sábado, 23 de março de 2013

DILMA LANÇA PACOTE CONTRA A SECA



Entre as medidas estão a desburocratização da aplicação e liberação de recursos, a distribuição e o transporte de ração para áreas de maior dificuldade de chegada dos produtos, a liberação de crédito para o produtor e de verba para a limpeza de barreiras e de barragens, além da perfuração de novos poços artesianos; anúncio, além do caráter administrativo, tem um componente eleitoral: é uma forma de neutralizar Eduardo Campos, que vê no Nordeste a chance de se torna competitivo para as eleições presidenciais de 2014
23 DE MARÇO DE 2013 ÀS 13:34



Valter Lima, do Sergipe 247 – A presidente Dilma Rousseff (PT) anunciará nesta segunda-feira (25) um pacote de medidas para ajudar as vítimas da seca, que assola toda a região Nordeste e parte do Estado de Minas Gerais. A ação, além do caráter emergencial diante dos problemas causados pela longa estiagem, também tem um componente eleitoral. Será uma das formas da presidente neutralizar as investidas do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidenciável do PSB, na região. Não é sem razão que o anúncio das medidas ocorrerá no Estado do possível adversário de Dilma em 2014.
Entre as ações estão a desburocratização da aplicação e liberação de recursos, a distribuição e o transporte de ração para áreas de maior dificuldade de chegada dos produtos, a liberação de crédito para o produtor e de verba para a limpeza de barreiras e de barragens, além da perfuração de novos poços artesianos. 
De acordo com o deputado federal Rogério Carvalho (PT/SE), em conversa com o Sergipe 247, as medidas são acertadas, pois irão ao encontro das necessidades mais urgentes dos sertanejos. “A desburocratização da aplicação dos recursos é extremamente importante, pois estamos numa situação de anormalidade, de escassez de chuva e de sofrimento humano por causa da dizimação do rebanho, das pastagens e das lavouras. Portanto, não dá para tratar como se tivesse na normalidade, com muita burocracia”, afirmou.
O parlamentar também explicou que a liberação de crédito para o pequeno produtor servirá para que ele possa manter seu rebanho e a perspectiva da sua atividade econômica. Rogério ainda ressaltou que a vinda da ministra Ideli Salvatti a Sergipe na terça-feira (26), para o encontro com prefeitos, também tem a ver com este assunto.
O pacote de ações da presidente para os brasileiros prejudicados pela longa estiagem foi destacado neste sábado (23), na coluna “Painel”, assinada pela jornalista Vera Magalhães, na Folha de S. Paulo. O jornal diz que o anúncio “será um contraponto a medidas adotadas por Eduardo Campos (PSB), potencial adversário de Dilma em 2014, que liberou recursos para 186 cidades”. Completa a publicação: “O Planalto teme ser responsabilizado pelos prejuízos da estiagem. A ministra Ideli Salvatti foi escalada para tranquilizar prefeitos sobre a celeridade dos repasses”.

Inicialmente prevista para durar a segunda-feira inteira, a visita de Dilma foi encurtada, porque ela participará na tarde do mesmo dia da missa na Catedral de Petrópolis, no Rio de Janeiro, em memória às vítimas das chuvas na serra fluminense. Por isto, a agenda em Pernambuco que inicialmente previa compromissos em Recife e Serra Talhada, foi reduzida à apenas a inauguração do Sistema Adutor Pajeú, em Serra Talhada. Não há previsão de encontro reservado entre Dilma e Campos.
Na última vinda ao Nordeste, em 12 de março, quando visitou obras em Alagoas, Dilma já havia dito da necessidade de criação de medidas emergenciais para minimizar os efeitos da seca. À época, a presidente afirmou que sua equipe estava estudando uma forma de recuperar os rebanhos de animais, muitas vezes, dizimados durante a seca, e disse que insistiria na manutenção de um programa de distribuição de sementes.
Ao Sergipe 247, o deputado federal Rogério Carvalho disse que “essa é uma preocupação hoje que deve ocupar a mente de todos os homens públicos do Brasil”. “A situação é muito grave, o sofrimento dos produtores é muito grande. Estamos tendo já a falta de forragem e de ração, inclusive, para garantir o sustento dos animais. Em algumas áreas do semiárido nordestino já não tem fonte de água a se recorrer, tendo falta até para o consumo humano”, alertou.

Brasil 247

DISCURSOS VERSUS NOVA REALIDADE


José  Dirceu
JOSÉ DIRCEU

A pesquisa CNI sobre o governo Dilma é um banho de água gelada naqueles que, dia a dia, empenham-se em manipular os fatos, na tentativa de vender a falsa ideia de que o Brasil vai mal

