, enquanto pedem um pagamento antecipado em ‘reformas liberais’.
Editoriais e goelas demotucanas voltaram a pontificar intensamente. Será preciso subir ainda mais o juro aqui, para conter a inflação decorrente da valorização do dólar, e manter o diferencial atraente, quando o Fed elevar a taxa norte-americana.
O ambiente externo favorece a ladainha ortodoxa.
Atingidas pela desaceleração do apetite chinês, as receitas cambiais do país recuam, a exemplo do que ocorre em outros exportadores de matérias-primas.
Vulgarizadores do credo neoliberal celebram: com as multidões nas ruas, é a tempestade perfeita.
Em termos.
Se acertam no varejo, trombam no essencial: o que anda para frente não se confunde com o cortejo empenhado em ir para trás.
O que as ruas reclamam não cabe no credo regressivo.
As ruas reclamam porque o país que emergiu na última década não cabe mais nos limites do atual sistema político.
A resposta é mais democracia.
Mas os 'liberais' são contra o plebiscito da reforma política; rejeitam referendos ('chavismo') e demonizam a simples menção a uma Constituinte.
As ruas reclamam porque ainda não encontram acolhida na infraestrutura secularmente planejada para 30% da população.
A resposta é mais investimento público; melhor planejamento urbano; maior presença do Estado na economia.
E o que eles propõem?
Dobrar a aposta no arrocho fiscal e no Estado mínimo.
As ruas reclamam porque não tem expressão no esquizofrênico ambiente de um sistema de comunicação que exacerba e distorce a natureza dos desafios brasileiros, ao mesmo tempo em que interdita o debate e veta as respostas progressistas a eles.
A opção é a regulação democrática do sistema de comunicação, para que se torne mais ecumênico e plural (*leia a programação dos protestos contra o monopólio da Globo, no dia 11, ao final desta nota). Tudo o que eles qualificam como autoritário...
O fato de a revista ‘Veja’ ter recorrido ao rudimentar expediente de forjar um ‘líder biônico dos protestos’, um desses militantes da causa ‘bíceps & figurante da Globo’ (assim elucidado pela investigação demolidora do blogue Tijolaço), diz muito da dificuldade conservadora em acomodar multidões no seu ideário.
Não é uma dificuldade conjuntural.
A entrevista forjada nas ‘páginas amarelas’ guarda sintonia com a ideia de plebiscito preconizada na capa seguinte do mesmo veículo.
Ali desaparece o figurante da democracia para emergir o ideário que o anima: a proposta de plebiscito de 'Veja' inclui uma consulta para cassar o direito de voto "de quem recebe dinheiro do governo".
Quem?
Os 14 milhões de lares beneficiados pelo Bolsa Família e outros programas sociais.
Algo como uns 25 milhões de eleitores mais pobres do país.
O expurgo dos pobres da cabine eleitoral é uma velha aspiração conservadora.
Na Constituinte, abortada, de 1823, que deveria elaborar a 1ª Carta pós- Independência, propunha-se que o voto fosse uma derivação da propriedade da terra.
O recorte mínimo para obter ‘o título de eleitor’ seria uma renda equivalente a 150 alqueires de mandioca.
'Veja' não é um ponto fora da curva.
O pensamento amarelecido expresso em páginas graficamente modernas prossegue a tradição obscurantista de um país que deixou de ser colônia, sem deixar de ser escravocrata.
Em 1888, quando libertou os negros, negou-lhes a cidadania ao descartar uma reforma agrária que os inserisse no mercado e na sociedade (cento e vinte e cinco anos depois, a reforma agrária continua demonizada nas páginas de 'Veja').
Abolição feita, o grau de instrução virou a mandioca da vez: analfabetos foram impedidos de frequentar a cabine eleitoral até quase o final do século 20.
Foi só em 1988, com a Constituinte Cidadã, que o Brasil universalizou o direito ao voto.
A contragosto, diga-se, da turma que agora pretende restituir a Constituição da mandioca, expurgando novamente os pobres da cabine eleitoral.
O Brasil tem razões adicionais para não aceitar que a regressão fale em seu nome.
A desigualdade entre nós ainda grita alto em qualquer competição mundial.
Mas entre 2003 e 2011, o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China. (Fonte: Ipea).
O Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população, graças às políticas públicas deliberadamente voltadas aos mais pobres. (Fonte: consultoria Boston Consulting Group, que comparou indicadores de 150 países).
