terça-feira, 12 de março de 2013

O MUNDO NEOLIBERAL E PARALELO DE SARDENBERG

Por Davis Sena Filho  Blog Palavra Livre



Estava a ouvir a CBN, conhecida também comoa rádio que troca a notícia — e não se importa. Estava a deitar falação o “especialista” em economia, Carlos Alberto Sardenberg, notável porta-voz da direita brasileira e intrépido defensor do neoliberalismo, apesar de o jornalista saber que tal doutrina político-econômica é ou foi um fracasso retumbante, porque derreteu, como gelo em asfalto quente, as economias da Europa e dos Estados Unidos, além de ser mais do que comprovado que esse sistema de pirataria e rapinagem levou centenas de povos à miséria moral e material, bem como alienou o patrimônio público de inúmeras nações, que ficaram sem as estatais planejadas e construídas através de gerações, sendo que o dinheiro auferido com as vendas não foi revertido em novos investimentos, para as sociedades prejudicadas com tal farra efetivada e concretizada pelos neoliberais.


Para Sardenberg, o Brasil vai de mal a pior, apesar de as estatísticas mostrarem o contrário.
Sardenberg é certamente um dos jornalistas mais radicais de direita que tem voz ativa nos meios de comunicação privados e hegemônicos, de propósitos imperialistas e responsáveis pela defesa e difusão do pensamento liberal, que prega a diminuição do estado e a não interferência por parte dele na economia. Ou seja, Carlos Alberto Sardenberg é a favor da minarquia, cujo significado é quanto menor a participação do estado na economia, os indivíduos serão livres e terão mais poder para exercer, por exemplo, o livre arbítrio para comprar e vender. Enfim, dar rumos e fomentar os negócios e as atividades humanas lucrativas, que levam, principalmente, as classes ricas, donas dos meios de produção, a ficarem cada vez mais ricas, enquanto as pobres... que se virem.

Contudo, Sardenberg sabe o que acontece, até mesmo por ser um profissional com conhecimento junto ao establishment dominado por banqueiros, oligarcas do petróleo, grandes proprietários de terras urbanos e rurais, megaempresários midiáticos e fabricantes de armas, por exemplo. Acontece que Sardenberg é um neoliberal, jornalista-especialista das Organizações(?) Globo, como o é também a grande jornalista Miriam Leitão, que tem mais espaço para falar de economia do que qualquer economista de real grandeza, conhecimento e notório saber do passado e do presente. Somente no Brasil uma rede de televisão e seus “especialistas” influem e combatem tanto as diretrizes e os projetos de governos, ainda mais quando a cadeira da Presidência da República é ocupada por mandatários trabalhistas.

A verdade é que a banda não toca como o senhor Sardenberg deseja e quer. A banda desafina, e como desafinou no decorrer de 30 anos de neoliberalismo, ampliado e colocado em prática em termos mundiais, por intermédio da primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e do presidente estadunidense, Ronald Reagan, que controlaram a ferro e fogo o Banco Mundial (Bird), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O mundo passou, realmente, por uma onda de transformação, que beneficiou as grandes potências mundiais, os trustes e conglomerados internacionais, além das classes ricas e empresariais do campo e da cidade dos países pobres e em desenvolvimento, a exemplo do Brasilda Argentina e da Venezuela.

Sardenberg — o Neoliberal II, pois o I é o FHC — fala muito e defende o indefensável, justifica o injustificável e trata os ouvintes da rádio que troca a notícia como se todos eles fossem ingênuos ou meramente integrantes de parte da classe média de perfil lacerdista, udenista, e, portanto, conservadora e reacionária a mudanças. Sardenberg é o contrassenso em toda sua essência e a dissimulação da realidade em toda sua plenitude. Ele prega a continuação do que não deu certo, do que fracassou e foi derrotado, porque simplesmente o neoliberalismo, como doutrina política e econômica, não pensa no bem-estar social da humanidade, das pessoas, apesar de pregar que o indivíduo deve ser livre das amarras do estadoa não ser quando o estado é obrigado a salvar empresas insolventes, falidas de empresários gananciosos, irresponsáveis, que cometem crimes contra a economia dos países e seus povos, como ocorreu a exemplo da crise de 2008, bem como no Brasil, nos Estados Unidos e na América Latina. Neste momento, o estado é ótimo, e gente como o tenaz e obstinado Sardenberg se cala.