A mais recente pesquisa realizada pelo CNI-Ibope sobre a percepção dos brasileiros sobre o governo e a própria figura da presidenta, Dilma Rousseff, mais do que um banho de água fria nos que se antecipam à sua sucessão, é um banho de água gelada naqueles que, dia a dia, empenham-se em manipular os fatos, na tentativa de vender a falsa ideia de que o Brasil vai mal.
O governo Dilma, segundo o levantamento, tem 79% de aprovação, um novo recorde, e apenas 17% de desaprovação. A porcentagem de brasileiros que confia na presidenta é de 75%, e a dos que se mostram otimistas em relação ao restante de seu mandato é de 65%. São números de orgulhar qualquer chefe de Estado comprometido com um projeto de desenvolvimento, cujo objetivo maior é promover a melhoria da qualidade de vida de toda a população.
Mais do que isso, a avaliação muito positiva dos brasileiros em relação à presidenta comprova o quanto a oposição, os já pré-candidatos à Presidência e a própria imprensa estão descolados da realidade do nosso país, alheios ao sentimento popular e nacional. Aliás, a pesquisa nem bem saiu do forno e o desânimo tomou conta desses segmentos. Incomodados com a alta popularidade da nossa presidenta e com o que tal fato significa —o apoio dos brasileiros às reformas promovidas pelo PT nos últimos dez anos—, apressaram-se a tentar explicar o fenômeno com argumentos que variam da mesquinharia à hilaridade.
O senador mineiro Aécio Neves avaliou que o resultado da pesquisa "tem muito a ver com o sentimento momentâneo" e com a "propaganda do governo". E chega ao cúmulo de dizer que essa aprovação é reflexo das conquistas que o governo Fernando Henrique Cardoso alcançou. Aliás, o mesmo roteiro já seguido em anos anteriores por seus colegas de PSDB, a demonstrar que o partido ainda não se encontrou com a realidade nacional.
Procurando minimizar os resultados da pesquisa, especialmente no Nordeste, região onde mais cresceu o número de pessoas que considera o governo da presidenta "ótimo" ou "bom" —de 68% em dezembro para 72% agora—, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que "a pesquisa dá exatamente o resultado que vinha dando" e que "não há alteração".
Estão em seu direito de interpretar da forma como quiserem. Como diz o ditado popular, pior cego é aquele que não quer ver. Além do mais, a pesquisa deve ter caído como uma bomba sobre suas intenções presidenciais, pois reforça que terão uma concorrente que, a despeito do bombardeio midiático contrário, fortalece-se cada vez mais.
Articulistas e colunistas da grande imprensa também se dedicaram a analisar os resultados do levantamento, mas só conseguiram chegar à absurda teoria de que a presidenta Dilma estaria sendo favorecida por suas constantes aparições no noticiário —o que chamam de "mídia espontânea". Isso porque, de acordo com a pesquisa, subiu de 24%, em dezembro, para 38% o número de entrevistados que diz acreditar que o tal noticiário é favorável à presidenta.
Sem desmerecer a impressão dos entrevistados, revelada na pesquisa, não há como não apontar o cinismo dos "analistas" que se valem da percepção popular para procurar escamotear o óbvio: apesar do esforço ferrenho da grande mídia para desconstruir o governo da presidenta Dilma, os brasileiros têm visão e percepção diferente das profundas transformações socioeconômicas realizadas na última década.
Mesmo divulgando inverdades e manipulando as informações para levar a crer, por exemplo, que a inflação está fora de controle, que o país está à beira de um apagão de energia, que as administrações do PT arruinaram a Petrobras, ou que o governo não conseguirá preparar o país para a Copa do Mundo de 2014, os brasileiros percebem concretamente, no cotidiano, as mudanças que estão melhorando a vida do povo: mais emprego, mais renda, conta de luz e cesta básica mais baratas, mais crédito, melhor infraestrutura em diversas áreas como Saneamento e Habitação —além da redução histórica das desigualdades e da luta contra a fome. Aliás, o combate à fome e à pobreza foi apontada na mesma pesquisa como a ação que tem maior aprovação da população (64%), seguida por meio ambiente (57%) e combate ao desemprego (57%).
A estratégia da grande imprensa e da oposição não está funcionando porque o povo brasileiro não é massa de manobra e, fortalecido na garantia de seus direitos, a partir dos governos Lula e Dilma, hoje são protagonistas de um processo de mudanças que está transformando o Brasil em um país mais justo e menos desigual.
Como bem lembrou o senador Lindberg Farias (PT-RJ), em resposta ao discurso do ex-governador Aécio Neves sobre os "fracassos do PT" —mas que vale para toda a oposição—, não é mais possível construir um "discurso competitivo" sem usar os termos "povo", "emprego", "inclusão social".
Nosso país mudou, mas ainda há muito por fazer. Porém, o respaldo à presidenta Dilma em todas as classes sociais e regiões do Brasil renova a confiança de que o país está no rumo certo, enfrentando, um a um, os entraves ao seu pleno desenvolvimento. Resta à oposição, se quiser ser de fato uma alternativa ao projeto que está em curso, apresentar suas ideias, suas propostas, dizer aos brasileiros como pretende enfrentar os problemas que ainda persistem. Afinal, querem governar para ser governo ou para melhorar a vida do nosso povo? O que fariam de diferente daquilo que os governos do PT vêm fazendo e que direção dariam ao nosso país? Essas são perguntas até agora sem respostas, mas que certamente interessam ao conjunto da população.
Fonte:  Brasil 247

quinta-feira, 21 de março de 2013

E SE O FILHO DE LULA FOSSE SÓCIO DE LEMMAN, TUDO BEM?



Pergunta é do jornalista Paulo Nogueira, titular do blog Diário do Centro do Mundo; foi feita nesta quarta-feira 20 após afirmação registrada pelo site Viomundo: "Certas perguntas têm a força de mil respostas, e este é um caso"; ex-redator chefe da revista Exame, Nogueira afirma que tratamento da mídia tradicional para hipotética associação entre filho de Lula e o homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, seria bem diverso do que está sendo dispensado para o caso real de união de interesses entre filha do ex-presidenciável tucano José Serra e o mesmo bilionário; não seria um massacre o que é agora, para os outros veículos, apenas um discreto pé de página?

 

domingo, 17 de março de 2013

EDUARDO CAMPOS DE MAL A PIOR: ENCANTA-SE COM SERRA, ADERE À "PETROBRAX" E FALTA CARÁTER NAS CRÍTICAS



Para lançar sua candidatura para um grupo de 60 empresários neoliberais, em um jantar em São Paulo, o governador de Pernambuco, Roberto Campos (ARENA) ... ops... quer dizer, Eduardo Gomes (UDN)... ops... quer dizer, Eduardo Campos (PSB-PE), mostrou-se encantado com o slogan de José Serra (PSDB-SP) nas eleições 2010 ("O Brasil pode mais"), e lançou uma versão adaptada para si dizendo que "dá para fazer muito mais", completando com algo como "continuidade, mas com liderança renovada", coisa também semelhante à tentada pelo marqueteiro de José Serra em 2010. Bem, todo mundo costuma dizer que persistir no erro é burrice, mas cada um faz o que bem entende com sua imagem política.

