terça-feira, 17 de agosto de 2010

VOX POPULI: DILMA TEM 45%, SERRA TEM 29% E MARINA, 8%



Se a eleição fosse hoje, candidata do PT venceria no primeiro turno, aponta levantamento divulgado nesta terça-feira


iG São Paulo 17/08/2010


A candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje, de acordo com a pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada nesta terça-feira. Dilma teria 45% das intenções de voto, contra 29% do presidenciável tucano, José Serra, e 8% da candidata do PV, Marina Silva. Para levar a disputa primeiro turno, a quantidade de votos válidos contabilizados por um determinado candidato deve ser superior à soma dos votos obtidos pelos demais concorrentes.

Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto, 5% declararam voto branco ou nulo e outros 12% se disseram indecisos. A pesquisa estimulada, que mostra os nomes dos candidatos para os entrevistados, foi feita entre os dias 7 e 10 de agosto, após o primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela Band no dia 5 de agosto.

O melhor desempenho de Dilma é na região Nordeste e o pior é na região Sudeste. Em Pernambuco, ela teria 66% dos votos, contra 19% de Serra. Já o tucano tem seu melhor desempenho na região Sul e o pior, no Nordeste. Em São Paulo, Estado que governou até abril, Serra teria 40% dos votos, contra 33% da petista.

O instituto entrevistou 3 mil pessoas em 219 municípios de todos os Estados, incluindo o Distrito Federal e excluindo Roraima. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 22.956/10. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Dilma também aparece na frente na pesquisa espontânea, com 32% das intenções de voto, ainda segundo a Vox Populi/Band/iG. José Serra aparece em segundo, com 18%, e Marina Silva em terceiro, com 5% das intenções de voto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi citado por 3% dos entrevistados. Outros 6% disseram votar nulo ou branco e 34% não sabem em quem votariam.

Na última pesquisa Vox Populi, publicada em 22 de julho, a candidata petista tinha 41%, contra 33% de Serra e 8% de Marina. Outros 4% declararam votar em branco ou anular e 13% estavam indecisos. Confira o resultados das últimas pesquisas nacionais e nos Estados.

A EDUCAÇÃO NO ESTADO GOVERNADO PELOS TUCANOS HÁ QUASE 16 ANOS.

No texto abaixo, do Blog do Miro, é interessante a análise que Luis Nassif faz sobre a FSP e sua obsessão pelo esgoto do jornalismo e sua "nóia" em agradar Ali Kamel. Mas o mais importante nesta postagem é o texto "Insustentável leveza" da jornalista Laura Capriglione. Ao lê-lo, nós que somos eleitores de outros estados do Brasil e que já demos viradas históricas através do voto, cada vez compreendemos menos a folgada dianteira de Geraldo Alckmim na corrida ao governo de São Paulo.

by "the teacher"

Demétrio Magnolli e o "recuo" da Folha

Reproduzo artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog:

Alguns meses atrás, quando a velha mídia ainda tinha pretensão de eleger presidentes, Otávio Frias Filho permitiu que um troglodita, Demétrio Magnolli, fuzilasse dois repórteres da Folha nas próprias páginas do jornal. Motivo: uma matéria desfavorável ao senador Demóstenes Torres, que era contra cotas raciais.

Qual a razão de tanto empenho do Magnolli e do Otávio em combater as cotas, a ponto do primeiro chamar os jornalistas de "meliantes" no jornal do segundo, com sua concordância? Apenas o fato de que o tema tornara-se bandeira do inacreditável Ali Kamel. Apenas isso. O fervor de cruzado desse pessoal destinava-se apenas a prestar reverência ao Kamel em sua cruzada e impedir que um chefe todo-poderoso da Globo pudesse ser derrotado em sua bandeira pessoal. Mero capricho de novo-rico do poder.

Demétrio perdeu o cetro de corneteiro mor da brigada "eu-amo-o-Kamel" para a Época - que considerou o livro do seu chefe um dos mais importantes da década, nesse interminável festival de ridículos que marcou o ápice do deslumbramento desses novos poderosos, CEOs do jornalismo.

Os dois jornalistas da Folha foram fuzilados. Antes deles, houve outros expurgados em nome dessa guinada do jornal.

Poucos jornalistas da Folha se mantiveram na trincheira do bom jornalismo (não vou mencionar nomes para não expo-los, mas quem lê a Folha sabe quem são). Oportunistas aderiram ao que manda o chefe. Jornalistas de caráter resistiram, embora recolhendo-se até que cessasse esse macartismo infernal.