A verdade é que tudo não passa de teoria, porque na prática o neoliberalismo teve também seu muro derrubado, como ocorreu, simbolicamente, com o muro de Berlim em relação ao socialismo real. Sardenberg sabe disso, mas não se importa, porque o jornalista da CBN e da TV Globo cumpre seu papel, com dedicação e até mesmo crença no que fala, apesar de eu notar que, muitas vezes, tal escriba e âncora global não é sincero, porque não é possível que ele não perceba que a teoria do estado pequeno e nunca intervencionista não condiz com a realidade e a condição humanas. E por quê? Porque a economia neoliberal — volto a repetir — somente beneficiou os países ricos, enquanto os pobres e em desenvolvimento sustentaram o alto padrão de vida dos europeus, japoneses e estadunidenses, que passaram quase 40 anos a viver como se não tivesse o amanhã. Quem nunca comeu melado quando come se lambuza. E os europeus, ao contrário do que muitos dos nossos cidadãos colonizados e com um imenso complexo de vira-lata pensam, já comeram durante séculos ou milênios o pão que o diabo amassou. Só que "esqueceram" o passado de guerras e crises econômicas, e, a partir da década de 1970, lambuzaram-se.

Concomitantemente à farra neoliberal dos ricos, os nossos milionários tupiniquins também se lambuzavam com as sobras do melado, com o apoio e a cumplicidade irrestritos dos barões proprietários da imprensa de direita e dedicada a fazer propaganda de uma doutrina liberal que levou os países latino-americanos, africanos, árabes e asiáticos à bancarrota, à falência e à dissolução do tecido social, porque não eram criados empregos para os trabalhadores sem salários, não havia crédito para as classes médias e pobres, bem como os pequenos e médios empresários não tinham condições financeiras e logísticas para ampliarem seus negócios, e, por conseguinte, fomentarem a economia interna. O neoliberalismo aumentou os índices de violência e de pobreza e retirou das diversas sociedades deste planeta, exploradas e oprimidas, o direito de sonhar com dias melhores. A época dos princípios neoliberais impostos ao mundo, a partir do Consenso de Washington de 1989

O Brasil do ex-presidente tucano FHC — o Neoliberal — foi ao FMI três vezes, de joelhos e com pires na mão, porque quebrou três vezes. O Brasil, que hoje é a sexta economia mais poderosa do mundo, era humilhado e com a complacência de uma direita emplumada que tem por símbolo uma ave bela e tropical, que não merecia tal destino, que é o de ser vinculada ao PSDB, um partido que em sua nomenclatura tem as palavras social e democracia, mas que envergonha a verdadeira social-democracia, que, ao ver o que os tucanos fizeram com o Brasil, sentiram vergonha, porque, na verdade, o PSDB é um partido de direita e tão provinciano, que, basicamente, está restrito a São Paulo, estado que, historicamente, combateu e combate os governantes trabalhistas, que, em contraponto, sempre beneficiaram o estado bandeirantemesmo após a vitória do trabalhista Getúlio Vargas contra as forças paulistas, em 1932.

O neoliberalismo é o darwinismo em sua máxima cuja frase “sobrevivência do mais apto“, como sinônimo de “seleção natural”, não coaduna com o direito de viver e muito menos representa a realidade dos entes humanos, que optaram por viver em coletividade para melhor enfrentar as agruras e os perigos no decorrer da vida, da existência. Quando Sardenberg defende o estado mínimo, na verdade ele está a colocar as ovelhas nas bocas dos lobos, que são os grandes capitalistas, que controlam os negócios privados ao tempo que têm influência nas esferas públicas e governamentais, e, dessa forma, impõem à maioria das populações fórmulas econômicas, financeiras e comerciais de exploração, draconianas, para terem seus interesses de classe, recorrentemente, atendidos.

O Torquemada da CBN — a rádio que troca a notícia — deveria, sim, envergonhar-se por defender, ininterruptamente e sem qualquer peso na consciência, uma doutrina criada pelos grandes capitalistas, seus economistas e governantes neoliberais para, juntamente com a globalização, explorar sem limites as riquezas dos solos, das florestas, dos rios e dos mares dos países emergentes e pobres, além de efetivarem, de forma insana e perversa, o neocolonialismo levado às últimas conseqüências, a tal ponto que a partir da primeira década do século XXI os povos explorados pela pirataria e roubalheira dos países ricos passaram a votar em candidatos trabalhistas, como ocorre até hoje em países como o Brasil, a Argentina, a Nicarágua, o Peru, a Venezuela, o Uruguai, o Equador, Honduras e o Paraguai, que, recentemente, foi vítima de um golpe de direita. Porém, o Paraguai foi enquadrado pelos países membros do Mercosul, o que revoltou muitos dos nossos “mervais” e "sardenbergs". Mesmo depois do fim da punição ao atual governo paraguaio de índole e propósitos golpistas, tal governante e seu gabinete vão continuar como párias, até que seja realizada uma nova eleição presidencial.