Mais grave do que slogans que buscam uma suposta "esperteza" é falta de caráter.

E Campos demostrou muita falta de caráter ao aderir às críticas absurdas de Aécio Neves contra a Petrobras, dentro do projeto demotucano Petrobrax, que sonha privatizar a empresa e o Pré-sal, para "investidores estrangeiros".

O que disse Campos?

"Enquanto o Brasil diz que tem o petróleo do pré-sal, importa gasolina. A Petrobras, que já foi 'case' de sucesso lá fora, tá cheia de problema".

Alto lá. Em primeiro lugar, o Brasil NÃO DIZ que tem o petróleo do pré-sal. Ele tem! E já atingiu a produção de 300 mil barris diários, perfurando apenas 17 poços.

Em segundo lugar, o Brasil sempre importou gasolina e nos 10 últimos anos é que mudou diretrizes e passou a investir para atingir a autosuficiência não só em petróleo extraído, mas também em combustíveis refinados.

Os demotucanos, antes de Lula, ficaram sem investir em refinarias desde a ditadura, desde 1980, porque os "jênios" demotucanos achavam que o retorno em lucros de uma refinaria era baixo em relação à outros investimentos mais lucrativos no curto prazo. Para entregar mais dividendos a "investidores estrangeiros", dane-se a auto-suficiência em combustíveis, segundo o pensamento demotucano, assim como eram adeptos de encomendar plataformas de petróleo no exterior. A Petrobras teria mais lucro importando gasolina do que investindo em refinarias, segundo os tucanos, e mudar isso atrapalharia os planos de privatizá-la. Só se esquecem de que se ficar na mão dos outros para refinar, a qualquer momento os outros que tem refinarias podem subir o preço à vontade no mercado internacional, nos deixando vulneráveis à uma "crise internacional" de combustíveis.

FHC passou 8 anos enrolando os governadores, e principalmente o povo, do Nordeste, sobre onde seria uma refinaria já pensada desde os anos 70. Usou essa discussão eleitoralmente para dar esperança aos eleitores de cada estado que disputava a refinaria, mas não fez nada de concreto para viabilizá-la.

Só quando Lula assumiu a presidência é que resolveu tirar as refinarias do papel, decidindo construir não uma, mas três: Em Pernambuco, no Ceará e no Maranhão. Justamente a de Pernambuco é a que iniciou primeiro as obras e deve entrar em operação em 2014. Em 2020, estarão todas em pleno funcionamento e o Brasil não só será autosuficiente também no refino de combustíveis, como estará exportando combustíveis refinados aqui.

Por ser o primeiro estado a ter uma nova refinaria após 33 anos, a última pessoa que deveria fazer qualquer crítica a esse respeito é o governador de Pernambuco, fosse quem fosse. No caso de Eduardo Campos, que foi (ou simulou ser) aliado de Lula para fazer sua carreira política, é muita falta de caráter fazer uma crítica destas.

Em terceiro lugar, a Petrobras continua sendo "case" de sucesso em qualquer lugar do mundo e "problemas" da empresa são os desafios de rotina de qualquer grande empresa, que basta existir para tê-los. É o PIG e a oposição (agora engrossada por Campos) que ficam dando dimensão sensacionalista a coisas corriqueiras. Eduardo Campos tinha obrigação é de defender a Petrobras diante de empresários, e não fazer côro com quem quer detoná-la por politicagem e para ganhar dinheiro fácil. Movimentos especulativos em bolsas de valores, inclusive explorados por megaespeculadores como Naji Nahas e bancos de investimentos, vem e passam. Na prática, quase nada interferem na operação da empresa, cujo planejamento é de médio e longo prazo, e não de quanto será a cotação na bolsa na próxima quarta-feira.



Em tempo: as críticas de Aécio à Petrobras foram tão insignificantes e sem noção, que nem o mais raivoso dos telejornais de oposição, o Jornal Nacional da TV Globo, levou a sério. Nem sequer noticiou.

Em tempo 2: por dever de ofício a Petrobras demoliu ponto por ponto as baboseiras demotucanas, no Fatos e Dados.

T - D (TODOS MENOS DILMA)



Por Emir Sader*

A direita – tanto seus partidos, como sua mídia – já tem candidato para 2014: T – D. Todos menos Dilma. Todos contra a Dilma.

O objetivo que a direita coloca para si é tratar de impedir a vitória da Dilma no primeiro turno e, se der, tentar derrotá-la no segundo turno.

Para isso, recomeçou a busca de votos de todos os matizes: direita, extrema-direita, centro, centro-esquerda, extrema-esquerda. Vale tudo, contanto que some votinhos que eventualmente possam impedir a anunciada – por seus próprios cronistas – vitória da Dilma no primeiro turno.

Mesmo com a economia estagnada, como aconteceu em 2012, o apoio ao governo não deixou de crescer, porque a prioridade do governo são as politicas sociais, que foram preservadas da crise e continuam a crescer. Até mesmo os aumentos de salários e a criação de empregos formais tiveram continuidade. Para este ano se anunciam níveis de crescimento maiores e, portanto, daí não viriam desgastes no apoio ao governo.

Em suma, a dupla Lula-Dilma é imbatível eleitoralmente. Daí o desespero da direita, que busca evitar o pior: uma nova derrota – a quarta seguida –, desta vez já no primeiro turno.

E daí o incentivo e as especulações sobre as candidaturas possíveis – Aécio, Marina, Eduardo Campos, quem quer que venha da ultra- esquerda, contanto que some no T – D. Os tucanos cumprem com tristeza sua sina obrigatória de ter candidato, em quem ninguém acredita – ainda mais sob o fogo do derradeiro objetivo político que o Serra se coloca: torpedear a candidatura do Aécio.

Marina retoma seu show, como se o mundo não existisse, menos ainda a realidade concreta do Brasil e da América Latina, como se “tivesse” embaixo do braço 20 milhões de votos. 

