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domingo, 12 de junho de 2011

SIM, TEMOS UMA PRESIDENTA.


 No episódio Palocci, que graças à Deus voltou às suas "consultorias" e vai faturar mais algumas dezenas de milhões, várias situações  puderam ser observadas. Desde a "briga" aqui na blogosfera entre companheiros dos blogs progressistas que se colocaram a favor e contra a saída do ex-ministro (Fui contra. Fui contra a sua entrada no governo. já a sua saída... ) gerando inclusive o adeus de um grande nome daqui da blogosfera, o grande Len, do blog Ponto e Contraponto, que eu espero reconcidere sua decisão,   até a aposta furada que o PIG fez para segurar Palocci, cedendo uma eternidade no JN para que ele explicasse o inexplicável . Mas o melhor de tudo foi ver a Presidenta Dilma, primeiro, não cedendo às pressões daqueles que queriam segurar o ministro milionário para depois emparedá-la e, segundo,  sua decisão, solítária, pelo que se sabe, apesar da ligação a Luis Inácio, o grande,  não para  solicitar aprovação, mas apenas para comunicar, pela senadora Gleise. Isso mostra que o país está em boas mãos. O PIG vai continuar a fabricar escândalos, isso vai. Mas devagar, como quem não quer nada, Dilma vai mostrando a eles que ela sabe lidar com as crises, com aqueles através do quais as crises vem e com seus fabricantes. 

sábado, 4 de junho de 2011

FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DE RICARDO KOTSCHO E DO TERROR DO NORDESTE



Ricardo Kotscho: defesa de Palocci na TV Globo é um desastre


Se já estava insustentável, a situação de Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil, ficou ainda pior, depois que ele quebrou, nesta sexta-feira (3), por determinação da presidente Dilma Rousseff, o silêncio sobre as acusações de enriquecimento ilícito que pesavam contra ele.

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho


Palocci, finalmente, falou nesta sexta-feira, como antecipamos ontem à noite aqui no Balaio, mas não convenceu ninguém, que eu saiba. O caminho que ele escolheu – dar uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional da TV Globo – foi um completo desastre.

Não por culpa do repórter Júlio Mosquera, que cumpriu seu papel, e fez todas as perguntas que todos nós gostaríamos de lhe fazer, mas pelas respostas evasivas de Palocci, que não explicou nada. O ministro foi muito mal preparado pelos profissionais do midia training que ele contratou. A meu ver, não convenceu ninguém da sua inocência, nada explicou, só fugiu das perguntas.

Ao contrário do que se planejou, Palocci só aumentou as desconfianças de todo mundo. Mais do que suas palavras, o constante gaguejar nas respostas e a expressão do seu rosto o condenaram. No acerto feito entre a emissora e a assessoria do ministro, tudo foi preparado para que o ministro saísse da entrevista mais forte do que entrou, juntando forças para ficar no cargo. Deu tudo errado, mas mesmo assim foi levado ao ar.

O primeiro bloco inteiro do JN, ao contrário do que vimos desde a primeira posse de Lula, em 2003, não mostrou nenhuma desgraça. Só tinha notícia boa, tudo melhorando, na sequência da escalada, em que foi anunciada a entrevista exclusiva, na linha "Palocci explica tudo para nós".

O que era feio, de repente ficou bonito, tudo em nome da liberdade de expressão. Sem ser contestado, Palocci afirmou que não fez tráfico de influência, não há uma crise de governo, não colocou o cargo à disposição da presidente e ainda teve tempo para elogiar várias vezes as perguntas, deixando claro que não falaria em clientes nem valores dos contratos da sua consultoria.

"Meu papel é cumprir a lei", proclamou o ministro, já no final. Foi, certamente, a mais longa entrevista já colocada no ar pelo Jornal Nacional – talvez, um desastre de audiência, tanto para o ministro como para a emissora, mas, sem dúvida, um furo de reportagem programada.

Não digo isso porque hoje trabalho numa emissora concorrente da Globo, onde trabalhei até outro dia, e para onde posso voltar amanhã. É apenas em respeito aos fatos desta noite, com os quais não posso brigar. Não, não queria que Palocci desse uma entrevista exclusiva à Rede Record, em lugar de falar apenas à Rede Globo. Queria apenas que ele falasse, ao mesmo tempo, para toda a imprensa brasileira numa entrevista coletiva.

Se a presidente Dilma Rousseff ainda tinha alguma dúvida sobre a manutenção ou não do ministro Antonio Palocci na Casa Civil, tenho certeza que, depois desta entrevista, não tem mais. Precisa arrumar logo alguém para ficar no lugar dele.

Dilma tem mais é que se livrar, o mais rápido possível, de todas as amarras que a impedem de dar início ao seu próprio governo com a equipe que ela mesma escolher. A crise, afinal, pode ser boa conselheira.
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