A narrativa conservadora sempre desdenhou da dinâmica estruturante embutida nesse degelo social.
Ou isso, ou aquilo.
Ou se reconhece os novos aceleradores do desenvolvimento ou o alarde dos seus gargalos é descabido.
Ambos são reais.
O malabarismo está na pretensão de afinar multidões na rejeição ao ciclo que as gerou, despertou e agregou.
Esse contrassenso rebaixa e infantiliza o debate das escolhas que devem aprofundar a mutação em curso no país.
Milhões de famílias deixaram a exclusão rumo à cidadania nos últimos anos.
Há um deslocamento épico em marcha, que se pretende barrar com a falsificação de multidões retrógradas.
As jornadas do dia 11 sairão vitoriosas se deixarem claro que as ruas dispensam os heróis de ‘Veja’ de falarem em seu nome.
Partidos, sindicatos e movimentos sociais não podem mimetizar a dissipação da qual se alimenta o canibalismo retrógrado.
No dia 11, o Brasil deve expressar sua diversidade.
Mas, sobretudo, emoldura-la em uma agenda comum.
Para libertar a rua do sequestro conservador. E o futuro do país também.
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ATOS DO DIA 11 CONTRA O MONOPÓLIO DA GLOBO
São Paulo (SP): Concentração às 17h na Praça General Gentil Falcão (Estação de trem Berrini) e depois rumo à Globo.
Rio de Janeiro (RJ): Concentração ao final do ato das centrais sindicais, na Cinelândia.
Belém (PA): Concentração as 8:30 em frente a Prefeitura.
Porto Alegre (RS): Concentração às 15h em frente a Globo.
Aracaju (SE): Concentração às 13h na praça Fausto Cardoso
* Nota atualizada em 08/07 às 20hs47
Fonte: Carta Maior
sexta-feira, 5 de julho de 2013
"HERÓI" INCENSADO POR VEJA AGE À EXTREMA DIREITA
Maycon Freitas, personagem desta semana das Páginas Amarelas da revista Veja, tem página no Facebook repleta de mensagens antidemocráticas, preconceituosas e violentas; "Galera, tive uma ideia: que acham de eu ir lá no Congresso em Brasília, me acender e tocar fogo geral?", pergunta ele, que postou foto sua com roupas de combate e fuzil na mão; dublê da Rede Globo, onde trabalhou no policial Linha Direta, ele é direto e grosso no que pensa sobre respeito ao ser humano: "E vai tomar no c... quem é a favor dos direitos humanos"; Veja deve desculpas a seus leitores; a não ser que concorde com o que Maycon diz a todos
4 DE JULHO DE 2013 ÀS 20:36
247 – Veja já teve mais critério ao selecionar entrevistados para suas "páginas amarelas", ou, na verdade, é o contrário: agora sim é que Veja tem nitidamente um critério ideológico para eleger seus entrevistados. No caso, o "jovem" e "técnico de segurança do trabalho que vive de bicos e já trabalhou como camelô e dublê" Maycon Freitas, de 31 anos.
Uma pesquisa básica no Facebook e nas mensagens de Twitter postadas pelo mesmo Maycon Freitas mostra que ele simpatiza com ideias típicas de extrema direita, dissemina a homofobia e cultua a violência. Um perfil real que não aparece em uma linha sequer da entrevista publicada pela principal revista do Grupo Abril, feita por Álvaro Vale. Ali, Maycon surge como um líder forte e renovador, que detesta os partidos e os políticos, mas que renega a violência. Bem diferente do que ele realmente é, dito por si mesmo:
"Marcelo Freixo, vai dar meia hora de c... com o relógio parado e chupar um canavial de rola, seu filho da puta. Direitos humanos é o caralho, seu FROUXOOOOO!!!!!!", postou ele, por exemplo, em sua página, a respeito do deputado estadual do Rio de Janeiro.
Entre fotografias em que aparece ao lado da estrela Xuxa, da Rede Globo, Maycon postou a si próprio vestido como policial militar, de fuzil na mão. Explica-se: Maycon trabalhou sim como dublê, e isso foi para a Rede Globo, no programa Linha Direta, que explorava casos policiais de maneira romanceada..
Em poucas palavras, numa postagem anterior, ele definiu sua posição sobre direitos humanos, garantidos à humanidade desde a Declaração Universal, de 1948:
"E vai tomar no c... quem é a favor de direitos humanos", cravou Maycon, como se estivesse espetando uma baioneta no coração da democracia.
