sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E SE DEUS MORASSE EM PINHEIRINHO...?

CAMPANHA DE JAMIE OLIVER FAZ McDONALD'S MUDAR RECEITA DE HAMBÚRGUER


O chef e apresentador Jamie Oliver acaba de ganhar uma batalha contra uma das maiores redes de fast food do mundo. Depois que Oliver mostrou o modo como os hambúrgueres do McDonald’s são produzidos, a rede anunciou que irá mudar sua receita. Segundo Oliver, as partes mais gordurosas da carne de boi são “lavadas” em hidróxido de amônia e usadas no recheio do hambúrguer. Antes desse processo, segundo o apresentador, o alimento é considerado impróprio para consumo humano.
O cozinheiro e apresentador Jamie Oliver, que empreende guerra contra indústria de fast food
“Basicamente, estamos pegando um produto que seria vendido da maneira mais barata para os cachorros e, depois desse processo, dando para seres humanos”, disse ao portal britânico Daily Mail Online. Além da baixa qualidade da carne, o hidróxido de amônia é prejudicial à saúde. Oliver denominou o processo de lodo rosa.
“Por que qualquer ser humano sensato colocaria carne com amônio na boca de suas crianças?”, questionou o chef, que empreende uma guerra contra a indústria de alimentos fast food. Em uma de sua iniciativas, Oliver demonstra para crianças como são feitos os nuggets. Depois de selecionar as partes mais nobres do frango, os restos (gordura, pele e interiores) são processados e fritos.
A empresa Arcos Dourados, gerente da rede na América Latina, afirmou que esse tipo de processo não é praticado na região. O mesmo ocorre com o produto da Irlanda e Reino Unido, que utiliza carne de fornecedores locais. Nos Estados Unidos, Burguer King e Taco Bell já haviam suspendido o uso de amônia em seus produtos.
Leia mais:

No site oficial no Mc Donald’s, a empresa afirma que sua carne é barata porque, ao servir muitas pessoas todo dia, são capazes de comprar de seus fornecedores por um preço menor, e oferecer os produtos de melhor qualidade. Além disso, a rede negou que decisão de mudar a receita esteja relacionada com a campanha de Jamie Oliver. No site, o McDonald’s esclarece que sua carne, apesar de todos os mitos que dizem o contrário, é verdadeira.
Fonte: Revista Carta Capital on 

ELES PRECISAM DE NÓS. MAIS DO QUE PRECISAMOS DELES


A indústria automobilística remeteu 5,58 bilhões de dólares em lucros e dividendos ao exterior no ano passado. O valor – equivale a 19% de todas remessas desse tipo e é 36% superior ao montante enviado em 2010 – foi tema de boa matéria de Pedro Kutney, nesta sexta no Uol.
Lucro pode se traduzir em empregos, geração de renda, impostos e tudo o mais. Contudo, quando ele surge em um ambiente com problemas sociais, ambientais e trabalhistas não resolvidos, deveria ser melhor avaliado.
Por exemplo, as montadoras não colocam em prática certas ações importantes para garantir  qualidade de vida ao brasileiro, como a adaptação da frota nacional para um diesel com menos enxofre na sua composição e que, portanto, mataria menos os moradores das grandes cidades. Ou um controle mais rígido sobre sua cadeia produtiva. Hoje, ao comprar um carro, você não tem como saber se o aço ou o couro que entrou na fabricação do veículo foram obtidos através de mão-de-obra escrava e trabalho infantil ou se beneficiando de desmatamento ilegal – ilegalidades que vêm sendo apontadas pelo Ministério Publico Federal e pela sociedade civil.
Alguns “especialistas” repetem que é irracional a solicitação de contrapartidas à indústria, uma vez que o aumento nas vendas gira a economia e gera empregos. Afirmam que as empresas não podem operar esquecendo que estão inseridas em uma economia de mercado, buscando uma taxa de lucro para continuar sendo viável. E que se problemas existem é pela falta de fiscalização do governo.
Ou seja, o Estado tem que garantir e ajudar o funcionamento das empresas, mas as empresas não podem sofrer nenhuma forma de intervenção em seu negócio – mesmo se ele for vetor de problema. Um liberalismo de brincadeirinha.
E recordar é viver: durante o pico da crise econômica de 2008, a General Motors demitiu 744 trabalhadores de sua fábrica em São José dos Campos (SP) sob a justificativa de “diminuição da atividade industrial”. Mesmo após ter recebido apoio da União e do governo do Estado de São Paulo no sentido de facilitar a compra de seus produtos por consumidores.
Se o Estado pensar só com cabeça de planilha, vai continuar fazendo do Brasil um suporte para as empresas automobilísticas de outros países durante épocas de crise, deixando o nosso meio ambiente e nossos trabalhadores pagarem a conta por isso.
Sugestão: quando constatados problemas na cadeia produtiva das montadoras, que tal taxar o lucro delas a ser remetido e usar o montante para cobrir esses danos ao homem e ao meio? OK, a idéia é quase impossível (por aqui, a dignidade é relativa, enquanto a propriedade é absoluta). Mas por isso mesmo deliciosamente interessante imaginarmos as reações.
“Ah, isso afastará os investidores internacionais”, dirão xororôs do mercado.
Vai não… Eles precisam de nós. Mais do que precisamos deles.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SE PREOCUPAR COM O "BRADO" É PERDER TEMPO