Agora, a custosa e quase inútil tentativa da Folha de recuperar a imagem perdida dependerá fundamentalmente dos que resistiram à infâmia.

O espaço dado a Laura Capriglione na página 2 do jornal é a reabilitação interna a uma jornalista de caráter. O tema tratado mostra que, embora deva favores a José Serra, a Folha começa a acordar de cinco anos de cegueira continuada.



"Insustentável leveza" - Laura Capriglione

É de estarrecer a forma como se comporta o governo do Estado de São Paulo quando o assunto é educação.

Agora, uma medida que se chegou a apresentar como revolucionária cai por terra antes mesmo de ser aplicada. Trata-se do chamado "vale-presente" - a Secretaria da Educação daria R$ 50 a alunos que, em dificuldades com matemática, não faltassem a aulas de reforço.

Houve quem visse no "presente" propósitos eleitoreiros, outros acusaram-no de premiar o fracasso escolar (bons alunos não concorreriam ao benefício), outros ainda de ser antieducativo, já que, ao prazer do aprendizado, que deveria ser o alvo do processo pedagógico, se anteporia a força da grana.

Ocioso, agora, discutir as objeções. O que assombra é a leveza beirando a irresponsabilidade com que o secretário Paulo Renato Souza anunciou o cancelamento do programa, ontem, na Folha: "É um projeto que está muito cru", disse ele. "Muito cru", secretário?

Tem sido assim a condução da educação pública paulista.

Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico.

E não melhoram, como o próprio Paulo Renato foi obrigado a reconhecer à vista dos resultados do último Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo): "Numa avaliação média, eu diria que tivemos uma estagnação", admitiu, confrontado com o fato de que a performance em matemática no ensino médio chegou a regredir entre 2008 e 2009.

Em português e matemática, a nota dos alunos do 3º ano do ensino médio atesta que eles têm competência abaixo da que seria esperada para alunos da 8ª série do ensino fundamental.

São 15,5 anos de administrações tucanas em São Paulo.

Uma criou a Escola da Família, outra desidratou-a. Primeiro se trombeteou que professores temporários sem qualificação para lecionar seriam demitidos. Depois o propósito foi abandonado. "Minha primeira obrigação é garantir aula", disse o secretário, como se alguém discordasse.

Até uma incrível parceria entre a cantora pop Madonna e a Secretaria da Educação chegou a ser alardeada, com direito a foto do secretário e do então governador José Serra em troca de sorrisos com a "Material Girl".

A ideia era aplicar um tal "programa educacional baseado em princípios cabalísticos" na rede pública. "Não é propriamente um programa formal, mas para desenvolver psicologicamente. Para enfrentar melhor a vida", disse Serra à época. Foi só a mãe de Lourdes Maria voltar para casa e nunca mais se falou no assunto. Seria tudo uma piada se não se tratasse das vidas e esperanças de tantos jovens

texto originalmente publicado em nassif on line e reproduzido pelo Blog do Miro

SERGIO GUERRA IGNORA SERRA EM PROGRAMA ELEITORAL DE TV

O senso de lealdade de Sérgio Guerra


Do Terra

17 de agosto de 2010 • 14h31 • atualizado às 14h54
"O primeiro programa eleitoral de TV do candidato a deputado federal e presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, veiculado nesta terça-feira (17), não cita nem mostra o presidenciável José Serra (PSDB). No início da inserção, o senador tucano diz ter ajudado Pernambuco "no governo Arraes, no governo Jarbas e no Congresso o tempo todo". Em seguida, o candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin aparece dando um testemunho sobre o correligionário. "É um dos melhores talentos da política brasileira", diz o paulista.

Já no final da inserção, o senador Sergio Guerra deixa uma mensagem. "O que posso dizer? Oposição aos projetos em favor de Pernambuco eu nunca farei", mostrando preocupação em explicar ao eleitorado pernambucano que caso o governador Eduardo Campos (PSB) seja reeleito, vai aprovar proposições para o Estado.
Ao citar o ex-governador Miguel Arraes, avô falecido do governador Eduardo Campos, o parlamentar pode azedar ainda mais a relação com Jarbas Vasconcelos (PMDB), candidato do seu grupo ao governo. Guerra é acusado de "liberar" os tucanos para votar no governador e candidato à reeleição."
Comentário do Brasil's news:  Todo povo pernambucano sabe disso. Se brincar,  o candidato que vai levar uma "lapada" pra governador do estado defende mais Serra do que Guerra. Na verdade, este partido, PSDB, que quando surgiu no Brasil era uma proposta política bastante interessante, ao chegar ao poder, arrastado pelos caciques de Sao Paulo, não vai aqui nenhum bairrismo, aliou-se ao que tem de pior na política e fora dela. (E o pior é que eles e a mídia golpista dizem que foi o PT que mudou no poder.) Isso é o PSDB (Pior Salário Do Brasil) e Sergio Guerra é o seu presidente. Precisa dizer mais alguma coisa?
by "the teacher"

