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sexta-feira, 2 de março de 2012

MERCADO ACEITA JUROS MENORES E CORTE DA SELIC PODE IR A 0,75


Como se comentou ontem aqui, as reações no mercado já antecipam a possibilidade de uma arbitrarem de juros menores pelo Banco Central, após a reunião do Copom da semana que vem.
Já há instituições financeiras admitindo que o corte pode chegar a 1%,o que não é provável, embora pudesse ser tecnicamente justificável, diante da queda da inflação acumulada em janeiro e fevereiro, que pode ter um IPCA próximo – talvez ligeiramente menor – que 0,4%, metade do registrado no mesmo mês em 2011.
Mas é, sim, possível que o Banco Central queira ir além do 0,5% de corte que o mercado já tem “precificado”, para dar uma sinalização clara, dentro dos limites que lhe permite a baixa da inflação projetada, de que quer reduzir a  busca de ganhos financeiros que está atraindo capital internacional, alagado de liquidez e sem mercados nem sequer parecidos com a rentabilidade do brasileiro.
Situação que, em boa parte, vem sendo a responsável pela aceleração da entrada de dólares no país e a consequente pressão para valorizar o real.
Isso, porém, dificilmente fará que o BC se disponha a alimentar polêmicas – que, aliás, se mostraram falsas – sobre uma possível politização de suas decisões. Os adversários da política monetária do governo já “baixaram a crista” em relação à decisão de inverter a trajetória dos juros tomada no final de agosto passado e o Copom certamente vai preferir não acender uma polêmica vencida.
A possibilidade mais plausível seria uma decisão a la Pinheiro Machado – nem tão depressa que pareça fuga, nem tão devagar que pareça afronta – e a queda seja na ordem de 0,75%, o que já colocaria na categoria de “um dígito” os juros públicos, hoje de 10,5% ao ano. Feita a sinalização e dependendo dos seus efeitos, os próximos cortes ficariam mais modestos, na casa de 0,25%, dependendo da evolução da inflação e do câmbio.
Agora, ao contrário do que aconteceu há seis meses, o mercado já percebeu que seu poder de pressão sobre a autoridade monetária não é total e não tem a seu lado o terrorismo inflacionário que usava como alavanca para os juros naquela ocasião.
O passo seguinte é forçar a redução dos juros bancários e BB e CEF, que ostentam os menores índices de inadimplência do setor financeiro, são os instrumentos a serem usados.
Porque as ferramentas monetárias e financeiras de um país não são entes quer pairam acima das necessidades nacionais e trabalham de forma meramente “técnica”. São alavancas para o desenvolvimento, o emprego, a renda e a satisfação das necessidades de consumo dos brasileiros.