ENEM: Haddad tem que saber usar essa arma

O que vai fazer o ex-ministro Fernando Haddad perder ou vencer as eleições para a prefeitura de São Paulo será uma conjuntura de fatores como alianças, a performance do próprio candidato, o projeto para São Paulo etc. O ENEM terá papel importante, dependendo de quem vença a briga:  O PSDB e o PIG que vão tentar desqualificar o papel de Haddad e o ENEM ou o PT e seus aliados que terão que mostrar as enormes vantagens do exame e o bem que trouxe a milhares de jovens pobres em todo o país. 

Ninguém neste país, na moderna democracia, nem o próprio Lula,  sofreu um campanha tão baixa e agressiva  quanto  Dilma Rousseff. Os terríveis ataques que sofreu foram na hora, em plena campanha. Vieram de todos os lados: da Folha, da bancada do JN, do Waack, do Estadão, da Veja e principalmente, da internet. Foram de todos os tipos: de caráter político, religioso, moral, calúnias, tudo. No entanto, quem  é a Presidenta do Brasil hoje? 

Aquela vitória só foi conseguida porque o povo estava consciente, independente das calúnias do pig, da grande mudança que o projeto Lula trouxe para suas vidas. E sabia, também, que esse projeto seria tocado por Dilma. Se Lula, Dilma, o  PT e os aliados conseguirem tocar no povo paulista, mostrando-lhe não só a mudança de destino que terão nas mãos de Haddad, mas, principalmente, em que situação se encontram suas vidas hoje nas mãos de Kassab, de Alckmim,  usando sem dó nem piedade o "Privataria" para mostrar ao eleitor de São Paulo que tipo de gente governa o estado a dez anos, com certeza a vitória do ex-ministro da educação virá e não será um seriado, de ficção, em um horário que quase ninguém assiste,  que vai modificar isso.

The teacher. 

'O Brado Retumbante' detona Fernando Haddad - Parte 1

Por DiAfonso [Terra Brasilis]



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PROCURA-SE UMA ALTERNATIVA AO "SHOW DE TRUMAN" QUE A GLOBO NOS EMPURRA

Truman chega ao fim do "mar" e ao começo da vida

O filme "O show de Truman" de 1998, conta a história do próprio Truman, personagem vivido por Jim Carrey,  que tem sua vida mostrada ao vivo desde seu nascimento. Todos sabem, na cidade fictícia onde ele vive, pois todos são atores, menos ele. Seus pais, seu melhor amigo, sua esposa, todos representam seus respectivos papeis menos Truman por achar que aquela era realmente a realidade. Para encurtar a história, Truman depois de começar a desconfiar de certas "coincidências",  consegue chegar até o "mar", que na verdade é um estúdio e, a partir daí,  não só descobre a verdade como se liberta da prisão em que vivia no "projac" montado pela emissora da ficção. Na última cena do filme, ocorrida em um bar, quando percebem que Truman descobriu a verdade e que aquele programa perdeu a seu maior atrativo,  o dono do bar automaticamente desliga a televisão e os clientes, que estavam vidrados no programa , se voltam e começam a conversar. 