A mídia incentiva a Eduardo Campos, que tem difícil dilema: se for candidato, terá que enfrentar o governo, perder para Dilma nos seus próprios rincões e se desgastar com o governo, não lhe podendo pedir apoio em 2018. Por isso é provável que esteja se lançando agora para depois retirar a candidatura, pedindo em troca apoio em 2018.

Vale tudo no T – D. Quem vier da ultra-esquerda – embora tenha claro que não terá mais do que o 1% do Plínio – também ajuda nessa difícil empreitada.

Para esse objetivo estão escalados todos os cronistas políticos da velha mídia, que não fazem outra coisa senão incentivar e especular sobre as candidaturas T – D.

De qualquer maneira, a direita se avizinha a uma derrota pior do que as outras, e isso lhes gera desespero. Nem T – D lhes bastará.
*Sociólogo, professor e escritor - via sítio da Agência Carta Maior

Fonte:   Blog do Saraiva

sábado, 16 de março de 2013

LINO BOCCHINI: O PAPA FRANCISCO E O JORNAL NACIONAL



JN esquece do jornalismo e presta enorme serviço à igreja católica
A exemplo de quarta-feira, 13, quando foi eleito o novo papa, o Jornal Nacional de ontem também foi quase todo dedicado ao assunto. Com a íntegra em mãos, planejava contar quantas vezes, em 33 minutos de noticiário, determinadas palavras apareceriam. Desisti após o primeiro bloco, quando já se somavam 23 “papas”, sete “Jesus Cristo”, seis “missa” e uma pilha de “cardeais”, “igreja”, “basílica”, “deus”, “cúria”, “senhor” etc. Montei então o roteiro de frases abaixo, todas ditas pelos apresentadores William Bonner (nos estúdios da Globo no Rio) e Patrícia Poeta (no Vaticano) e pelos repórteres da Globo que fizeram a cobertura por lá, na Argentina e em Jerusalém. Lembro que todo material abaixo vinha acompanhado da entonação certa, trilha “emocionante”, edição cuidadosa, sorrisos etc. As frases estão colocadas em ordem de aparição:
“O primeiro dia do novo papa, a primeira missa”
“Como o papa se tornou conhecido pela simplicidade”
“Um papa matutino”
“Começou impondo um estilo novo ao papado e recusou o carro oficial”
“´Também sou um peregrino´, disse”
“Comportou-se como um padre, quase um pai de família. Nem usou o trono para a homília”
“Tem a simplicidade evangélica de João 23 e o sorriso paterno de João Paulo I”
“O papa Francisco começa a conquistar um certo fascínio que já existia entre os cardeais”
“O colégio, num grande e inteligente gesto, em poucas horas mudou o rosto da igreja”
Aí entra ao vivo Don Odilo Scherer, que respondeu a 4 perguntas rápidas. Terminou a última, sobre a “torcida brasileira” a seu favor, dizendo que “os cardeais deveriam escolher aquele que deus indicasse”. Ao que Patrícia Poeta emenda, emocionada: “Que assim seja”.
Vem então uma reportagem sobre beatificação de João Paulo 2: “O papa peregrino, João Paulo 2º, pregou com gestos a humildade … tinha sorriso sereno e cativante … enorme carisma de se comunciar com as multidões… apenas 6 anos depois de sua morte, a igreja concluiu a beatificação, último passo, antes de torná-lo santo … O clamor começou logo após sua morte, em abril de 2005. Depois, veio a descoberta do primeiro milagre. A cura de uma freira francesa, que sofria de mal de parkinson”.
[O milagre entrou dessa forma, como uma notícia banal, sem a palavra “suposto” ou “segundo a igreja”]. E termina assim a matéria de João Paulo 2º: “A imagem de um dos papas mais adorados da história recente é o reflexo também do que a igreja busca com a escolha de agora: a força de um líder carismático e amado”.
Continuam as frases do JN:
“O moderado e humilde Jorge Bergoglio”
“Antes mesmo de se tornar papa, Jorge Bergoglio já era conhecido por cultivar hábitos simples”
“Nos primeiros gestos, nas primeiras palavras, já um jeito próximo, natural. ‘Irmãos, irmãs, boa noite’. Ali estava não mais o Jorge, mas o Francisco”
“O nome já era um recado, mas era necessário mais. E para esse papa, o mais era o menos. Despojado, sem joias, apenas a batina branca”
“Repare no crucifixo, é de aço, nem mesmo é de prata”
“[Deixou que] vários cardeais se apertassem no elevador com ele”
“O papa preferiu ir de ônibus com os cardeais, deixando o carro especial do pontífice seguir vazio”
“De onde vem essa inspiração, esse sentimento de humildade? Até agora, o próprio papa não falou nada sobre isso”
“Francisco parece já ter definido como prioridade do seu papado a solidariedade para os que mais precisam”
“Ontem ao se despedir do publico, dizendo ´boa noite, bom repouso´, parecia um pai que vela pelos filhos. Sua santidade. Santa simplicidade”
Começa um bloco sobre a vida de Jorge Bergoglio na Argentina. O JN lembrou rapidamente das críticas mais fortes que pesam sobre o novo papa, seu suposto apoio à ditadura no país vizinho:“Durante a década de 1970, na ditadura argentina, Bergoglio era a principal autoridade eclesiástica do país. Um jornalista o acusou num livro de ter dado informações que levaram à prisão de 2 padres jesuítas, que supostamente teriam ligações com grupos de esquerda. Em sua defesa, Bergoglio disse que há um documento que prova o contrário, ele pediu a renovação dos vistos de permanência no país de um deles. Já um biógrafio do papa diz que ele agiu secretamente para ajudar a retirar perseguidos politicos da Argentina”. Esse pedaço “crítico” do noticiário, que durou pouco mais de um minuto, termina assim: “Papa Francisco tem posição semelhante a de Bento XVI: é contra o uso de preservativos”.
Voltam as frases:
“Na terra santa, as pessoas rezaram e se disseram contentes com a escolha de um papa humilde, de nome Francisco”
“Por todo oriente médio foi assim: atenções voltadas para o homem de fala suave e olhar sereno”
“Já que estamos falando de carisma, o que chamou a atenção hoje aqui nas ruas do Vaticano foi o número de fieis tirando fotos, entrando nas lojas e perguntando se tinha um santinho, um terço, uma lambrança do novo papa. Isso horas depois dele ter sido eleito. E quem procurou muito, acabou encontrando. Eu achei, nós procuramos bastante e achamos, tá aqui: “Habemus Papam Franciscum [e mostra um santinho com a cara do argentino]. Tá aqui Bonner, tô mostrando pra vocês”
No bloco final, a ameaça de um pouco de jornalismo: “Apesar de tanto segredo, a imprensa daqui começa a publicar alguns detalhes do conclave que elegeu o novo papa. De acordo com o que um respeitado vaticanista declarou a um jornal italiano, a primeira votação apresentou o italiano Ângelo Scola, o canadense Mark Ouellet e Jorge Bergoglio com mais votos”. Patrícia Poeta, contudo, desconversa: “Mas isso não importa mais”. E volta ao normal:
“Em mais uma demonstração do bom humor que estamos começando a conhecer, o papa brindou com os cadeais que o escolheram”
Por fim, recebe os cumprimentos do parceiro de mesa e editor do JN, William Bonner, que encerra assim o jornal:
“Missão cumprida, Patrícia. Para você e para toda nossa equipe que fizeram esse trabalho belíssimo aí no Vaticano, parabéns”.