Foi esse "jovem" para o qual Veja desta semana, nas bancas, abriu sua seção considerada mais nobre, de três páginas.
Além de ser um rematado reacionário, que nitidamente não tem sintonia ideológica nenhuma com a grande maioria dos jovens, esses sim, universitários que saíram às ruas de todo o País, Maycon é um louco incendiário. Exagero? Abaixo,uma de suas últimas postagens em sua página no facebook:
"Galera, tive uma ideia.
Que acham de eu chegar la no congresso em Brasilia, me acender e tacar fogo em geral? (abaixo)", perguntou o entrevistado de Veja. Não nas paginas amarelas, mas depois, em sua página no Face, sob efeito da entrevista que o tornou famoso.
Ao abrir a revista para um personagem desse calibre, mesmo em nome da ideologia que defende, a revista Veja cometeu uma grande falha de apuração, tendo apresentado a seus leitores apenas uma parte – e a mais rósea delas – de um cidadão cujas ideias são extremamente prejudiciais à democracia. Deve a publicação desculpas a seus leitores, a não ser que concorde com o que pensa o "herói" Maycon.
Leia, ainda, texto de Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril, sobre o entrevistado de Veja, no Diário do Centro do Mundo:
O heroi da Veja diz que bandido bom é bandido morto
Maycon Freitas é a vanguarda do atraso.
Desequilibrado, agressivo e fanático: o heroi da Veja
Obtusidade? Má fé cínica? Ambas?
Faça sua escolha.
Tantos jovens brilhantes emergindo nos protestos, e eis que a Veja consegue escolher, para dar nas suas Páginas Amarelas, um certo Maycon Freitas que tem sido, justificadamente, chamado de ‘débil mental’ nas mídias sociais.
Maycon, segundo a Veja, teria se destacado nas manifestações do Rio.
Wellington diria que quem acredita nisso acredita em tudo, mas o ponto não é a liderança, ou pseudoliderança, que ele possa ter exercido.
São suas ideias, cruamente expostas em sua página no Facebook.
Uma mensagem conta quase tudo.
“Marcelo Freixo, vai dar meia hora de cu com o relógio parado e chupar um canavial de rola, seu filho da puta. Direitos humanos é o caralho, seu FROUXOOOOO!!!!!!”
Outra mensagem de Maycon afirma o seguinte: “Bandido bom é bandido morto”.
Maycon se declara presidente de uma certa UCC, União Contra a Corrupção. Não se sabe direito o que ele faz quando você percorre sua página.
Numa hora, ele aparece vendendo dólares e aparelhos eletrônicos. Mas num vídeo que circula hoje pela internet ele diz, histericamente, ser funcionário da Globo.
Viaja muito, e publica fotos das viagens, muitas delas sem camisa. Diz ser faixa preta de alguma luta marcial, para enfrentar pessoas maiores.
Seu heroi, claro, é Joaquim Barbosa, o “guerreiro”.
“Fique firme, suporte com galhardia e não esmoreça jamais”, escreveu ele sobre JB. “Toda a nação depende do senhor.”
Aprecia também o promotor paulista Rogério Zagallo, que recentemente sugeriu que a tropa de choque paulistana abrisse fogo contra manifestantes do MPL.
A terra de sua adoração são os Estados Unidos. Ele vibrou quando a família do jovem acusado em Boston não encontrou cemitério. “Por isso que sou fã dos EUA. Enterrar vagabundo é o cacete. Manda pro Brasil. Aqui vagabundo tem direito.”
O Brasil é um “país de merda”, por este tipo de coisa, composto por um “povo de merda”.
Em outro texto, ele diz: “E vai tomar no cu quem é a favor de direitos humanos”.
Ele diz que é vascaíno ao publicar uma foto de uma latinha de Coca Zero com a inscrição “Flamerda”.
Teme a ‘ditadura comunista’, bem como a ‘ditadura bolivariana’, e isso mostra que ele é, essencialmente, um homem assustado.
Importante notar: ele é irrelevante. Não influencia ninguém.
Seus posts no Facebook, pré-Amarelas, em geral não tinham nenhum comentário e nenhum “curti”.
Alguns raros tinham duas ou três manifestações, uma das quais vinha sempre de sua mulher, Cris.
Nada da mente fanática de Maycon apareceu na entrevista, feita pelo jornalista Álvaro Vale, ao qual ele agradeceu a gentileza no Facebook.