Não foi à toa que governantes trabalhistas e socialistas criaram os Brics, a Unasul, o G-20, fortaleceram o Mercosul e enterraram a Alca, projeto de espoliação dos EUA, que visava, na verdade, a abertura de mercados gigantescos e poderosos como o do Brasil para os produtos do país yankee, sem, no entanto, receber contrapartida. A Alca, como não deveria deixar de ser, foi sumariamente enterrada. Os governos progressistas da América Latina e do mundo deveriam também serem rígidos no que diz respeito às remessas de lucros das estatais que foram privatizadas, praticamente doadas, nas décadas de 1980 e 1990 por mandatários neoliberais, além de cobrarem duramente serviços de boa qualidade no que é relativo aos serviços de energia elétrica, telefonia e principalmente no que tange à banda larga, que tem de ser pública, barata e oferecida a todos os brasileiros independente de classe social.

Carlos Alberto Sardenberg é um tolo ou se faz de tolo. A verdade é que seus candidatos tucanos vão ter de comer um dobrado para se elegerem.Enquanto isso, o âncora da CBN — a rádio que troca a notícia — e comentarista da Globo News e do Jornal da Globo continua a tergiversar, a dissimular, a manipular e até mesmo mentir sobre as realidades brasileiras e da América do Sul, como o faz sempre no que concerne à Venezuela e aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. Sardenberg criou um mundo paralelo para ele viver. O jornalista é tão assertivo e propositivo no que diz, que um dia ele vai se olhar no espelho e se levar a sério. É isso aí.

sábado, 9 de março de 2013

O POVO IDOLATRA CHÁVEZ E VEJA VÊ HERANÇA MALDITA


Em sua capa desta semana, a revista de Roberto Civita dedica sua capa à "herança sombria" de Hugo Chávez; internamente, reportagem trata da "maldição da múmia"; enquanto isso, multidões foram se despedir do líder que reduziu desigualdades sociais, universalizou a educação, reduziu os índices de mortalidade, desnutrição e, sobretudo, de desemprego; se foi com o dinheiro do petróleo, já não era sem tempo.

9 DE MARÇO DE 2013 ÀS 11:18


247 - Enviado a Caracas, capital venezuela, pela revista Veja, de Roberto Civita, a Caracas, o jornalista Duda Teixeira produziu a capa desta semana da revista semanal, que destila ódio e preconceito em relação ao ex-presidente morto. A começar pela escolha da foto da capa, a meia luz, e do título "Chávez – a herança sombria". Internamente, o tom é ainda mais agressivo, na reportagem intitulada "A maldição da múmia", que fala que o fantasma chavista assombrará a América Latina ainda por muitas décadas.
Para comprovar a "herança maldita" deixada pelo líder bolivariano, Veja listou alguns pontos, como o retorno dos militares à cena política, a "destruição das instituições", a "mentira como política", a escolha de um "inimigo externo" (no caso, os Estados Unidos), o "culto à personalidade", a "dilapidação do patrimônio", a "demonização da classe média", o "intervencionismo", a "bajulação dos tiranos" e a "utopia do bem coletivo".
Para quem estiver interessado no outro lado, vale ler o texto de Salim Lamrani, publicado no Opera Mundi. Leia abaixo:
50 verdades sobre Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana
Razões pelas quais o chefe de Estado venezuelano marcou para sempre a história da América Latina
Por Salim Lamrani, do Opera Mundi


O presidente Hugo Chávez, que faleceu no dia 5 de março de 2013, vítima de câncer, aos 58 anos, marcou para sempre a história da Venezuela e da América Latina.



1. Jamais, na história da América Latina, um líder político alcançou uma legitimidade democrática tão incontestável. Desde sua chegada ao poder em 1999, houve 16 eleições na Venezuela. Hugo Chávez ganhou 15, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012. Sempre derrotou seus rivais com uma diferença de 10 a 20 pontos percentuais.



2. Todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter, mostraram-se unânimes ao reconhecer a transparência das eleições.



3. Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, inclusive declarou que o sistema eleitoral da Venezuela era “o melhor do mundo”. 

4. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais. Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de alfabetização denominada Missão Robinson I.


5. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado.



6. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%.



7. A Missão Robinson II foi lançada para levar a população a alcançar o nível secundário. Assim, a taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011.



8. As Missões Ribas e Sucre permitiram que dezenas de milhares de jovens adultos chegassem ao Ensino Superior. Assim, o número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.



9. Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito à atenção médica para todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela.



10. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%.



11. A Missão Bairro Adentro I permitiu a realização de 534 milhões de consultas médicas. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas 1,7 milhão de vidas entre 2003 e 2011.



12. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%.



13. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.



14. Graças à Operação Milagre, lançada em 2004, 1,5 milhão de venezuelanos vítimas de catarata ou outras enfermidades oculares recuperaram a visão.



15.  De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011.



16. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado.



17. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011.



18. Segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.



19. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.



20. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%.



21. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%.



22. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões.



23. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.



24. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país.



25. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.



26. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional.



27. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999.



28. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil.



29. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012.



30. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.



31. A nacionalização da empresa de petróleo PDVSA, em 2003, permitiu que a Venezuela recuperasse sua soberania energética.



32. A nacionalização dos setores elétricos e de telecomunicação (CANTV e Eletricidade de Caracas) permitiu pôr fim a situações de monopólio e universalizar o acesso a esses serviços.



33. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia.



34. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho.



35. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 2.047,52 bolívares (330 dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina.



36. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.



37. Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo.



38. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo.



39. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.



40. A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas.



41. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo.



42. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.



43. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha.



44. A Venezuela oferece um apoio direto ao continente americano mais alto que os Estados Unidos. Em 2007, Chávez ofereceu mais de 8,8 bilhões de dólares em doações, financiamentos e ajuda energética, contra apenas 3 bilhões da administração Bush.



45. Pela primeira vez em sua história, a Venezuela dispõe de seus próprios satélites (Bolívar e Miranda) e é agora soberana no campo da tecnologia espacial. Há internet e telecomunicações em todo o território.



46. A criação da Petrocaribe, em 2005, permitiu que 18 países da América Latina e do Caribe, ou seja, 90 milhões de pessoas, adquirissem petróleo subsidiado em cerca de 40% a 60%, assegurando seu abastecimento energético.



47. A Venezuela também oferece ajuda às comunidades desfavorecidas dos Estados Unidos, proporcionando-lhes combustíveis com tarifas subsidiadas.



48. A criação da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), em 2004, entre Cuba e Venezuela, assentou as bases de uma aliança integradora baseada na cooperação e na reciprocidade, agrupando oito países membros, e que coloca o ser humano no centro do projeto de sociedade, com o objetivo de lutar contra a pobreza e a exclusão social.



49. Hugo Chávez está na origem da criação, em 2011, da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), agrupando, pela primeira vez, as 33 nações da região, que assim se emancipam da tutela dos Estados Unidos e do Canadá.



50. Hugo Chávez desempenhou um papel chave no processo de paz na Colômbia. Segundo o presidente Juan Manuel Santos, "se avançamos em um projeto sólido de paz, com progressos claros e concretos, progressos jamais alcançados antes com as FARC, é também graças à dedicação e ao compromisso de Chávez e do governo da Venezuela".

Fonte:  Brasil 247

quarta-feira, 6 de março de 2013

INFLAÇÃO CAI DE NOVO – E SEM DESEMPREGO PEDIDO POR GOLDFJAN


segunda-feira, 4 de março de 2013

A GLOBO NÃO ENGANA NINGUÉM, NEM EM LOS ANGELES



Sugestão do editor do Conversa Afiada Murilo Silva:

Quando o presidente esquerdista João Goulart foi deposto pelos militares brasileiros, em 1964, a maioria da mídia nacional, controlada por poucas famílias, comemorou. [...]

Mas, durante a ditadura de 21 anos que se seguiram, o governo censurou os jornais e estações de televisão das famílias operadoras [...]

As coisas são diferentes agora. Desde 2003, o Brasil tem sido gerido pelo partido à esquerda da Centro dos Trabalhadores Popular, conhecido como PT, que deixou a mídia só [...]

Mas as publicações e emissoras de TV, ainda controladas pelas mesmas famílias, têm sido críticos do partido, apesar de uma taxa de aprovação pública para a presidente Dilma Rousseff tão alta quanto 78% [...] (sic).


Saiu no Los Angeles Times:


BRAZIL’S DILMA ROUSSEFF IS POPULAR, BUT NOT AMONG NEWS MEDIA



Rich and powerful newspapers and TV networks have been critical of the left-leaning president despite her hands-off approach toward them.