Fonte:  Conversa Afiada

O PAPA QUE NÃO FOI


Sexta feira, 15 de março de 2012

Deixando fatores religiosos de lado, cabe reparar que a escolha de Jorge Mario Bergoglio terá imensas consequências políticas para brasileiros e argentinos.
No Brasil, a escolha privou os adversários de Dilma Rousseff de um aliado seguro, que seria representado pelo cardeal Odilo Scherer.
A possível escolha de dom Odilo foi acompanhada com uma esperança inusitada por parte dos meios de comunicação, engrossando um coral de cálculos em voz baixa elaborados por políticos de oposição e personalidades próximas.
A ideia era que um papa brasileiro, como dom Odilo, poderia ser um ótimo contraponto na campanha de 2014 – quando o país deve assistir a um novo esforço dos adversários do governo para silenciar Lula, personalidade que possui uma estatura que nenhum rival conseguiu alcançar até o momento, pelo menos.
Imagine um papa – a quem muitos católicos enxergam como a voz de Deus na Terra – fazendo pronunciamentos e declarações desfavoráveis ao governo Dilma. Seria uma ajuda e tanto, vamos combinar.  Bento XVI chegou a ensaiar movimentos nesta direção, em 2010, deixando clara sua preferência pelos adversários de Dilma.
Dois bispos, em Guarulhos e na Paraíba, fizeram campanha direta e explícita contra a presidente. Um terceiro bispo, que assumiu uma postura oposta, foi pressionado a renunciar logo após as eleições.
O próprio José Serra deixou-se fotografar beijando um crucifixo e sua campanha fez de uma obsessão do Vaticano – o aborto – um tema quentíssimo da eleição.
A falta de carisma de Bento XVI e a boa situação do país, que crescia 7,5% em 2010, impediram que uma intervenção dessa natureza tivesse maiores consequências.
Embora Dilma Rousseff seja titular de um governo que mantém apoio da ampla maioria dos brasileiros em 2013, como dizem seus índices de opinião, ninguém imagina que a decisão de 2014 irá ocorrer num ambiente semelhante.  A possibilidade de a oposição se aliar a um dissidente do governo da estatura de Eduardo Campos coloca questões de outra natureza.
Na Argentina, a escolha de Bergoglio promete gerar complicações semelhantes para o governo de Cristina Kirchner, que vive um momento muito mais complicado do que a vizinha ao Norte. O novo papa é um adversário assumido de seu governo.
É possível fazer algumas observações, contudo.
A escolha de Bergoglio confirma a profundidade da crise que envolve a cúpula da Igreja Católica. É uma opção que parece sob encomenda para que todos possam rir aqueles analistas que preparavam um tapete vermelho para receber um personagem salvador, que seria capaz de abrir uma saída para um abismo de denúncias de corrupção, tráfico de influência e impunidade em relação a milhares de casos de pedofilia, um dos mais covardes e inaceitáveis crimes que a vida moderna registra.
Deixando de lado os dados biográficos triviais – o novo papa anda de metrô, fala como as pessoas simples etc. – pode-se ir atrás de informações mais substanciosas.
Horácio Verbitsky, um dos mais respeitados pesquisadores de direitos humanos da Argentina, informa que Bergoglio tem uma folha corrida complicada. Mostrou-se conivente com a perseguição a presos políticos, inclusive sacerdotes que participaram da resistência ao regime militar. Verbistsky ainda relata que Bergoglio pouco fez para esclarecer casos de filhos de presos políticos desaparecidos que foram adotados clandestinamente por amigos do regime militar.
Ele também se manifestou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Parece difícil que um papa com tais características seja capaz de recuperar o prestígio da Igreja.
Seria esta a revolução prometida pela renúncia de Bento XVI?
Paulo Moreira Leite

Fonte:  Com Texto Livre

sexta-feira, 15 de março de 2013

PETROBRAS REBATE CRÍTICAS ELEITOREIRAS DE AÉCIO


Aécio achava bonito nesta época

Distante dos holofotes da bajuladora mídia mineira e com uma atuação parlamentar no Senado Federal se nenhuma marca significativa, o ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) tem tentado, sem sucesso, se afirmar no cenário político nacional como uma liderança conservadora tucana. Aécio, principal opção do PSDB para disputar as eleições Presidenciais de 2014, protagonizou nesta quarta (13), no Plenário do Senado, um ataque à Petrobras.