Por: Fernando Brito

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ELES PRECISAM DE NÓS. MAIS DO QUE PRECISAMOS DELES


A indústria automobilística remeteu 5,58 bilhões de dólares em lucros e dividendos ao exterior no ano passado. O valor – equivale a 19% de todas remessas desse tipo e é 36% superior ao montante enviado em 2010 – foi tema de boa matéria de Pedro Kutney, nesta sexta no Uol.
Lucro pode se traduzir em empregos, geração de renda, impostos e tudo o mais. Contudo, quando ele surge em um ambiente com problemas sociais, ambientais e trabalhistas não resolvidos, deveria ser melhor avaliado.
Por exemplo, as montadoras não colocam em prática certas ações importantes para garantir  qualidade de vida ao brasileiro, como a adaptação da frota nacional para um diesel com menos enxofre na sua composição e que, portanto, mataria menos os moradores das grandes cidades. Ou um controle mais rígido sobre sua cadeia produtiva. Hoje, ao comprar um carro, você não tem como saber se o aço ou o couro que entrou na fabricação do veículo foram obtidos através de mão-de-obra escrava e trabalho infantil ou se beneficiando de desmatamento ilegal – ilegalidades que vêm sendo apontadas pelo Ministério Publico Federal e pela sociedade civil.
Alguns “especialistas” repetem que é irracional a solicitação de contrapartidas à indústria, uma vez que o aumento nas vendas gira a economia e gera empregos. Afirmam que as empresas não podem operar esquecendo que estão inseridas em uma economia de mercado, buscando uma taxa de lucro para continuar sendo viável. E que se problemas existem é pela falta de fiscalização do governo.
Ou seja, o Estado tem que garantir e ajudar o funcionamento das empresas, mas as empresas não podem sofrer nenhuma forma de intervenção em seu negócio – mesmo se ele for vetor de problema. Um liberalismo de brincadeirinha.
E recordar é viver: durante o pico da crise econômica de 2008, a General Motors demitiu 744 trabalhadores de sua fábrica em São José dos Campos (SP) sob a justificativa de “diminuição da atividade industrial”. Mesmo após ter recebido apoio da União e do governo do Estado de São Paulo no sentido de facilitar a compra de seus produtos por consumidores.
Se o Estado pensar só com cabeça de planilha, vai continuar fazendo do Brasil um suporte para as empresas automobilísticas de outros países durante épocas de crise, deixando o nosso meio ambiente e nossos trabalhadores pagarem a conta por isso.
Sugestão: quando constatados problemas na cadeia produtiva das montadoras, que tal taxar o lucro delas a ser remetido e usar o montante para cobrir esses danos ao homem e ao meio? OK, a idéia é quase impossível (por aqui, a dignidade é relativa, enquanto a propriedade é absoluta). Mas por isso mesmo deliciosamente interessante imaginarmos as reações.
“Ah, isso afastará os investidores internacionais”, dirão xororôs do mercado.
Vai não… Eles precisam de nós. Mais do que precisamos deles.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Bom Dia Brasil: "Incontinência verbal" expõe incompetência do PSDB e do DEM

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

No Bom Dia Brasil de hoje [ver vídeo aqui], Rodrigo Pimentel - consultor de segurança e ex-capitão do BOPE - comentou as mazelas de um estado como Alagoas no que diz respeito à segurança. Ao falar da situação dos peritos, do número de homicídios e da violência reinante naquele estado nordestino, Pimentel foi categórico em três oportunidades:

  1. a questão está relacionada a um problema de gestão que, no bojo, revela falta de vontade política ou incompetência para resolver a crise por que passa a área de perícia criminal alagoana ["O problema sempre é do estado."];
  2. embora haja uma demanda enorme por peritos ["Alagoas precisaria ter hoje 600 peritos e tem em torno de 40"], o governo não está preocupado com a contratação de mais profissionais capacitados para executar o serviço ["... não é prioridade para o governo do estado."];
  3. o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública [Senasp], está fazendo intervenções como pode [enviando equipamentos e equipes de tarefas] para auxiliar a perícia.

Os apresentadores da Globo - Chico Pinheiro e Renata Vasconcellos - reiteram as críticas à gestão. Renata chega, inclusive, a relembrar matéria [exibida em 2011, no próprio Bom Dia Brasil] cujo foco estava centrado nas condições precárias de atuação dos legistas. 

O que a apresentadora não tornou público é que, em 2011, o estado de Alagoas era governado por Teotônio Vilela [PSDB] e pelo vice José Thomaz Nonô [DEM, ex-PFL, ex-PSDB]. Ambos foram reeleitos e hoje governam o estado, destaque-se.

Como a dobradinha PSDB-DEM está no comando do governo, não se mencionou, em momento algum, quem era quem. Fosse um governo petista, nome e número de cpf estariam à disposição dos telespectadores.

A Globo só não contava com a "incontinência verbal" da própria Renata e, sobretudo, do comentarista Rodrigo Pimentel que deixou claro que o governo federal está lá para apoiar, dentro do possível, um governo incompetente como é e como são os governos do PSDB e DEM.
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