 Desde que começou,  semana passada,  a celeuma a respeito do BBB que o tema Rede Globo voltou à pauta. Aqui neste prosaico blog escreveu-se texto, nos blogs mais visitados textos foram escritos e naqueles blogs considerados "top" também foram encontrados conteúdos cujo  tema era a vênus prateada. Na maioria dos blogs ditos  progressistas e que pelejam nesta guerra para defender uma regulação para a mídia no Brasil e que ver,  na globo,  um grande impecilho para isso, o tema central dos textos era: o estupro não é o foco principal. O foco é o fato de uma emissora de televisão, que é uma concessão pública,  fazer (e mostrar) coisas que estarrecem a todos e não ser sequer molestada por isso. 

Pois bem. A partir daí comecei a observar que embora haja um indignação contra os fatos ocorrido no "reality",  as pessoas no meu entorno, pelo menos, continuam a assistir uma tal de griselda, continuaram a ver o tal do BBB e aqui na  minha cidade em todas as churrascarias há, no mínimo, dois telões de quarenta e duas polegadas, todos ligados na Globo de dia a noite.  É claro que existe muito milhares de pessoas, e nós entre elas,  que não assistem à tv dos Marinho. Mas temo que este número ainda não seja  tão grande , como relaçao aos que a assistem.

 Por que essa audiência persiste? Na minha modesta opinião, para aquelas  pessoas que buscam em um canal de televisão o tipo de entretenimento fornecido pela Globo,  e ao qual elas estão acostumadas, não há no Brasil uma outra alternativa. As concorrentes tentam mas não conseguem produzir programas e novelas  com a mesma qualidade (pelo menos aos olhos do público), com os mesmos atores e autores que a Vênus produz. Há tentativas aqui e ali. A Record está conseguindo vencer batalhas importantes na área do entretenimento e do jornalismo, mas não ainda o suficiente para desbancar a emissora em primeiro lugar. Não estou fazendo aqui apologias à qualidade dos programas da Globo nem estou dizendo que eles são bons, na verdade não assisto a mais nenhum faz tempo. Estou apenas dizendo que não foi ofertado ao cidadão  que, à noite, depois do jantar, se senta em frente à sua televisão nenhuma outra escolha, pelo menos  até agora, que faça com que ele, a partir dos padrões estabelecidos dentro de sua mente,  mude de canal . 

Tal qual no "Show de Truman" tão logo as pessoas percam o interesse por aquilo que lhes é empurrado todos os dias pela Rede Globo, (e isso só será conseguido, aqui, pela oferta de uma programação melhor ou igual, aos olhos daqueles que assistem) , os expectadores mudarão de canal ou simplesmente desligarão a televisão e irão cuidar de suas vidas. rezemos para que este dia chegue logo. 

The teacher. 

Leia aqui uma análise acadêmica sobre o  "O show de Truman",  aqui uma resenha do filme e assista aqui comentário do crítico de cinema Marcelo Janot sobre o dito cujo.

A NOTÍCIA QUE A VEJA NÃO GOSTARIA DE TER DADO.

Acostumada a só dar notícia ruim sobre o país, verdadeira ou inventada, a revista Veja agora teve que engolir seu ranço e reproduzir em seu caderno de economia na edição on line uma ótima notícia sobre o Brasil, publicada no Estadão e reproduzida abaixo

Economia

Brasil retira 10 milhões da pobreza em uma década

Número de pessoas na classe E cai de 17 milhões para 7 milhões, apontam pesquisas