By Vincent Bevins, Los Angeles Times 

March 3, 2013, 6:36 p.m.

SAO PAULO, Brazil — When left-leaning President Joao Goulart was deposed by the Brazilian military in 1964, the nation’s major news media, controlled by a few wealthy families, celebrated.

But during the 21-year dictatorship that followed, the government censored the newspapers and television stations the families operated.

Things are different now. Since 2003, Brazil has been run by the popular left-of-center Workers’ Party, known as PT, which has left the news media alone.

But the publications and TV stations, still controlled by the same families, have been critical of the party, despite a public approval rating for President Dilma Rousseff as high as 78%. Not a single major news outlet supports her, with some newspapers and magazines particularly harsh in their criticism.

“It’s an extremely unique situation now in Brazil to have such a popular government and no major media outlet that supports it or presents a left-of-center viewpoint,” says Laurindo Leal Filho, a media specialist at the University of Sao Paulo.

The opposition to the Workers’ Party has been present since former left-wing metalworker Luiz Inacio Lula da Silva, once imprisoned by the dictatorship, was elected president in 2002. Lula quickly moved to the center and accommodated business elites, and the following decade saw an economic boom in which 40 million people rose out of poverty.

“Brazilian society was based on slavery for over 300 years, and has almost always been run by the same social strata,” Leal Filho says. “Some parts of the upper class have learned to live with other parts of society that were previously excluded … but the media still reflect the values of the old-school elite, with very, very few exceptions.”

The critical news media have been widely praised for hard-hitting investigations of corruption that have led eight members of Rousseff’s Cabinet to be replaced, and 25 high-level officials to be sentenced for a vote-buying scandal dating to Lula’s administration. But government supporters often say the news media pay much less attention to evidence of corruption involving other political parties.

Reporters Without Borders recently issued a report criticizing media concentration in Brazil and recommending an overhaul of laws pertaining to the media. But unlike elsewhere in Latin America where governments openly battle with private media critics, the Brazilian government has taken a relaxed attitude.

Even if there were a concerted effort to take action, it would be politically impossible, analysts say. The Reporters Without Borders report details close ties between parts of the media and members of Congress, some of whom even vote to grant licenses to outlets they own, especially outside the bigger cities. To run the country, Rousseff must navigate the complicated waters of the Brazilian congressional system and work with more than 20 other parties.

“It’s unfortunate, but to govern this country you have to establish alliances,” says Mino Carta, editor of Carta Capital, the only publication of any size that supports the government. It sells 60,000 copies a week in a country of almost 200 million.

Meanwhile, Rousseff, who was tortured by the dictatorship for her left-wing activities in the 1970s, has taken criticism from the news media in stride, periodically reaffirming her belief in freedom of speech.

Attempting to build a large-scale news outlet that presents a different point of view would be extremely difficult, Carta says, because of the need for advertising revenue.
“That would be a very slow and long-term goal indeed,” says the Italian-born septuagenarian.

Most Brazilian media chiefs say their journalism is neutral and objective.

Sergio Davila, managing editor of Folha de Sao Paulo, Brazil’s highest-circulation newspaper, says, “When Fernando Henrique Cardoso was in office, [his party] the PSDB said we were against them and pro-PT.”

Davila points to a report published in the paper at the time detailing votes purchased to ensure Cardoso’s reelection. “Now we’re just seeing the other side of the coin.”

But many PT supporters see the major newspapers, including Folha and O Estado de Sao Paulo, as anti-Rousseff, as they do the television network and newspaper run by the dominant Globo group.

“The big media have always defended powerful interests,” says Jose Everaldo da Silva, a retired port worker and PT voter in the country’s traditionally poor northeast, which has benefited especially from PT rule. “Everyone remembers what Globo did in Lula’s first election.”

When Lula first ran for president in 1989, the Globo TV station heavily edited his final debate with Fernando Collor de Mello, giving Lula less time and showing all of Collor’s best moments. The polls turned in favor of Collor, who was elected and later impeached for corruption.

The episode became the subject of a British documentary titled “Beyond Citizen Kane.”

Globo TV later acknowledged having made a mistake but denies there is now any bias. “Globo is absolutely nonpartisan. It doesn’t offer opinions on governments and seeks neutrality in its news programs,” a spokesman said.

TV stations are relatively moderate and a more important source of news than print for Brazilians, most of whom don’t regularly read newspapers or magazines, says David Fleischer, a political scientist at the University of Brasilia.