OS LOBOS ESTÃO À ESPREITA


Quando o "Globope" e o "Datafoia" se enquadram com esses números é porque, na verdade eles são muito maiores. Estes institutos estão apenas, principalmente o "globope", tentando recuperar a já devastada credibilidade. Mas não nos enganemos, nem calcemos salto alto. O momento agora é de pé no chão e responsabilidade. A direita vai pro tudo ou nada, sabemos disso. O guia eleitoral começa amanhã e acredito que eles vão lançar sua cartada desesperada na televisão. É a única maneira que eles têm de atingir a maior quantidade de pessoas possíveis de uma só vez. Foi através da televisão que eles divulgaram o caso Lunus, foi na TV que eles montaram a farsa que levou ao segundo turno em 2006, com a ajuda da rede que apoiou a ditadura, claro. Uma mentira, um factóide repetido exaustivamente no guia e repercutido naqueles esgotos chamados Bom dia Brasil, Jornal Hoje, JN e JG tem efeito destruidor. Infelizmente grande parte de nossa população ainda assiste a este lixo. Claro que o PT e a coligação também tem o guia para contrapor, mas é  só o guia eleitoral, enquanto eles têm o PIG. É claro, também,  que talvez isso seja só uma "nóia" minha - e espero que seja mesmo - mas não devemos confiar nessa raça. Há muito em jogo. Há o Pré-sal, no qual eles estão doidos para por as mãos. Uma privatização ali significa muitos  bilhões, há os grandes investimentos das empresas em virtude do momento que o país vive hoje, há o poder que se tem quando se estar a administrar tudo isso. E eles estão desesperados com a possibilidade de passar quatro anos longe dessa mina de ouro que é o Brasil de hoje, com a vitoria de Dilma e ainda ter a possibilidade de mais quatro em um provável bom governo da petista. O comando da campanha deve ter esta possibilidade (da tentativa de um golpe) em mente. Os militantes devem estar atentos e preparados, a blogosfera deve se quedar vigilante e combativa. Estamos numa guerra e numa guerra não se pode abandonar a trincheira de jeito nenhum, sob o risco de sermos atingidos por um morteiro. Eu sou assim. Lembro-me que em 2006, quando estava na praça do Marco Zero, aqui em Recife, acompanhando a apuração e todas as pesquisas anteriores à eleição e até as pesquisas de boca de urna davam como certa a vitória de Lula, só descansei quando ouvi o "não perde mais" e a multidão foi ao delírio. O cenário, tal qual se desenha hoje,  leva a crer que no dia da votação em primeiro turno ouviremos o "não perde mais" para Dilma. Até lá vamos ficar de olho no  inimigo, que não vai se entregar facilmente, e vamos combater o bom combate.
by "the teacher"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CHORA, SERRA. E O VOX POPULI AINDA NEM SAIU!!

IBOPE: DILMA 43% X 32% SERRA

A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada nesta segunda (16).
A petista aparece com 43% das intenções de voto contra 32% do adversário José Serra (PSDB). De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 8%. No  levantamento anterior do Ibope, divulgado no último dia 6, Dilma tinha 39%, Serra, 32%, e Marina, 8%.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou menos. Isso indica que Dilma pode ter entre 41% e 45% e Serra, entre 30% e 34%.
A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O Ibope ouviu 2.506 eleitores com mais de 16 anos em 174 municípios de quinta-feira (12) a domingo (15). Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 23548/2010.
Dos demais candidatos, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU), nenhum alcançou 1% das intenções de voto.
Os eleitores que responderam que votarão em branco ou nulo somaram 7% e os que se disseram indecisos, 9%.
Segundo turno

Em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, o Ibope apurou que a petista teria 48% e Serra, 37%. Nesse cenário, votariam nulo ou em branco 8% dos eleitores. Os que se disseram indecisos somam 7%.
Na pesquisa divulgada uma semana antes, a petista tinha 44% e Serra, 39% em um hipotético segundo turno entre os dois.
Avaliação do governo

O levantamento também mostrou como os eleitores avaliam o governo Lula. Para 78%, o governo é ótimo ou bom; para 18%, regular; para 4%, ruim ou péssimo.
 Originalmente no G1.
Fonte Terra Brasilis

O SALTO DO GATO MOURISCO

  do Gilson Sampaio.