Pela primeira vez, a classe E, a base da pirâmide social, representa menos de 1% dos 49 milhões de domicílios existentes no país. Isso significa que o número de brasileiros em situação de pobreza extrema teve uma drástica redução nos últimos dez anos, conforme apontam duas pesquisas de consultorias que usaram metodologias distintas. Em números exatos: 404.900, ou 0,8% dos lares, são hoje de classe E, segundo os cálculos do estudo IPC-Maps, feito pela IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 1998, a classe E reunia 13% dos domicílios, indica o estudo baseado em dados do IBGE.
Marcos Pazzini, responsável pelo estudo, explica que os dados são atualizados segundo um modelo desenvolvido pela consultoria, que leva em conta a pesquisa do Ibope Mídia sobre a distribuição socioeconômica dos domicílios, projeções de crescimento da população e da economia, entre outros indicadores. Os lares são classificados segundo o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), que leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família.
O Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, vai na mesma direção. Em 2001, a classe E era 10% da população (17,3 milhões de pessoas) e, em 2011, tinha caído para 3,6% ou 7 milhões, segundo o estudo que divide a população pela renda mensal per capita - R$ 79 para a classe E. "Não dá para dizer que acabaram os pobres, mas diminuíram muito, e a condição social deles melhorou porque tiveram acesso a vários bens de consumo, o que antes era praticamente impossível", afirma Pazzini.
Segundo o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles, a tendência das pesquisas é a mesma: uma forte redução do contingente de pobres. "Em dez anos, foram 10 milhões de pessoas a menos na classe E", observa, ponderando que a divergência entre a ordem de grandeza dos resultados pode ser decorrente do fato de muitas pessoas da classe E não terem domicílio.
As participações das classes E e D na estrutura social encolheram por causa da forte migração que houve entre 1998 e 2011. A fatia dos domicílios de classe D caiu quase pela metade no período, de 33,6% para 15,1%. Já os estratos C e B cresceram. Em 1998, 17,8% dos domicílios eram da classe B e, em 2011, representavam 30,6%.

sábado, 21 de janeiro de 2012

POPULARIDADE DE DILMA: EFEITO COLATERAL DA CAMPANHA DO PARTIDO DA IMPRENSA

Sem o PIG não se elegeriam nem vereadores.


O jornalista Paulo Henrique Amorim costuma dizer que sem o PIG os principais caciques do PSDB de São Paulo não passariam de Resende. Depois da divulgação da aprovação de Dilma ao final do seu primeiro ano de mandato (veja aqui), pode-se se dizer mais: os principais "privatas" não se elegeriam nem para vereador dos seus respectivos municípios. Se não, vejamos. A oposição, no ano que passou, só teve as  bandeiras que o PIG levantou, acho que em reunião com ela mesma: primeiro,   a tentativa de jogar Dilma contra Lula, de diferenciar os seus governos e de dizer que Lula era leniente com a corrupção. Não conseguiram. Tanto o ex-presidente com a presidenta tiveram um comportamento exemplar e solidário. Dilma, não esquecendo de citar seu mentor e de associar as obras e as realizações de seu governo com o de Lula. Lula, por sua vez, usou o brilhantismo e a inteligência que lhes são característicos, embora os que o invejem não admitam,  e disparou esta pérola, que calou a todos: " Não há divergências entre mim e Dilma, mas, se houver,  ela é que está certa."

Quando a oposição estava começando a ficar sem discurso, começou a caça aos ministros. aproveitando-se da conduta de ministros que foram indicados  pelos respectivos partidos da base,  o PIG começou a campanha que ainda está em curso para derrubar auxiliares de Dilma. Alguns deles foram defenestrados por pura pressão pois não foram apresentadas, pelos menos até o momento, provas concretas contra estes acusados. Estão incluídos neste caso os Ex-ministros dos esportes Orlando Silva e do trabalho Carlos Lupi.

Verdadeiras as acusações ou não, a intensa campanha desenvolvida pelo PIG visava a, primeiro, dar discurso à  combalida oposição e, segundo, colar no governo e na presidenta a pecha de conivente com a corrupção e sem autoridade diante de ministros que praticavam o famoso "mal feito". Foi um tiro no pé: as rapídas e firmes atitudes de Dilma, após dar o tempo necessário para que os acusados se defendessem, tiveram o efeito contrário ao esperado pela imprensa e pela oposição:  a sociedade começou a ver na presidenta uma mulher capaz de resolver rapidamente e com autoridade um dos problemas que mais atormentam o cidadão comum: a corrupção.