“TV stations don’t blast [Rousseff] like the press does,” Fleischer says.

In stark contrast to much of the world, the printed word is growing in Brazil, as literacy and news consumption rise. Folha’s circulation increased 2% in print and 300% online last year.

“More diversity in the media would be good for the country,” Davila says. “I just really don’t know why it’s not happening.”

For now, neither Rousseff nor retired port worker Da Silva seems worried.

“Everyone who travels around here can see clearly that Brazil has changed. Globo distorts the truth, yes. But it’s not so bad. Who cares? They can say whatever they want,” Da Silva says in a phone interview, and then breaks into laughter. “Actually, I’m watching Globo right now.”

Bevins is a special correspondent.


Comments (2)

FabioORibeiro at 7:10 AM March 04, 2013 
In Brazil the media always commanded the State. It was the Brazilian media that, under the influence and money of the CIA and  English Secret Service, produced the coup of 1964. It was the media that, in in 1985, helped destroy the Dictatorship that it created in the past. It is the media that runs the Judiciary now, preventing the conviction of criminals of the Dictatorship (unlike what happened in Chile and Argentina). It is also the media who invented the scandal known as “Mensalão” and demanded that some members of the PT were condemned by the Judiciary. But the media does no commands the Brazilian people now and the Brazilians choose to elect candidates who do not have to compromise with the media. 

Murilo Jamiel at 6:26 AM March 04, 2013 
In Brazil, there’s no democracy in the media. Television Networks, Radio Stations and newspapers belongs to the same owners and just one point of view is presented to the audience. Besides, they present themselves as impartial. The media oligopolies are the biggest threat to democracy in Brazil

Fonte:  Conversa Afiada

domingo, 3 de março de 2013

A PROCURA DESESPERADA POR UM CANDIDATO




Rodolpho Motta Lima

Nos últimos dias, tem havido grande efervescência política com o lançamento, claro ou velado, de diversas candidaturas à Presidência da República, inclusive a da própria Presidenta. A profusão de prováveis candidatos de oposição a Dilma – estimulados pela mídia - deixa evidente, de cara,  que o pessoal do PIG não acredita que Aécio ou qualquer outro tucano seja capaz de vencer a eleição. E a direita experimenta seus sonhos de consumo nas figuras de Marina Silva (nem de direita nem de esquerda, porque tudo que cai na REDE é peixe...), Eduardo Campos (cujo avô, Miguel Arraes, deve tremer no túmulo com certos entusiasmos de ocasião destinados ao neto) e até uma outra, que merece aqui observação mais  atenta.

Recentemente – entre os dias 20 e 26.02 -, vimos surgir, nas charges do Chico, cartunista/chargista de presença diária no “Globo” junto a figuras de “presidenciáveis” – como Marina, Aécio e Eduardo – a do ministro, Joaquim Barbosa. Nada a objetar, se ele não estivesse aparecendo, como os outros e com os outros, no estilo “mocinho que invade o saloon”, em atitude acintosa de oposição à presidenta Dilma. Em uma delas, a que me parece mais grave, a charge vem acompanhada da mensagem/fala atribuída aos quatro personagens – Joaquim Barbosa inclusive -  e dirigida à Dilma: “- Eu vou tirar você desse lugar”.

Chico costuma seguir, em suas charges,  a  linha editorial do jornal onde trabalha. Nada contra: ele tem todo o direito de possuir o posicionamento político-ideológico da mídia a que serve. Isso não se discute. E é igualmente óbvio que ele pode fazer humor com as coisas e pessoas que bem entender, assumindo, claro, suas responsabilidades éticas.  Mas é  obrigação cidadã  não deixar passar em branco aquilo que – com humor ou sem ele – cheira a desvio antidemocrático.

No campo político, a charge envolvendo personagens do nosso dia a dia corresponde a uma tradição e deve ser saudada como manifestação da liberdade de comunicação e da expressão de ideias. Isso é ponto pacífico. Creio mesmo que, apesar de pouco republicana, a colocação do Presidente do Supremo ao lado de políticos oposicionistas mandando mensagens contrárias à Presidenta é um direito do chargista. Lá no fundo, ele pode estar desejando a candidatura do Ministro Joaquim Barbosa a Presidente do país. Ou pode, o que seria postura lastimável, estar torcendo pela monitoração do poder executivo pelo  poder judiciário.