Álvaro é um jornalista de verdade? Se é, por que não confrontou Maycon com algumas de suas aberrações publicadas? Um dia talvez ele, Álvaro, se dê conta de quanto sua reputação se mancha ao fazer um jornalismo tão desonesto.
Você lê e se pergunta: é esse o Brasil que emergiu?
Só para a Veja.
Queremos um Brasil à imagem e semelhança de Maycon Freitas?
Talvez a Veja queira.
Mas os brasileiros de bem não querem isso.
fonte: Brasil 247
terça-feira, 2 de julho de 2013
CAFEZINHO X GLOBO: "NÃO É SÓ O DARF!"
"Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco", escreve Miguel do Rosário, do blog 'O Cafezinho', relatando conversa com "um fera do jornalismo investigativo" sobre a denúncia de que a Rede Globo teria sonegado R$ 615 milhões no processo de compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
2 DE JULHO DE 2013 ÀS 16:31
247 - Miguel do Rosário, do blog 'O Cafezinho', publicou post nesta terça-feira para dizer que a denúncia de sonegação que fez contra a Rede Globo pode envolver mais ilícitos, como crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Leia:
Ontem eu tomei uns chopes com um fera do jornalismo investigativo, na área de finanças. Eu comecei a explicar a ele que eu acho até engraçado a gente detonar a Globo por causa de sonegação fiscal. Acho que me senti como Eliot Ness, quando um de seus subordinados diz que a melhor maneira de pegar Al Capone é através do fisco. Caramba, tanta coisa contra essa empresa: levou mensalão dos EUA para participar do golpe de 64; tentou fraudar eleições no Rio; editou debate entre Collor e Lula; manipula diariamente informações; etc. E a gente vai pegá-la por sonegação?
A figura, experiente em tempestades políticas, olhou para mim e sorriu: "Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco".
Nossa senhora! Aí deixei de me sentir um Eliot Ness tupiniquim e passei a me sentir um daqueles garotos do Movimento Passe Livre, que foram às ruas contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, e viram milhões vir atrás por causa de todos os problemas do Brasil.
A situação da Globo nessa história é a seguinte: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A emissora diz que pagou, mas não mostra o documento. No entanto, se mostrar o documento, ela confirma o seu crime contra o sistema financeiro. Se não mostrar, pior ainda: deixa no ar que está devendo mais de 1 bilhão de reais ao povo brasileiro; neste caso, deveria estar inscrita na Dívida Ativa da União e não receber mais recursos públicos.
Aí temos uma contradição incrível: segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o Brasil perde, por ano, mais de R$ 400 bilhões em sonegação. A legislação brasileira é condescentente, em alguns casos quase conivente em relação aos crimes contra a Receita. Por que, então, os protestos "populares" nunca se lembram de mencionar a "sonegação", que é um ralo bem maior de recursos públicos do que a corrupção? Pior, ainda vemos alguns coxinhas imbecis, senão mercenários, indo às ruas pedindo redução de impostos. Eu até concordaria com redução de impostos para setores estratégicos, como pesquisa, tecnologia, para os mais pobres, para setores da classe média. Mas aí teríamos que aumentar a tributação sobre os mais ricos: é assim que se faz nos países desenvolvidos.
Se queremos ver o Brasil mudar mais rápido, temos que arrecadar mais. A única maneira de aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos é endurecendo contra a sonegação. Uma lei mais dura contra a sonegação de impostos seria muito mais eficiente, para os cofres públicos, do que uma lei mais dura contra a corrupção. Corrupto de verdade, em alta escala, não vai deixar de roubar porque a Constituição aumentou de 3 para 5 anos a penalidade. Na sua cabeça, ele nunca vai ser pego. Mas um sonegador, se for espremido, será obrigado a pagar, senão quiser fechar as portas de seu negócio.
Para uma empresa de concessão pública, como a Globo, a coisa é mais fácil: não pagou, então não recebe mais recursos públicos, e se insistir no calote, perde a concessão.
Independente dos crimes financeiros da Globo, todavia, não podemos perder de vista que o maior mal que a emissora causa ao país é ser a cabeça de um cartel midiático que trabalha dia e noite contra os interesses nacionais.