Os partidos de oposição, que foram governo durante a era FHC estavam, há algumas semanas,  com um problema sério nas mãos: encontrar um modo de explicar aos seus eleitores, cada dia em menor número, mas que já leram o "Privataria Tucana",  a participação de alguns de seus caciques nos crimes mostrados por Amaury Ribeiro Junior além de acharem um modo de neutralizar a referência ao livro no guia eleitoral que se aproxima. Agora, com a divulgação da pesquisa na qual a presidenta supera o próprio Lula no seu primeiro ano de governo, para não falar nos presidentes que  o antecederam, os caciques, dependentes do PIG até a medula,  suspiram de desânimo  por saberem primeiro que serão desnudados diante da sociedade como corruptos e corruptores que são e depois por constatarem que  o povo, desde o governo de Luis Inácio Lula da Silva,  não se guia tanto e tão cegamente pela imprensa-partido como fazia no passado. 

the teacher. 

NÃO À MP 557/2011! EM DEFESA DA VIDA DAS MULHERES!


“É urgente que o Ministério da Saúde retire essa MP e articule suas ações para redução da mortalidade materna em acordo com mecanismos e as diretrizes já previstos no SUS e nas Conferencias Nacionais de Saúde. “ enviado por Fátima...
É urgente que o Ministério da Saúde retire essa MP e articule suas ações para redução da mortalidade materna em acordo com mecanismos e as diretrizes já previstos no SUS e nas Conferencias Nacionais de Saúde. “
enviado por Fátima Oliveira
No dia 26/12/2011, o Ministério da Saúde publicou a Medida Provisória 557/2011, que institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna que prevê um cadastro universal das gestantes e puérperas buscando identificar as que estão com gestação de risco. Segundo o Ministério da Saúde essa iniciativa visa a responder a uma preocupação de que os municípios e Estados fortaleçam sua intervenção e garantam a realização de uma atenção eficaz e humanizada como parte do esforço de redução da mortalidade materna a níveis aceitáveis segundo a OMS. É conhecida a gravidade dos índices de mortalidade materna no Brasil, seu corte de classe e raça e, portanto, a urgência que uma Política Integral de Atenção à Saúde da Mulher priorize essa questão.
No entanto a edição desta MP levanta várias dúvidas quanto à sua adequação e se, de fato, é necessário criar esse tipo de mecanismo e, mais ainda, por meio de um dispositivo de Medida Provisória. Em primeiro lugar chama a atenção de maneira contundente o fato de que ela mexe na lei geral que organiza o sistema de saúde (Lei 8080 de 1990) para introduzir na legislação a questão dos direitos do nascituro. A introdução da idéia de direitos do nascituro tem sido, ao longo de várias décadas, uma questão central na disputa realizada pelos setores que buscam restringir os direitos das mulheres à autodeterminação e autonomia em relação à maternidade. Um debate que se contrapõe não apenas ao movimento de mulheres, mas a todos os setores progressistas que reconhecem a importância de se resguardar e reafirmar o direito das mulheres frente às tentativas constantes de introduzir esta contraposição no ordenamento legal brasileiro.
Não é pouco lembrar que, até agora, o marco principal é a Constituição brasileira onde prevaleceu o direito à vida desde o nascimento e os direitos das mulheres enquanto gestantes, recusando-se essa noção movida principalmente por influências religiosas conservadoras. O mais preocupante, portanto, é que a MP 557/2011, introduz a figura do nascituro como portador de direitos, quando é fato que esse não existe fora do corpo da gestante.
O fato é que esses setores retrógrados não conseguiram introduzir essa questão na legislação no Brasil até o momento, ainda que nos últimos anos tenha se acirrado a pressão para se definir os direitos das pessoas, e neste caso em especial das mulheres pela ótica de ideologias religiosas conservadoras. É inaceitável que isso seja realizado pelo Ministério da Saúde e a partir de uma questão tão sensível como propostas de redução da mortalidade materna. Com isso, o Ministério assume a linguagem dos setores reacionários, o que é inadmissível, e retrocede no processo de acúmulo que o SUS representa em termos de uma concepção de saúde vinculada ao pleno exercício de direitos.