Ele destacou os pontos debatidos em um seminário promovido pelo tucanato, em Brasília, na última terça (12). Durante o evento, que reuniu ideólogos neoliberais do PSDB, Aécio chegou a afirmar que a gestão da Petrobras é “temerária e irresponsável”. Entre as críticas tucanas estão a questão da autossuficiência brasileira em petróleo e a redução do valor das ações da Petrobras.

Em nota divulgada logo após o seminário, a companhia respondeu ponto por ponto todas as questões abordadas pelos ‘especialistas tucanos’. A Petrobras explicou que em 2006, o país atingiu a autossuficiência em petróleo equiparando o volume da produção de petróleo ao de derivados consumidos à época. Entretanto, informou que entre 2007 e 2012, o crescimento da demanda por derivados teve alta de 4,9% no Brasil, contra um crescimento de 3,4% na produção. “A partir de 2014, a produção de petróleo no Brasil voltará a atingir a autossuficiência volumétrica, ou seja, volumes iguais de petróleo produzido e de derivados consumidos, contando a produção da Petrobras + Parceiros + Terceiros”, afirma a companhia.

Sobre a queda do valor das ações, a empresa diz que tem perspectivas positivas a longo prazo. “Iremos mais do que dobrar a nossa produção de petróleo no Brasil em 2020, atingindo 4.200 mil barris por dia de petróleo (ante uma produção de 1.980 mil barris por dia em 2012) por meio de projetos de alta rentabilidade, que irão se traduzir em elevados retornos para os nossos acionistas. Estamos aumentando a eficiência operacional da Companhia e otimizando nossos custos operacionais para entregar ainda mais valor para os nossos acionistas”.

Leia abaixo a íntegra do texto divulgado pela Petrobras:

1) Mito da autossuficiência:

O Brasil atingiu a autossuficiência em petróleo em 2006: a produção de petróleo no País equiparou-se ao volume de derivados consumidos à época. Entre 2007 e 2012, no entanto, o crescimento da demanda por derivados cresceu 4,9% no Brasil, contra um crescimento de 3,4% na produção de petróleo. A partir de 2014, a produção de petróleo no Brasil voltará a atingir a autossuficiência volumétrica, ou seja, volumes iguais de petróleo produzido e de derivados consumidos, contando a produção da Petrobras + Parceiros + Terceiros.

O Brasil, no entanto, nunca foi autossuficiente em derivados. O País sempre importou e continuará importando derivados até que entrem em operação as novas refinarias previstas no Plano de Negócios e Gestão 2012-16 da Petrobras. A curva de produção da Companhia apresentará um crescimento contínuo, até atingir 2,5 milhões de barris por dia em 2016 e 4,2 milhões de barris por dia em 2020. A produção de petróleo passará, então, a superar a produção de derivados, o que dará ao País, também, autossuficiência em derivados. Em 2020, planejamos ter 4,2 milhões de barris de petróleo por dia contra uma capacidade de refino de 3,6 milhões de barris por dia e um consumo de 3,4 milhões de barris por dia.

De fato o dispêndio com a importação de derivados de petróleo foi de US$ 7,2 bi acumulados ao longo do ano de 2012, mas houve também um ganho liquido de US$ 6,8 bi com as receita relativas a exportação de petróleo.

2) Perda de 47,7% do seu valor de mercado:

Em 11/03/2011 o valor de mercado da Petrobras era de R$ 398 bi e hoje (11/03/2013) R$ 234 bi tendo uma perda de R$ 164 bi, perdendo 41,2% do seu valor de mercado.

3) Perdas sucessivas no ranking mundial:

A Petrobras era a 3ª maior empresa em valor de mercado atrás da Exxon Mobil e a PetroChina ao longo do primeiro semestre de 2010 (em 03 março de 2010 o valor de mercado da Petrobras US$ 184,4 bi) após o processo de capitalização, hoje (12/03/2013) em estamos 7º lugar em termos de valor de mercado (1º Exxon, 2º PetroChina, 3º Chevron, 4º Shell, 5º BP, 6º Total).

4) Petrobras hoje: a imagem da desconfiança:

Não há desconfiança. A Petrobras tem grande facilidade de acesso ao mercado de dívida, a baixos custos, por meio de diversas fontes. Portanto, são justamente estes investimentos elevados que irão gerar retornos para nossos acionistas. A Petrobras é hoje reconhecida pelo mercado como a empresa que dispõe do melhor portfólio de ativos de petróleo e gás dentre todas as companhias de capital aberto no mundo. Portanto, altos níveis de investimento fazem todo sentido econômico, face às oportunidades que se apresentam para a Companhia. Somente no Brasil, a Petrobras dispõe hoje de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em reservas provadas.

Ademais, com os volumes que potencialmente serão incorporados no pré-sal e o direito de produzir os barris da Cessão Onerosa podemos aumentar nossa base de volumes recuperáveis para um patamar de quase 30 bilhões de boe. Temos hoje, seguramente, a capacidade, a tecnologia, o conhecimento e os recursos necessários para transformar todo esse potencial em riquezas para nossos acionistas, que irão se materializar pelo crescimento de nossa produção, que irá mais do que dobrar em 2020.

É importante não esquecer que os investimentos da indústria de óleo e gás são de longa maturação, haja vista a complexidade das operações. Entretanto, não menos importante é destacar a celeridade como que fomos capazes de tornar o pré-sal uma realidade. O primeiro óleo do campo de Lula ocorreu em 2009, apenas 3 anos após sua descoberta, um resultado excepcional quando comparado à média da indústria mundial. Hoje, a Petrobras e seus parceiros já ultrapassaram o marco de 300 mil barris de petróleo por dia no pré-sal, um feito extremamente relevante.