Ontem, no mesmo jantar com o grande jornalista investigativo, topamos com um grande colunista político da... grande mídia. Conversamos educadamente por um bom tempo, ele defendendo a sua empresa, nós ouvindo e discordando. Lá pelas tantas, quando se viu em apertos na questão do monopólio, ele lembrou que é difícil haver vários grandes jornais num país, e citou o New York Times. Eu rebati lembrando a Guerra do Iraque: matou mais de 1 milhão de iraquianos, e continua matando, e fez os EUA gastarem mais de 1 trilhão de dólares (dinheiro que foi para o bolso da indústria da guerra, que assim ficou mais poderosa e mais golpista), cavando o buraco onde o mundo iria submergir alguns anos depois. A guerra no Iraque aconteceu, entre outras razões, porque o New York Times chancelou a mentira do governo Bush de que Saddam tinha armas de destruição em massa. Um outro colunista da grande imprensa à mesa tentou me atacar, enquanto eu estava no banheiro, com o argumento de que eu defendia Saddam Hussein. Aí começou uma gritaria danada, entre os colunistas e os amigos que me defendiam. Quando voltei, estava instalado o caos. Achamos melhor nos despedirmos, e cada um foi para um lado.
O fato é o seguinte: em todas as grandes manifestações que vimos no país, havia muita crítica à mídia. No entanto, essa informação não chega à TV, não entra na pauta do congresso, nem no discurso da presidenta. Se há uma crise do modelo representativo, há uma crise muito maior do modelo midiático. As empresas de mídia, ainda mais em países em fase de consolidação democrática, caso do Brasil, tem características alarmantes: concentração em poucos proprietários; um poder enorme para desestabilizar governos; acobertam a corrupção de seus aliados; têm uma disposição ideológica profundamente anti-trabalhista, anti-nacional e anti-popular. E agora ficamos sabendo de uma outra face da mídia tupi: sonega impostos, comete crimes contra o sistema financeiro, lava dinheiro em paraísos fiscais.
Vivemos numa democracia aberta onde a liberdade de imprensa é um valor quase absoluto. Queremos continuar assim. Mas democracia também em implica em respeitar o poder soberano do povo de se autogovernar e fazer leis que o beneficiem. Então voltamos mais uma vez à necessidade de democratizarmos a mídia brasileira, através de uma lei moderna, que nos torne menos dependentes dos caprichos de meia dúzia de herdeiros da ditadura.
Repetindo: não é só o Darf. Não é só a sonegação. Queremos que o governo pare de injetar recursos públicos na conta dos bilionários da Globo. A Globo é concessão pública. Tem que botar os anúncios públicos de graça. O dinheiro que o Estado brasileiro gasta com a Globo deveria ir para a educação, para ensinar nossos jovens a pensarem com suas próprias cabeças, a não se tornarem massa de manobra dos golpistas da grande imprensa. Se o governo do PT quiser sobreviver ao "gigante", terá que ouvir sua voz, que tem gritado forte nas ruas: "a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!"
PS: A Globo afirma em nota, agora oficial, que pagou a Receita, mas não mostra o Darf, e ainda deixa um rabo do lado de fora, ao mencionar dívidas "discutidas" no Conselho do Contribuinte...
fonte: Brasil 247
quarta-feira, 26 de junho de 2013
PLEBISCITO É A SAÍDA DEMOCRÁTICA PARA A CRISE

Por Breno Altman, especial para o 247
O discurso da presidente Dilma Rousseff, anunciando a proposta de consulta
popular para reformar o sistema político, foi um tiro de canhão contra
estratégias que visam jogar a vontade das ruas contra o governo federal e
desestabilizá-lo.
A chefe de Estado, em um movimento de audácia, foi à raiz do problema que
sacode o país: o apodrecimento das velhas instituições. Há dez anos
implementando importantes mudanças sem romper com ordem herdada da transição
conservadora à democracia, o governo liderado pelo PT finalmente entendeu que
esse ciclo está esgotado.
A rebelião popular-juvenil, mesmo com suas contradições e disparates, como é
próprio de todos os grandes movimentos de massa, decretou a falência de um
sistema oligárquico, putrefato e avesso às transformações de fundo. Ao contrário
de alguns petistas e intelectuais de esquerda, que viram no levante uma
conspiração reacionária, Dilma compreendeu e ensinou que as ruas tinham aberto
caminho para um tremendo salto adiante.
Ao exigir do Congresso um plebiscito que decida a fundação de novo
ordenamento político, a presidente desbrava caminho para superar a associação
entre o capital corruptor e a representação política de aluguel, epicentro da
degenerescência republicana. Deslancha o processo que pode levar à proibição e
criminalização do financiamento privado de campanhas, além de oxigenar o Estado
com a transparência ideológica propiciada pelo voto em lista e a fidelidade
partidária.