Evidentemente o caráter persecutório da MP torna-se mais forte pelo fato de que no Brasil as mulheres são criminalizadas pela realização do aborto. Nos últimos anos há uma ofensiva conservadora e aumento da perseguição e criminalização das mulheres, inclusive com a interdição policial de clínicas, com a utilização de prontuários e registros das usuárias. As mulheres não podem exercer sua autonomia diante de uma gravidez indesejada e ficam expostas a riscos para sua saúde, sua integridade física e liberdade.
É evidente que o cadastro proposto é universal e compulsório, como se pode ler no texto da MP. Se é possível tomar medidas para que isso não seja utilizado como mais um instrumento de restrição de liberdade das mulheres em sua vida reprodutiva, os argumentos do Ministério da Saúde de que “universal” não se confunde com “compulsório” só faz sentido se isso corresponde a uma sugestão do Ministério de que as mulheres não procurem os serviços de saúde! Aliás, todas nós esperamos e queremos um atendimento integral à saúde das mulheres e que todas possam estar inscritas no sistema de saúde. O que torna, portanto, mais estranha e incompreensível a necessidade de tal cadastro específico de gestantes, mesmo considerando a problemática da mortalidade materna.
Desde o início da gestão, tem prevalecido nas ações do Ministério da Saúde uma perspectiva conservadora que não leva em consideração a saúde integral das mulheres e está centrada fundamentalmente no aspecto materno infantil. Nesse sentido a MP é uma continuidade da rede cegonha e de uma visão redutora do papel das mulheres como mães e reprodutoras.
Também chama a atenção a introdução da proposta de um Comitê Gestor Nacional sem qualquer participação da sociedade civil, e principalmente de Comissões de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento de Gestantes e Puérpuras de Risco quando na realidade já existe no sistema de saúde, com participação dos movimentos e da sociedade civil, os Comitês de Morbi-Mortalidade Materna, fruto da luta e reivindicação dos setores organizados como parte de toda uma luta dos movimentos sociais por um sistema de saúde público e com controle social. A proposta não segue o acúmulo do SUS, prevendo em sua composição apenas a participação de profissionais e gestores, e desconhece o papel do movimento organizado nesses instrumentos.
Finalmente, o enfrentamento da mortalidade materna exige enfrentar a terceira causa de mortalidade materna que é o abortamento inseguro. É amplamente conhecido que isso só será possível se for respeitada a autonomia das mulheres e o aborto diante de uma gravidez indesejada for parte da política de saúde pública.
É obrigação do Ministério da Saúde ter políticas de atenção à maternidade que busquem reduzir a morbi-mortalidade materna e para isso é necessário qualificar a assistência e garantir o acesso e acolhimento nas unidades e hospitais, tanto na regulamentação para o atendimento privado como nos serviços sob responsabilidade da rede SUS. Nesse sentido a o benefício de R$50,00 terá um papel importante para o deslocamento daquelas que têm dificuldade financeiras. Sua eficácia, entretanto, depende da existência de outras políticas sociais associadas. Mas, mais uma vez, não é isso o que justifica a edição desta medida provisória.
É urgente que o Ministério da Saúde retire essa MP e articule suas ações para redução da mortalidade materna em acordo com mecanismos e as diretrizes já previstos no SUS e nas Conferencias Nacionais de Saúde.
Por isto, nós, da Marcha Mundial das Mulheres, exigimos:

• Que o Ministério da Saúde retire a MP 577/2011 no sentido de garantir a integralidade da saúde da mulher em consonância com seus direitos e garantias individuais;
• Que o Ministério da Saúde retome o debate sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e que o governo reafirme a autonomia política das ações condizentes com os princípios do Estado Laico, tomando medidas sem se curvar para conservadorismos ou morais religiosas;
• Um compromisso explícito do governo de impedir todas as ações de retirada de direito das mulheres nas políticas públicas;
• Que o Ministério da Saúde e o governo federal em conjunto com a sociedade civil enfrentem o debate do aborto inseguro e a necessidade de políticas de atendimento às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada e, portanto, que o aborto seja descriminalizado e legalizado.

Marcha Mundial das Mulheres
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