Sanguessugado do redecastorphoto
*José Flávio Abelha
Resumindo, pode ser “O Pulo do Gato”, mas me contaram assim.
Uma onça pintada, musculosa, fornida, poderosa, era comadre de um magrelo, desapetrechado, mas arisco bichano conhecido como “o gato mourisco”. O objetivo da comadre era liquidar com aquele animal estrovengo e, para atingir o seu objetivo, pediu-lhe umas aulas de saltos que só ele sabia dar. E o compadre, fingindo-se de inocente, foi ensinando as artes felinas.
Quando a fornida comadre sentiu-se senhora das artes marciais, apostou uma corrida com o compadre. Uns quinhentos metros de pista cuja chegada era um muro muito alto. E dispararam numa corrida diabólica. Aproximando-se do muro e sentindo-se acuado, sem saída, liquidado, o compadre imprimiu velocidade, subiu no muro e deu um salto mortal, caindo atrás da comadre que, muito espantada, reclamou em altos brados dizendo que não lhe fora ensinado aquele salto. E o compadre bichano simplesmente lhe disse que aquele era o seu segredo. “Este, comadre, não lhe posso ensinar, é o salto do gato mourisco, se quiser, o pulo do gato”.
Há no DNA de uma camada da elite brasileira traços dissimulados, latentes, de uma eterna oposição, não essa oposição que se transforma em situação quando derrota quem está no comando, no poder. Essa oposição nunca se transmuda. Ainda que no comando, sendo governante, ela continua oposição. Oposição à oposição e oposição aos valores mais caros do país, obtidos com grandes sacrifícios, de grande valor e estima, oposição aos que defendem esses valores nacionais, sejam materiais ou imateriais. Oposição em si, visto que é do seu DNA.
Essa oposição é a onça pintada. Musculosa a poder de obséquios nacionais e internacionais sob aquele ensinamento dos sobrinhos do Tio Sam: não existe almoço de graça. É o que temos visto nos últimos lustros.
A oposição avalizada pelo embaixador dos EUA Adolf Berle derrubou o “ditador” Getúlio Vargas, deixando no poder dezenas de “ditadores”, na América Latina e na Europa.
Era a onça pintada dando o bote, era a oposição teúda e manteúda contra o Gato Mourisco.
Durou pouco, o bichano/povo deu o salto mourisco e Vargas voltou nos braços do povo, perdão, dos gatos. Mas a oposição/onça pintada não se emendou e colocou nas mãos de Vargas a arma assassina. Mais uma vez enganou-se a onça pois o seu filhote perdeu as eleições para o gatão Juscelino. Com Jango, o mesmo bote com a ajuda maciça das forças navais dos EUA, inclusive belonaves moderníssimas, a chamada “Operação Brother Sam”. Anos depois, milhões de gatos saem às ruas e num miado unissonante, as onças pintadas saem mansinhas, não sem antes ficar provado que golpes de estado e as revoluções são filhos de oposições, todos antropofágicos.
Não é só de botes violentos que esse tipo de oposição se manifesta. Sempre ajudada pelas “forças ocultas” (leiam Quem pagou a conta, A CIA na guerra fria da cultura, de Frances Stonor Saunders, Ed.Record/Rio/2008) a oposição assume o poder e, por força do seu DNA, é oposição ao país, privatizando quase tudo, entregando o que pode e não pode aos que “pagaram a conta”, até que surge, de novo, o Gato Mourisco com o seu secreto pulo e coloca o país entre as nações mais respeitadas do mundo.
O que se deu agora.
Uma pessoa amiga escreveu-me expondo o seu medo de uma arbitrariedade da onça pintada que ronda a casa do Gato Mourisco. Tranqüilizei-a contando a história do salto do bichano e relembrando que em menos de um século, a oposição tirou do governo vários presidentes, mas os mesmos voltaram por força dos miados dos gatos mouriscos.
Quem não se lembra de Perón e dos descamisados colocando-o novamente no poder? De Vargas? Do quase golpeO SALTO DO GATO MOURISCO
Sanguessugado do redecastorphoto
*José Flávio Abelha
Resumindo, pode ser “O Pulo do Gato”, mas me contaram assim.
Uma onça pintada, musculosa, fornida, poderosa, era comadre de um magrelo, desapetrechado, mas arisco bichano conhecido como “o gato mourisco”. O objetivo da comadre era liquidar com aquele animal estrovengo e, para atingir o seu objetivo, pediu-lhe umas aulas de saltos que só ele sabia dar. E o compadre, fingindo-se de inocente, foi ensinando as artes felinas.
Quando a fornida comadre sentiu-se senhora das artes marciais, apostou uma corrida com o compadre. Uns quinhentos metros de pista cuja chegada era um muro muito alto. E dispararam numa corrida diabólica. Aproximando-se do muro e sentindo-se acuado, sem saída, liquidado, o compadre imprimiu velocidade, subiu no muro e deu um salto mortal, caindo atrás da comadre que, muito espantada, reclamou em altos brados dizendo que não lhe fora ensinado aquele salto. E o compadre bichano simplesmente lhe disse que aquele era o seu segredo. “Este, comadre, não lhe posso ensinar, é o salto do gato mourisco, se quiser, o pulo do gato”.
Há no DNA de uma camada da elite brasileira traços dissimulados, latentes, de uma eterna oposição, não essa oposição que se transforma em situação quando derrota quem está no comando, no poder. Essa oposição nunca se transmuda. Ainda que no comando, sendo governante, ela continua oposição. Oposição à oposição e oposição aos valores mais caros do país, obtidos com grandes sacrifícios, de grande valor e estima, oposição aos que defendem esses valores nacionais, sejam materiais ou imateriais. Oposição em si, visto que é do seu DNA.