A intervenção presidencial também cria janela de oportunidade para ampliar a
democracia participativa, através de novos instrumentos soberanos. A reforma
poderia incluir a possibilidade de plebiscitos convocados por iniciativa dos
próprios eleitores ou pelo presidente da República, o impedimento de governantes
e parlamentares através do voto popular e outras iniciativas que incorporem as
ruas ao Estado.
Não é à toa que a oposição de direita, estabelecida nos partidos e em outras
casamatas da sociedade, reagiu com repulsa à proposta presidencial. Seu discurso
contra a corrupção não passa de pura demagogia golpista. As correntes
reacionárias querem que tudo permaneça como está, pois são esses segmentos os
maiores beneficiários do contubérnio entre dinheiro e política. Desmascaram-se,
com seu horror a qualquer ideia que coloque os rumos do país nas mãos do
povo.
A disputa será renhida. A presidente ofereceu às ruas rebeladas uma
plataforma para fazer valer suas reivindicações e ajudá-la a aprofundar a
democracia, além de pactos pela melhoria das condições de vida. Inimigos irão se
alçar em combate, atemorizando aliados mais volúveis. Às ruas caberá defender,
com fervor e mobilização, a única saída progressista para a crise.
Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da
revista Samuel
Fonte: Brasil 247
terça-feira, 25 de junho de 2013
DILMA E A REVOLUÇÃO DOS COXINHAS
Dessa vez eles chegaram bem perto. A estratégia foi genial. Usaram um grupinho político da USP que tinha uma proposta simpática, a defesa do passe livre, e, com ajuda da brutalidade da polícia paulista, transformaram um protesto local num delírio jovem de magnitude nacional.
Ainda vai demorar para sabermos a extensão da influência dos grupos “anonymous” na organização virtual dos protestos. Mas as névoas estão começando a se dissipar. Depois do apoio dos Clubes Militares aos “protestos de rua”, as coisas vão ficando mais claras.
É um fenômeno que vem se repetindo nos últimos anos, e cada vez emerge mais forte. As novas investidas da direita tem se dado através da juventude da classe média. Pega-se uma bandeira ou candidato simpáticos, untados com antigovernissmo, agressividade política, cobertura midiática favorável, um bocado de esquerdismo utópico e infantil, e pronto, eis uma causa capaz de reunir milhares de jovens. A estratégia de usar a juventude, e símbolos da esquerda, para lançar uma candidatura conservadora, é um excelente cavalo de Tróia para dividir e confundir o eleitorado progressista. Em 2008, fizeram com Gabeira, símbolo de rebeldia, nas eleições municipais do Rio de Janeiro. Começou como queridinho dos jovens e terminou, como agora, com apoio do Clube Militar. Dois anos depois, Gabeira seria o candidato-fantoche do PSDB no estado do Rio, disputando uma eleição apenas para dar palanque à José Serra, e hoje o ex-guerrilheiro assina uma coluna udenista no Estadão.
Eu estive no protesto de Brasília. Observei os jovens segurando cartazes artesanais, individuais, com todo o tipo de platitude, como: “tanta coisa pra protestar que não cabe num cartaz”.
No dia seguinte, olhando a capa do Correio Braziliense, todavia, algo me chamou a atenção. A presença de uma faixa gigantesca. Tão grande que os próprios manifestantes deviam ter dificuldade de assimilar o conteúdo. Só dava para ser lida do alto do helicóptero da Rede Globo. A frase dizia: Prisão já para os Mensaleiros.
Num movimento não organizado por partidos, sindicatos ou movimentos sociais, a característica principal dos cartazes era a sua simplicidade. Aquela faixa era coisa de profissional. Deve ter custado uma fortuna, muito longe da realidade dos jovens manifestantes, apesar da minha impressão, ao observar seus rostos, que nenhum deles jamais perdeu uma noite de sono por causa de uma dívida. No Rio, também logo se viram faixas descomunais pedindo prisão de mensaleiros. A oposição, como se vê, pensou bem rápido e faturou em cima das manifestações.
As madames organizadas que fracassaram em levar adiante seus protestos contra “tudo o que está aí” assistiram, emocionadas, seus filhos assumindo seu lugar.
As pesquisas apontam que os protestos vistos nos últimos dias foram protagonizados principalmente por jovens universitários de classe média, que logo se viram acompanhados por elementos do chamado “lúmpem”, ou seja, camadas desorganizadas dos estratos mais pobres. Os elementos radicais de ambos os grupos praticaram um assombroso vandalismo, fazendo com que os protestos fossem os mais violentos de que se tem notícia em nossa história recente.