Sabemos todos que os humoristas são sempre os primeiros a ser perseguidos por sistemas repressores de poder. É só lembrar, na história recente do país, a turma do Pasquim... No Brasil de hoje, felizmente, é livre a comunicação.  Mas é igualmente  livre a interpretação que se possa fazer das intenções de quem atua na mídia, humorista ou não. O episódio das charges do Chico pode ser irrelevante para muitos. E ele pode nem ter percebido o sentido que se poderia dar à sua criação. Mas assim como “de grão em grão a galinha enche o papo”, de pequenos golpes em pequenos golpes pode-se chegar a um grande ataque  às instituições.

De qualquer forma, nada tenho contra o cartunista, apenas estou divergindo de suas ideias. Tenho certeza de que ele não se importará nem um pouco com os meus gostos, mas, entre os diversos Chicos brasileiros, ideologicamente prefiro o Chico Buarque de Holanda – pela coerência ao longo da vida – e o Chico Mendes – morto em defesa dos seringueiros massacrados pelo poder. E quanto ao humor, minha predileção vai para o Chico Anysio, pela sua criatividade não pautada...

Provoca estranheza, isso sim, que o Presidente do STF se deixe retratar dessa forma, sem qualquer palavra a respeito. Não é por falta de espaço na mídia,  onde ele, seguidamente, vem opinando sobre diversos problemas da sociedade. Não por acaso, no dia 01.03, ele foi personagem central da coluna do Merval Pereira, com considerações do colunista sobre a possibilidade de vir a ser candidato à Presidência da República. E é claro que ele tem direito a postular o cargo, como qualquer cidadão brasileiro. Mas, em nome da independência entre os poderes constituídos, obtida a duras penas pela democracia brasileira, e considerada, fundamentalmente, a sua condição de magistrado -  julgador, inclusive de feitos em que o poder executivo está envolvido -,  ele deveria contestar claramente uma possível inferência, extraída da charge, de que – como presidente do Supremo que é - estaria “fazendo o jogo” da oposição ao atual Governo, eleito, diga-se, pela expressiva maioria do povo brasileiro.

No momento em que o julgamento do Mensalão, aplaudido por muitos, é considerado por outros um episódio de cartas marcadas, político em sua essência, onde terá faltado a observância a princípios básicos do direito, com casuísmos e inversões doutrinárias, Joaquim Barbosa deveria ser, no mínimo, por sagacidade e prudência, o primeiro a rejeitar tal postura a ele atribuída, porque ele representa o poder maior da justiça neste país e não pode, em hipótese alguma, deixar que se sobreponha a essa posição a interpretação de que age politicamente, seja atrelado a um grupo, seja a serviço de seus interesses pessoais. A não ser, é claro, que concorde com a insinuação, hipótese em que deveria afastar-se do Supremo e dedicar-se aos  projetos de um candidato oposicionista. Afinal, de todas as autoridades maiores dos poderes do país – que não valem pelo que são individualmente, mas pelo que encarnam como representantes dos interesses do  povo -, esperam-se, permanentemente e sem cochilos,  posturas  condizentes  com os ideais republicanos que se obrigam a  defender.

 

Do Blog TERRA BRASILIS.

JUÍZES PERDEM A PACIÊNCIA COM JOAQUIM BARBOSA


do Conjur, via Brasil 247

Pela primeira vez na história, três associações de magistrados se levantam contra um juiz do Supremo Tribunal Federal; em nota, presidentes da Associação de Magistrados do Brasil, da Anamatra e da Ajufe, que representam 100% da categoria, se dizem perplexos com a forma "preconceituosa", "superficial" e "desrespeitosa" com que Barbosa se dirigiu aos integrantes do Poder Judiciário ao dizer que juízes têm mentalidade "pró-impunidade"; será que Barbosa terá humildade para pedir desculpas?