Essa oposição é a onça pintada. Musculosa a poder de obséquios nacionais e internacionais sob aquele ensinamento dos sobrinhos do Tio Sam: não existe almoço de graça. É o que temos visto nos últimos lustros.
A oposição avalizada pelo embaixador dos EUA Adolf Berle derrubou o “ditador” Getúlio Vargas, deixando no poder dezenas de “ditadores”, na América Latina e na Europa.
Era a onça pintada dando o bote, era a oposição teúda e manteúda contra o Gato Mourisco.
Durou pouco, o bichano/povo deu o salto mourisco e Vargas voltou nos braços do povo, perdão, dos gatos. Mas a oposição/onça pintada não se emendou e colocou nas mãos de Vargas a arma assassina. Mais uma vez enganou-se a onça pois o seu filhote perdeu as eleições para o gatão Juscelino. Com Jango, o mesmo bote com a ajuda maciça das forças navais dos EUA, inclusive belonaves moderníssimas, a chamada “Operação Brother Sam”. Anos depois, milhões de gatos saem às ruas e num miado unissonante, as onças pintadas saem mansinhas, não sem antes ficar provado que golpes de estado e as revoluções são filhos de oposições, todos antropofágicos.
Não é só de botes violentos que esse tipo de oposição se manifesta. Sempre ajudada pelas “forças ocultas” (leiam Quem pagou a conta, A CIA na guerra fria da cultura, de Frances Stonor Saunders, Ed.Record/Rio/2008) a oposição assume o poder e, por força do seu DNA, é oposição ao país, privatizando quase tudo, entregando o que pode e não pode aos que “pagaram a conta”, até que surge, de novo, o Gato Mourisco com o seu secreto pulo e coloca o país entre as nações mais respeitadas do mundo.
O que se deu agora.
Uma pessoa amiga escreveu-me expondo o seu medo de uma arbitrariedade da onça pintada que ronda a casa do Gato Mourisco. Tranqüilizei-a contando a história do salto do bichano e relembrando que em menos de um século, a oposição tirou do governo vários presidentes, mas os mesmos voltaram por força dos miados dos gatos mouriscos.
Quem não se lembra de Perón e dos descamisados colocando-o novamente no poder? De Vargas? Do quase golpe contra Juscelino não fosse a pronta ação, vigorosa e legalista do General Lott? Da tentativa de impedimento de Jango e a violenta reação de Brizolla com a “Cadeia da Legalidade”? Ainda agora do presidente Chávez, da Venezuela, retirado da presidência, preso em um navio e recolocado novamente na presidência?
Com o gato mourisco não se brinca. Temos agora uma GATA enfrentando a velha oposição e o seu DNA golpista. Ela e o gato barbudo sabem muito bem dar o salto do gato mourisco.
Se a oposição, já a esta altura desesperada, despencando nas pesquisas, sem a promessa de um projeto factível, sem argumentos sólidos, tentar golpear a vontade dos milhões de gatos, vai ser ensurdecedor o miado nacional e internacional.
Não vai haver golpe, prezada amiga. Tudo indica que a GATA Dilma leva no primeiro turno. E se levar, ta levado!
A oposição não é TÃO irresponsável a ponto de colocar em risco a segurança física das nossas instituições ainda em funcionamento pleno e democrático, os três poderes, seus prédios e seus ocupantes, para não falar no chamado 4º poder, a mídia, toda ela apoiando uma oposição sem lenço e sem documento.
Nossa oposição tem no DNA o germe da oposição pela oposição, a oposição até a si mesma, mas não tem o microrganismo patogênico da loucura.
*Mineiro, autor de A MINEIRICE e outros livretes, reside na Restinga de Piratininga/Niterói, onde é Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar contra Juscelino não fosse a pronta ação, vigorosa e legalista do General Lott? Da tentativa de impedimento de Jango e a violenta reação de Brizolla com a “Cadeia da Legalidade”? Ainda agora do presidente Chávez, da Venezuela, retirado da presidência, preso em um navio e recolocado novamente na presidência?
Com o gato mourisco não se brinca. Temos agora uma GATA enfrentando a velha oposição e o seu DNA golpista. Ela e o gato barbudo sabem muito bem dar o salto do gato mourisco.
Se a oposição, já a esta altura desesperada, despencando nas pesquisas, sem a promessa de um projeto factível, sem argumentos sólidos, tentar golpear a vontade dos milhões de gatos, vai ser ensurdecedor o miado nacional e internacional.
Não vai haver golpe, prezada amiga. Tudo indica que a GATA Dilma leva no primeiro turno. E se levar, ta levado!
A oposição não é TÃO irresponsável a ponto de colocar em risco a segurança física das nossas instituições ainda em funcionamento pleno e democrático, os três poderes, seus prédios e seus ocupantes, para não falar no chamado 4º poder, a mídia, toda ela apoiando uma oposição sem lenço e sem documento.
Nossa oposição tem no DNA o germe da oposição pela oposição, a oposição até a si mesma, mas não tem o microrganismo patogênico da loucura.
*Mineiro, autor de A MINEIRICE e outros livretes, reside na Restinga de Piratininga/Niterói, onde é Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar

PORQUE VOTAREI EM DILMA ROUSSEFF



Do blog do Favre


Leiam este texto de Celso Barros, Rio de Janeiro-RJ, ele é mestre em Sociologia pela Unicamp e doutor em Sociologia pela Oxford. Considerei interessante a argumentação, mesmo se não concordo com algumas considerações. No Blog: napraticaateoriaeoutra.org você encontra muito mais infomação. O texto me foi enviado por Mônica Banderas do blog Polimorfo Sintético.

Celso Barros – Polimorfo Sintético

Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.
Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira nerd.
1.
Um bom governo, na minha opinião, deve (a) ser democrático, (b) não avacalhar a estabilidade econômica, e (c) combater a pobreza e a desigualdade. Por esses critérios, o governo Lula foi indiscutivelmente bom.
O governo Lula, tanto quanto o governo FHC, foi um governo democrático. Quem lê jornal no Brasil não apenas percebe que é permitido falar mal do governo, mas pode mesmo ser desculpado por suspeitar que falar mal do governo é obrigatório por lei. Os partidos de oposição atuam com plena liberdade, os movimentos sociais, idem, e, aliás, eu também. O Olavo de Carvalho se mandou para os Estados Unidos, dizem que com medo de ser perseguido politicamente, mas, se tiver sido por isso, foi só frescura. De qualquer modo, nunca antes nesse país exportamos tantos Olavos de Carvalho.
A economia foi muito bem gerida durante a Era Lula, a despeito do que falam muitos petistas (talvez preocupados com a falta de oposição competente). Companheiros, deixemos de falar besteira: a política econômica foi um sucesso. Mantivemos o bom sistema de metas de inflação implantado por Armínio Fraga no (bom) segundo governo FHC, e acrescentamos a isso: uma preocupação quase obsessiva por acumular reservas internacionais, a excelente ideia de comprar de volta nossa dívida em dólar, e medidas de incentivo fiscal quando foi necessário. A dívida como proporção do PIB caiu consideravelmente, e só voltou a subir quando foi necessário combater a crise. Certamente voltará a cair já agora.
Por essas e outras, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da maior crise econômica desde 1929. Os tucanos se consideravam uma espécie de Keynes coletivo por terem sobrevivido à crise do México. Com muito menos custo, sobrevivemos à crise dos EUA. E isso se deu porque a economia durante a Era Lula foi muito mais bem administrada do que durante o primeiro governo FHC. No segundo governo FHC, aí sim, a economia foi bem gerida, e Lula fez muito bem em copiar seus métodos de gestão.
E, na área social, o Lula realmente se destaca na história brasileira, e na conjuntura econômica mundial. FHC não merece nada além de parabéns por ter copiado o Bolsa-Escola do governo petista do Distrito Federal (cujo governador havia idealizado o programa ainda na década de 80), e o PT merece críticas por ter atrasado sua adoção insistindo no confuso “Fome Zero” por tempo demais; mas, uma vez re-estabelecida a sanidade, o programa foi implementado com imenso sucesso, e, associado à política de recuperação do salário mínimo, e à boa gestão da economia, geraram resultados que não estavam nas projeções do mais otimista dos petistas em 2002. Para ser honesto, eu sempre votei no Lula, mas nunca achei que fosse dar tão certo.
A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.
Não é à toa que o economista Marcelo Neri, um dos mais respeitados estudiosos da pobreza no Brasil, fala no período de 2003-2010 como “A Pequena Grande Década”. Tanto quanto sei, Neri não é petista.
Por outro lado, há algumas semanas, o sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um balanço crítico do governo Lula, que considera um desastre. O artigo praticamente não tem nenhum número. I rest my case.
2.