5) Ações da Petrobras em queda:

As nossas perspectivas são as mais positivas possíveis no longo prazo. Iremos mais do que dobrar a nossa produção de petróleo no Brasil em 2020, atingindo 4.200 mil barris por dia de petróleo (ante uma produção de 1.980 mil barris por dia em 2012) por meio de projetos de alta rentabilidade, que irão se traduzir em elevados retornos para os nossos acionistas. Estamos aumentando a eficiência operacional da Companhia e otimizando nossos custos operacionais para entregar ainda mais valor para os nossos acionistas. Temos hoje cerca de R$ 166 bilhões de ativos em construção em nosso balanço patrimonial, ou seja, R$ 166 bilhões de ativos que ainda não geram caixa para a Companhia. Na medida em que esses e os demais projetos de nosso Plano de Negócios e Gestão entrem em operação, iremos aumentar ainda mais nossa geração de caixa e, por conseguinte, o valor gerado para nossos acionistas.

6) Pré-sal: o bilhete premiado que o Brasil pode perder:

A Petrobras não vai comentar.

7) Aumento do investimento no refino gera prejuízo:

Entre os anos de 2000 e 2012 o consumo de gasolina no país cresceu 68%, o de diesel 46% e o de querosene de aviação (QAV) 58%, reflexo evidente do crescimento da economia, da melhora das condições de emprego e renda da população e da ascensão das classes sociais. Diante de um mercado que cresce muito mais do que a média mundial, fica clara a necessidade de ampliação do parque de refino, retomando o investimentos em novas unidades, o que não era feito desde 1980, 33 anos atrás.

Apesar de operar com altíssima eficiência (96% da capacidade em 2012), a capacidade de refino disponível é de cerca de 2 milhões barris por dia para uma demanda de cerca de 2,2 milhões barris por dia. Por isso que a nova capacidade de refino é fundamental. Em2020 a capacidade de refino será de 3,6 milhões de barris por dia e a demanda será de 3,4 milhões de barris por dia, sendo esta a principal fonte de receitas da Petrobras. O investimento da Petrobras na Área de Abastecimento foi de R$ 29 bilhões em 2012.

8) Produção diminui e dívida cresce:

A produção de petróleo da Petrobras foi de 700 mil de barris por dia em 1995 e chegou a 1,5 milhão de barris por dia em 2003. De 2003 a 2012, o patamar de produção de óleo da Petrobras elevou-se de 1,5 milhão de barris por dia para 2,0 milhões de barris por dia, e chegará a 2,5 milhões de barris por dia em 2016 e 4,2 milhões de barris por dia em 2020.Convém esclarecer que quanto mais alto o patamar de produção de uma companhia, maior é o desafio de manutenção e crescimento deste patamar, dado que a natureza dos reservatórios de petróleo é o declínio natural da produção, que varia de 10% a 14% a.a. em campos de águas profundas.

Assim, para a sustentação e crescimento da curva, faz-se necessário um alto índice de sucesso exploratório, que agregue reservas e descobertas para a produção futura. Para fins de comparação, o Índice de Sucesso exploratório da Petrobras foi de 64% em 2012 (82% no pré-sal), enquanto a média mundial está em 30%.Além da necessidade de novas descobertas, a manutenção de patamares elevados de produção também depende da operação dos sistemas atuais com níveis adequados de eficiência operacional. Isso demanda, em alguns períodos, paradas programadas para manutenção com consequente queda da produção dessas unidades. Também ocorre, no caso das novas plataformas, um crescimento gradativo da produção (ramp-up). Esses são os fatores que explicam porque a produção da Petrobras não cresceu no ano de 2012 e no primeiro semestre de 2013, ano no qual 7 novas plataformas estão entrando em operação.

Quanto ao endividamento, as oportunidades de crescimento proporcionadas pelas novas descobertas anunciadas nesses últimos anos, em especial o pré-sal, colocaram a Petrobras em uma situação diferenciada em relação às outras empresas do setor, com um portfólio de projetos rentáveis a serem desenvolvidos que garantem o crescimento orgânico da Companhia.

Para financiar esse crescimento, foi necessário aumentar seu nível de endividamento, na medida em que apenas a geração operacional de caixa da Companhia não era suficiente para o aproveitamento dessas oportunidades. A dívida líquida da Petrobras ficou em R$ 148 bilhões no final de 2012. Porém, isso não é visto como negativo pelo mercado. Pelo contrário, ao longo dos últimos anos, o aumento do endividamento veio acompanhado da redução do custo de captação da Companhia e da melhora da avaliação de risco por parte das agências de rating. A Companhia aumentou o acesso a diversas fontes de financiamento com a redução do custo de captação em dólares para o prazo de dez anos de aproximadamente 9% a.a. em 2002 para aproximadamente 5% a.a. em 2012.

Em 2005, a Companhia recebeu a primeira avaliação de grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody´s, tendo sido uma das primeiras empresas brasileiras a receber tal classificação. Desde então, vem recebendo melhoras adicionais nessa avaliação, sendo classificada igualmente pela Standard & Poor´s e Fitch.

9) Petrobras na mira do Ministério Público:

A Companhia reafirma que a aquisição da Refinaria de Pasadena deve ser compreendida no contexto anterior à descoberta do Pré-Sal, estava alinhada ao Planejamento Estratégico da Petrobras, à época, no que se referia ao incremento da capacidade de refino de petróleo no exterior e visava contribuir para o aumento da comercialização de petróleo e derivados produzidos.

Todas as aquisições de refinarias no exterior cumpriam com o mesmo objetivo estratégico que determinava a expansão internacional da Petrobras, apoiada em alguns pilares, a saber: processamento de excedentes de petróleos pesados brasileiros; diversificação dos riscos empresariais e atuação comercial em novos mercados de modo integrado com suas atividades no Brasil e em outros mercados.