Pela primeira vez na história, três associações de magistrados se levantam contra um juiz do Supremo Tribunal Federal; em nota, presidentes da Associação de Magistrados do Brasil, da Anamatra e da Ajufe, que representam 100% da categoria, se dizem perplexos com a forma “preconceituosa”, “superficial” e “desrespeitosa” com que Barbosa se dirigiu aos integrantes do Poder Judiciário ao dizer que juízes têm mentalidade “pró-impunidade”; será que Barbosa terá humildade para pedir desculpas?
A Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho emitiram neste sábado (2/3) nota pública em que classificam de “preconceituosa, generalista, superficial e, sobretudo, desrespeitosa” a declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, a jornalistas estrangeiros.
Em entrevista coletiva concedida na quinta-feira (28/2) a correspondentes internacionais, Barbosa afirmou que os juízes brasileiros têm mentalidade “mais conservadora, pró status quo, pró impunidade”. Já os integrantes das carreiras do Ministério Público seriam “rebeldes, contra status quo, com pouquíssimas exceções”.
Para as entidades que representam os juízes, as conclusões de Joaquim Barbosa partem de “percepções preconcebidas”. Os juízes consideram “incabível” a comparação das carreiras da magistratura e a do Ministério Público, já que o MP é a parte responsável pela acusação no processo penal enquanto os juízes não têm obrigação nem com a defesa nem com a acusação, mas “a missão constitucional de ser imparcial” e garantir um processo justo.
As entidades afirmam que não têm sido ouvidas pelo presidente do STF e disseram que o “isolacionismo” de Barbosa “parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade”.
Assinam o documento o presidente da AMB, Nelson Calandra, o da Ajufe, Nino Toldo, e o da Anamatra, Renato Henry Sant’Anna.
Leia abaixo a íntegra da nota:
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), entidades de classe de âmbito nacional da magistratura, a propósito de declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista a jornalistas estrangeiros, na qual Sua Excelência faz ilações sobre a mentalidade dos magistrados brasileiros, vêm a público manifestar-se nos seguintes termos:
1. Causa perplexidade aos juízes brasileiros a forma preconceituosa, generalista, superficial e, sobretudo, desrespeitosa com que o ministro Joaquim Barbosa enxerga os membros do Poder Judiciário brasileiro.
2. Partindo de percepções preconcebidas, o ministro Joaquim Barbosa chega a conclusões que não se coadunam com a realidade vivida por milhares de magistrados brasileiros, especialmente aqueles que têm competência em matéria penal.
3. A comparação entre as carreiras da magistratura e do Ministério Público, no que toca à “mentalidade”, é absolutamente incabível, considerando-se que o Ministério Público é parte no processo penal, encarregado da acusação, enquanto a magistratura —que não tem compromisso com a acusação nem com a defesa— tem a missão constitucional de ser imparcial, garantindo o processo penal justo.
4. A garantia do processo penal justo, pressuposto da atuação do magistrado na seara penal, é fundamental para a democracia, estando intimamente ligada à independência judicial, que o ministro Joaquim Barbosa, como presidente do STF, deveria defender.
5. Se há impunidade no Brasil, isso decorre de causas mais complexas que a reducionista ideia de um problema de “mentalidade” dos magistrados. As distorções —que precisam ser corrigidas— decorrem, dentre outras coisas, da ausência de estrutura adequada dos órgãos de investigação policial; de uma legislação processual penal desatualizada, que permite inúmeras possibilidades de recursos e impugnações, sem se falar no sistema prisional, que é inadequado para as necessidades do país.
6. As entidades de classe da magistratura, lamentavelmente, não têm sido ouvidas pelo presidente do STF. O seu isolacionismo, a parecer que parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade e do conhecimento, denota prescindir do auxílio e da experiência de quem vivencia as angústias e as vicissitudes dos aplicadores do direito no Brasil.
7. A independência funcional da magistratura é corolário do Estado Democrático de Direito, cabendo aos juízes, por imperativo constitucional, motivar suas decisões de acordo com a convicção livremente formada a partir das provas regularmente produzidas. Por isso, não cabe a nenhum órgão administrativo, muito menos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a função de tutelar ou corrigir o pensamento e a convicção dos magistrados brasileiros.
8. A violência simbólica das palavras do ministro Joaquim Barbosa acendem o aviso de alerta contra eventuais tentativas de se diminuírem a liberdade e a independência da magistratura brasileira. A sociedade não pode aceitar isso. Violar a independência da magistratura é violar a democracia.
9. As entidades de classe não compactuam com o desvio de finalidade na condução de processos judiciais e são favoráveis à punição dos comportamentos ilícitos, quando devidamente provados dentro do devido processo legal, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Todavia, não admitem que sejam lançadas dúvidas genéricas sobre a lisura e a integridade dos magistrados brasileiros.
10. A Ajufe, a AMB e a Anamatra esperam do ministro Joaquim Barbosa comportamento compatível com o alto cargo que ocupa, bem como tratamento respeitoso aos magistrados brasileiros, qualquer que seja o grau de jurisdição.
Brasília, 2 de março de 2013.
Nelson Calandra
Presidente da AMB
Nino Oliveira Toldo
Presidente da Ajufe
Renato Henry Sant’Anna
Presidente da Anamatra
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