Seria idiota dizer que isso não é, em nenhum grau, motivo para votar na Dilma. Dilma participou ativamente disso tudo, e, no mínimo, apoiou isso tudo. Marina Silva, é verdade, apoiou quase tudo isso. José Serra não o fez, e muitos de seus simpatizantes continuam convictos de que os últimos oito anos, em que a renda dos brasileiros mais pobres cresceu no ritmo da economia chinesa, foi uma era das trevas da qual a nossa elite bem pensante (hehehe) acordará em breve, chorando de felicidade porque era só um pesadelo.
Mas, até aí, eu considero que a Era FHC também foi boa para o país, por outros motivos, e mesmo assim foi bom que Lula fosse eleito em 2002 (como irrefutavelmente provado acima). Por que não seria esse o caso, agora?
Em primeiro lugar, porque não acho que será bom para o Brasil se o governo Lula tiver sido só um intervalo. Se Serra ganhar a eleição, eis o que se tornará a versão oficial sobre esse período: uns caras com diploma governavam muito bem o Brasil por muitas décadas, aí surgiu um paraíba muito carismático que acabou % ganhando a eleição, mas não fez nada demais, por isso eventualmente a turma do diploma retomou o controle da coisa toda. Coloquei um sinal de porcentagem no meio da frase para que ela tivesse pelo menos um erro que não fosse também papo furado.
É importante compreender que os novos atores que compõem o PT vieram para ficar, pois são sócios-fundadores de nossa democracia, e que, de agora em diante, o Brasil é um país com uma esquerda que sabe ser governo. Isso quer dizer que agora a direita, para vencer eleições, precisa apresentar boas candidaturas (de preferência sem roubar nossos sociólogos, ou economistas heterodoxos) e, o mais crucial de tudo, apresentar propostas para os mais pobres, que acabam de descobrir que podem melhorar imensamente suas vidas com o voto. A direita brasileira ainda não fez esse trabalho: continua pensando como se fosse um direito natural seu governar o país, e esperando que algum movimento legitimista re-estabeleça a ordem nesta budega.
Enquanto a justiça eleitoral não fizer o voto do Reinaldo Azevedo ter peso 50 milhões, a estratégia de fingir que o governo Lula não desmoralizou os anteriores, diminuindo a pobreza sem desestabilizar a economia, não vai ganhar eleição. Enquanto não tiver um projeto para o país (o que, diga-se, o Plano Real foi), a oposição não merece voltar ao governo. Como o PT dos anos 90, por exemplo, não merecia ganhar a presidência, pois seu programa era o que, no jargão sociológico, era conhecido como “nhenhenhém”. O PT venceu quando reconheceu que o papo agora era outro, e era preciso partir das conquistas já alcançadas. Não há sinal que consciência semelhante exista na oposição como bloco político, embora, sem dúvida, o candidato Serra o tenha compreendido.
3.
Mas esse tampouco é o melhor motivo para se votar na Dilma. O melhor motivo para se votar na Dilma é a Dilma.
Dilma tem uma trajetória política muito singular, como, aliás, tinham FHC e Lula. Quem tiver lido seu perfil recente na revista Piauí pode notar que há tantos fatos interessantes na sua vida que o jornalista mal teve espaço para falar dela, como pessoa. Dilma foi guerrilheira, foi torturada, e, durante a democratização, entrou para o PDT. Quando visitou, recentemente, o túmulo de Tancredo, a turma de sempre reclamou que o PT não o havia apoiado no Colégio Eleitoral. Bem, Dilma, como o PDT, apoiou Tancredo. Eventualmente, foi parar no PT, onde cresceu fulminantemente, e foi beneficiada pela decisão da oposição de queimar um por um dos quadros petistas mais famosos, algo pelo que, suspeito, já começam agora a se arrepender. Estariam pior agora se o candidato do Lula fosse, digamos, o Dirceu?
Tem gente que, com temor ou esperança, acha que Dilma mudará o rumo da economia. Eu posso estar errado, mas, baseado no que vi até agora, acho o seguinte: Dilma está singularmente posicionada para fazer com que, sob essa mesma política econômica, e com o mesmo compromisso com a justiça social, o país comece a crescer bem mais rápido do que cresceu nos últimos dezesseis anos.