10) Refinaria Abreu e Lima: custo da obra pulou de R$ 4,7 bilhões para R$ 41 bilhões:

As projeções iniciais de custos da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) referiam-se a um projeto em fase inicial de avaliação, cujo grau de definição permitia estimativas apenas preliminares em relação a custos de infraestrutura, demandas ambientais, integração entre unidades e extramuros.O maior grau de definição e detalhamento, incorporado a fatores como otimização de escopo, ajustes cambiais e aquecimento de mercado, entre outros, fez com que o valor do investimento tivesse um incremento com a evolução do projeto.

Diversos fatores contribuíram para as variações de prazo, entre eles a necessidade de realização, em alguns casos, de novos processos licitatórios devido a preços excessivos. Outros fatores importantes foram greves, condições ambientais e construção de infraestrutura para acesso ao local da obra.

Hoje, a RNEST já alcançou 70% de execução física em suas obras e o início de operação ocorrerá em novembro de 2014, com investimento previsto de US$ 17 bilhões, prazo e custo estabelecidos no Plano de Negócios e Gestão 2012-2016. Ainda há pleitos em discussão com as empresas contratadas que somam US$ 3 bilhões.

11) Gestão Gabrielli:

No período da administração do presidente José Sergio Gabrielli de Azevedo, entre 2005 e 2012, houve um aumento na Petrobras Controladora de 52% do efetivo próprio e de 130% de empregados de empresas prestadoras de serviços. incluindo aí todos os trabalhadores em obras, entre as quais duas grandes refinarias. Tais aumentos foram consonantes com o crescimento do investimento da Companhia, na ordem de 208%. No periodo anterior, de 1993 a 2001, não foram realizados concursos pela Petrobras.

12) Conteúdo local:

A indústria nacional de bens e serviços tem respondido à altura das demandas da Petrobras, com Conteúdo Nacional que por vezes supera o índice de 85% que é o caso dos projetos do Refino. O aumento do Conteúdo Nacional é possível para bens e serviços que hoje são importados e que apresentam escala econômica para serem produzidos no Brasil. Considerando as vantagens para as empresas, os principais benefícios são a redução dos custos operacionais, a proximidade da base de fornecedores, o aumento da capacidade de inovação da cadeia e a assistência técnica local.

SICSÚ: QUEM SÃO OS NOVOS CONSUMIDORES DEZ ANOS DEPOIS




Possuir um grande mercado doméstico de consumo é o desejo de qualquer país. Se, por um lado, a ampliação do mercado aumenta o acesso da população a bens de consumo, por outro, torna a produção nacional menos dependente de humores internacionais. É estratégico para um país possuir milhões de consumidores que vão aos mercados domésticos adquirir bens e serviços. Uma economia é menos afetada por crises econômicas internacionais quando tem o seu próprio espaço de vendas e compras.

Em termos econômicos e sociais, uma das mais importantes mudanças estruturais do Brasil nos últimos anos foi a constituição de um enorme mercado de consumo. Vários vetores impulsionaram essa transformação: a valorização do salário mínimo, a ampliação do crédito, a queda das taxas de juros, a ampliação do programa Bolsa-Família, a queda da taxa de desemprego, o aumento do emprego com carteira assinada e a elevação do rendimento dos trabalhadores.

O IBGE por meio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou que o volume de vendas do comércio varejista dobrou nos últimos dez anos. A PMC com abrangência nacional teve início no ano de 2000. Além desse crescimento extraordinário, o segmento gera mais de 8,5 milhões de empregos formais, segundo o Ministério do Trabalho.

Os novos consumidores do mercado doméstico são trabalhadores. Houve nos últimos anos, uma enorme expansão da classe trabalhadora, aquela que “sua a camisa”, que sofre dia-a-dia nos transportes urbanos. Não é correto afirmar que a base que explica a expansão do mercado doméstico de consumo é uma nova classe média. A classe média é formada por médicos, advogados, administradores, psicólogos… profissionais liberais que não são capitalistas e nem despendem dia a dia a sua força física na produção de bens e na geração de serviços.

O alargamento do mercado doméstico tem como base milhões de indivíduos, homens e mulheres, que vendem a sua força de trabalho e recebem salário. Em sua maioria, ganham menos que três salários mínimos. São operários da construção civil, comerciários, motoristas, garis, empregadas domésticas, moto-boys etc. Eles são os novos consumidores brasileiros. É gente que imigrou para o sudeste de ônibus e hoje volta ao nordeste para visitar seus parentes de avião.

Em 2003, o mercado de consumo brasileiro era sustentado por 45,2% da sua população, que representavam as classes de renda A, B e C (eram 79,2 milhões de pessoas). As classes de renda D e E possuem baixa capacidade de compra que, ademais, é irregular. A partir de 2011, o percentual da população que passou a sustentar o mercado de consumo aumentou para 63,7% (o que equivale a mais de 122 milhões de brasileiros).

Mais de 42 milhões ingressaram, portanto, nas classes de renda A+B+C no período 2003-11. Majoritariamente não ingressaram na classe média, ingressaram tão somente nas classes de renda que podem consumir de forma regular. Este movimento reflete a expansão da classe trabalhadora. Em 2003, o Brasil possuía 29,5 milhões de trabalhadores formalizados. Em 2012, este número aumentou para quase 48 milhões. Além da quantidade de trabalhadores formais, também cresceu o número de empregados informais e de trabalhadores por conta própria.

Foi esse imenso mercado de milhões de consumidores que auxiliou o enfrentamento da crise financeira internacional de 2009. Naquele ano, esse conjunto de trabalhadores e suas famílias atenderam o apelo do presidente Lula para que não adiassem o sonho de trocar de geladeira ou de comprar um carro popular zero quilômetro.

Esse mercado de consumo também é um canal de desenvolvimento econômico. O Brasil possui consumidores que podem gerar compras, produção, investimento e milhões de empregos. É também um canal de desenvolvimento social na medida em que os milhões de empregos que é capaz de gerar são um importante instrumento de redução de desigualdades.


Fonte:Conversa Afiada
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