A insistência da mídia em falar que apenas “uma pequena minoria” praticou vandalismo tornou-se ridícula. Se os dez mil manifestantes de Brasília se pusessem a depredar o Itamaray, aí não era manifestação, e sim um ato de guerra civil antinacional, e eu mesmo iria à capital lutar em defesa do meu país, distribuindo uns tabefes nos irresponsáveis.
Congresso e Executivo tentam dar uma resposta política às manifestações, porque é tradição nacional procurar uma saída pacífica e conciliadora. Mas não podemos nos cegar para a emergência de um perigoso neofascismo playboy. No Rio, já vimos isso durante a candidatura de Marcelo Freixo, com o surgimento de uma legião de jovens absolutamente sectários, com a mesma visão messiânica, voluntarista e impaciente da política.
Mas a coisa é pior. Freixo ao menos tinha um programa, e pertencia a um partido. As manifestações de hoje não tem agenda, não tem foco, apenas um sentimento em comum: a impaciência, que na verdade reflete o voluntarismo arrogante de uma classe. “Queremos mudanças já! Agora! Não temos paciência para o jogo democrático! Não temos paciência para esperar as eleições de ano que vem e eleger novos deputados estaduais, novos governadores e um novo presidente!”
O rechaço à representatitividade política, por sua vez, tão edulcorado pelos pós-modernos, é na verdade um rechaço à democracia. Porque a democracia não é um governo dos melhores e sim da maioria. O representante político não chega lá por concurso público. Não é o mais ético. Ele ganha uma eleição porque soube articular melhor, se organizar junto a um grupo, arrumar dinheiro para campanha. Os jovens voluntaristas não aceitam que seus representantes políticos sejam eleitos pela massa ignara, que não sabe diferenciar corruptos de não-corruptos, que vota em evangélicos, em fisiológicos, em petistas. Querem ganhar no grito.
As madames, revoltadas com o súbito aumento no custo das empregadas domésticas, indignadas com a invasão de pobres nos aeroportos, devem ter cortado a mesada dos filhos, que saíram às ruas em protesto contra essa situação. O passe livre significa que a patroa não precisará mais pagar a passagem de sua empregada doméstica. Sim, porque a legislação brasileira obriga o empregador a pagar o transporte do funcionário. Seu passe já é livre, portanto. E o autônomo tem se beneficiado, por sua vez, de uma forte disparada no preço dos serviços que presta. Os vinte centavos a mais na passagem, conforme os próprios manifestantes admitiram, nunca foram o cerne dos protestos.
A questão da mobilidade urbana deve ser monitorada de perto pelos cidadãos. Se os protestos fossem, especificamente, para melhorar a qualidade do transporte público, maravilha. Mas botar 300 mil pessoas na rua, sem agenda, protestando por protestar, é algo sinistro. Um alemão com quem conversei longamente em Brasília, falou assim mesmo: “It’s scaring”. É assustador. Eles – alemães – já viram esse filme antes e não guardam boas lembranças.
É a revolução dos “coxinhas” ou “almofadinhas”, apoiados por neohippies de butique, desmiolados, indignados úteis, ingênuos, e toda espécie de malucos e idiotas políticos, que agora ganharam a companhia dos apopléticos dos clubes militares e das madames cansadas do Leblon.
Enquanto isso, Joaquim Barbosa, candidato preferido dos manifestantes, dá longas entrevistas à Globonews, defendendo o voto distrital e a possibilidade do povo “revogar” seu voto através de um “recall”. Detalhe: o voto distrital é o sonho da direita, porque seria a maneira maneira rápida de matar o sindicalismo e, por consequência, todos os partidos de esquerda.
A proposta de Dilma Rousseff de fazer um plebiscito popular para decidirmos se devemos ou não eleger uma constituinte, para levar adiante a reforma política, dá o foco que o Brasil precisava. As acusações da oposição de que seria um golpe apenas confirma a sua inapatência política. A verdadeira oposição, ou seja, aquela que hoje se encarna no cidadão Joaquim Barbosa, que tem se mostrado muito mais inteligente e articulado que um Aécio Neves, apoia o plebiscito, porque entende que ele consiste, na verdade, numa jogada de risco para a presidenta. E uma oportunidade de ouro para a oposição ao PT. Uma constituinte poderia introduzir o voto distrital tão sonhado por Joaquim Barbosa.