Eu gosto de dizer o seguinte sobre política econômica: é verdade, o Banco Central desacelera o crescimento quando mantém os juros altos (e segura a inflação). Mas, a essa altura, o crescimento econômico já levou uma surra; antes de chegar no Banco Central, o carro do crescimento já tomou batidas da nossa falta de política de inovação, da baixíssima capacidade de investimento do Estado, da pobreza (que diminuiu, mas, para nossa vergonha, ainda está aí), do nosso abissal nível de qualificação educacional, dos entraves inacreditáveis para se abrir ou fechar um negócio, dos problemas gravíssimos da nossa urbanização. Essa desacelerada que o Banco Central dá é porque, depois de tomar tanta batida, ou nosso carro desacelera ou ele desmonta na pista.
Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso.
Muita gente diz que Lula entregou a candidatura à Dilma de mão-beijada, mas, aproveito para advertir, muita calma nessa hora, meu povo. Lula também lhe entregou uma roubada incrível, que foi também um teste. Quando Dilma foi colocada na direção do PAC, experimentou em primeira mão o quão ineficiente é nosso Estado como indutor do investimento: uma legião de entraves burocráticos, pressões políticas e uma história de más prioridades tornaram nosso Estado incapaz de investir e de oferecer infra-estrutura (tanto física quanto legal quanto humana) para o investimento privado.
A beleza da coisa é que Dilma é uma c.d.f. obcecada por políticas públicas. Quem leu sua entrevista no livro organizado pelo Marco Aurélio Garcia e pelo Emir Sader não pode ter deixado de se divertir com a diferença entre as coisas que os entrevistadores querem perguntar e as coisas que ela quer responder: os caras lá falando do liberalismo, de não sei o que mais, e ela animadona com um jeito de furar poço de petróleo, com um jeito qualquer de administrar hospital. Respeito muito o Marco Aurélio, que foi meu professor, mas a Dilma sai da entrevista muito melhor que ele e o Sader.
Me anima especialmente que, em vários momentos, tenha visto Dilma puxando o assunto das políticas de inovação. O Brasil não vai dar um salto qualitativo em termos de desenvolvimento enquanto não produzir tecnologia. Tecnologia é o tipo de coisa que depende de bons arranjos entre governo e setor privado, e, a crer nos relatos até agora a respeito de sua passagem pelo ministério de Minas e Energia, Dilma tem uma postura pragmática saudável nessas questões.
Lula deu ao capitalismo brasileiro milhões de novos consumidores, e essa descendência política exigirá de Dilma compromisso forte com a inclusão social. Mas agora é hora de dar ao capitalismo brasileiro a competitividade necessária para que ele gere os empregos de que precisam os novos ex-miseráveis, os formandos do ProUni, ou das novas Universidades Federais, inclusive; é hora de montar um Estado que entregue aos cidadãos as cidades necessárias à boa fruição da vida moderna, e montar um sistema de inovação tecnológica que tire da direita o monopólio do discurso moderno.
Por conhecer melhor do que ninguém o tamanho desse déficit, e pelo que se depreende de sua postura até agora diante desses problemas, Dilma Rousseff é a melhor opção para a presidência do Brasil nos próximos oito anos.
Até porque, contará com um recurso que só o PT tem: uma imprensa tão hostil que o sujeito realmente, realmente tem que prestar atenção para não fazer besteira. Superego é uma coisa útil, se não te trava.
4.
Certo, mas deve ter gente pensando, ah, mas ela é só uma tecnocrata, vai ser engolida pelos políticos (o bom é que essa mesma turma dizia que o Lula, por não ser um tecnocrata, ia ser engolido pelos políticos). Deve ter gente, à direita e à esquerda, com esperança de manipular a Dilma. A Dilma, no caso, é aquela menina que, aos vinte e poucos anos, inspirava respeito até nos caras do Doi-Codi, como se depreende dos documentos da época. Se quiser ir tentar manipular essa dona aí, rapaz, boa sorte, vai lá. Depois você conta pra gente como é que foi.
Celso BarrosRio de Janeiro-RJ, ele é mestre em Sociologia pela Unicamp e doutor em Sociologia pela Oxford
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