Mas um plebiscito também significa o aprofundamento da democracia. Vocês, manifestantes, querem promover uma ruptura no ritmo com o qual o Brasil vem mudando? Querem uma bebida mais forte? Ok, mas primeiro temos que perguntar ao povo se ele concorda.
A eleição de uma Constituinte para discutir a reforma política, por sua vez, é um gesto de deferência à rejeição vista nos protestos contra a classe política tradicional. É uma chance dos manifestantes provarem que seus protestos são consequentes e irem às ruas fazerem campanha para seus representantes preferidos. É uma oportunidade e tanto para sonháticos, barbosianos, éticos midiáticos, e independentes de todo o tipo.
Eu nem sei se defendo este plebiscito, essa constituinte, essa reforma política. O que eu sei é que se está oferecendo ao povo a oportunidade de decidir, e uma bandeira branca aos manifestantes. Ok, vocês venceram, vamos consultar o povo. Agora deixemos o Brasil trabalhar e funcionar, porque sem estabilidade econômica e política todo mundo sai perdendo, a começar pelo mais pobre.
Os protestos de rua conquistaram algumas vitórias, mas a um preço talvez excessivo: introduzimos o vírus da truculência na política brasileira. Acho um tanto alarmante que tanta gente ache “lindo” ver o povo destruindo pontes, ônibus, monumentos, lojas, restaurantes, rodoviárias. E tudo pra que? Por um mundo melhor?
A coisa perdeu todo o sentido porque é chocantemente absurdo ver um jovem socialista marchando ao lado de um defensor da ditadura. De um defensor do aborto ombreando com um que prega o contrário. O nível de esquizofrenia dos protestos, aliado à condescendência da mídia, atingiu um ponto crítico.
Quanto ao governo, a grande lição é o fracasso retumbante de sua política de comunicação, e a derrota na batalha pelo coração da classe média. Acabaram-se as tertúlias no programa da Ana Maria Braga, acabou-se o mito da faxineira da ética, da gestora séria e competente. Dilma se viu obrigada a fazer política. A ir para TV. A convocar movimentos sociais, governadores e prefeitos. A ouvir as centrais sindicais. Agora não pode mais parar. Dilma tem de achar uma outra Dilma para si, para gerenciar o país, e tem que mergulhar de vez na agenda política. Participar mais do debate, ajudando a aprovar suas reformas do Congresso, a defender seu governo nos meios de comunicação.
No meio da crise, com protestos comendo soltos em todo país, e ninguém sabendo direito onde aquilo ia dar, o blog da Dilma, uma ferramenta extraordinária para apagar incêndios, permaneceu parado. Twitter da Dilma, parado. Facebook da Dilma, idem. Um garoto do subúrbio carioca faz um trabalho melhor de comunicação para a presidenta, com o perfil Dilma Bolada, do que todo o pesado staff da presidência da república e da Secom.
A comunicação da presidenta é dominada pelo pensamento publicitário, pela mídia 1.0, onde tudo é pensado em termos de milhões de reais. Qual o custo em atualizar um blog, em escrever uns tuitezinhos por dia? Nenhum. Mas a presidência, sequestrada pela lógica pesada da Secom, prefere torrar milhões numa agência de publicidade, para fazer um novo pronunciamento na TV. Por que não fazer um tweetcam semanal com jovens e internautas? Porque não inovar na comunicação, interagir diretamente com a população, sem intermediação de Globo, Veja, Folha, Estadão?
Há um lado positivo em tudo isso, que é a aceleração da História. Assim como uma manifestação pode começar pela esquerda e terminar pela direita, como é o que aconteceu, ela pode tender à esquerda novamente. Mesmo uma guinada à esquerda, porém, só seria positiva se viesse no bojo de um forte apoio do povo e dos estratos mais progressistas da classe média. Um neochavismo sem base popular, sem comunicação, turbulento, isolacionista e mal ajambrado, apenas abriria espaço para uma vitória conservadora em 2014.
Por isso é tão necessário desenvolver uma estratégia de comunicação mais agressiva, mais jovem e mais dinâmica. O povo quer falar contigo, Dilma. Não apenas através de um plebiscito onde diremos sim ou não. Não através da Globonews. Quer falar contigo diretamente, olho no olho. Mas não pela TV, que tem um lado só. Tem que ser pela internet, onde podemos interagir. Talvez aí, nesse diálogo direto, veremos emergir uma surpreendente criatividade.
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